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4. RESULTADOS

4.2 RESULTADOS EMPÍRICOS

4.2.1 Excesso de Caixa e Rentabilidade das Empresas

A tabela 4 apresenta os resultados da equação 1 usada para estimar o excesso

de caixa (ECM). O excesso de caixa da empresa i para o ano t foi estimado como o

resíduo em cross-sectional desta regressão.

Os resultados encontrados na tabela 4 demonstram uma relação positiva em

todos os anos entre o caixa e o market-to-book com significância estatística em 9 dos

15 anos pesquisados, assim, pode-se afirmar a relação positiva entre o caixa e as

empresas que detêm patrimônio líquido a valor de mercado maior do que o escriturado

na contabilidade. Corroborando com os resultados encontrado por Lee e Powell

(2011) e Simutin (2010), nos mercados australiano e americano, respectivamente.

49

Tabela 4: Regressão em cross-sectional do modelo Opler et al. (1999) modificado.

𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎

𝑖

= 𝛾

0

+ 𝛾

1

𝑀𝑎𝑟𝑘𝑒𝑡 − 𝑡𝑜 − 𝐵𝑜𝑜𝑘

𝑖

+ 𝛾

2

𝑇𝑎𝑚𝑎𝑛ℎ𝑜

𝑖

+ 𝛾

3

𝐺𝑎𝑠𝑡𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝐼𝑚𝑜𝑏𝑖𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑜

𝑖

+ 𝛾

4

𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝐺𝑖𝑟𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜

𝑖

+ 𝛾

5

𝐸𝑛𝑑𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜

𝑖

+ 𝛾

6

𝐸𝐵𝐼𝑇𝐷𝐴

𝑖

+ 𝛾

7

𝐷𝑢𝑚𝑚𝑦 𝐶𝑜𝑚é𝑟𝑐𝑖𝑜

𝑖

+ 𝛾

8

𝐷𝑢𝑚𝑚𝑦 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜

𝑖

+ 𝜀

𝑖 Variável Coeficiente 2014 2013 2012 2011 2010 2009 2008 2007 Intercepto 0,2709*** - 0,2920*** 0,1891** 0,2127** 0,1486 0,3270** 0,2321* 0,3080* Market-to-Book 0,0277* 0,0422*** 0,0343*** 0,0255* 0,0168 0,0360** 0,0298 0,0357** Tamanho - 1,1909* - 1,1944* - 0,5259 - 0,4914 - 0,0979 - 0,9035 - 0,0012 0,3415 Gasto do Imobilizado - 0,0509 - 0,2042 - 0,0919 0,1100 - 0,0949 - 0,0755 0,0657 - 0,0730 Capital de Giro - 0,1644** - 0,2103*** - 0,1522*** - 0,1685** - 0,2328*** - 0,1581* - 0,1957** - 0,2151* Endividamento 0,0230 - 0,0025 - 0,0464 - 0,1124 - 0,0767 - 0,1822* - 0,2786*** - 0,5441*** EBITDA 0,1816 - 0,1589 - 0,1866 - 0,1062 0,0679 - 0,0321 - 0,1937 - 0,6047*** Comércio - 0,0024 - 0,0031 - 0,0103 - 0,0233 0,0078 0,0348 0,0816 - 0,0149 Serviço - 0,0772*** - 0,0547*** - 0,0344* - 0,0408* - 0,0450* - 0,0149 0,0147 0,0411 Observações 188 192 197 197 198 206 215 226 R2 ajustado 0,1027 0,0882 0,0636 0,0416 0,0583 0,0510 0,0708 0,1388 Estatística F 3,68*** 3,31*** 2,66*** 2,06** 2,52** 2,38** 3,04*** 5,53***

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

(Eq. 1)

Tabela 4: Regressão em cross-sectional do modelo Opler et al. (1999) modificado.

