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Capítulo III – Promoção da (Re)Inserção profissional: um projecto piloto

1. Empreendedorismo e Inovação/ Medida de combate ao desemprego

1.5. Exigências e requisitos de um processo empreendedor

Apesar de não existir um formato para o empreendedor de sucesso existe, contudo, um processo empreendedor cujos ingredientes podem ser designados de maneira diferente pelos vários atores mas que, geralmente são comuns ao lançamento de todas as novas empresas.

O processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações associadas com oportunidades detetadas e com a criação de organizações para aproveitar essas mesmas oportunidades. Para Sarkar (2010) o processo empreendedor envolve cinco fatores: espírito; recursos; oportunidades; plano e execução, processo denominado pelo autor de eUrope (Sarkar, 2010: 271).

O sucesso de um projeto empreendedor é motivado pela existência de um empreendedor que seja capaz de “conciliar os cinco elementos da eUrope de forma harmoniosa e favorável” (Sarkar, 2010: 271).

Relativamente ao espirito empreendedor, embora não exista uma fórmula para o descrever, este deve certamente envolver os seguintes aspectos:

 Um desejo de criar;

 Uma necessidade de manter o controlo das situações;

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 Uma forte convicção na bondade das suas ideias;

 Espírito capaz de enfrentar incerteza;

 Auto-confiança;

 Persistência, uma boa capacidade para olhar para além do óbvio e de aprender com as falhas (Sarkar, 2010).

Ainda assim, vale a pena reforçar que um individuo não tem de nascer com determinadas características (fatores intrínsecos) para se tornar um dia empreendedor bem sucedido. É que muitos aspetos que distinguem os empreendedores de sucesso, pode também ser adquirida através da experiência, (fatores extrínsecos).

Ser empreendedor implica lidar com um vasto leque de pessoas, desde os empregados aos fornecedores, aos clientes potenciais ou atuais. Saber comunicar com os clientes e mantê-los satisfeitos marca, normalmente, a diferença entre a morte e o crescimento de um negócio, assim sendo, conhecer a arte das relações humanas é uma capacidade muito valiosa para os negócios, especialmente, para os empreendedores que atuam sozinhos.

Ao contrário das grandes empresas, o empreendedor por conta própria tem de lidar ele mesmo com os vários problemas que vão surgindo, desde a produção aos fornecedores, passando pela contabilidade e marketing. Desta forma, para além da capacidade inata para aprender que deve ter, pode ainda ter de dedicar algum do seu tempo a aprender matérias básicas de gestão. Trata-se de disciplinas necessárias à execução de um conjunto de tarefas básicas empresariais, nomeadamente, as finanças, a contabilidade, os aspetos legais, a negociação, o marketing, a gestão da distribuição e comercialização dos produtos.

Apesar de ser verdade que muitos empreendedores de sucesso têm pouca ou nenhuma formação académica, no sentido formal, não há dúvida de que para a maioria dos empreendedores, “uma educação de qualidade pode ser determinante para o sucesso” (Sarkar, 2010: 275).

Além da capacidade produtiva intrínseca ao próprio empreendedor, recrutar e motivar os recursos humanos, empregados e colaboradores, com as capacidades adequadas às sucessivas etapas de crescimento de uma empresa é crucial para o sucesso de um negócio. O empreendedor competente é também aquele, que se empenha em encontrar colaboradores melhor do que ele próprio, em tantas áreas, quantas possíveis e as necessárias, sabendo depois delegar eficazmente e mantê-las motivadas.

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Dependendo das ambições do projeto, uma nova empresa vai certamente requerer alguns recursos financeiros. As necessidades financeiras para aproveitar as oportunidades também devem ser bem estabelecidas à partida. Este processo começa com a avaliação dos recursos atuais do empreendedor. Quaisquer recursos que sejam críticos têm que ser necessariamente distinguidos daqueles que podem apenas mitigar algum problema. É necessário, ter algum cuidado para não subestimar o montante e a variedade dos recursos necessários.

Os riscos de insucesso associados e recursos insuficientes e desapropriados devem também ser avaliados. Por outro lado, é também importante não exagerar nas necessidades financeiras. Deve-se salientar que muitas empresas de grande sucesso começaram com muitos poucos recursos financeiros. É um mito dizer que é preciso muito dinheiro para começar a realizar um empreendimento de sucesso.

Na fase inicial, os empreendedores “recorrem muitas vezes aos três F’s (family, friends and otherfools). Particularmente nas etapas iniciais, um empreendedor deve esforçar-se por manter a máxima posição sobre o capital da empresa.” (Sarkar, 2010: 277).

As oportunidades não podem apenas ser vistas no contexto das fronteiras locais. Apesar de ser verdade o cliché da aldeia global, também é verdade que muitos dos novos empreendedores constroem os seus negócios a pensar em termos muito locais. Dessa forma, as ambições são limitadas, normalmente, devido ao medo do desconhecido e ao desejo de atuar localmente, que se prende com a sensação de segurança que advém de trabalhar com base no conhecimento dos mercados locais.

Assim como não há uma fórmula para o sucesso do empreendedor, também não há, uma fórmula ou mesmo mecanismos formais para identificar oportunidades de negócios. Contudo, algumas fontes dão mais frutos do que outras e em geral, podemos dizer que “muitas oportunidades de empreendedorismo provêm das seguintes fontes:

i. Clientes/mercados;

ii. Associações empresariais;

iii. Fornecedores e canais de distribuição; iv. Funcionários;

v. Projetos universitários e concursos de ideias; vi. Experiência profissional.” (Sarkar, 2010: 279).

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Avaliar a oportunidade “permite ao empreendedor avaliar se o produto ou serviço específico que concebeu poderá ter os retornos necessários, quando comprado com os recursos que necessita para os concretizar” (Sarkar, 2010: 282).

O plano de avaliação de oportunidade serve como método para o empreendedor poder avaliar a oportunidade identificada. Esta análise de oportunidade, deve fornecer uma base para a tomada de decisão de avançar com o empreendimento.

Relativamente aos passos a seguir no plano de avaliação, este deve ter, a descrição do produto ou do serviço, uma avaliação da oportunidade, uma avaliação do empreendedor e da equipa e a especificação de todas as atividades e recursos necessários.

Segundo Sarkar (2010) a avaliação da oportunidade deve responder a determinadas questões:

1) Resumo da ideia (o quê?): consiste em explicar a ideia de uma forma resumida, fundamentar porque é que essa ideia é viável;

2) Mercado (para quem?): engloba a identificação dos potenciais clientes, a determinação da dimensão do mercado-alvo e do preço que seria possível cobrar nesse mesmo mercado pelo novo produto/serviço;

3) Concorrência (contra quem?): engloba a identificação dos potenciais concorrentes, diretos ou indiretos, a análise da facilidade e das barreiras à entrada no mercado;

4) Mais sobre o produto ou serviço (baseado em quê?): constitui em detalhar vários aspetos sobre as características do novo bem, tais como: o seu grau de inovação, a sua sofisticação tecnológica, a sua sustentabilidade, e a base da sua vantagem competitiva;

5) Os recursos necessários (como vai ser possível?): engloba a identificação dos recursos necessários para preencher a necessidade identificada no mercado; 6) Como vamos fazer?: engloba a identificação de onde vai ser sedeada a empresa,

como é o processo de produção, etc;

7) Porquê eu: engloba a identificação das garantias que o empreendedor e a sua equipa oferecem para uma concretização bem-sucedida do projeto.