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Exigências e possibilidades do contexto atual

Scolari (2008) caracteriza o estágio atual do jornalismo a partir de quatro aspectos. A atividade estaria presente cada vez mais em novas mídias e plataformas, apresentaria modos diferenciados de produzir conteúdo, decorreria de um acúmulo de competências por parte dos jornalistas e coexistiria com um mar de narradores. Sobre

35 cada um desses pontos podem ser acrescidas considerações que expõem as principais características do cenário vigente às empresas, aos produtores e às produções.

Uma primeira elucidação é que não pode ser perdido de vista o fato de que o jornalismo é levado para ambientes diferentes na medida em que esses surgem e são apropriados na sociedade. Amedrontando formas antigas de difusão jornalística, têm se tornado cada vez mais comuns experiências que testam novos espaços. Um exemplo comercial é o portal Brasil Post14, uma parceria entre o The Huffington Post dos Estados Unidos e o Grupo Abril, que está no ar desde o começo de 2014 com a promessa de dar espaço a vozes com pontos de vista variados, muitos das quais emitidas em blogs e nas redes sociais. Como iniciativa independente, pode ser citada a Mídia Ninja15 (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação), que nos protestos de junho de 2013 conseguiu, graças ao apelo das redes sociais, fazer circular coberturas diversas daquelas dos grandes veículos. Outra iniciativa com um funcionamento diferenciado é o Agencia Pública16, cujos projetos de reportagens principalmente na linha do jornalismo investigativo utilizam a licença Creative Commons e são patrocinados por fundações e por crowdfunding.

No lado de veículos que há vinte anos se concentravam exclusivamente em uma mídia também foi absorvida, com mais cautela, a tendência de se espalhar por outros espaços. Isso tem sido favorecido pela integração e pela informatização das redações, que permitem, entre outros, o contato entre profissionais e a inserção de programas computacionais que favorecem o gerenciamento das produções. Um site na internet e contas nas principais redes sociais são as formas mais comuns até agora de expansão desses em outros suportes.

Essa utilização concomitante de mais de uma mídia tem evidentemente se refletido nos conteúdos. Dependendo do que se deixa acessível na web, são manejadas linguagens com as quais há poucos anos não se lidava rotineiramente. A análise de como notícias e reportagens podem ser disponibilizadas, de como podem conter interações, ser interativas e circular nas redes sociais são hoje decisões corriqueiras nas redações. Os softwares e os aplicativos que começaram a ser usados no webjornalismo (MIELNICZUK, 2003) foram incorporados em todas as etapas da rotina produtiva,

14 O endereço é: <http://www.brasilpost.com.br/>. Acesso em: 10 maio 2014.

15 O endereço é: <https://www.facebook.com/midiaNINJA>. Acesso em: 10 maio 2014. 16

36 interferindo decisivamente na composição do que é apresentado ao público. A notícia, por exemplo, para ganhar rapidez e dinamismo, está sendo composta a várias mãos.

Assim, pode-se dizer que a fabricação noticiosa ultrapassou a etapa industrial. Por esse motivo, passou a ser questionável se a autoimagem desejada pela imprensa está apenas calcada no trabalho de coleta e de transmissão de informações e se sua atividade reside exclusivamente nessas duas ações como define Alsina (1996):

(...) la producción de la información es una actividad compleja que se realiza, de forma industrial, en el senso de una institución reconocida socialmente. Sin embargo, nos encontramos ante la fase oculta de la construción de la notícia. Los própios medios de comunicación son los primeiros que no muestram facilmente su processo de produción. La autoimagem que pretendem transmitir de su trabajo es la de recoletoras y transmissoras de la información. Su atividade se reduce, así pues, a la búsqueda de la información (ALSINA, 1996, p.14).

Contrariando a citação, a maneira de elaborar as notícias não está mais isolada às redações. Muito menos, ela tem decorrido de construções que ocultam o seu processo. Como é mostrado neste estudo, os veículos fundados na indústria cultural vêm demonstrando uma maior predisposição para se exibir e tratar de sua atividade, ainda que possuam cuidado com o que é revelado.

