ilegalidade frente à legislação trabalhista
Percebe-se então que o capital busca incessantemente territorializar-se em espaços que forneçam atrativos viáveis (lucrativos) para sua maior acumulação. Esta dinâmica territorial do capital pode ser percebida, de certa forma, no Oeste Paranaense e particularmente em Marechal Cândido Rondon, através da expansão do capital industrial vinculado às indústrias alimentícias na região/município.
O emprego industrial na Região Oeste Paranaense tem crescido notavelmente quando observamos as estatísticas oficiais. Tal expansão está vinculada principalmente às indústrias alimentícias, sobretudo às chamadas agroindústrias.
Percebe-se que a Região Oeste vem passando nos últimos anos por um crescimento no setor industrial com médias acima das estaduais. Conforme Carvalhal (2009, p. 11):
Segundo os dados da RAIS o emprego industrial tem apresentado um crescimento contínuo desde 2002, com taxas próximas a dez pontos percentuais ao ano, o que é um incremento considerável, atingindo em 2006 o montante de 58.778 empregados, sendo a 3a. maior região industrial do estado do Paraná, representando 11% do emprego industrial paranaense.
O crescimento do emprego industrial na região como um todo foi proporcionalmente maior do que o aumento geral do emprego formal, sendo que, segundo Carvalhal (2009) as médias da Região Oeste subiram para mais de 25%, ultrapassando a média estadual de 23,9%.
Esse grande incremento no setor industrial formal na região se deve ao fato tradicional do Oeste Paranaense ser considerado uma região com forte incremento da agropecuária, sendo que, os grandes índices de crescimento no mercado de trabalho formal industrial se encontram nas indústrias alimentícias, conforme observamos na (Mapa 1) organizada por Silva (2010) que retrata a localização dos frigoríficos na região.
MAPA 1- Mapa Das Unidades Industriais De Frigoríficos do Oeste Paranaense
Dentre os setores mais representativos nas indústrias da Região Oeste, encontramos em primeiro lugar a grande expansão do trabalho fabril vinculado às indústrias alimentícias, em seguida da indústria têxtil, indústria química e indústria da madeira e do mobiliário.
Mesmo assim, a análise destes dados no período de 1998 até 2009 segundo as informações obtidas a partir do IPARDES, demonstra que houve uma expansão muito expressiva no setor alimentício com relação aos demais setores industriais, conforme o (Gráfico 1).
GRÁFICO 1 – Crescimento do número de empregos na Mesorregião Oeste do Paraná (1998-2009): setores industriais mais representativos
Fonte: Dados do IPARDES/RAIS, acesso em 20/09/2010.
Org: HECK, 2010
Percebe-se através do (Gráfico 1), que o setor que mais se destaca é principalmente a indústria alimentícia, com o número de 37.768 empregos disponíveis.
Assim, em dados absolutos a comparação da indústria alimentícia com o setor de têxtil/vestuário (8.078 empregos) demonstra uma grande diferença de emprego de mão de obra.
A partir do ano de 2003 a taxa de participação da indústria alimentícia com relação ao número total de empregos industriais no Oeste Paranaense passou os 50%, chegando a ter 55,18% do número de empregos industriais da região no ano de 2005, ultrapassando a soma de empregados de todas as outras indústrias, segundo dados do IPARDES.
Os dados demonstram que a expansão industrial no Oeste Paranaense são intensificados a partir do ano de 2003, mas o ano de 2005 acaba sendo particularmente o que apresenta a maior taxa de crescimento do emprego da mão de obra na região.
Isto permitiu a criação de um gráfico visando mostrar de maneira mais simples esta expansão conforme os dados esboçados no (Gráfico 2).
GRÁFICO 2- Crescimento industrial e a expansão das indústrias alimentícias no Oeste Paranaense (1998-2009)
Fonte: Dados do IPARDES/RAIS, acesso em 20/09/2010.
Org. Heck, 2010.
No que se refere às Microrregiões Geográficas a expansão do emprego industrial concentra-se principalmente na MRG de Toledo. Conforme os dados do IBGE são três Microrregiões que integram a Mesorregião Oeste Paranaense: MRG de Toledo, MRG de Cascavel e MRG de Foz do Iguaçu.
Em termos do mercado de trabalho formal a MRG de Cascavel representa 105.872 da disponibilidade de postos de trabalho, seguida da MRG de Toledo com 85.033 e da MRG de Foz do Iguaçu com 77.394 postos de trabalho.
