7 MEDIDAS PARA REDUÇÃO DAS EMISSÕES EM CORPOS DE ÁGUA
7.3 EXEMPLOS PRÁTICOS DE MEDIDAS INTERNAS PARA
Durante as diversas visitas técnicas realizadas em plantas de celulose e papel na Eu-ropa foi possível reconhecer medidas internas comumente implementadas, capazes de levar a uma maior proteção do corpo de água utilizado para descarte dos efluentes.
7.3.1 Identificação e controle de vazamentos
Um vazamento, principalmente de licor negro ou verde, provoca um aumento no con-sumo de oxigênio na ETE e DQO. Medidores de condutividade distribuídos em pon-tos da planta permitem uma rápida identificação dessa irregularidade, muitas vezes permitindo o desvio da corrente para um tanque de controle.
Isso permite que, de acordo com a condutividade apresentada, o líquido seja nova-mente direcionado ao setor de origem ou seja encaminhado para a ETE. Na planta da fábrica de celulose Zellstoff Fabrik 3, após a caldeira de recuperação existe um tan-que de armazenamento de 10 m3 com controle de condutividade. Quando essa
condu-- 97 condu-- tividade supera 1000 µS/cm, o licor é bombeado para um tanque spill e desse segue para a Evaporação.
7.3.2 Tanques para contenção de vazamentos no processo
Com um volume adequado de tanques, os vazamentos podem ser armazenados e en-caminhados para a destinação mais adequada, reduzindo as descargas no corpo de água e permitindo estratégias de reúso não só de efluentes, mas de produtos quími-cos, fibras e até energia.
Algumas fontes de vazamento de licor são: selagem dos lavadores, bombas e válvulas que conduzem o licor, boil-out canalizado dos evaporadores, inicialização e parada de equipamento, extravasamento de tanques, erros operacionais, entre outros (EUROPEAN COMMISSION, 2001).
Um dos princípios básicos para projetar uma planta de celulose, integrada ou não, é planejar a coleta de vazamentos ou desvios de vazão de licores, com o retorno destes em pontos apropriados da planta. Essa coleta leva, no mínimo, a uma adição de 30%
do volume projetado para produção.
7.3.3 Tanques para contenção de vazamentos e proteção da ETE
Todas as plantas visitadas na Europa possuem tanques de contenção de vazamentos.
Esses tanques geralmente estão localizados próximos à ETE e evitam que, caso o vazamento não possa ser identificado e contido no local de origem ou em algum pon-to a montante da ETE, venha a prejudicar o funcionamenpon-to da mesma.
Nas diversas plantas visitadas na Europa, observou-se que o período de armazena-mento dos tanques de contenção varia de 5 a 15 horas de produção. Além disso, todas as áreas de produção dispõem de uma circulação alternativa de efluentes para casos de distúrbios na produção. Sistemas de bombeamento acoplados a medidores de con-dutividade estão presentes em todas as grandes áreas. Em casos de concon-dutividades altas, 600 µS/cm para uso do condensado B e 1000 µS/cm para os licores, ocorre o retorno do efluente para a área de origem e não para a ETE. Um exemplo prático des-se sistema é ilustrado na Figura 10.
- 98 - Figura 10 – Sistema para transporte de efluentes com alternativas para casos de distúrbios na produção (adaptado de AMARAL, 2007).
Na figura anterior observam-se as grandes áreas representadas por colorações dife-rentes: evaporação (roxo), caustificação e forno de cal (verde), celulose (azul) e branqueamento (laranja).
As setas cheias representam a circulação usual de efluentes, enquanto as setas ponti-lhadas representam o sistema de circulação alternativo, utilizado quando ocorrem sobrecargas ou problemas na produção. Os medidores de condutividade estão repre-sentados por elipses.
Na evaporação, quando ocorrem vazamentos oriundos da caldeira ou de outra parte do sistema, estes são enviados para os tanques de coleta de vazamento e o efluente retorna às caldeiras. Nos casos em que não ocorrem problemas, esses efluentes se-guem para um canal de coleta, de onde são bombeados para a ETE, passando por controles de condutividade.
- 99 - Na caustificação, os vazamentos são destinados ao tanque de coleta para que o licor seja recirculado. Sob condições normais de produção, os efluentes seguem para o mesmo canal de coleta dos efluentes da Evaporação e daí são bombeados para a ETE.
Os efluentes ácido e alcalino do branqueamento são coletados separadamente. O e-fluente ácido segue direto para a ETE, enquanto o ee-fluente alcalino é armazenado em um tanque intermediário para depois seguir para a ETE. Quando ocorrem distúrbios, o efluente alcalino é armazenado em outro tanque, previsto para conter também os efluentes com alta condutividade que passam pela estação de bombeamento interme-diária.
Na celulose, os efluentes são coletados e seguem para o tanque de armazenamento intermediário. Os vazamentos são direcionados aos tanques de coleta e voltam para serem reutilizados na celulose.
De acordo com EUROPEAN COMMISSION (2001), uma planta Kraft não integrada necessita de no mínimo cinco sistemas de coleta com bombeamento acoplado a medi-ções de condutividade. Plantas mais complexas necessitam entre nove e doze siste-mas. Com isso, os riscos de distúrbios na planta de tratamento de efluentes são redu-zidos, evitando descargas com alta carga orgânica, tóxicas e variações contínuas de pH.
7.3.4 Estrutura para contenção de vazamentos de tanques
Em uma das visitas técnicas realizadas, foi identificada uma técnica construtiva para contenção de vazamentos próxima dos tanques, com o direcionamento do efluente para um tanque de armazenamento subterrâneo. Esse sistema está representado na Figura 11.
- 100 - Figura 11 – Estrutura de proteção para vazamentos ao redor do tanque e poço para coleta de vazamentos.
7.3.5 Tratamento da água superficial não contaminada e de chuva
É muito comum um tratamento individual para água superficial não contaminada e de chuva, que normalmente consiste somente na sedimentação. A vantagem dessa coleta é a preservação da ETE dos choques de carga provocados quando ocorrem precipita-ções, cuja principal conseqüência é o sobrecarregamento dos clarificadores, geral-mente dimensionados para maiores tempos de residência.
7.3.6 Separação de correntes
Uma separação efetiva das correntes facilita o controle de distúrbios na produção.