É possível indicar que na base do movimento de geração e de disponibilização de conteúdos está o alastramento da convergência, de grupos econômicos, de mídias, de redações, de produtos, etc., que permite a atuação cooperada em todos os níveis. Barbosa (2013) explica que a convergência, inicialmente estrutural e regulatória, começou nos anos de 1970 e desde os anos de 1990 vem sendo ampliada. Deste momento em diante, ela é reportada quase sempre como um processo que põe em contato meios de comunicação que agiam separadamente na sociedade de massa, contudo começaram a atuar juntos, incorporando os suportes17 insurgentes. O funcionamento em conjunto das redações, a gestão editorial multiplataforma, a polivalência midiática e a multimidialidade de conteúdos são os principais modelos de convergência adotados pelas empresas.

Para que se tenha uma ideia, no Brasil, um exemplo inovador do uso multiplataforma e de convergência de conteúdos é o site da revista Época (SOUZA, MIELNICZUK, 2009), que desde a sua criação em 2009 é atualizado diariamente, embora o seu produto principal, o impresso, continue a circular semanalmente. A

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37 própria Folha de S. Paulo, como é trazido no capítulo 5, foi pioneira na implantação da redação multiplataforma. Mais recentemente, o Estado de S. Paulo tem sido reconhecido pelos seus aplicativos para dispositivos móveis (RUBLESCK, BARICHELLO, DUTRA, 2013).

Se a atuação dos jornalistas era pensada a partir de seu trabalho como gatekeeper, advogado da sociedade e produtor da realidade (ALSINA, 1996), ela parece não se concentrar somente nisso. Apesar de a função central do jornalismo, a de narrar os fatos selecionados e trazê-los ao conhecimento público, estar mantida, o seu papel vem sendo discutido a fim de se chegar a uma orientação com maior correspondência com o tempo presente.

Moraes e Adghirni (2011, p.2) acreditam que a função do jornalismo deve ser repensada pelas diferenças em sua mediação, “mediar talvez seja uma alternativa atual de sobrevivência da profissão”. Axel Bruns (2011) atenta que o mundo virtual ao permitir que blogueiros e comentaristas sejam curadores vem modificando as formas de como as notícias são separadas e disseminadas, o que interfere em uma das principais marcas do trabalho dos jornalistas. Para ele, influenciando sobremaneira nos tópicos discutidos na sociedade, o gatewatching exercido pelos curadores estaria tomando o lugar do gatekeepping. Marcondes Filho coloca que:

Numa era de alta e sofisticadas tecnologias informatizadas, em que os principais atores e políticos já não são homens e mulheres, mas redes, sistemas e complexos equipamentos, jornalistas aparecem como espécies de ‘gerentes’ dessa máquina, com sua interface com o grande público. Mas é uma função condenada, pois a tendência do desenvolvimento tecnológico é a de capacitar as pessoas a elas mesmas terem acesso direto às informações e aos acontecimentos (MARCONDES FILHO, 2009a, p.61).

Na mesma obra, o autor, embora não seja categórico, vislumbra que uma possibilidade para os anos vindouros é que seja aumentada a responsabilidade dos jornalistas em recomendar informações. Ele propõe também que a incumbência desses profissionais poderia estar relacionada à sua capacidade de utilizar técnicas de documentação:

Ou então, os jornalistas sobreviveriam, mas como técnicas em documentação, isto é, como pessoas que pesquisam, juntam, sintetizam volumes extensos de informação em função de uma demanda específica do leitor/consulente (perspectiva mais pessimista, do público). Em ambos os casos desaparece uma certa função de conselheiro, de ‘opinião abalizada’, do especialista que sabe das coisas (Ibid., p.168).

38 Todavia, apesar de pairar a assombração de que os jornalistas poderiam ser dispensados com o crescimento do volume de dados circulantes, isso não é tão simples. Para que essa crença possa ser confirmada, no mínimo, as pessoas precisam dispor de tempo e de desenvoltura para pesquisar e utilizar toda informação de que necessitam. Não há mostras de que isso ocorrerá tão cedo.