Na MRG de Cascavel, encontramos 12.348 postos de trabalho para o ano de 2009 em indústrias alimentícias, representando com relação aos outros setores do mercado de trabalho formal desta MRG, a terceira posição.
Na MRG de Foz do Iguaçu temos 7.470 postos de trabalho referente a 2009 nas indústrias alimentícias e, também, com relação aos outros setores do mercado de trabalho formal considerados pela pesquisa do IPARDES para esta MRG, ocupa a terceira posição.
A MRG de Toledo apresenta 17.950 postos de trabalho em 2009 em indústrias de alimentos.
Com relação aos outros setores do mercado de trabalho formal, a indústria alimentícia ocupa a posição de destaque com o maior número de inserção da mão de obra nestas indústrias (Gráfico 3).
GRÁFICO 3 – Crescimento da indústria alimentícia nas Microrregiões pertencentes à Messorregião Oeste do Paraná (1998-2008)
Fonte: Dados do IPARDES/RAIS, acesso em 20/09/2010.
Org: HECK, 2010
Conforme Gemelli (2008) referindo-se aos números absolutos de trabalhadores empregados das indústrias alimentícias, a MRG de Toledo ocupa uma posição de destaque no cenário estadual tendo a 2º colocação atrás apenas da MRG de Curitiba.
Desta maneira os dados que observamos de crescimento industrial da MRG de Toledo (a qual pertence Marechal Cândido Rondon), demonstra uma expansão acentuada do emprego nas indústrias alimentícias.
Ainda, se considerarmos a expansão industrial no Oeste Paranaense com relação aos municípios percebemos o crescimento concentrado, principalmente nestes: Toledo, Cascavel, Marechal Cândido Rondon, Cafelândia, Medianeira, Palotina e Matelândia.
Na cidade de Toledo do total de 35.563 postos de trabalho formais 8.868 no ano de 2009 estão nas indústrias de alimentos, ou seja, 24% do mercado de trabalho formal do município encontra-se nestas indústrias. Em Cascavel de 79.661 empregos, temos 6.118 empregados, na indústria alimentícia, o que corresponde a 7% dos empregos formais da cidade. Em Marechal Cândido Rondon-PR, de um universo de 13.405 trabalhadores formais 3.308 (24%), destes estão empregados nas indústrias alimentícias locais. Na cidade de Cafelândia os dados percentuais são mais representativos, pois, de 8.953 trabalhadores formais 5.343 estão vinculados à indústria de alimentos o que equivale a 59% dos postos de trabalho formais nesta indústria. Na cidade de Medianeira dos 11.695 empregos formais 3.102 são nas indústrias de alimentos (26%). Em Palotina, dos 9.468 empregos formais 3.561 estão
nestas indústrias (37%). Por fim, Matelândia que tem 4.435 empregos formais 2.528 são nas indústrias alimentícias, o que equivale a 57% do mercado de trabalho formal no município.
Todos estes dados foram obtidos através do IPARDES – Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social e são referentes ao ano de 2009, conforme (Tabela 1).
TABELA 1- Participação percentual das indústrias alimentícias com relação ao total do mercado de trabalho formal – municípios mais representativos (2009)
Municípios
Total:
empregos formais
Ind.
Alimentícia Percentual
Cascavel 79.661 6.118 7%
Toledo 35.563 8.868 24%
Mal. Cdo. Rondon 13.405 3.308 24%
Medianeira 11.695 3.102 26%
Palotina 9.468 3.561 37%
Matelândia 4.435 2.528 57%
Cafelândia 8.953 5.343 59%
Fonte: Dados do IPARDES/RAIS, acesso em 20/09/2010 Org: HECK, 2010
Assim temos indústrias alimentícias que ocupam destaque na Região Oeste: a COOPAVEL em Cascavel, a SADIA em Toledo, C.VALE em Palotina, a LAR em Medianeira, Matelândia, Santa Helena, Itaipulândia e Céu Azul, a COPACOL em Cafelândia, a FRIMESA em Matelândia, Medianeira e Marechal Cândido Rondon e a COPAGRIL em Marechal Cândido Rondon.
Assim, pode-se afirmar que há uma expansão industrial no Oeste Paranaense fortemente vinculada às indústrias alimentícias.
Percebe-se que no município houve uma expansão no mercado de trabalho formal, principalmente do ano de 2005 até 2008. Os dados para o ano de 2009 demonstram que houve uma queda de 757 empregos no mercado de trabalho formal.
