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A partir do século XV e com a revolução industrial o desenvolvimento das nações e suas riquezas estivaram em foco, os fisiocratas entendiam que a riqueza era oriunda da natureza, os clássicos por sua vez, que reside no trabalho a fonte da riqueza, os neoclássicos que a produtividade marginal e o controle da escassez que era determinante para uma nação. Toda essa temática em debate era chamada de teoria da economia política, a partir do crash da bolsa de Nova York de 1929. Estas teorias passam a serem estudadas com teorias do desenvolvimento.

Dentre as teorias do desenvolvimento temos as que analisam as instituições, das relações informais até as formais; quem tem seu foco no local ou em polos, as que tem presença forte do

Estado como indutor e outras apresentam o Estado como mero regulador. Nossa analise nesta seção é verificar o desenvolvimento regional com uma das expectativas do Amapá na condição de Estado.

Para Chagas (2011) as teorias acerca do desenvolvimento regional ganham força a partir da década de 1970, com alternativa aos modelos tradicionais de desenvolvimento, principalmente com as ideias de “Perroux (1960)”, aprofundadas por “Boudiville (1973)” no que tange a teoria do desenvolvimento de polos que muito influenciou o Brasil, a exemplo da criação da Zona Franca de Manaus.

Para compreender o desenvolvimento regional, primeiramente devemos entender o que é região, para Philippe Aydalot (apud SOUZA, 2009, p. 21), “a região não passa de um conceito abstrato, pois a subdivisão de um país em unidades menores é muitas vezes arbitrária”. Segundo Souza (2009) a divisão regional de um país, grosso modo, na definição dos seus limites desconsidera as questões econômicas, mas obedecem a “critérios político-administrativos, culturais, naturais e geográficos”.

Sendo assim, fica fácil de entender a dinâmica econômica regional de Macapá no Estado do Amapá com as ilhas do Marajó no Pará. Em que pese estás ilhas pertencerem ao Estado do Pará, suas relações econômicas, sociais e até mesmos o atendimento das demandas por equipamentos sociais como educação e saúde são realizadas em Macapá. É uma demonstração que divisão regional de um país ignora os critérios econômicos. E evidencia a necessidade de um planejamento do desenvolvimento regional.

Souza (2009, p. 21) afirma que

a região tem se definido por sua estrutura econômica; ela se caracterizaria pelo maior ou menor dinamismo de crescimento. Áreas dinâmicas tendem a atrair fatores de produção e a crescer ainda mais rapidamente, enquanto regiões com problemas estruturais perdem populações e capitais.

Assim sendo, as desigualdades regionais ficam evidentes. “O processo de desenvolvimento não é homogêneo no espaço, nem sincrônico no tempo”. Ou seja, o desenvolvimento é desigual, não somente por questões socioeconômicas, mas também pela “distribuição desigual dos recursos naturais e a acumulação diferenciada dos frutos do trabalho humano produzem distintas localizações, que se reproduzem em velocidades diversas” (EGLER; BESSA; GONÇALVES, 2013, p. 8).

Egler, Bessa e Gonçalves (2013), propõem três diretrizes estratégicas para o desenvolvimento regional, que são: coesão territorial, policentralidade e sustentabilidade. A primeira, consiste na atuação colaborativa dos agentes sociais em torno de um objetivo comum, pactuando ações

reduzam custos inerentes ao processo de desenvolvimento. Esta coesão territorial deve ser concebida não apenas pela região, mas também entre as regiões com quem estabelece relações, evitando conflitos e valorizando o desenvolvimento de longo prazo.

O desenvolvimento regional de longo prazo deve ser equilibrado não somente internamente, mas também com outras regiões. Nesta concepção Egler, Bessa, Gonçalves e Gonçalves (2013, p. 8) afirmam que

A chave para o desenvolvimento regional reside nos indivíduos e organizações que vivem e atuam em um determinado território, ou seja, depende de suas habilidades para mobilizar energias em projetos comuns. Para que um território se fortaleça é necessário haver coesão entre os agentes sociais e mobilização em torno de projetos comuns, de modo a evitar cenários em que o crescimento de renda e emprego de um determinado local se faça à custa de regiões vizinhas, próximas ou distantes.

A importância da coesão territorial reside a não gerar grandes desigualdades entre regiões, como temos no Brasil, principalmente quando comparamos as regiões do sul e sudeste com as regiões norte e nordeste.

A segunda estratégia, policentralidade não se diferencia muito da proposta de coesão territorial, já que a ideia é que as cidades de uma determinada região estabeleçam relações e produção complementares e não concorrentes para não gerar desigualdades, estruturando redes e escalas de interação entre as cidades da mesma região. Que se diferencia de François Perroux (1967) pois a cidade pólo de crescimento é que iria radiar o desenvolvimento para as cidades da região, que na prática a experiência da Zona Franca de Manaus, não dinamizou a região.

A noção elementar de policentralidade está associada à idéia de rede de cidades, segundo a qual os núcleos urbanos formam os nós que são conectados por arcos, por onde circulam fluxos materiais e imateriais, seguindo uma hierarquia definida por sua complexidade funcional. Nas diferentes fases de desenvolvimento de uma região, a rede de cidades desempenha papéis diferenciados em sua estruturação. A mera existência de um grande centro na rede não significa que ele possa conferir dinamismo ao território por ele polarizado, pois é necessária sua conexão com os circuitos econômicos, sociais e culturais que articulam e integram o sistema de cidades em suas mais diversas escalas, desde o regional até o global (EGLER; GONÇALVES; GONÇALVES, 2013, p. 8).

Portanto, a policentralidade exige uma concepção e planejamento que contenha as escalas locais, regionais e globais das relações socioeconômicas, culturais e ambientais.

Por última a estratégia da sustentabilidade, que em via de regra possui um viés ambientalista, mesmo não sendo a única diretriz é a mais notória, para Bezerra (2010) sustentabilidade concebe independência de qualquer ordem, seja econômica, social, política e material. O desenvolvimento

sustentável é resultante da tríade: desenvolvimento; preservação; e justiça social que nos marcos do capitalismo só é possível com forte presença do Estado.

O capitalismo engendra uma exploração descontrolada e irracional por recursos naturais, exaurindo e degradando o meio ambiente, causando incerteza quanto ao futuro. “Incerteza acerca do meio ambiente vai aprofundar a necessidade de mecanismos de prevenção e controle de riscos e tenderá a orientar o desenvolvimento econômico e social para atividades poupadoras de energia” (EGLER; BESSA; GONÇALVES, 2013, p. 11).

A sustentabilidade em se tratando de desenvolvimento regional, com certeza será causa de conflitos e desigualdades em determinadas regiões, assim como temos em escalas global, entre os países desenvolvidos e em desenvolvimentos.