Voltando-se ao conteúdo, é importante trazer considerações sobre a tessitura do relato e das narrativas, pois o uso concomitante de mais de um meio de comunicação interfere nisso. Desde a verificação de que a leitura e a escrita na internet ocorrem diferentemente, a articulação das várias partes de um texto em uma linguagem não- linear e multimídia é uma preocupação, mesmo que a sua fruição continue, em razão de condicionamentos, sociais linear (MANOVICH, 2001). Estão sendo vistos um número maior de reportagens multimídia, infográficos, newsgames e até histórias em quadrinhos integradas às narrativas. No entanto, há condições para se experimentar muito mais do que está sendo feito para contar um fato ou desenvolver em profundidade uma história ou análise.

Em Cultura da Convergência, Henry Jenkins (2008) desenvolve o conceito de narrativa transmídia (transmedia storytelling). Para defini-lo, o estudioso se utiliza de exemplos da ficção para relatar como uma história pode ser apropriada pelo público através do que é disponibilizado em cada uma das mídias usadas e através das possibilidades de participar da narrativa.

Em nenhum momento, o autor se dirige a uma manifestação no jornalismo. Porém, esse tipo de narrativa vem sendo estimulada. Com ela, o jornalismo em rede pode ser reforçado (PERNISA JÚNIOR, 2010). Isso se daria caso a produção com esse caráter fosse estruturada como uma “mônada aberta” em que as conexões entre os conteúdos ocorreriam menos a partir de modelos comerciais e mais a partir das possibilidades de entrelaçamentos.

Como está explícito no próprio termo, para que uma narrativa transmídia exista é necessária a utilização de mais de uma mídia. Nela, quase sempre ocorre a combinação entre os meios de comunicação de massa do tipo broadcasting com as novas mídias (GOSCIOLA, 2003). Ademais, cada meio utilizado para contar a história complementa todos os outros de tal forma que é comum dizer que a soma de conteúdos é menor que o seu funcionamento organizado na transmidiação.

39 De acordo com Pratten (2011), uma história poderia ser pensada a partir de um quebra-cabeça, que somente produz sentido se as peças forem encaixadas perfeitamente, com um local e um tempo exato para se conectarem umas às outras. Alzamora e Tárcia defendem que:

A aplicação da narrativa transmídia no jornalismo deve ser compreendida não apenas como um processo de produção e circulação de conteúdo informacional por meio do uso integrado de plataformas múltiplas, mas como uma forma inovadora de produção e circulação de conteúdo informacional, a qual miscigena gêneros e formatos por meio da integração entre as lógicas de comunicação da transmissão e do compartilhamento (ALZAMORA, TÁRCIA, 2012, p.9).

Logo, os conteúdos necessitam ser acomodados para que se afinem à realidade. A utilização concomitante de várias mídias expande a capacidade de reverberação de um relato e de sua narrativa. Daí a exigência de se investir no aproveitamento da transmidiação fazendo um uso inteligente das conexões entre as mídias e estimulando a capacidade de participação dos consumidores.

Na visão de Reis (2002), a narrativa nos moldes como foi desenvolvida na modernidade estaria dando sinais de cansaço. Se antes o enunciador responsável por sancioná-la, estava detido unicamente nas grandes empresas, com a internet, há mais organizações concorrendo. Nessa ação, a disputa pela legitimidade da enunciação, que na cultura ocidental se inseriu por muito tempo tendo como pano de fundo os paradigmas do liberalismo e da livre iniciativa, é travada em um campo novo de batalha.

No jornalismo noticioso, faceta mais nobre do jornalismo, como no mais da comunicação de massa, os relatos são realizados por um narrador empírico, mas este o produz segundo uma normatização do seu campo de atuação, resultante dos processos sociais elaborados para compor a legitimidade do jornalismo como campo do saber, dotado de reconhecimento para atuar socialmente e ainda do sistema organizacional no qual está envolvido. É necessário assinalar que esta ordem social e discursiva em que se inscreve o jornalismo contemporâneo ainda prevalece, mas já começam a se desenhar os primeiros traços de uma mudança neste processo, resultado da ampliação do poder da técnica e de seus produtos como suporte e operador de narrativas (REIS, 2002, p.6).

