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CAPÍTULO IV – PROJETOS DE REFERÊNCIA: VIRAVIDA E TURISMO

4.2. Turismo Sustentável e Infância

4.2.3. Execução do projeto

Para melhor atender as necessidades dos estudantes, os cursos são divididos em duas etapas principais, que são o Módulo Integrador e o Módulo Específico.

O Módulo Integrador é baseado nas expectativas em relação à vida, que os beneficiários do Programa possuem. Desta forma são considerados a percepção que o jovem tem de si mesmo, sua visão de mundo e expectativas. Com base nestes dados são elaboradas as ações estratégicas. O módulo específico retrata as questões relacionadas à profissionalização, tratando das características técnicas e procedimentos operacionais referentes à profissão escolhida pelo jovem.

O módulo integrador estimula os alunos a se interrelacionarem com os demais. Eles são levados a desenvolver ações estratégicas nas diversas dimensões da vida, como família, saúde, vida profissional, trabalho, e outras tantas. As ações devem ainda ser relacionadas às demandas profissionais. Ao final do módulo, os jovens montam portfólio com suas aspirações, a partir da reflexão pessoal.

Tais atividades possibilitaram significativo envolvimento entre os estudantes que participaram, despertando, nos mesmos, valores antes não cultivados ou pouco considerados. Entre esses valores estão o respeito, a flexibilidade, a humildade, a união, assim como tantos outros necessários à vida em sociedade e ao sucesso profissional.

O módulo específico, voltado à formação profissional, conta com 60 horas de prática supervisionada, dentro das instituições participantes do projeto, sendo todas relacionadas à cadeia produtiva do turismo. As aulas práticas são supervisionadas por instrutores e supervisores pedagógicos, garantindo liberdade aos jovens durante o processo de aprendizagem. Outro benefício das aulas em campo, é que as mesmas

possibilitam aos empresários acompanhar o desenvolvimento dos jovens que virão a ser contratados posteriormente.

4.2.4. Resultados:

Dentro da cadeia produtiva do turismo, os jovens poderiam subdividir-se em três tipos de empreendimentos: os hoteleiros, os relacionados a alimentos e bebidas e os de eventos. Sua distribuição ocorreu da seguinte maneira:

Gráfico 4.6. Distribuição dos cursos Turismo Sustentável e Infância: 0.63 0 0 0 0% 16% 0% 0% 0 0 0.21 0 Empreendimentos Hoteleiros

Empreendimentos de Alimentos e Bebidas Empreendimentos de Eventos

Dos 371 alunos matriculados, 350 terminaram o curso, em detrimento de 21 que não concluíram. Entre os que não concluíram, há desistentes, evadidos e não aprovados, conforme demonstrado no gráfico 4.7, abaixo:

Gráfico 4.7. Conclusão dos cursos Turismo Sustentável e Infância:

1 0 0 0 0% 95% 0% 0% 0 0 0.05 0

Matriculados Concluíntes Não Concluíntes

Fonte: Dados obtidos junto à equipe técnica de Fortaleza

O percentual de jovens que concluíram os cursos retrata a responsabilidade dos estudantes em relação às aulas, e a importância que estas têm na vida dos jovens. O curso que teve menor número de estudantes que não concluíram foi o de recepcionista dos meios de hospedagem, com apenas 1% de não concluíntes. O que teve maior número de jovens que não concluíram foi o de camareira, com 10%.

Para que tais resultados fossem alcançados, o Projeto contou com a participação de diversos empreendimentos turísticos que possibilitaram a capacitação profissional dos jovens em campo, além de processos seletivos aos recém formados.

Conforme analisado no decorrer do capítulo, ambos os projetos visam atender a jovens em situação de vulnerabilidade ou jovens já afetados pela exploração sexual. Os dois cumprem o objetivo ao qual se propuseram de tirar os jovens atendidos da rede de exploração sexual, através da educação profissionalizante. A partir das oportunidades oferecidas aos jovens, estes se sentem aptos a se reinserirem na sociedade, assumindo seus papeis de cidadãos tanto na esfera dos direitos quanto na dos deveres.