𝐶𝑎𝑖𝑥𝑎

𝑖

= 𝛾

0

+ 𝛾

1

𝑀𝑎𝑟𝑘𝑒𝑡 − 𝑡𝑜 − 𝐵𝑜𝑜𝑘

𝑖

+ 𝛾

2

𝑇𝑎𝑚𝑎𝑛ℎ𝑜

𝑖

+ 𝛾

3

𝐺𝑎𝑠𝑡𝑜 𝑐𝑜𝑚 𝐼𝑚𝑜𝑏𝑖𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑜

𝑖

+ 𝛾

4

𝐶𝑎𝑝𝑖𝑡𝑎𝑙 𝑑𝑒 𝐺𝑖𝑟𝑜 𝐿í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜

𝑖

+ 𝛾

5

𝐸𝑛𝑑𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜

𝑖

+ 𝛾

6

𝐸𝐵𝐼𝑇𝐷𝐴

𝑖

+ 𝛾

7

𝐷𝑢𝑚𝑚𝑦 𝐶𝑜𝑚é𝑟𝑐𝑖𝑜

𝑖

+ 𝛾

8

𝐷𝑢𝑚𝑚𝑦 𝑆𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜

𝑖

+ 𝜀

𝑖 Variável Coeficiente 2006 2005 2004 2003 2002 2001 2000 Intercepto 0,1178 0,0996 0,1112 0,0682 0,1232 0,0896 0,1681 Market-to-Book 0,0020 0,0403* 0,0342 0,0679* 0,0219 0,0598 0,1229*** Tamanho 0,9178 0,3393 - 0,3234 0,1030 - 0,3211 - 0,1658 - 0,6707 Gasto do Imobilizado 0,1415 - 0,1871 0,1349 - 0,2610 - 0,0614 - 0,3600** - 0,0236 Capital de Giro - 0,0609 - 0,1576* - 0,1444* - 0,1584** - 0,1129 - 0,1997** - 0,2403** Endividamento - 0,3707*** - 0,2471** - 0,2481*** - 0,2131** - 0,1345 - 0,1364 - 0,2530** EBITDA - 0,1372 0,0618 0,2868** 0,1791 0,4043** 0,3386 - 0,0447 Comércio 0,0585 0,1033 0,0888 0,1429** 0,1945** 0,2245*** 0,0276 Serviço 0,0259 0,0181 0,0617** - 0,0003 - 0,0033 0,0001 - 0,0039 Observações 186 170 169 158 146 140 139 R2 ajustado 0,0404 0,0695 0,1301 0,1031 0,0600 0,0999 0,0895 Estatística F 1,97* 2,58** 4,14*** 3,26*** 2,16** 2,93*** 2,69***

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%.

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

(Eq. 1)

A variável tamanho obteve quatro sinais positivos sem significância e onze

sinais negativos sendo que dois deles tinham significância a dez por cento e os outros

são sem significância. Assim, o sinal negativo foi predominante e pode ser explicado

pelo fato das empresas maiores possuírem mais garantias, assim, são menos

arriscadas, por isso, podem obter financiamento com custos menores, gerando uma

menor necessidade de caixa para as mesmas, justificando a relação negativa entre

as variáveis (STEIJVERS; NISKANEN, 2013).

O gasto com imobilizado apresentou quatro sinais positivos sem significância e

onze sinais negativos sendo que um deles tinham significância a cinco por cento e os

outros são sem significância. Os sinais positivos corroboram com encontrado por Lee

e Powell (2011) no mercado australiano, enquanto, os sinais negativos corroboram

com Simutin (2010) no mercado americano.

A variável capital de giro obteve sinal negativo em todos os anos, em dois deles

sem significância e os outros treze anos com significância estatística. O sinal negativo

é consistente com a capacidade do capital de giro em substituir o caixa, ou seja,

empresas com maior capital de giro podem manter menos caixa devido a maior

liquidez destes ativos, permitindo que os gestores mantenham menos caixa, pois,

estes ativos se tornaram caixa no decorrer da atividade operacional da entidade (LEE;

POWEL, 2011).