Em dados absolutos o mercado de trabalho formal na cidade de Marechal Cândido Rondon-PR representa 13.405 empregos para o ano de 2009 segundo o IPARDES (Gráfico 4).
GRÁFICO 4 – Mercado de Trabalho Formal em Marechal Cândido Rondon-PR (1996-2009)
Fonte: Dados do IPARDES/RAIS, acesso em 20/09/2010.
Org: HECK, 2010
No caso das indústrias alimentícias o número de empregos cresceu em 188 postos de trabalho, ou seja, saltou de 3.120 para 3.308. O que comparado aos anos anteriores representa um crescimento percentual menor.
Mesmo assim, com relação ao número de empregos formais em indústrias na cidade os dados para a indústria alimentícia representam a maior parcela de inserção da mão de obra com relação à somatória de todos os outros setores industriais existentes no município e classificados pelo IPARDES (Gráfico 5).
GRÁFICO 5 - Crescimento industrial e a expansão das indústrias alimentícias em Marechal Cândido Rondon-PR (1998-2009)
Fonte: Dados do IPARDES/RAIS, acesso em 20/09/2010.
Org: HECK, 2010
É interessante notarmos que a participação das indústrias alimentícias com relação ao número de empregos no mercado de trabalho formal no município em onze anos saltou 35%, ou seja, de 34% no ano de 1998 para 69% em 2009. Em números absolutos significa um salto de 365 empregos em 1998 para 3.308 no ano de 2009.
Sendo assim, percebe-se que há uma expansão industrial em Marechal Cândido Rondon, fortemente vinculada com as indústrias alimentícias o que demonstra a territorialidade do capital industrial alimentício no município. Tais dados expressivos no mercado de trabalho formal do município, nos instigaram para pesquisarmos as relações de trabalho de três indústrias locais: Faville, Frimesa e Copagril, buscando observar as contradições do ordenamento territorial do capital.
Achamos de extrema importância compreender esta expansão industrial no município e suas contradições. Isto porque, determinados setores da sociedade local consideram estas indústrias (principalmente o frigorífico de aves da Copagril), enquanto portadores do progresso econômico e desenvolvimento regional pelo fato de empregarem muitos trabalhadores.
Assim, buscamos entrevistar dirigentes das empresas, sindicalistas e trabalhadores para observarmos como estes sujeitos analisam a territorialização das indústrias alimentícias em Marechal Cândido Rondon-PR.
Também, procuramos compreender como objetivo central deste trabalho monográfico o crescimento no número de processos trabalhistas movidos pelos trabalhadores contra as indústrias alimentícias do município (Faville, Copagril e Frimesa) tema que será debatido no terceiro capítulo.
Segundo Gemelli (2008) a Copagril emprega 1560 trabalhadores no frigorífico de aves, a Faville 570 e a Frimesa 270 diretamente ligados à produção. Tais, dados tornam-se expressivos se considerarmos que segundo dados do IBGE a população total do município de Marechal Cândido Rondon situa-se em torno de 44.562 habitantes.
É central para nossa análise compreendermos essa expansão industrial verificada na Região Oeste Paranaense e particularmente em Marechal Cândido Rondon-PR, vinculada ao movimento dinâmico do capital que busca territórios vantajosos do ponto de vista da acumulação capitalista e suas contradições. Conforme Carvalhal (2008, p.125):
Estudar a articulação entre as formas conjunturais de acumulação capitalista e o caráter estrutural da crise de superacumulação (que enseja a busca por novos territórios de acumulação e exploração), está no âmbito mais amplo de nossas preocupações, e o crescimento do emprego formal em Marechal
Cândido Rondon – maior do que a média do crescimento no Brasil, indica de forma bastante tímida é verdade – algumas tendências da relocalização do capital, o que inclui o município no rol de locais atrativos para a expansão capitalista.
Para a pesquisa partimos de alguns questionamentos importantes: qual seria a característica do trabalho nestas indústrias? Quais as relações de trabalho/organização do trabalho existentes nestas indústrias? Como os trabalhadores analisam o trabalho exercido nestas indústrias? Como isto se relaciona com o crescimento no número de processos trabalhistas? A precarização do trabalho formalizado apresenta ilegalidade perante a legislação trabalhista?
Empiricamente, percebe-se que o trabalho nas indústrias alimentícias caracteriza-se, grosso modo, por ser repetitivo, fragmentado, e, com funções simples e muito rápidas. E este fato articula-se com o não pagamento de diversos benefícios da legislação trabalhista aos trabalhadores, que também constatamos através das leituras de 490 processos trabalhistas o que representa a nosso ver que as empresas praticam a ilegalidade sistemática perante a legislação.
