2 A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL NA
4.2 Método da intervenção
4.2.1 Etapas da aplicabilidade referente ao ciclo de aprendizagem expansiva
4.2.1.4 Examining the model to understand its dynamics, strengths and pitfalls
Para examinar o modelo e entender suas dinâmicas, forças e armadilhas, a prática a ser desenvolvida teve duração de um bimestre, com dois encontros semanais e durabilidade de quarenta e cinco minutos cada aula. Para Daniels,
[the] general working hypothesis of learning itself requires expansion to include notions of experiencing and identity formation within an account that includes a systematic and coherent analysis of the wider social structuring of society as an inseparable part of the analysis (DANIELS, 2016, p. 24).
A fim de avaliar a intervenção implementada, utilizou-se os seguintes instrumentos para a coleta de dados: observação e análise documental.
A observação foi utilizada para investigar, analisar como se desenvolveu o trabalho colaborativo entre os alunos e as possíveis mediações docentes. Para Marconi e Lakatos (2015, p. 80) “as observações são feitas no ambiente real, registrando-se os dados à medida que forem ocorrendo, espontaneamente, sem a devida preparação”.
Para Marconi e Lakatos (2015, p. 76) a observação “é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade”. Ela se deu de forma assistemática, sistemática e participante, Idem (2015, p. 77-78) a observação assistemática ou não estruturada “consiste em recolher e registrar os fatos da realidade sem que o pesquisador utilize meios técnicos especiais ou precise fazer perguntas diretas”, a sistemática ou estruturada “o observador sabe o que procura e o que carece de importância em determinada situação; deve ser objetivo, reconhecer possíveis erros e eliminar sua influência sobre o que vê ou recolhe”. A observação participante segundo as autoras (2015, p. 79) salientam que o pesquisador tem participação real com os sujeitos da pesquisa e que esta tem como objetivo “ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreender a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo [...]”.
Do ponto de vista relatado a observação oferece vantagens e algumas limitações como:
Vantagens:
a) Possibilita meios diretos e satisfatórios para estudar uma ampla variedade de fenômenos.
b) Exige menos do observador do que as outras técnicas.
c) Permite a coleta de dados sobre um conjunto de atitudes comportamentais típicas.
d) Depende menos da introspecção ou da reflexão.
e) Permite a evidência de dados não constantes do roteiro de entrevistas ou de questionários.
Limitações:
a) O observado tende a criar impressões favoráveis ou desfavoráveis no observador.
b) A ocorrência espontânea não pode ser prevista, o que impede, muitas vezes, o observador de presenciar o fato.
c) Fatores imprevistos podem interferir na tarefa do pesquisador.
d) A duração dos acontecimentos é variável: pode ser rápida ou demorada e os fatos podem ocorrer simultaneamente; nos dois casos, toma-se difícil a coleta dos dados.
e) Vários aspectos da vida cotidiana, particular, podem não ser acessíveis ao pesquisador (MARCONI; LAKATOS, 2015, p. 76-77).
A fim de superar as limitações desse instrumento e facilitar o processo de coleta de dados, utilizou-se como recurso complementar a gravação de voz, durante as atividades colaborativas, para posterior análise dos dados coletados. Para Bauer e Gaskell (2002, p. 98) “[g]ravar é importante para se poder fazer uma análise adequada posteriormente”.
Devido à grande demanda de atividades desenvolvidas pela pesquisadora durante o semestre, na qual poderia não conseguir realizar as degravações, em tempo hábil, e não desejando acumulá-las, pensou-se em uma estratégia, caso houvesse necessidade. Desta forma, convida-se uma colega que reside no mesmo município e que está cursando o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu), para auxiliá-la. Então, marca-se um dia, no final de semana, após a primeira intervenção, a fim de analisarmos a gravação juntas e delinearmos os passos, prioridades, enfim, todos os aspectos relevantes para a análise da intervenção.
Neste primeiro momento, explica-se que no início da página na qual vai digitar, com a finalidade de degravar os áudios, deve conter os dados da intervenção, como: data, número da aula, horário inicial, horário final e o tempo total de duração. Em seguida afirma-se que a versão escrita do conteúdo gravado deve ser precisa, elencando tudo o que foi relatado, discutido na atividade, todavia os vícios de linguagem não foram considerados e avaliados durante as degravações.
O apêndice F mostra a pauta utilizada para a observação. Ressalta-se a importância de ter priorizado tal experiência, no entanto, a pesquisadora conseguiu desempenhar suas atividades em dia, não necessitando que as degravações fossem realizadas por outrem.
4.2.1.4.2 Análise documental
A análise documental foi utilizada para coletar os dados. Segundo Ludke e André (1986, p. 39) “os documentos constituem também uma fonte poderosa de onde podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador, representam ainda uma fonte natural de informação”.
A análise de documentos, conforme Bell (1993), pode ser empregada para complementar à informação obtida por outros métodos, aguardando encontrar-se nos documentos informações pertinentes para o estudo.
Para Ludke e André (1986) a análise documental busca identificar informações nos documentos a partir de várias questões ou hipóteses e possui uma série de vantagens como: os documentos são ricos em informações que podem ser consultados a qualquer tempo, por diversas vezes, proporcionando maior estabilidade aos resultados, possuem baixo custo e podem fundamentar as afirmações do pesquisador fornecendo informações deste contexto.
Toda via, como todos os instrumentos a análise documental também apresenta algumas desvantagens, como: os documentos são amostras não representativas e não mostram objetividade.
Documentos utilizados a fim de analisar os dados: pareceres descritivos dos alunos com DI; pré e pós testes.
Explica-se na introdução, deste relatório, a análise dos pareceres descritivos dos alunos. Já os pré e pós-testes foram criados para verificar os limites e as possibilidades do trabalho colaborativo, antes e após as estratégias implantadas.
Antes de começar as intervenções, realizou-se um pré-teste com a turma que participou da intervenção, a fim de perceber em que nível de aprendizagem se encontravam, referente ao componente curricular de Matemática, mais precisamente referente às equações de 1° grau. Segundo Marconi e Lakatos (2015, p. 88) “o pré- teste permite a obtenção de uma estimativa sobre os futuros resultados”. Destaca-se que ambos os testes, pré e pós-testes, continham o mesmo estilo de questões, compostas por perguntas abertas e fechadas e na mesma quantidade, estes encontram-se nos apêndices G e H.
A fim de visualizar, de forma mais clara, os instrumentos utilizados, a quantidade de sujeitos, das intervenções, do tempo e das transcrições durante a pesquisa, elabora-se a tabela abaixo:
Figura 7 - Tabela 2- Resumo da coleta de dados Instrumentos Nº total de intervenções Tempo (minutos) Nº de páginas da transcrição Pré-teste 1 45 7 Atividades colaborativas (resoluções problemas) 9 380 34 Pós-teste 1 45 13 Total 11 470 54
4.2.1.5 Implementing the model and monitoring the processes and impact of