CONCLUSÃO

O presente trabalho objetivou demonstrar que, por meio da parceria entre Estado, setor privado e sociedade civil, é possível combater problemas sociais graves, como a exploração sexual infantojuvenil, que antes o Estado não enfrentava por falta de vontade política ou de estrutura administrativa.

Conforme analisado no decorrer do trabalho, o Estado e a forma como este é administrado mudam com o decorrer do tempo, de acordo com necessidades que venham a surgir. Seguindo as recentes vertentes de mudanças, o Estado vem abrindo espaço para que diferentes atores tomem parte em ações de grande relevância para a sociedade.

Nesse sentido, os projetos de parceria público-privada em estudo demonstram ter impacto positivo, uma vez que suprem lacunas criadas pela dificuldade do governo de atuar em determinados campos. Especialmente em relação a projetos de combate à exploração sexual, ao uso de entorpecentes e outros que envolvem jovens de baixa renda é fundamental a parceria com instituições não governamentais que têm capilaridade e habilidade necessárias para promover e acompanhar a mudança de vida desses jovens.

A análise dos projetos traz à luz, ainda, a percepção de que o enfrentamento das redes de prostituição exigiam o trabalho também organizado em rede, no qual cada instituição pública e privada participa disponibilizando suas competências e expertises. A articulação de uma rede de parceiros, no caso do ViraVida, é considerada pelos idealizadores do projeto como um dos aspectos mais importantes de sua metodologia, sem a qual não seriam obtidos os resultados esperados.

Para trabalhar com esse tema, foi necessário capacitar profissionais de algumas das instituições participantes, para que pudessem compreender o perfil do público- beneficiário. Foram promovidas mudanças de padrões e de valores na cultura das instituições do Sistema S, que apresentavam preconceito em relação ao tema e ao público- alvo. Foi a partir da parceria com Universidades e ONGs que se deu esse processo.

Assim puderam compreenderam que violência doméstica, maus tratos e abuso são os fatores que levam os jovens à exploração sexual. E que a isso soma-se a sedução das ruas e a facilidade de obtenção de recursos financeiros. Diante da baixa escolaridade, da fragilidade dos vínculos familiares e da dificuldade financeira torna-se difícil desvencilhar-se das redes de exploração, pornografia e tráfico de entorpecentes, que lhes garantem a sobrevivência.

Os projetos estudados – ViraVida e Turismo Sustentável e Infância – têm sua eficácia garantida ao promover o caminho inverso: combater as causas do problema, atrelada de forma geral à situação de pobreza. As bolsas de estudo foram planejadas como

instrumento para afastá-los da exploração sexual, e para evitar sua revitimização. As regras de convivência e de recebimento do auxílio foram construídas com os próprios alunos, com a finalidade de harmonizar as relações no espaço escolar. Nelas estão regulados os direitos, deveres e as penalidades que permitem fortalecer a interação e a integração sócio-educativa. O atendimento psicológico e o comprometimento de pais e responsáveis são também mecanismos de combate à raiz do problema e podem ser considerados, conforme o Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil, como estratégia de prevenção. Além disso, ambos os projetos buscam elevação de renda e qualidade de vida por meio de qualificação profissional e emprego. Neste ponto fica mais evidente a necessidade da participação de empresários como parceiros.

Vale destacar que este conjunto de mecanismos assegurados pelas parcerias garante a permanência dos alunos, o que se confirma pelo baixo nível de evasão, indicando que os jovens percebem nos cursos a possibilidade de mudança no rumo de suas vidas. A partir de estágios e de programas como Jovem Aprendiz, criado pelo governo, os empresários percebem que estes jovens demonstram mais empenho e garra na superação das limitações e obstáculos quando lhes é oferecida uma oportunidade de desenvolvimento pessoal.

