7. EXEMPLOS
7.1. Exemplo 1
Analisou-se um problema em estado plano de deformações, em que uma seção representativa de um talude, constituído por três tipos de solos distintos, é submetida a um carregamento vertical distribuído em seu topo. O comportamento constitutivo do solo foi simulado através do Modelo de Drucker-Prager. Considerou-se que o material não sofre encruamento, isto é, possui comportamento elasto-idealmente-plástico. As propriedades materiais dos solos que constituem o talude são apresentadas na Tabela 1.
O ângulo de atrito e a coesão do solo estão relacionados, respectivamente, com os coeficientes angular e linear da função de escoamento do Modelo de Drucker-Prager. Esses
coeficientes (θ, k) podem ser calculados a partir das seguintes expressões para um problema de estado plano de deformações:
(
9 12tantanφ2φ)
12θ = + (7.1)
(
9+123tan2φ)
12= c
k (7.2)
Essas expressões são apresentadas por Desai e Siriwardane (1984).
TABELA 1 PROPRIEDADES MATERIAIS DOS SOLOS QUE CONSTITUEM O TALUDE DO EXEMPLO 1.
Material γγ peso específico
(kN/m³)
c coesão
(kPa)
° ângulo de
atrito
E módulo de elasticidade
(kPa)
coeficiente de Poisson
Colúvio 1 17,0 5 25
Colúvio 2 18,0 5 30
15000 15000
0,4 0,4 Solo
Residual
19,5 10 32 30000 0,4
Substituindo os valores da coesão e do ângulo de atrito nas Equações (7.1) e (7.2), obtêm-se os seguintes coeficientes para o Modelo de Drucker-Prager:
TABELA 2 COEFICIENTES DO CRITÉRIO DE ESCOAMENTO DE DRUCKER-PRAGER.
Material θθ k (kN)
Colúvio 1 0,1368577 4,402385 Colúvio 2 0,1601281 4,160252 Solo Residual 0,1689111 8,109429
No programa ANSYS® e no programa desenvolvido, o talude foi discretizado utilizando um elemento isoparamétrico de oito nós. O elemento utilizado da biblioteca do ANSYS® foi o PLANE 82. Esse elemento é definido por oito nós, cada qual com dois graus de liberdade: translação nas direções nodais x e y. O elemento pode ser utilizado como um elemento plano ou axissimétrico. O carregamento imposto no topo do talude, as condições
de contorno do problema e a discretização espacial em elementos finitos são apresentados na Figura 12.
FIGURA 12 CONDIÇÕES DE CONTORNO E DISCRETIZAÇÃO ESPACIAL EM ELEMENTOS FINITOS PARA O EXEMPLO 1.
O carregamento foi imposto em 100 incrementos de carga iguais. Adotou-se a mesma malha de elementos finitos para a simulação realizada com o programa ANSYS® e para a simulação realizada com o programa desenvolvido no presente trabalho.
Os resultados obtidos com o programa desenvolvido nesse trabalho para as distribuições de deslocamentos, tensões e deformações são apresentados nas Figuras 13 a 32, juntamente com os resultados gerados pelo programa ANSYS®. Para esse exemplo, foram adotadas unidades do Sistema Internacional (deslocamentos em metros e tensões em Pascal).
Salienta-se que para problemas em estado plano de deformações a componente Ezz do tensor de deformações totais é nula. No entanto, as deformações plásticas Ezzp e as deformações elásticas Ezze ao longo da direção z não são necessariamente nulas,
aplicando-se a restrição = + zze =0
p zz
zz E E
E . Entre os resultados apresentados a seguir encontra-se a distribuição de deformações plásticas Ezzp.