Neste sentido o debate dos paradigmas das relações de trabalho é importante para evidenciarmos que além de um trabalho rotinizado e repetitivo, a legislação trabalhista estabelecida no Brasil e resultada de anos de luta está sendo burlada pelas indústrias pesquisadas.
Com estas características constatadas em nossos trabalhos de campo, percebe-se que os trabalhadores destas indústrias alimentícias realizam um trabalho repetitivo, o que parece contrariar o toyotismo que procura os trabalhadores multifuncionais e polivalentes.
Entretanto, por mais que estes trabalhadores desempenhem funções repetitivas e simples, as características do toyotismo são encontradas nas indústrias que pesquisamos. A competição aguçada pela empresa para que os trabalhadores que atinjam metas maiores de produção conseguindo a cooperação dos mesmos através de premiações, os discursos de motivação para o trabalho e palestras motivacionais que buscam a captura da subjetividade operária, parecem ser importantes estratégias utilizadas pelas empresas conforme observamos a partir das entrevistas que realizamos com os trabalhadores.
Neste sentido, ao que parece, estamos diante de um ordenamento territorial onde as características do trabalho repetitivo e fragmentado típico do taylorismo-fordismo, convivem com as estratégias aguçadas pelo toyotismo.
Tal realidade nos permite trabalhar, ao que parece, com a hipótese de que as relações de trabalho nas indústrias pesquisadas apresentam um paradigma de combinação entre estratégias tayloristas-fordistas e toyotistas.
Constatamos isso, principalmente através das entrevistas com os trabalhadores quando descrevem as características do trabalho nas indústrias pesquisadas. Para preservarmos as suas identidades utilizaremos nomes fictícios como Senhor João, por exemplo, representando os trabalhadores.
Um depoimento de uma trabalhadora que chamaremos de Senhora Valéria8 falando sobre a repetitividade e um início de doença vinculada ao trabalho, pois ela já não estava mais conseguindo atingir as metas estipuladas pela indústria, é marcante.
Se você fala que tá doente eles fala nóis não qué sabe se você tá doente, nós qué sabe do que você pode fazer pela firma, sua produção de trabalho.
Nesta mesma entrevista, a trabalhadora e seu marido (ambos trabalhavam juntos), afirmam que o trabalho é muito repetitivo e rápido. Este foi o motivo que levou ela a entrar em depressão trabalhando nesta indústria. Quando questionada sobre a característica do trabalho ela os disse que:
[...] Lá depende do lugar […] eu trabalhei em duas sala né, a escaldagem e a evisceração pra trabalhar é feio […] e lá você faz de tudo, você limpa, trabalha nas linha, corta frango […] é difícil trabalhar lá, tem que tá muito precisando que nem a gente tava, se eu soubesse que era assim eu não tinha entrado.
Outro depoimento que coletamos no mesmo dia da Senhora Valéria, caminha na mesma perspectiva analítica sobre as características do trabalho. Primeiramente a Senhora Márcia nos disse que sentia muitas dores nos braços decorrente do trabalho repetitivo realizado, e quando questionamos se ela gostaria de voltar a trabalhar na indústria esta respondeu:
Não voltaria a trabalhar lá não [...] prefiro de doméstica, mas lá não.
Através destas informações que coletamos com os trabalhadores, percebe-se que o trabalho na linha de produção é repetitivo e muito rápido. Estas duas trabalhadoras entrevistadas apresentam certa resistência ao trabalho na indústria, pois, conforme
8Entrevista realizada dia 18/09/2010.
observamos nas entrevistas, elas questionam a repetitividade dos movimentos e a velocidade da linha de produção.
Sendo assim, percebemos que a linha de produção e o controle da produtividade do trabalho diária vinculado à velocidade desta (características marcantes das grandes indústrias fordistas), demonstram que não há um rompimento total com este paradigma de racionalização nas indústrias pesquisadas em Marechal Cândido Rondon-PR.
Neste sentido, compreende-se que a reestruturação produtiva, do qual o modelo japonês do toyotismo parece ser o paradigma que obteve mais sucesso, desenvolve-se de maneira desigual pelos territórios do globo. Isto significa, que no contexto do capitalismo dito
“flexível” a recriação de padrões de relações de trabalho do taylorismo-fordismo (como é o caso das indústrias pesquisadas) e outras formas mais brutalizantes da inserção da mão de obra como o exemplo do trabalho escravo, conviverão juntamente com o paradigma do capitalismo toyotizado do just in time, kanban, CCQ´s, etc.
