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4. Apresentação, descrição e análise das experiências de aprendizagem

4.1. Experiências de aprendizagem na Educação Pré-Escolar

4.1.2. Experiência de aprendizagem “O Sol e o Vento”

A experiência de aprendizagem apresentada neste ponto foi realizada a partir da leitura da fábula “O Sol e o Vento” (Esopo, 2014, pp. 152-13). Com as atividades desenvolvidas pretendíamos motivar e captar a atenção das crianças. Concordamos com Sim-Sim (2008) “que o educador deverá ter sempre em consideração (…) quando prepara e realiza actividades que visem a estimulação do desenvolvimento das crianças” (p. 69). Assim tivemos sempre a preocupação que existisse uma sequência entre as diferentes áreas de conteúdo para que desta forma existisse uma aprendizagem diversificada e significativa. “Os educadores podem, e devem, desenvolver um conjunto de tarefas e experienciais variadas que criem oportunidades desafiantes para as crianças relacionarem e integrarem aprendizagens diversificadas” (Sim-Sim, Silva, & Nunes, 2008, p. 69).

Iniciamos a atividade com uma apresentação em PowerPoint, o que cativou e motivou as crianças. Ao colocarmos a apresentação fomos questionados:

Transcrição Nota de campo n.º5 27/05/2014) Análise Criança 14: Ana Rita, o que vamos aprender hoje?

Criança 6: Olha Rodrigo tem o sol e o vento

Através desta nota de campo, tivemos a capacidade de ver que as crianças mostram

Educadora estagiária: Hoje vamos aprender o que é uma fábula. Criança 14: Uma fábula?

Criança 6: O que é isso?

Educadora estagiária: Alguém sabe o que é uma fábula? Todos: Nãoooo.

Educadora estagiária: Então já vamos descobrir.

interesse em perceber o que é uma fábula.

Após este diálogo explicamos às crianças o que era uma fábula e as suas caraterísticas. Para introduzirmos a temática, fizemos a seguinte pergunta: “Será que só os animais fazem parte das fábulas? Ou poderão ser outras coisas?”.

Depois de deixarmos as crianças pensarem um pouco, iniciámos a leitura da fábula, sendo que a leitura da mesma foi realizada com entoação pois “o momento da leitura exige postura adequada, entoação de voz e uso correto das ilustrações para ajudar a conduzir a narrativa” (Meirelles, 2015, p. 1). Durante a leitura podemos verificar o entusiasmo das crianças, pelo que observávamos nas suas expressões faciais, e pelos comentários que iam fazendo. Como se refere no Plano Nacional de Leitura (2015) “As histórias infantis com animais personificados, fadas, bruxas, com aventura, magia e fantasia agradam geralmente às crianças” (p. 7).

Após a leitura, retomamos o diálogo com as crianças, questionando-as:

Foi a partir deste diálogo que conversamos com as crianças sobre a importância do sol, elogiando as crianças que nos transmitiram a informação correta sobre esta temática. Numa linha de continuidade apresentamos um PowerPoint intitulado “vamos conhecer o sol”, através do qual explicamos sucintamente, e de fácil compreensão, a importância do sol. Nesta apresentação existia, propositadamente, uma questão sem resposta, “E o vento?”. Ao colocarmos esta questão obtivemos respostas variadas, tais como:

Transcrição Nota de campo n.º6 27/05/2014) Análise Educadora estagiária: Então, nas fábulas, as personagens são só animais? Ou

identificam algo mais?

Criança 14: O sol e o vento. Criança 6: Pois é.

Educadora estagiária: E alguém me sabe dizer para que serve o sol? Criança 14: Quando está sol está calor, por isso ficamos quentes. Criança 6: O sol ajuda as plantas a crescer.

Criança 3: Quando está sol está dia.

Nesta nota de campo,

verificamos que as crianças ficaram a perceber que as personagens da fábula não são só animais mas também podem ser forças da natureza e objetos.

Também ficamos a saber que falar do Sol é falar de algo que as crianças conhecem muito bem e que desperta interessa nelas.

Iniciamos, assim, uma nova atividade, a realização de cataventos, pois “os materiais

e exemplos novos e entusiasmantes podem construir motivações poderosas na aprendizagem dos alunos” (Arends, 2007, p. 157). A personalização dos cataventos ficou ao critério de cada criança. Para a realização da atividade pedimos a uma das crianças que fosse buscar folhas de papel brancas e as distribuísse pelos colegas. Pedimos, ainda, a outra criança para distribuir os lápis de cor e marcadores, para colorirem os seus cataventos.

Após colorirem e concluírem os cataventos, e porque nem todas as crianças trabalham ao mesmo ritmo, por solicitação das crianças que iam terminando iam brincar, de forma livre nas áreas, enquanto os colegas terminavam a tarefa. Quando todos concluíram a construção dos cataventos regressavam à mesa de trabalho. Tal como nos diz Hohmann & Weikart (2011)

Transcrição Nota de campo n.º7 27/05/2014) Análise Criança 14: O vento é muito forte.