O endividamento apresentou apenas um sinal positivo e sem significância e

quatorze sinais negativos, sendo oito tinham significância. Sendo assim, o sinal

negativo foi predominante, corroborando com os resultados de Ferreira e Vilela (2004)

na Europa Ocidental, Simutin (2010) e Lee e Powell (2011).

A variável EBITDA não obteve sinal consistente no período, sendo, sete sinais

positivos e apenas um com significância e oito sinais negativos e apenas um com

significância. Assim, não pode identificar claramente a relação da geração de caixa

com o caixa, sugerindo que os gestores utilizam o caixa de forma endógena para

mitigar o risco de default no curto prazo (ACHARYA; DAVYDENKO; STREBULAEV,

2012). Além disso, Bates, Kahle e Stulz (2009) encontraram uma relação negativa,

enquanto, Simutin (2010) encontrou uma relação positiva.

A tabela 5 apresenta os resultados do painel entre o ECM (variável dependente)

risco e rentabilidade. Nesta tabela utilizou-se o ROI como proxy para rentabilidade.

Tabela 5: Painel com as características do ECM, proxy para rentabilidade ROI, efeito randômico.

𝐸𝐶𝑀

𝑖,𝑡

= 𝛼

0

+ 𝛽

1

𝐵𝑒𝑡𝑎

𝑖,𝑡

+ 𝛽

2

𝐵𝑜𝑜𝑘 − 𝑡𝑜 − 𝑀𝑎𝑟𝑘𝑒𝑡

𝑖,𝑡

+ 𝛽

3

𝐶𝑟𝑒𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜

𝑖,𝑡

+

𝛽

4

𝑇𝑎𝑚𝑎𝑛ℎ𝑜

𝑖,𝑡

+ 𝛽

5

𝑅𝑂𝐼

𝑖,𝑡

+ 𝛽

6

𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝐶â𝑚𝑏𝑖𝑜

𝑖,𝑡

+ 𝛽

7

𝑆𝑒𝑙𝑖𝑐

𝑖,𝑡

+ 𝛽

8

𝑃𝐼𝐵

𝑖,𝑡

+

𝛽

9

𝐼𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜

𝑖,𝑡

+ 𝜀

𝑖,𝑡

Variável Coeficiente Estatística z

Intercepto - 0,4139* - 1,68 Beta - 0,0148 -1,23 Book-to-Market 0,0001 0,03 Crescimento do Ativo 0,0009 0,08 Tamanho 0,2848 0,77 ROI 0,0548 1,54 Taxa de Câmbio 0,0018 0,13 Selic 0,0002 0,12 PIB 0,0204 1,30 Inflação 0,0093*** 3,86 Observações 1.003 Chi2 0,0184 Estatística F 26,98*** Hausman 11,38

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

De acordo com a tabela, o excesso de caixa não pode ser explicado pelo risco

(beta), ou seja, não existem evidências significativas para afirmar uma relação

negativa entre o ECM e o risco, embora o sinal negativo (- 0,0148) para variável beta.

O ROI (proxy de rentabilidade) auferiu um sinal positivo (0,0548), porém, não obteve

significância estatística. Sendo assim, a regressão acima não permite inferir uma

relação entre o ECM, risco e rentabilidade.

A tabela 6 apresenta os resultados do painel entre o ECM, risco e rentabilidade,

porém, nesta tabela utilizou-se o ROE como proxy para rentabilidade.

Tabela 6: Painel com as características do ECM, proxy para rentabilidade ROE, efeito fixo.

