O desenvolvimento não ocorre abstratamente, ele se manifesta (ou não se manifesta) em um espaço geográfico bem-definido E possível
EXPANDINDO HORIZONTES E AMPLIANDO INSERÇÕES
A saúde suplementar (que é a parte privada do sistema de saúde) atinge hoje 35 milhões de brasileiros, notadamente nas capitais e gran des centros urbanos e principalmente na região Sudeste do País (que concentra mais de 50% desses serviços). E também na saúde suple mentar a qualidade do cuidado, humanização, vínculo, acolhimento, integralidade são assuntos que estão entrando em pauta.
Com a redução importante das taxas de inflação no Brasil a partir de 1994, os gestores de planos de saúde perdem oportunidade de auferir lucros somente no giro financeiro dos seus recursos, e são compelidos a implementarem, nas suas empresas, práticas em gestão de custos e ges tão de riscos. A “ medicina preventiva*, como estratégia para redução de custos, passa a fazer parte do vocabulário aos empresários da saúde e muitos sanitaristas são contratados para organizarem programas de promoção da saúde, de gestão de doentes crônicos, de idosos, etc.
Além disso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar desenca deou, a partir de 2004, o Programa de Qualificação da Saúde Suplemen-
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tãr (Brasil, 2006a), mediante o qual as operadoras de saúde passaram a ser avaliadas também pela qualidade da atenção à saúde prestada a seus beneficiários. Pode parecer estranho, mas como a saúde suplementar é uma atividade econômica, incluir a responsabilidade pela saúde dos usuários como compromisso básico das operadoras é uma inovação, já que, tradicionalmente esse setor se move em busca do lucro e da saúde financeira das empresas — como qualquer outro setor da economia.
Então — por iniciativa própria, ou incentivadas pela ação da ANS — as operadoras de saúde passaram a oficialmente se ocupar da gestão do cuidado. Aqui se configura um novo campo de trabalho, e em ex pansão para profissionais de saúde, especializados em saúde coletiva.
A gestão do sistema de saúde envolve também um intricado mapa de relações de cooperação e disputa entre os gestores das três esferas de governo, além das atividades de regulação. Regulação das atividades públicas e privadas de saúde tendo como base os acordos pactuados entre os gestores municipais, estaduais e federal.
O campo da regulação abre possibilidades de inserção para muitas profissões de saúde em que conceitos, tecnologias e instrumentos da "economia da saúde" e das "práticas baseadas em evidências" são muito bem-vindos.
Há instâncias de pactuação entre gestores, em que as decisões só acontecem por consenso (Bipartite, Tripartite). E algumas câmaras técni cas em que os debates preparatórios acontecem, divididos por temas. Assim, em cada esfera de governo, municipal, estadual e federal, os ges- to-res precisam de apoio técnico em várias áreas, que emanam da diver sidade das profissões da saúde: a assistência farmacêutica, a auditoria em saúde, a avaliação de sistemas, serviços e tecnologias em saúde, a ges tão da informação em saúde, a promoção da saúde e da qualidade de vida, práticas nutricionais em saúde pública, gestão do cuidado, huma nização, programação em saúde, a promoção dos direitos reprodutivos e sexuais, etc
Além de trabalhar com o tema do cuidado às pessoas, a saúde coletiva também se ocupa do cuidado ao meio ambiente e da vigilância à saúde. Meio ambiente e saúde é um campo interdisciplinar em que há grande necessidade de produção de conhecimento e de agendas, que, necessariamente são intersetoriais — o que agrega ainda mais com plexidade ao campo de práticas. São ferozes as disputas neste campo, em que interesses contraditórios se explicitam particularmente no que diz respeito aos constrangimentos que a proteção do meio-ambiente impõe a determinadas atividades econômicas.
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A vigilância à saúde inclui a vigilância epidemiológica e a vigilância sanitária e todas as atividades relacionadas ao controle das doenças e é um campo bem estruturado no País, com ampla produção de conheci mento e muitas oportunidades de trabalho em todas as esferas de go verno em saúde.