Fausto Neto crê que com a midiatização crescente da sociedade, as mídias têm o seu status transformado e passam a utilizar novos caminhos para a construção de seu discurso. De acordo com ele, há um novo cenário sócio-técnico-discursivo que vem interferindo nos processos de enunciabilidade (FAUSTO NETO et al., 2010).

40 Deixando de lado as alternativas para o conteúdo, resvala-se para o terceiro ponto enfocado por Scolari. Aos profissionais, tornou-se recorrente a cobrança para serem multitarefas e, com isso, atuem em todas as etapas de uma cobertura, geralmente sintetizada por entrevistar, redigir, editar, fotografar, filmar, postar e, ainda, dialogar com o público. Para eles, o momento acompanhado nos últimos anos pode ser situado entre a euforia de experimentar funcionamentos para os novos trabalhos e a cautela de como adaptar antigas habilidades.

Há a necessidade de estar sempre operando com a carga máxima mesmo que a competência para a realização dos deveres não seja tão alta assim. Em adição, em decorrência da justificativa de que toda nova tecnologia deve ser usada em favor da comunicação, para conectar pessoas e dar-lhes a opção de disseminar conteúdos, os jornalistas estão vendo a sua jornada de trabalho ser ampliada sem muitas compensações.

‘Visibilidade’ tornou-se a palavra recorrente no discurso de chefes e subalternos que defendem a nova lógica, alegando que seus trabalhos ganham maior repercussão. Sem embargo, os abusos à legislação trabalhista, com jornadas extenuantes e acúmulo de funções, tornaram-se uma preocupação para representantes da categoria, a ponto de o Sindicato dos Jornalistas do Rio reivindicar, na campanha de 2009, o ‘multissalário’ para os repórteres que dão conta da chamada ‘multifunção’ (KISCHINHEVSKY, 2010, p.4).

Além dessa dimensão legal, o trabalho pode ser pensado pelas características de como é desempenhado. Na atualidade, existem ao mesmo tempo diferentes modos de labuta diária, além do mais há a diversificação de seu exercício com a incorporação de novos apetrechos. Uma prova disso é a introdução do celular conectado, do tipo smartphone, como um objeto indispensável aos repórteres para saírem às ruas. Esse equipamento está substituindo as cadernetas de anotações e possibilitando a redação, a edição, o envio e a postagem de materiais em qualquer lugar e horário. Eles se juntam aos tablets e aos notebooks como itens indispensáveis para conferir mobilidade e velocidade à cadeia de produção informativa.

Os jornalistas parecem não ter muito domínio sobre o que está acontecendo. Não se pode prever até onde as exigências sobre eles irão, mas se crê que dificilmente elas serão estabilizadas em breve.

Reconhece-se que todas as profissões têm manejado as intervenções provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, principalmente da computação. Mas, aparentemente o jornalismo e os jornalistas estão sendo mais afetados que outras atividades. As

41 facilidades acumuladas para que este ofício seja executado são tantas que têm colocado em risco a sua realização por empreendimentos que, de variadas maneiras, legitimaram- se como imprensa. Tanto porque esses demoram a incorporar as novidades quanto porque seus adversários se utilizam de uma composição antagônica e, por isso mesmo, interessante aos olhos dos consumidores.

Finalmente, pode-se dizer que a visão de que se está diante de um mar de narradores está intimamente associada à comunicação digital, a liberação do polo de emissão, a facilitação de postagens em quaisquer formatos. Essas últimas são tão simples que qualquer pessoa que disponha de um computador conectado e que possua um conhecimento técnico divulga o seu conteúdo, embora, evidentemente, isso não os torne jornalísticos.

Como consequência, a máxima de que tudo circula na rede vem acarretando desafios às produções firmadas em outro domínio para atrair os narradores. Tem se investido tanto no aproveitamento do que potencialmente é de interesse desses quanto na criação de oportunidades para a captação de colaborações que antes dificilmente seriam obtidas. Considerando somente o que vem sendo explorado por grandes grupos, são muitas as iniciativas, a maioria classificada como jornalismo cidadão, que têm aproveitado a disposição do público em participar do processo noticioso. No portal do Terra18, é conhecido o “VC repórter”, em O Globo há o “Eu-repórter”19, na rede americana CNN o “Ireport”20 (DINIZ, 2012, p.49). Nos três, abre-se um canal para o público noticiar sobre fatos, eventos e acontecimentos, sempre com a interferência de jornalistas.

