2. Enquadramento Biográfico
2.2. Expectativas vs Realidade do Estágio Profissional
Na antevisão do que expectava para o estágio, esperava ter a capacidade de colocar em prática, da forma eficaz, os conhecimentos adquiridos durante a minha formação, em especial os do último ano, ou seja, do 1º ano do 2º ciclo de estudos do ensino em Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (MEEFEBS). Pretendia ainda que a aplicação destes conhecimentos se enquadrasse e adequasse às minhas características pessoais, o que me permitiria agir de um modo próprio e autêntico, experimentando novos métodos e formas de trabalho que me pudessem favorecer. Esperava sobretudo desenvolver conhecimentos que ampliassem o meu reportório e me preparassem para a vida profissional. Ampliar a minha capacidade de encarar e de me adaptar às adversidades e aos diferentes contextos com que me pudesse deparar, era também um propósito. Era decisivo que esta evolução profissional e capacidade de adaptação fossem ocorrendo ao longo do ano de estágio, isto em resultado do confronto com novas situações e desafios. Esta resposta foi o que tornou robusto o processo de evolução, ou seja, a cada novidade eu senti a necessidade de estudar para trabalhar em busca de respostas e soluções. A cada obstáculo senti a necessidade de refletir acerca do que tinha errado e sobre o que poderia melhorar. Foi assim, que a cada desafio “arregacei as mangas” e tentei dar-lhe resposta, superando-o.
A nível pessoal esperava desenvolver a minha criatividade, sentido de responsabilidade, capacidade de trabalhar em equipa, confiança e determinação. A nível profissional esperava desenvolver competências essenciais para a minha atuação como professora, designadamente melhorar as capacidades relacionais e de adaptação a múltiplas situações, transformando-me, gradualmente, numa profissional competente. Era ainda importante que todas estas transformações a nível profissional se refletissem no fortalecimento e modelação da minha personalidade. Em resposta a isto sinto que me tornei uma profissional mais assertiva, com uma maior
capacidade de interação com os outros, conhecedora das matérias e das estratégias de organização e gestão quer da aula, quer das matérias de ensino.
No que concerne aos alunos esperava que fossem disciplinados, motivados, empenhados, colaborativos e que manifestassem interesse pelas atividades propostas em contexto da aula de EF. Também tinha a consciência de que tinha a responsabilidade de lhes proporcionar situações de aprendizagem que lhes permitissem aprender, isto independentemente das suas características e níveis de habilidade. Acima de tudo esperava conseguir adaptar-me às exigências que os alunos das turmas iriam colocar, de forma a conseguir potencializar a aprendizagem e crescimento dos alunos no que aos conteúdos de EF, comportamentos e valores diz respeito. Esta adaptação foi diferenciada em cada ciclo de ensino: com os alunos do ensino secundário foi relativamente fácil adaptar-me às suas características e trazê-los para a minha linha de trabalho, já com os alunos do 2º ciclo a tarefa tornou-se particularmente difícil, pois a turma caracterizava-se por comportamentos de desordem, desrespeito e desinteresse, que felizmente ao longo do ano foram diminuindo.
Quanto ao núcleo de estágio esperava um bom relacionamento entre todos, em que a entreajuda e a partilha de conhecimentos e experiências fossem a base de funcionamento. O expectável é que pudéssemos aprender uns com os outros. Tal como com o núcleo de estágio, esperava que o grupo de educação física fosse acolhedor, tornando-nos (estagiários) parte da equipa, nomeadamente pelo envolvimento nos trabalhos e projetos por eles concebidos e realizados. Agora que olho para trás, vejo que as minhas expectativas foram cumpridas e até superadas.
Relativamente à Professora Cooperante (PC), esperava que esta acompanhasse todo o meu percurso e que manifestasse o máximo de disponibilidade para me auxiliar, algo que se verificou ao longo de todo o ano letivo. Esperava ainda que houvesse uma partilha de conhecimento por parte da PC, o que aconteceu e se revelou fundamental para a minha aprendizagem. O apoio ou desaprovação nas minhas tomadas de decisão e opiniões foi algo igualmente importante para perceber se estava a “caminhar” no sentido certo. Sempre achei essencial a valorização do desempenho, mas também a sinalização das ações de menos êxito, pois considerava que esse equilíbrio
possibilitaria o meu crescimento profissional. Ao longo do caminho, nalguns momentos, senti que não houve valorização do nosso desempenho, apenas a indicação do que não estava bem. Este facto, por vezes, despertou um sentimento de deceção e um questionamento acerca do que teria falhado para ainda não haver sinalização e valorização do dever cumprido. Talvez tenha sido uma forma da PC despertar em nós o sentimento e a vontade de nos desafiarmos constantemente a fazer mais e melhor, de nos ultrapassarmos e nos superarmos constantemente. É importante reforçar que um bom relacionamento se constitui como um ponto essencial para um excelente trabalho, daí expectar que a relação de estagiário/professora cooperante fosse de colaboração e cooperação.
No que respeita à Professora Orientadora (PO) esperava que estivesse sempre presente, que acompanhasse toda a minha evolução e que contribuísse para a mesma. Era fundamental que percebesse as minhas ideias e que me apoiasse e/ou valorizasse, assinalando as situações de menor êxito, contribuindo para o seu aperfeiçoamento. Acima de tudo expectava que se criasse um bom ambiente de trabalho e que as suas ações fossem sempre justas. tal como esperava, o acompanhamento da PO tornou-se peça essencial para a concretização adequada de todo o processo de estágio e desenvolvimento enquanto futura professora.