A Saúde da Família — agora formalmente reconhecida pelos ges tores das três esferas como uma política nacional (Brasil, 2006b) tem mobilizado a contratação de um grande contingente de profissionais de saúde no Brasil, com destaque para os médicos e enfermeiras, auxi liares (e técnicos) de enfermagem e agentes comunitários de saúde, pre sentes em todas as equipes do País. Os dentistas e técnicos de higiene bucal vêm sendo rapidamente inseridos numa proporção de uma du pla para cada duas equipes de saúde da família. Outros profissionais começam a se vincular, principalmente nos Núcleos de Atenção Inte gral à Saúde como os fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, profis sionais de educação física, não na mesma relação profissionais/famílias dos médicos, enfermeiros e dentistas, mas como referências para várias equipes. Também os farmacêuticos vêm encontrando novas possibili dades de inserção nos sistemas de saúde, particularmente trabalhando sobre o tema do uso racional de medicamentos e contribuindo direta mente na construção das linhas de cuidado.
A Saúde da Família foi adotada como uma alternativa para garan tir a oferta de cuidados individuais e coletivos à saúde das famílias resi dentes em um dado território. Ela articula promoção à saúde, preven ção de doenças e cuidado clínico e, portanto, pressupõe a articulação entre clínica (a clínica médica, a pediatria, a ginecologia, a obstetrícia, etc.) e a saúde coletiva. A saúde coletiva pode ser vista como a meta- disciplina articuladora, ao trazer para a organização e gestão da Saúde da Fam ília os conceitos de território, áreas de risco, busca ativa de ca sos, acolhim ento, vínculo e responsabilização, etc., constituindo-se, portanto, num campo de trabalho relacionado com a saúde coletiva.
Os hospitais também oferecem oportunidades de trabalho no cam po da saúde coletiva, quando organizam áreas de epidemiologia hos pitalar, centros de planejamento e custos, vigilância de medicamentos e hemoderivados e unidades responsáveis pela elaboração de protoco los clínicos, que são embasados em práticas baseadas em evidência, construídos com os elementos conceituais da epidemiologia. Política e planejamento è as ciências sociais e humanas na saúde são áreas que contribuem para melhor compreensão das lógicas existentes dentro da organização hospitalar e para a proposição de novas estratégias para
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sua gestão e para a organização do cuidado. A humanização da aten ção hospitalar e a participação dos hospitais na construção de linhas de cuidado em articulação com outros serviços e equipamentos de saú de são temas bastante trabalhados ultimamente (Benevides & Passos, 2005).
As indústrias farmacêuticas vêm oferecendo possibilidades de in serção para profissionais de saúde capacitados em conduzir pesquisas epidemiológicas e conhecedores de toda a legislação concernente com a pesquisa com seres humanos, regulamentados pelo Conselho Nacio nal de Pesquisa que está vinculado ao Conselho Nacional de Saúde.
O Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (Rouquayrol & Almeida Filho, 2005) — organizado em quatro subsistemas — evi dencia múltiplas possibilidades de inserção para profissionais de saú de que, se familiarizados com conceitos, técnicas e procedimentos do campo da saúde coletiva, encontrarão, certamente, maiores possibili dades de se vincularem a este complexo de práticas laboratoriais de vigilância em saúde.
O campo da saúde e a política vém se intricando cada vez mais. Há muitos assessores de vereadores, deputados estaduais e federais que são profissionais de saúde com formação na área de saúde coletiva.
A especialização em saúde coletiva tem propiciado, ainda, aos pro fissionais de saúde possibilidades de vinculação com organizações não- govemamentaise organizações internacionais multilaterais como a OMS (Organização Mundial da Saúde), Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), Unaids (Programa de Aids das Nações Unidas), Unesco (O r ganização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alim entação) ou organizações financeiras como o Banco M undial ou o B ID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
Bem, estes são exemplos. O campo da saúde coletiva é efetiva mente amplo e oferece múltiplas possibilidades de trabalho.
TENDÊNCIAS DO TRABALHO EM SAÚDE