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Evolução dos Fluxos de Comércio e do Saldo Comercial

No documento Andréa Facó Alves (páginas 36-41)

3.2.1 Análise do período de 1989 a 2000

O estudo desse período consiste na análise do comércio exterior de 165 grandes firmas industriais (80 nacionais e 85 estrangeiras).

Analisando a evolução dos fluxos de comércio é possível perceber que as exportações junto com as importações, apresentaram crescimento bastante significativo, superando, inclusive ao crescimento verificado no total da economia. Um estudo desenvolvido pelo IEDI

entre os anos de 1989 e 1997, que foi um período de profundas transformações devido á abertura, estabilização e valorização cambial, o aumento dos fluxos de comércio foi mais acentuado entre as empresas estrangeiras do que as nacionais. Desta forma, as importações cresceram muito mais do que as exportações, que acabou por resultar em saldos negativos tanto para a economia como para as empresas estrangeiras.

O crescimento médio anual das importações atingiu 17%, enquanto a evolução das exportações foi de 7,2%. Ou seja, as transformações e os avanços na integração comercial com os parceiros do Mercosul, tiveram uma intensidade sobre os fluxos de importação do que de exportação (IEDI, 2002).

Por origem de capital, é possível detectar algumas características distintas entre as nacionais e estrangeiras. Em primeiro lugar, entre 1989-1997, a assimetria na evolução dos fluxos de comércio em favor das importações foi muito mais acentuada para as empresas estrangeiras do que para as empresas nacionais (IEDI, 2002).

O gráfico a seguir mostra que as mudanças nos volumes de comércio foram maiores para as empresas estrangeiras devido ao grande aumento das importações, que saltaram de US$ 2 bilhões para US$ 10,9 bilhões. Para as nacionais, o aumento foi de US$ 1,9 para US$ 3 bilhões no mesmo período.

Como resultado, o saldo comercial das empresas estrangeiras passa de superávit de US$ 2,8 bilhões em 1989 para déficit de US$ 1,2 bilhões em 1997. Para as nacionais o superávit que era de US$ 3,3 bilhões, elevou-se para US$ 5 bilhões (IEDI, 2002).

Em resumo, mesmo diante da abertura e da sobrevalorização cambial, a grande empresa nacional exportadora aumentou suas exportações e ampliou seu saldo comercial entre os anos de 1989 e 1997. No mesmo período, acompanhando o que ocorreu no comércio exterior brasileiro, a empresa estrangeira transitou de superavitária para deficitária.

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GRÁFICO 4

Exportações e Importações das Empresas Selecionadas por Origem de Capital — 1989, 1997 e 2000 — em USS Milhões

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Fonte:IEDI, 2002 Dados: Secex

Entre 1997 e 2000, também é possível detectar uma diferença marcante de desempenho entre as empresas nacionais e estrangeiras:

• Enquanto as empresas nacionais ampliaram o ritmo da evolução das exportações com relação ao período anterior - o crescimento das exportações foi de 7,1% ao ano, em média — as vendas externas das estrangeiras declinaram a uma taxa de 2,8% ao ano.

• Pelo lado das importações, a queda foi acentuada entre as estrangeiras (12,3% ao ano);

as grandes empresas nacionais mantiveram uma variação positiva (3,9% ao ano).

• Como resultado da queda das importações, as estrangeiras voltam a apresentar superávit comercial no ano 2000; as nacionais aumentam o saldo comercial em função das maiores exportações.

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Os dados do ano 2000 mostram mudanças relevantes, em particular quanto aos efeitos da desvalorização cambial sobre as importações. Estas declinaram de US$ 13,9 para US$ 10,8 bilhões, enquanto as exportações aumentaram de US$ 17,8 para US$ 18,9 bilhões. Isso elevou o saldo comercial para US$ 8 bilhões, um valor superior ao de 1989.

Ou seja, com a desvalorização cambial, as empresas nacionais ampliaram o saldo comercial, aumentando a corrente de comércio; as estrangeiras voltam a ser superavitárias, reduzindo a corrente de comércio, principalmente pelo lado das importações.

3.2.2 Análise do período de 2000 a 2003

Para esse período, o IEDI analisou a evolução dos indicadores de comércio exterior de uma amostra qualificada de 218 empresas industriais selecionadas, entre elas as nacionais e as estrangeiras.

No ano de 2000, as grandes empresas nacionais e estrangeiras da seleção exportaram um total de US$ 25,7 bilhões, com as empresas nacionais respondendo por 47,5%

do total. Esses valores permaneceram relativamente estáveis em 2001, mas, em 2002, as empresas nacionais apresentam um desempenho um pouco superior, crescendo 5,6% em relação a 2001, enquanto as estrangeiras aumentaram suas exportações em apenas 1,3%. No ano seguinte, os dois grupos de empresas experimentam um verdadeiro salto nas exportações:

para as empresas nacionais, o crescimento em relação a 2002 foi de 23% e para as estrangeiras, 20,4% (IEDI, 2004).

Quanto às importações, as empresas estrangeiras sempre mantiveram um volume de compras externas muito superior ao das empresas nacionais, diferença esta que, no entanto, se reduziu bastante em 2002, quando as empresas estrangeiras diminuíram suas importações em 15,2%, enquanto as firmas nacionais tiveram redução de 8,2%. Em 2003, as importações voltaram a se elevar, mas o aumento foi muito superior para as empresas nacionais (18,5%) do que para as estrangeiras (3,0%).

TABELA 4

Exportações, Importações e Saldo Comercial das Empresas 2000 a 2003 em US$ Milhões

Exportações 2000 2001 2002 2003

nacionais 12.211,50 12.107,00 12.782,40 15.729,10

estrangeiras 13.505,20 13.785,70 13.963,70 16.815,30

Total 25.716,70 25.892,80 26.715,40 32.544,40

Importações

nacionais 4.145,60 4.430,80 4.056,20 4.807,40

Estrangeiras 12.372,10 12.261,30 10.397,60 10.706,10

Total 16.517,70 16.692,10 14.453,80 15.513,60

Saldo

nacionais 8.065,90 7.676,30 8.726,20 10.921,70

estrangeiras 1.133,00 1.524,40 3.566,10 6.109,20

Total 9.199,00 9.200,70 12.330,20 17.030,80

Comércio

nacionais 16.357,10 16.537,80 16.838,60 20.536,50

estrangeiras 25.877,30 26.047,00 24.361,30 27.521,40

Total 42.234,40 42.584,90 41.169,20 48.058,00

Fonte: Secex

Como resultado, o saldo comercial das empresas estrangeiras se elevou de US$ 1,1 bilhões em 2000 para US$ 3,5 bilhões em 2002 e daí para US$ 6,1 bilhões em 2003. Cabe sublinhar que o maior saldo de 2002 decorreu principalmente de um menor valor de importações, enquanto em 2003, o aumento das exportações foi o grande fator responsável pelo aumento do superávit comercial.

Para as grandes empresas nacionais, como as importações não sofrem alterações de grande monta com exceção de 2003, ano em que as exportações também cresceram em ritmo acelerado, o saldo se elevou notadamente devido ao desempenho das exportações. O valor do saldo no caso das grandes empresas nacionais alcançou US$ 10,9 bilhões em 2003, contra US$ 8,1 bilhões em 2000, como mostra a tabela 4 e gráfico 5.

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GRÁFICO 5

Exportações e Importações por Origem de Capital — 2000 a 2003 — Em US$ milhões

Fonte: IEDI, 2002 Dados: Secex

No documento Andréa Facó Alves (páginas 36-41)

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