FIGURA 13 DISTRIBUIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS HORIZONTAIS GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-0.0013 a -0.000955 -0.000955 a -0.000836 -0.000836 a -0.000716 -0.000716 a -0.000597 -0.000597 a -0.000477 -0.000477 a -0.000358 -0.000358 a -0.000239 -0.000239 a -0.000119 -0.000119 a 0.00003724
FIGURA 14 DISTRIBUIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS HORIZONTAIS GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 15 DISTRIBUIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS VERTICAIS GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-0.0041238 a -0.003342 -0.003342 a -0.002924 -0.002924 a -0.002507 -0.002507 a -0.002089 -0.002089 a -0.001671 -0.001671 a -0.001253 -0.001253 a -0.000836 -0.000836 a -0.000418 -0.000418 a 0.0
FIGURA 16 DISTRIBUIÇÃO DOS DESLOCAMENTOS VERTICAIS GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 17 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TXX DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-41053 a -35612 -35612 a -30172 -30172 a -24732 -24732 a -19291 -19291 a -13851 -13851 a -8410 -8410 a -2970 -2970 a 2471 2471 a 7911
FIGURA 18 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TXX DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 19 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TYY DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-58967 a -52050 -52050 a -45132 -45132 a -38214 -38214 a -31297 -31297 a -24379 -24379 a -17462 -17462 a -10544 -10544 a -3627 -3627 a 3291
FIGURA 20 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TYY DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 21 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TXY DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-12492 a -9749 -9749 a -7007 -7007 a -4264 -4264 a -1522 -1522 a 1221 1221 a 3964 3964 a 6706 6706 a 9449 9449 a 12191
FIGURA 22 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TXY DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 23 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TZZ DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-39303 a -34456 -34456 a -29610 -29610 a -24764 -24764 a -19918 -19918 a -15072 -15072 a -10226 -10226 a -5379 -5379 a -533.133 -533.133 a 4313
FIGURA 24 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE TZZ DO TENSOR DE TENSÕES GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 25 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE Exxp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
0.000416 a 0.00380 0.000364 a 0.000416 0.000312 a 0.000364 0.000260 a 0.000312 0.000208 a 0.000260 0.000156 a 0.000208 0.000104 a 0.000156 0.0000520 a 0.000104 0.0 a 0.0000520
FIGURA 26 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE Exxp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 27 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE Eyyp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
0 0.5 1 1.5 2 2.5 3
0 1 2 3 4 5 6
-0.00816 a -0.000185 -0.000185 a -0.000143 -0.000143 a -0.000101 -0.000101 a -0.0000582 -0.0000582 a -0.0000159 -0.0000159 a 0.0000264 0.0000264 a 0.0000687 0.0000687 a 0.000111 0.000111 a 0.00157
FIGURA 28 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE Eyyp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 29 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE Exyp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
FIGURA 30 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE Exyp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA ANSYS.
FIGURA 31 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE EZZp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO PROGRAMA DESENVOLVIDO.
FIGURA 32 DISTRIBUIÇÃO DO COMPONENTE EZZp DAS DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS GERADA PELO ANSYS.
Observa-se nos gráficos apresentados que os resultados gerados pelo programa desenvolvido foram condizentes com aqueles gerados pelo programa ANSYS®. A diferença mais significativa entre as análises encontra-se no tamanho das regiões de concentração de deformações plástica mais intensas. Em ambas as análises, os maiores valores em módulo de todos os componentes do tensor de deformações plásticas (Exxp,Exyp,Eyyp,Ezzp) encontram-se predominantemente na zona do talude constituída pelo Colúvio 1, mais especificamente, sob a região de aplicação do carregamento. No entanto, apesar de situadas aproximadamente na mesma zona do talude, essas regiões de plastificação são mais extensas para a análise realizada com o programa desenvolvido. Diferenças dessa natureza poderiam ser atribuídas ao fato de a região de tensões admissíveis ser definida no ANSYS® por uma função diferente daquela empregada no programa desenvolvido neste trabalho. O programa ANSYS® não adota a função quadrática apresentada no Capítulo 6, mas sim a função de escoamento de Drucker-Prager em sua forma linear. Apesar de representarem a mesma região, uma vez que a função quadrática adotada nesse trabalho é o traço da superfície de um cone no plano, as expressões obtidas para os incrementos de deformações plásticas são distintas, o que pode gerar diferenças nos módulos dos diferentes componentes das deformações plásticas.