𝐸𝐶𝑀

𝑖,𝑡

= 𝛼

0

+ 𝛽

1

𝐵𝑒𝑡𝑎

𝑖,𝑡

+ 𝛽

2

𝐵𝑜𝑜𝑘 − 𝑡𝑜 − 𝑀𝑎𝑟𝑘𝑒𝑡

𝑖,𝑡

+ 𝛽

3

𝐶𝑟𝑒𝑠𝑐𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑑𝑜 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑜

𝑖,𝑡

+

𝛽

4

𝑇𝑎𝑚𝑎𝑛ℎ𝑜

𝑖,𝑡

+ 𝛽

5

𝑅𝑂𝐸

𝑖,𝑡

+ 𝛽

6

𝑇𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝐶â𝑚𝑏𝑖𝑜

𝑖,𝑡

+ 𝛽

7

𝑆𝑒𝑙𝑖𝑐

𝑖,𝑡

+ 𝛽

8

𝑃𝐼𝐵

𝑖,𝑡

+

𝛽

9

𝐼𝑛𝑓𝑙𝑎çã𝑜

𝑖,𝑡

+ 𝜀

𝑖,𝑡

Variável Coeficiente Estatística t

Intercepto - 0,3625 - 1,43 Beta - 0,0158 - 1,15 Book-to-Market - 0,0014 - 0,45 Crescimento do Ativo 0,0007 0,05 Tamanho - 0,2557 - 0,37 ROE 0,0242*** 2,65 Taxa de Câmbio - 0,0030 - 0,22 Selic 0,0002 0,11 PIB 0,0225 1,31 Inflação 0,0101*** 3,97 Observações 1.003 R2 0,0234 Estatística F 3,49*** Hausman 24,11***

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

O risco apresentou um sinal negativo (- 0,0158), entretanto, este resultado não permite

uma inferência estatística. Assim, não se pode afirmar a relação existente entre o ECM

e o risco. Por outro lado, o ROE (proxy para rentabilidade) obteve um sinal positivo

(0,0242) com significância de 1%. Sugerindo uma relação positiva entre o ECM e a

rentabilidade do patrimônio líquido, ou seja, uma empresa com maior ECM possui uma

maior rentabilidade do capital próprio, na média.

Os resultados encontrados na tabela 6 corroboram com os resultados da tabela

5, com exceção do book-to-market, tamanho e taxa de câmbio, sendo que estas

variáveis não tiveram significância.

A tabela 7 apresenta as estatísticas descritivas das variáveis que serão

utilizadas na correlação de Pearson, de Spearman e teste de média.

Tabela 7: Análise descritiva das variáveis para correlação com ECM.

ECM CX Beta Dívida BM EBITDA CRA TAM ROI ROE

Média 0,000 0,136 0,681 0,357 1,214 0,111 0,169 0,136 0,075 0,080 Desvio padrão 0,167 0,198 0,398 0,251 1,294 0,175 0,436 0,021 0,207 0,590 Mínimo - 0,503 0,000 - 0,308 0,000 0,004 - 4,347 - 1,000 0,027 - 4,347 - 6,048 Mediana - 0,035 0,062 0,641 0,318 0,801 0,109 0,079 0,137 0,069 0,090 Máximo 0,910 1,003 2,289 0,987 7,259 3,363 3,017 0,199 3,312 8,763 Observações 2.727 3.715 1.633 2.881 2.837 3.518 3.620 2.854 3.702 3.716

Nota: CX – Caixa. BM – Book-to-market. CRA – Crescimento do ativo. ROI – Retorno sobre o investimento. ROE

– Retorno sobre o patrimônio líquido.

A amostra foi formada por 297 empresas, sendo 13 empresas de comércio, 134 empresas de serviços e 150 empresas industriais.

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

Observa-se que a média de todas as variáveis são positivas durante o período

em análise. A mediana de quase todas as variáveis é positiva, a única negativa é a do

ECM, isto significa que metade da amostra do ECM está entre - 0,503 e - 0,035, ou

seja, a maior parte da amostra é negativa.

A média do caixa é de 0,136, enquanto, a mediana é de 0,062, deve-se salientar

que o caixa é a razão entre o caixa divido pelo ativo total menos caixa, por isso, o

máximo desta variável é 1,003

10

.

