4. PROPOSTA DE UM MODELO DE CLASSIFICAÇÃO
4.2 Metodologias existentes
4.2.3 Exemplo de Metodologia de classificação existente em Portugal
A metodologia proposta por Miguel Monteiro (Monteiro 1998) assume como referência os documentos produzidos e publicados pela International Organization for Standardization (ISO), como o caso da ISO12006-2:1997 - “Building construction – Organisation of information about construction works – Part 2: Framework for classification of information”, entretanto atualizada e novamente publicada em 2015, e ainda, da ISO/TR14111:1994 – “Classification of information in the construction industry”.
Nenhum dos documentos indicados anteriormente define a metodologia de classificação que deve ser adotada, mesmo a versão mais recente da ISO12006-2, publicada em 2015, permitindo que as diferentes entidades e indivíduos escolham o método que considerem mais vantajoso, de acordo com o contexto de aplicação e os seus condicionantes. Assim, M. Monteiro refere que é necessário basear a conceção e desenvolvimento da metodologia de classificação em conceitos teóricos adequados, devidamente sustentados e justificados.
Da análise dos sistemas de classificação de informação para a construção mais divulgados e implementados na altura, M. Monteiro constatou que a maioria dos sistemas internacionais são caraterizados por serem classificações especializadas, analíticas e por facetas, onde cada faceta pode assumir uma forma enumerativa, ou representar particularidades da tabela principal. É o caso do sistema de classificação OmniClass (Construction Specification Institute 2006), que incorpora na tabela 23 – Produtos, um sistema de classificação de produtos de construção padrão, denominado European Product Information Cooperation (EPIC).
Com base na tendência internacional da altura, M. Monteiro considera ser vantajoso adotar, à semelhança de outros países, uma classificação especializada, analítica e por facetas. Considera também, que será promissor adotar a metodologia de Needham (Needham 1971) para a conceção e desenvolvimento de tabelas classificativas.
Na figura 4.6 expõe-se os sete passos que constituem o procedimento proposto por Needham para a organização de informação.
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Figura 4.6 – Metodologia para classificação de informação
Relativamente à definição das classes principais, o autor defende que se deverá ir de encontro às recomendações publicadas na ISO12006-2, onde estão definidas quais as principais tabelas que um sistema de classificação de informação da construção deverá conter. No entanto, o autor refere que o tempo de desenvolvimento das diferentes tabelas será distinto, motivado por pressões internacionais, interesses locais e pela própria extensão das tabelas.
Como tal, M. Monteiro sugere que as tabelas “Classificação de famílias de produtos de construção” e “Lista de atividades de construção” deverão ser as primeiras a ser abordadas, consequência do dinamismo que os promotores demonstraram, da importância internacional nas trocas eletrónicas de informação e finalmente, por já existirem desenvolvimentos, nomeadamente pelo LNEC, que M. Monteiro considera serem facilmente adaptados ao tipo de classificação que propõe (Monteiro 1998).
M. Monteiro defende que a criação de facetas para cada classe principal deverá ser realizada por uma aproximação de “cima para baixo”, onde se identificam em primeiro lugar todos os princípios de divisão que são aplicáveis à tabela principal, listando todos os objetos de acordo com cada princípio. O autor opta por este tipo de aproximação, por oposição à aproximação de “baixo para cima”, onde se identificam todos os objetos (coisas ou conceitos) que pertencem a determinada classe, sendo posteriormente agrupados e listados de acordo com determinada particularidade, denominada faceta.
Uma vez definidas as facetas das classes principais, M. Monteiro propõe que os objetos sejam ordenados dentro de cada faceta de modo a que os mais semelhantes fiquem próximos e os mais distintos, fiquem afastados dos restantes. Relativamente à ordem de citação das facetas compostas, estas deverão cumprir as recomendações da ISO12006-2:1997. M. Monteiro indica que a ordenação das diferentes tabelas deve ser feita carater a carater, com recurso à numeração árabe, respeitando o conceito das frações decimais, onde “11” é anterior a “2”.