Criança 6: O vento é tão forte que às vezes empurra-nos. Criança 3: O vento é fresquinho.

Criança 17: O vento é tão forte que abana as árvores. Criança 15: Mas no verão às vezes o vento é quente.

Educadora estagiária: Tem toda razão, mas não é a isso que nos referimos.

Queremos saber se vocês sabem o que o vento faz. Já ouviram falar de moinhos?

Todos: Sim.

Criança 14: Ana Rita, Ana Rita, existem moinhos cá (Bragança). Educadora estagiária: Ai é Rodrigo? E tu sabes-me dizer onde estão? Criança 14: Sim, um está no polis, já o vi com os meus papás.

Criança 14: Em Pai Torto também há um, mas não funciona e é muito velho. Educadora estagiária: E aqui em Bragança, alguém conhece mais moinhos? Criança 6: Sim, no Montesinho.

Educadora estagiária: Mais alguém sabe onde fica mais algum moinho? Todos: Não Ana Rita.

Educadora estagiária: E alguém sabe dizer o nome daquela coisa que roda, que

os moinhos têm?

Criança 14: Aquilo que é parecido com o que os helicópteros têm? Criança 6: É uma hélice.

Educadora estagiária: E vocês sabem como funciona? Criança 6: Nos helicópteros é o piloto que põe a funcionar.

Criança 14: Nos moinhos deve ser alguém que roda tipo um volante e aquilo

anda. (Rodrigo ri-se)

Educadora estagiária: Não, não, nos moinhos é o vento.

Criança 6: Mas o vento não faz nada. E a hélice roda na mesma.

Educadora estagiária: Pois é João, mas é a força do vento que faz girar as

hélices do moinho. E Cataventos?! Alguém sabe o que é?

Todos: Nãooooo.

Educadora estagiária: Um catavento é uma ferramenta para saber se existe

vento ou não. Com um catavento podemos ver qual a velocidade do vento. Perceberam?

Todos: Siiiiim Ana Rita

Educadora Estagiária: Então vamos fazer um catavento? Todos: Siiiiiim Ana Rita.

Também o vento é um assunto de interesse entre a maioria das crianças.

Ao introduzir o tema moinhos, algumas crianças falaram dos moinhos existentes na cidade de Bragança e do local onde se encontravam, situando-os em lugares comuns para elas. Ao falarmos das hélices dos moinhos, reparamos que as crianças não sabiam o nome

correto mas eram

conhecedores do tema em questão.

a brincadeira é para as crianças fonte de profunda satisfação, desafio, prazer e recompensa, seja barulhenta ou sossegada, suja ou ordeira, disparatada ou séria, vigorosa ou não exigindo esforço [pois] brincar num ambiente em que existe apoio envolve todos os ingredientes da aprendizagem activa – materiais para brincar e manipular; escolhas acerca do que, onde, como, e com quem brincar; linguagem da criança enquanto brinca; e apoio do adulto durante a brincadeira (p. 87).

O passo seguinte da construção tinha de ser realizado por nós, pois consistia em colocar attaches ao centro das folhas de forma a formar hélices, para que desta forma os cataventos funcionassem. Terminamos a construção, as crianças voltaram à mesa grande e questionámo-las se queriam colocar os seus cataventos a funcionar. Todas as crianças afirmaram que sim e, para tal dirigimo-nos ao parque onde todas as crianças viram os seus cataventos funcionarem, mostrando-se alegres. Regressamos à mesa grande pois este tempo em grande grupo deve ser utilizado para “experimentar companheirismo, partilhar informação (…) e pelo prazer de fazer coisas em conjunto” (Hohmann & Weikart, 2011, p. 405). Para sua alegria, expusemos os cataventos na entrada do Centro Escolar, pois a atividade seguinte, não idealizada por nós, consistia num PeddyPapper pela cidade para visualizarmos os moinhos existentes.

Ao longo destas atividades, conseguimos que as crianças explorassem aspetos desconhecidos para elas, partilhassem as suas opiniões connosco, com a educadora titular e com os colegas. Tentamos sempre, em todas as atividades, valorizar os seus conhecimentos, bem como o seu processo de aprendizagem. Os recursos utilizados foram essenciais para a realização da mesma, conseguindo cativá-los e motivá-los na realização de todas as atividades. Maioritariamente os recursos utilizados foram digitais, pois estes “no dia-a-dia e se associados ao processo lúdico permitem trabalhar qualquer conteúdo de forma prazerosa e divertida” (Falkembach, 2015).

Ainda durante esta semana as crianças dirigiram-se a uma atividade designada Fascínio das Plantas, cujas atividades eram realizadas pelos alunos do IPB e organizadas pelo mesmo. No término das atividades as crianças puderam recolher plantas para realizarem atividades na instituição que frequentam. Esta atividade e as plantas que trouxeram para o jardim-de-infância foi o mote para a realização da experiência de ensino/aprendizagem que a seguir apresentamos.