Tabela 8 demonstra os coeficientes entre o ECM e as variáveis para medir o

grau de dependência linear. Utilizou-se o método do produto-momento de Pearson, o

r de Pearson, para verificar se existe significância ou não na relação. O coeficiente de

correlação de Pearson não produz uma relação de causa e efeito entre as variáveis,

o r de Pearson pode variar entre + 1 e - 1, sendo que + 1 indica uma relação positiva

perfeita entre as variáveis e - 1 indica uma relação negativa perfeita, enquanto que 0

indica ausência de relação (RODGERS; NICEWANDER, 1988).

Tabela 8: Matriz de Correlação de Pearson.

ECM CX Beta Dívida BM EBITDA CRA TAM ROI ROE

ECM 1,000 CX 0,913*** 1,000 Beta - 0,032 - 0,073*** 1,000 Dívida - 0,096*** - 0,282*** 0,091*** 1,000 BM 0,010 - 0,006 - 0,066** 0,026 1,000 EBITDA - 0.000 - 0,060*** - 0,080*** - 0,278*** - 0,005 1,000 CRA 0,145*** 0,106*** 0,056** - 0,097*** - 0,013 0,015 1,000 TAM 0,063*** 0,098*** 0,246*** - 0,243*** 0,020 0,258*** 0,128 1,000 ROI 0,025 - 0,047*** - 0,083*** - 0,260*** 0,008 0,981*** 0,044*** 0,244*** 1,000 ROE 0,059*** 0,083*** - 0,031 - 0,250*** 0,010 0,531*** 0,025 0,206*** 0,609*** 1,000

Nota: CX – Caixa. BM – Book-to-market. CRA – Crescimento do ativo. ROI – Retorno sobre o investimento.

ROE – Retorno sobre o patrimônio líquido.

A amostra foi formada por 297 empresas, sendo 13 empresas de comércio, 134 empresas de serviços e 150 empresas industriais.

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

A tabela 8 demonstra uma correlação positiva do excesso de caixa das

empresas com o caixa, crescimento dos ativos e ROE, e obtiveram uma significância

estatística a 1%. Enquanto, ROI teve um coeficiente positivo, porém, sem significância

estatística. Indicando uma correlação positiva entre o ROE e o ECM, na amostra

utilizada. Ou seja, empresas com maiores excessos de caixa possuem maiores

retorno sobre patrimônio líquido, na média.

Além disso, o excesso de caixa apresentou uma correlação negativa em

relação as dívidas e book-to-market esses resultados corroboram com Lee e Powell

(2011). Ainda, apresentou uma relação negativa com o beta, geração de caixa

operacional e tamanho, porém, não possuem significância estatística, desta forma,

não permitem inferência estatística.

A tabela 9 apresenta os coeficientes entre o ECM e as variáveis para medir o

grau de associação, isto significa que o coeficiente pode captar a correlação linear e

a correlação não linear, porém monótona. Para tanto, utilizou-se o método da

correlação dos postos de Spearman, o r

s

de Spearman, para verificar se existe

significância ou não na associação. Assim, como na correlação de Pearson, a

correlação por postos de Spearman não produz uma relação de causa e efeito entre

as variáveis, o r

s

de Spearman pode variar entre + 1 e – 1, sendo que + 1 e – 1

demonstram uma relação perfeita entre as variáveis e 0 que não há relação entre as

variáveis (HAUKE; KOSSOWSKI, 2011).

Observa-se na tabela 9 uma correlação positiva do excesso de caixa com o

caixa, beta, dívida, crescimento dos ativos, tamanho, ROI e ROE, e todas as variáveis

obtiveram significância estatística. Desta forma, utilizando-se a correlação por postos

de Spearman encontramos que o ROI e ROE possuem uma relação positiva com o

ECM, ou seja, sugere que quanto maior for excesso de caixa maior será o retorno

sobre o investimento (0,070, em média) e sobre o patrimônio líquido (0,098, em

média).

Tabela 9: Matriz de Correlação de Spearman.