1. Definição das classes principais da classificação
2. Criação de facetas para cada classe principal
3. Estelecer a ordem dos objetos dentro de cada faceta
4. Estabelecer a ordem de citação para as facetas compostas 5. Estabelecer a
ordem das facetas 6. Acrescentar a
notação
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Sobre a notação, o autor propõe que se adote uma metodologia semelhante à patente no sistema de classificação Uniclass, ou seja, uma notação alfanumérica onde o primeiro carater identifica a tabela e os seguintes identificam a ordenação da própria tabela (p.e. A.8.11.4), corresponde à tabela A, secção 8, subsecção 11, objeto 4). Procurando que desta forma, a notação seja intuitiva, expressiva e curta.
Finalmente, M. Monteiro considera necessário a existência de um índice pré-coordenado e que seria vantajoso a elaboração de um índice pró-coordenado.
O resultado desejado da aplicação da metodologia proposta é o desenvolvimento de um CICS caracterizado por quatro particularidades: ser um sistema estável, compatível com a modelação assistida por computador, flexível para que possa ser utilizado em todo o setor AECO e, finalmente, ser dinâmico, admitindo revisões e desenvolvimentos futuros (Monteiro 1998). Tendo por base a metodologia de classificação apresentada anteriormente, M. Monteiro propõe ainda um método para a preparação de tabelas, o qual valida com o desenvolvimento de duas tabelas: a tabela “Atividades de Construção”, equiparada à tabela “Work Sections” proposta pela norma ISO12006-2, cuja denominação não tem tradução literal e que o autor expressa deste modo, por considerar ser a expressão mais adequada para exprimir o conceito; a segunda tabela, também proposta pela norma ISO12006-2, designada “Produtos de Construção”, cuja tradução da expressão inglesa “Construction Products” é feita de modo literal.
Na figura 4.7 apresenta-se o procedimento para a preparação das diferentes tabelas de classificação (Monteiro 1998).
Figura 4.7 – Procedimento de preparação de tabelas
A tabela “Atividades de Construção” proposta é estruturada de forma hierárquica, tendo por base facetas, com o objetivo de possibilitar a adoção de uma notação única para os produtos e para os elementos, facilitando a perceção da tabela pelos utilizadores. M. Monteiro refere que o desenvolvimento desta tabela deverá ser orientado por um conceito base: o método de construção deve estar associado aos recursos, para que se obtenham os “resultados da construção”.
Deste modo, deve ser mencionado de forma explícita na denominação das atividades, o produto e o elemento a que se aplicam, deixando o método implícito, por definir, conferindo liberdade de escolha aos empreiteiros ou projetistas. Este princípio encontra-se patente, por exemplo, quando se descreve a atividade “execução de paredes de tijolo”, na qual está implícita a metodologia para a montagem dessa parede de alvenaria de tijolo.
Análise de definições Definição do propósito da tabela Análise de tabelas semelhantes em diversos sistemas Definição do modelo de tabela nacional
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A tabela “Produtos de Construção” que M. Monteiro propõe tem como principal objetivo promover a unicidade da denominação e notação dos produtos de construção, durante todo o processo construtivo e para todos os intervenientes. De acordo com o autor, a expressão “produtos de construção” ou “produtos para a construção” tem um significado mais abrangente do que “materiais de construção” e permite evitar incongruências relacionadas com a palavra “material”, muitas vezes interpretada como matérias constituintes do produto. Deste modo, a expressão “produtos de construção” adapta-se de forma mais correta ao objetivo principal desta tabela. Tendo como referência a metodologia proposta pelo European Product Information Cooperation (EPIC), M. Monteiro propõe que a classificação patente na tabela “Produtos de Construção” seja rígida, onde cada produto está localizado num único grupo, e que contenha três facetas hierarquicamente organizadas, permitindo caracterizar adequadamente todos os grupos de produtos. As três facetas propostas são a Função, a Forma e o Material, permitindo descrever o desempenho que determinado produto deverá cumprir, a forma com que é entregue em obra e qual a matéria principal que o compõe.
A tabela é ainda organizada com recurso a grupos de produtos, onde se representam conjuntos de produtos que partilham determinadas características ou propriedades. Uma vez que a estrutura da classificação de cada uma das facetas é hierárquica, é possível expandir o conteúdo dos grupos de produtos sem limitações, sendo portanto uma tabela flexível e aberta.
Relativamente à notação, M. Monteiro propõe que seja utilizada uma codificação idêntica à tabela EPIC, isto é, alfanumérica onde as classes são representadas por uma letra e os restantes níveis são identificados com recurso à numeração árabe, de acordo com o conceito das frações decimais.