Sendo assim, percebemos em nossa pesquisa empírica quando visitamos as instalações do frigorífico de aves da Copagril em Marechal Cândido Rondon-PR, como o emprego do trabalho repetitivo, fragmentado, muito rápido, numa linha de produção e pouco qualificado, está presente nas relações de trabalho desta indústria e também, nas outras indústrias alimentícias da cidade, a partir das entrevistas realizadas com os trabalhadores da Faville e da Frimesa.
Entretanto percebe-se que elementos que buscam a “captura” da subjetividade operária também estão presentes, nas relações de trabalho das indústrias alimentícias locais.
Palestras “motivacionais” para os trabalhadores, discursos de líderes de alguns setores sobre a competência que se deve adquirir no trabalho, reuniões com alguns representantes da gerência para discutir como elevar a produtividade, entre outros elementos, podem ser identificados como estratégias do capital para a “captura” da subjetividade operária.
Estas estratégias tornam-se importantes para o capital, principalmente a partir da reestruturação produtiva, onde muitos elementos de incorporação do saber intelectual dos operários são considerados importantes para a lógica capitalista, que busca “capturá-los”
visando maiores possibilidades de cortes de custos e conseqüentemente a acumulação capitalista.
Mesmo assim, o que é nítido nas relações de trabalho locais, são as características de um trabalho taylorizado, extremamente repetitivo, fragmentado e disposto numa linha de produção, onde os frangos chegam a tal linha e são mortos, retirados os miúdos, e cortados
em todas as especificidades possíveis, pelos trabalhadores, que necessitam de movimentos muito rápidos, constantes e repetitivos.
Conforme as características do emprego destas indústrias alimentícias se caracterizarem por relações de trabalho repetitivas, fragmentadas, num trabalho taylorizado, vários trabalhadores afirmaram na pesquisa que consideram o trabalho “muito puxado”.
Em outras entrevistas realizadas no ano de 2009, demonstram como se caracteriza o trabalho nestas indústrias alimentícias, particularmente no frigorífico de aves da Copagril.
Um dos trabalhadores entrevistados, o (Senhor Roberto), que trabalha no setor da pendura explicou bem como funciona a sua função. Primeiramente ela é específica, pois o mesmo deve pendurar em média de 14 a 15 frangos por minuto. Quando perguntamos sobre a exigência de qualificação profissional o trabalhador disse que nada lhe foi exigido para exercer tal função. Este também argumentou que os trabalhadores deste setor estão organizados em grupos de trabalho e que muitas reuniões são realizadas com as chefias, nas quais geralmente são cobradas as metas que a empresa necessita.
Outra trabalhadora, a (Senhora Vitória), da mesma empresa que trabalha a três anos no setor de embalagens, afirma que também no ato de sua contratação nenhuma qualificação profissional foi exigida. Ela nos disse que no setor de embalagens, diferentemente de outros setores, nenhuma meta é estipulada.
Em um outro depoimento outra trabalhadora (Senhora Débora), do setor de evisceração e que trabalha a dois anos na Copagril, quando indagada a responder sobre o processo de trabalho afirmou que muitas pessoas não agüentam o mesmo, pois é muito cansativo e pesado. E também nos disse que são realizadas várias reuniões no seu setor e com os demais trabalhadores, nas quais, o conteúdo geralmente se baseia em cobranças por melhores resultados no trabalho.
Outros dois trabalhadores ligados à liderança de produção e serviço de inspeção federal contribuíram com opiniões diferenciadas. O primeiro que denominamos de (Senhor Bruno), executa a função de líder no setor de cortes, afirmou que não foi exigida qualquer qualificação para o trabalho que desempenha na Copagril. Também disse que neste setor trabalham 46 pessoas com funções específicas no corte, pois a esteira é muito rápida fazendo com que cada trabalhador deva cortar partes determinadas do frango para poder alcançar suas metas. Ainda, nos disse que os trabalhadores são organizados em grupos para alcançar metas pré-determinadas e que reuniões são feitas com o intuito de melhorar a produtividade e o trabalho dos “colaboradores”.
O segundo (Senhor César), que trabalha há dois anos e cinco meses na empresa e subiu de cargo neste período para o, Serviço de Inspeção Federal (SIF), afirmou que
O segundo (Senhor César), que trabalha há dois anos e cinco meses na empresa e subiu de cargo neste período para o, Serviço de Inspeção Federal (SIF), afirmou que