É fato que ainda representa grande desafio para os governos, para a iniciativa privada e para a sociedade em geral a inserção econômica e social das populações vulneráveis, mesmo após as mudanças culturais e legais ocorridas nas últimas décadas. Verifica-se cada vez mais que os meios para viabilizar essa inserção ainda são difíceis de implementar, pois a concentração de recursos e do poder de decisão prossegue moldando as estruturas e diretrizes de empresas públicas e privadas.

Nos países em desenvolvimento grande parte das instituições ainda se caracteriza pela burocracia. Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, a falta de transparência nas relações e outras heranças do autoritarismo explicam porque essas instituições nem sempre se movem em direção às camadas excluídas.

Como bem coloca Maria Vitoria Benevides, ainda sofremos um processo de negação dos direitos sociais arduamente conquistados, na medida em que prospera a defesa de um Estado mínimo, que abandona o povo a sua sorte e que reduz a cidadania às liberdades civis e políticas, mantendo em contrapartida os privilégios dos ‘de cima’ e a brutal carência de direitos dos ‘de baixo’.

Esse quadro, porém, pouco a pouco vem se confrontando com o impacto causado pela exigência da aplicação das garantias constitucionais, demandas e conquistas populares.

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ANEXO A

LISTA DE PARCEIROS VIRAVIDA Panificadora Montmartre;

Penna Sport Wear; EIT;

Caixa Econômica Federal; Banco do Brasil; Banco do Nordeste; Dilady; Programa 1º passo; Côco Bambu; Pizza Hut; Restaurante SOHO; Empório pão; Cafeteria Sinhazinha; Pizza’s

ANEXO B

LISTA DE INSTITUIÇÕES PARCEIRAS TURISMO SUSTENTÁVEL E INFÂNCIA Empreendimentos Hoteleiros

Brasil Tropical Residence; Bristol Multy Jangada Fortaleza Hotel;

Coimbra Residence Flat; Costa do Mar Hotel;

Golden Tulip Inn iate Plaza Residence; Hotel Cocal;

Hotel Meridional; Hotel Pousada Mundo Latino;

Hotel Villa Mayor; Iate Plaza;

Iracema Mar Hotel; Lisboa Praia Hotel;

Magna Praia Hotel; Malibu Praia Hotel;

Maredomus Hotel; Marina Park Hotel;

Mercure Apartaments Fortaleza Meireles; Oásis Atlântico Fortaleza; Ocean View Residence Service; Olympo Praia Hotel;

Othon Palace Fortaleza; Ponta Mar Hotel;

Portal da Praia Hotel; Praia Mansa Suíte Hotel;

Quality Hotel Fortaleza; San Phillip Flat Hotel;

Scala Residenza; Sonata de Iracema;

Tulip Inn San Martin; Vereda Flat Hotel;

Vila Azul Praia Hotel; Villa Costeira Flat

Empreendimentos de alimentação e bebida

Barraca Marulho; Buffet Lia Moreira;

D&A Restaurante; Espaço das delícias;

Restaurante Caicó; Taty Buffet;

Thames; The Ranch Restaurante.

Empreendimento de eventos

Arx Eventos; Brilhante Eventos;

Celebre; D&E Entretenimento;

Ikone Eventos; Nativa;

Rosa Eventos Promoções; VC – Eventos;

Via de Comunicação.

CURRICULO VITAE

Nome completo – Márcia Regina Milanesio Cunha Número de Identidade: 11.641.289-6

Órgão emissor: SSP Estado: São Paulo

Data de nascimento: 17/01/59 Dados para Contato

Endereço: Super Quadra Sul 311; Bloco I; Apartamento 204 Bairro: Plano Piloto

Cidade: Brasília

Estado: Distrito Federal CEP: 70364090 Telefones: - residencial: (61) 3905-8039 - celular: (61) 9970-5998 - trabalho: (61) 3217-0710 ou 3217-0712 - fax: (61) 3217-0732

- e-mail: [email protected] ou [email protected]

Formação Acadêmica Graduação

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