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Expansão Urbana

No documento Novos Velhos Olhares (páginas 72-77)

1.1 |Vila do Conde – a Cidade

1.1.3. Expansão Urbana

A par da história de Vila do Conde, torna-se importante reter algumas considerações acerca da formação urbana da cidade, compreendida entre os séculos XVI e XX. Deste modo, utilizando uma planta da estrutura urbana atual interpreta-se a sobreposição com a referente ao século XVI, demonstrando que grande parte do traçado urbano da área central de Vila do Conde manteve a estrutura urbana principal quinhentista, época de forte comércio externo para o Brasil e para o Norte da Europa.

Figura 31_Estrutura Urbana atual

As alterações mais notáveis são resultantes da abertura da estrada Porto-Viana do Castelo em 1865 interrompendo o tecido urbano e separando a zona alta da cidade da zona a oeste, onde surge uma urbanização de veraneio com um acesso direto às praias. Nesta sobreposição, verifica-se também a abertura de uma segunda avenida em direção à praia, traçada sobre uma rua quinhentista paralela à orientação da Igreja Matriz no sentido oeste. Esta rua é fulcral para a expansão urbana no século XIX.

“A construção do mercado municipal que porta o nome de Duarte Pacheco, construído na primeira metade do século XX, vai consolidar formalmente as alterações efetuadas em 1865, aquando da abertura da Estrada Nacional.” (cf. Figura 33) (Câmara Municipal de Vila do Conde,

2006).

Figura 33_ Porta Mercado Municipal com a inscrição do Eng. Duarte Pacheco

Fonte: http://jornal-renovacao.pt/2016/03/go-urban-market-no-mercado-municipal/

Figura 32_Sobreposição da planta do século XVI com estrutura urbana atual

Fonte: Câmara Municipal de Vila do Conde, 2006

a) “A zona inferior ao tracejado corresponde a uma reconstituição com base em traçados antigos. Representa também a hipótese de ligação entre o Cais da Alfândega e o Submosteiro.”

No entanto, a planta foi encontrada incompleta, pelo que tornou impossível perceber a relação da cidade com rio na época de Quinhentos. Através das reconstruções cartográficas, aponta-se para a existência de uma bacia que prolonga o rio para norte. Porém, tendo em conta a topografia do local e a importância económica desta área, torna-se improvável a existência de tal fenómeno no século XVI. Mais tarde, a planta do século XVI vem confirmar este fato, apesar de também esta se encontrar incompleta, tendo sido reconstituída através de elementos cartográficos disponíveis.

Os arruamentos do século XVI, que estão representados a traço interrompido na Figura 34, devido à inexistência de elementos gráficos, correspondem a dois pontos de ligação atravessando as antigas hortas. Com maior importância para a expansão de Vila do Conde, datada no século XVIII, foi a edificação do Aqueduto, do Mosteiro de Santa Clara e a construção da ponte de pedra que ligava as duas margens. Desta forma, a cidade sofre um alargamento no sentido norte-sul.

A planta do século XIX foi executada na sequência da derrocada da ponte de pedra construída em 1821. Este século foi de grande revolução, começando a história contemporânea da cidade com a instituição da liberdade constitucional. Vila do Conde tornou-se então um concelho de múltiplas freguesias, consolidando-se como um grande município, a norte e sul do rio Ave.

Figura 34_Sobreposição da planta do século XVI com indicação do edificado quinhentista

Figura 36_Inserção do traçado urbano da planta do século XIX na planta atual

Fonte: Câmara Municipal de Vila do Conde, 2006

Figura 35_Mapa das Villas do Conde, e de Azurara… - (1821-1824)

A planta do inicio do século XX demonstra vários traçados quinhentistas, alterados posteriormente à sua execução em 1915. Esta fornece informação acerca da primeira fase da construção do Mercado Municipal, inclui os percursos medievais e os caminhos de areia de acesso ao Castelo e Caxinas e ainda fornece uma possível localização da ponte de S. Tiago. Este século fica marcado pelo desenvolvimento económico, o aperfeiçoamento dos transportes, o aparelho de serviços públicos, o progresso da cultura e da educação e também do desporto.

Figura 37_ Inserção da planta do inicio do século XX na estrutura urbana atual

Fonte: Câmara Municipal de Vila do Conde, 2006

Vila do Conde tornou-se num centro urbano com diversas atividades como as feiras semanais de sexta-feira, que ainda hoje se realiza, a feste de S. João e a celebração do Corpo de Deus. Após o 25 de Abril de 1974, a cidade evolui repentinamente, “fomentando a prosperidade,

acelerando o ritmo de progresso em condições de liberdade que durante o Estado Novo não conhecera, relançando grandes empreendimentos urbanos.” (Reis)

A. “mostra a ruína da ponte de pedra e rampa (…).” “(…) a realização de uma grande praça em Azurara, (…), de onde parte um largo arruamento que entronca na ponte destruída.”;

B. “Ponte de madeira, talvez o objeto principal da intervenção, uma vez que esta ponte que substitui a de pedra foi construída em 1821, ano da derrocada da 1ª ponte e tendo durado até 1893, ano da conclusão da ponte metálica.”;

C. “(…) propostas de intervenção na atual Praça da República (…).” “(…) Pode observar na mancha colorida inserta na planta, a dimensão da praça é praticamente duplicada, avançando sobre o rio.”; D. “Mostra o cais já construído na mesma direção alguns anos atrasados; e toda a maior obra de um e outro lado está por construir.”;

E. “Abrigo, para amarração e segurança das embarcações no tempo de maior enchente.”; F. “Estaleiro para todo o tipo de embarcações no tempo de maior enchente, local proposto para a construção naval em Azurara, o qual veio ocupar outro local.”

1.2. |Análise da Zona de Intervenção

No documento Novos Velhos Olhares (páginas 72-77)