ECM CX Beta Dívida BM EBITDA CRA TAM ROI ROE

ECM 1,000 CX 0,782*** 1,000 Beta 0,047* 0,042* 1,000 Dívida 0,062** - 0,181*** 0,118*** 1,000 BM 0,007 - 0,001 - 0,081** - 0,048 1,000 EBITDA 0,041 0,182*** - 0,032 - 0,438*** 0,015 1,000 CRA 0,133*** 0,155*** 0,077*** - 0,067*** - 0,090*** 0,162*** 1,000 TAM 0,120*** 0,186*** 0,268*** - 0,161*** 0,032 0,427*** 0,162*** 1,000 ROI 0,070*** 0,168*** - 0,031 - 0,446*** 0,012 0,919*** 0,226*** 0,390*** 1,000 ROE 0,098*** 0,189*** - 0,047* - 0,406*** 0,034 0,745*** 0,249*** 0,399*** 0,823*** 1,000

Nota: CX – Caixa. BM – Book-to-market. CRA – Crescimento do ativo. ROI – Retorno sobre o investimento.

ROE – Retorno sobre o patrimônio líquido.

A amostra foi formada por 297 empresas, sendo 13 empresas de comércio, 134 empresas de serviços e 150 empresas industriais.

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

A correlação positiva entre o excesso de caixa e o crescimento dos ativos

consistente com o motivo especulação, pois as empresas estão investindo mais, estão

aumentando o investimento (LEE; POWELL, 2011).

A tabela 10 apresenta a média do caixa, beta, dívida, book-to-market, geração

de caixa operacional, crescimento do ativo, tamanho, ROI e ROE ao respectivo

portfólio do ECM, sendo os portfólios divididos em ECM baixo, ECM médio e ECM

alto, os portfólios foram encontrados a partir da média do ECM de cada empresa,

assim, as 90 empresas com menores médias estão no ECM baixo, as 89 empresas

com média intermediária estão no ECM médio e as outras 90 empresas com maiores

médias estão no ECM alto e 28 empresas não apresentaram ECM, evidenciando o

comportamento das variáveis em cada portfólio.

Por fim, para avaliar se existe significância estatística entre as médias dos

portfólios, utilizou-se o teste t das médias entre as características das empresas

pertencentes aos portfólios de médio ECM e o baixo, alto ECM e o médio, e alto ECM

e baixo ECM.

Tabela 10: Características do ECM distribuído em portfólios.

Média por Grupo CX Beta Dívida BM EBITDA CRA TAM ROI ROE

ECM – Baixo 0,052 0,579 0,374 2,162 0,115 0,114 0,130 0,071 0,049

ECM – Médio 0,099 0,766 0,396 1,288 0,117 0,191 0,140 0,078 0,062

ECM – Alto 0,241 0,696 0,295 0,834 0,122 0,236 0,139 0,085 0,112

Teste das Médias

Médio – Baixo ECM 0,047*** 0,187*** 0,022** - 0,874*** 0,002 0,077*** 0,010** 0,007** 0,013

Alto – Médio ECM 0,142*** - 0,070 - 0,101*** - 0,454*** 0,005 0,045** - 0,001 0,007* 0,050**

Alto – Baixo ECM 0,189*** 0,117*** - 0,079*** - 1,328*** 0,007*** 0,122*** 0,009** 0,014*** 0,063***

Nota: CX – Caixa. BM – Book-to-market. CRA – Crescimento do ativo. ROI – Retorno sobre o investimento.

ROE – Retorno sobre o patrimônio líquido.

A amostra foi formada por 297 empresas, sendo 13 empresas de comércio, 134 empresas de serviços e 150 empresas industriais.

Nota: * Significância de 10%. ** Significância de 5%. *** Significância de 1%. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelo autor.

A tabela 10 demonstra que o caixa teve um comportamento monótono e

crescente, com significância a 1%, ou seja, na média, o caixa das empresas aumenta

à medida que cresce o ECM, assim, as empresas com maiores ECM de caixa detêm

maior caixa, sugerindo que as empresas com maior ECM são mais seguras devido a

este excesso de caixa reduzir o risco financeiro.