Gillmor (2004, p. 111) acredita que os leitores, espectadores ou ouvintes coletivamente possuem um conhecimento maior do que os jornalistas profissionais. Por isso, já que essas colaborações são apontadas como um problema, “no mínimo, as escolas precisam insistir para que os estudantes entendam a interatividade genuína, que é a base para a conversa com a audiência” (Ibid., p. 133).

Há a impressão de que as relações estabelecidas pelos jornalistas com o público estão sendo executadas visando sempre à interatividade e à participação. Por conseguinte, há a necessidade de pensar sobre essas relações e, principalmente, de avaliar como estão refletidas no jornalismo. Em geral, os pesquisadores que utilizam o

18 Disponível em: < http://vcreporter.terra.com.br/ >. Acesso em: 11 maio 2014. 19 Disponível em: < http://oglobo.globo.com/eu-reporter/ >. Acesso em: 11 maio 2014. 20

42 vocábulo interatividade se preocupam em como o aparato tecnológico pode ser usado em favor da comunicação e pesquisadores que utilizam o vocábulo participação se preocupam com questões associadas ao receptor com ênfase ao seu caráter psicológico, antropológico e sociológico.

Para Yoo (2011), as definições de interatividade podem ser reduzidas por meio de duas tipologias, uma primeira que pensa no meio (usuário/meio) e uma segunda que reflete a interatividade humana (usuário/usuário), interpessoal. Os blogs seriam um exemplo da interatividade humana enquanto os hiperlinks seriam uma mostra da interatividade do meio. O mesmo autor considera também a interatividade como um estado psicológico do indivíduo. Quando o usuário deseja uma grande quantidade de informações sobre um assunto, o número de links oferecidos em um site o estimula à interatividade. Já quando o usuário está envolvido em uma causa, ele deseja ferramentas que o façam se sentir engajado. Portanto, a interatividade nesse caso será maior se ele puder manifestar a sua opinião e observá-la repercutindo junto com outras.

Segundo Quiring (2009), além dos atributos dos sistemas tecnológicos e das percepções dos usuários, existiria a interatividade decorrente do próprio processo de comunicação. Por meio dela, os participantes poderiam travar um diálogo ou um discurso. Nos dois casos, ele utiliza os termos como no senso comum para indicar uma comunicação cujo funcionamento básico é ter uma orientação bidirecional.

Vilches (2003) argumenta que interatividade em sua plenitude permitiria uma nova zona de relações sociais, na qual o homem poderia se aproximar da máquina e fazer uso dela a partir de suas vontades e em função do serviço disponível, usando com inteligência a tecnologia.

No entanto, se o investimento na interatividade é uma necessidade que precisa ser explorada pelos jornalistas, muitos desses profissionais possuem dificuldades para aceitar isso. De acordo com Domingo (2008), aqueles que iniciaram nessa profissão sem a internet, percebem-na como um problema e não como uma oportunidade de mudança. O estudo de Miranda (2008), que entrevistou redações espanholas, concluiu que muitos continuam enxergando a inserção da audiência nos mesmos moldes dos esquemas rígidos, tal como acontecia com as cartas enviadas pelos leitores ao editor. Isso assinalaria uma tendência ao imobilismo. Ainda que os movimentos em trânsito sejam reconhecidos, muitos preferem ficar inertes a eles como se, desse modo, não fossem afetados.

43 Mesmo com a existência desse sentimento, diante da imensidão de narradores, as instituições jornalísticas, para atenderem as exigências de participação vindas da sociedade estão lançando mão de mecanismos para atrai-los. Estão sendo vistos projetos que prometem a interatividade de diferentes formas. O aproveitamento da vontade do público em trazer notícias, carregando o título de repórter, como já se ressaltou, é um dos recursos bastante utilizados. Além desses, na apresentação do conteúdo são colocados em uso esquemas mais abertos à interatividade principalmente técnica.

Para finalizar, pode-se pontuar que são diversas as expressões que tentam

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