Contudo, o beta (proxy de risco) obteve um comportamento inesperado, uma

vez que a diferença entre o alto ECM e o baixo ECM foi de 0,117, com significância

estatística a 1%, ou seja, as empresas que compõe o portfólio com maiores ECM são

mais arriscadas que as empresas que detêm menores ECM. Este resultado corrobora

com Simutin (2010) no mercado norte americano.

Em relação a dívida, observou-se que a diferença entre o alto ECM e o baixo

ECM foi de – 0,079, com significância a 1%, este sinal negativo é consistente com a

teoria que as empresas com restrições a captação de recursos externos podem

acumular maior nível de caixa para mitigar o risco de default no curto prazo, e assim,

honrar com as obrigações financeiras correntes (SIMUTIN, 2010).

Sendo assim, o aumento do excesso de caixa das empresas podem ser uma

resposta endógena dos gestores a possibilidade de escassez de recursos financeiros,

agregada a restrição financeira externa, portanto, o aumento do nível de caixa não

implica necessariamente em uma empresa mais segura (ACHARYA; DAVYDENKO;

STREBULAEV, 2012), como encontrado na tabela acima.

O book-to-market se comportou de forma decrescente e monótona, com

significância a 1%. Demonstrando que as empresas com maiores ECM obtiveram

maiores níveis de patrimônio líquido a valor de mercado em relação ao patrimônio

líquido contábil reduzindo assim os valores do book-to-market, ou seja, as empresas

do portfólio com maior ECM detinham maior valor de mercado. Fama e French (1992)

argumentam que menor book-to-market se deve a expectativa de maiores ganhos

futuros.

Observando-se a variável tamanho, logaritmo natural do patrimônio líquido a

valor de mercado, não se encontra uma relação monótona e decrescente, pelo

contrário, as empresas com maiores ECM detêm maiores tamanhos, assim,

evidencia-se que as empresas com maiores ECM também possuem maiores valores

de mercado. Sendo assim, com os resultados do beta, book-to-market e tamanho

sugerem que o excesso de caixa é utilizado como fonte de financiamento interno em

detrimento do alto custo de capitação de recurso financeiro no mercado externo.

A variável geração de caixa operacional apresentou um comportamento

monótono e crescente, assim como o crescimento do ativo. Sobre a geração de caixa

operacional observou-se que as empresas que mais retêm caixa, gerando excesso de

caixa, são as empresas com maior capacidade de geração de caixa operacional. Este

resultado corrobora com Fazzari, Hubbard e Petersen (1998) que argumentavam que

as entidades deveriam aproveitar o aumento da geração de caixa para reter caixa

internamente, diminuindo a necessidade de capital externo que é geralmente mais

caro. Assim, os gestores teriam caixa para manter o investimento da entidade durante

um período de crise ou de escassez de recursos financeiros no mercado. Além disso,

as empresas com maiores ECM obtiveram um aumento de ativo, ou seja, puderam

investir mais.

As variáveis ROI e ROE apresentaram um comportamento monótono e

crescente, as variáveis obtiveram uma diferença de 0,014 e 0,063 entre o portfólio de

alto ECM e baixo ECM, respectivamente, em média, ambas com significância a 1%.

Assim, a tabela 10 evidenciou que as empresas com maiores ECM possuem maior

rentabilidade, seja maior rentabilidade sobre o investimento ou seja sobre o capital

próprio. Este resultado contraria a literatura clássica.

Sendo assim, as empresas com maiores ECM apresentaram maior caixa, maior

risco, maior geração de caixa, maior crescimento do ativo, maior tamanho, maior ROI

e ROE, e menor dívida e menor book-to-market. Assim, percebe-se que as empresas

com maiores ECM gera recursos internamente para manter e ampliar os

investimentos, aumentando o risco da entidade, pois aproveitam as opções de

investimentos disponível no mercado, gerando maior rentabilidade e menor

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