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A EXPERIÊNCIA DO CURSO DE LICENCIATURA EM TEATRO DA UFRN

A minha trajetória na Academia se inicia no ano de 2015 quando fui aprovado no Curso de Licenciatura em Teatro da UFRN, o que me levou a abrir mão da vida em Areia Branca (RN) para me mudar para Natal (RN). Na capital do RN eu passaria, no mínimo, quatro anos, deixando para trás a família, alguns amigos, o grupo de teatro que participava e um trabalho na indústria salineira, para assim construir uma nova história em outro lugar, ainda que carregado de incertezas.

Aqui, relatarei as experiências significativas que tive dentro da graduação em Teatro, etapa da minha vida em que disciplinas e criações, independente do período letivo, me trouxeram desafios e felicidades, sensações essas que me motivam a fazer teatro desde minhas experiências amadoras do interior, onde a brincadeira, a criação, o jogo e o trabalho em grupo prevaleciam sobre qualquer estética e burocracia que existe no teatro, mesmo que não tivéssemos clareza, na época, desse modo mais técnico e conceitual do fazer teatral.

A entrada na universidade trazia desafios que eu não estava totalmente preparado para enfrentar, mas ainda assim eu estava aberto ao conhecimento e a esses novos modos de produzir arte, que não seriam mais aqueles feitos por mim de forma amadora, sem conceitos e estética que norteiam o trabalho, e que agora fariam parte do meu “novo” jeito de fazer teatro. Porém, eu entrava no curso imaginando que o prazer em fazer teatro permaneceria durante a minha graduação como era antes dela, mas não foi o que aconteceu.

Muitas disciplinas trouxeram formas de fazer teatro baseadas em regras, conceitos e técnicas extremamente necessárias e importantes para meu trabalho enquanto artista, porém não eram facilmente absorvidas por mim. Somente com o passar dos semestres, e após colocar algumas dessas “formas de fazer teatro” em prática, que comecei a entender melhor os assuntos trabalhados nas aulas. Assim, sempre que possível eu tentava executar ou mesmo procurava assistir algo sobre o que vinha aprendendo, para ter uma melhor compreensão dos conteúdos. Foi assim que comecei a descobrir outros prazeres dentro do fazer teatral após entrar na graduação.

Algumas disciplinas e experiências acadêmicas reverberaram em mim de forma positiva e, mesmo com as dificuldades do percurso ou mesmo as dúvidas, posso dizer que tornaram minha passagem pelo curso marcante, até hoje me acompanhando para que eu desenvolva um trabalho melhor. Algumas matérias me ajudaram a compreender o meu limite corporal e vocal, ajudaram também no resgate de memórias, me mostraram estéticas que eu

não tinha conhecimento e que existiam outras áreas do teatro que eu me interessaria, como iluminação, dramaturgia, figurino etc.

Uma dessas disciplinas foi Expressão Corporal I, ofertada no primeiro período do curso, ministrada pela professora Ms. Carla Martins, que era docente substituta na área de Atuação e Expressão Corporal. As aulas aconteciam às sete horas da manhã, e foi um dos meus primeiros contatos com o trabalho do corpo do ator e os meios de treinamentos energético e pré-expressivo, descobrindo exercícios e técnicas que me surtiram interesse, não pelo desgaste físico que causavam, mas sim pelas imagens que surgiam a partir de cada aula.

Além do trabalho físico exaustivo, a disciplina também trabalhou com partituras corporais, construções corpóreas poéticas, movimento, música e palavra, além do trabalho em coletivo. Um dos primeiros exercícios foi a construção de partituras corporais criadas em duplas, relacionando som e movimento, e uma frase que servia como estímulo para a turma: “Há silêncios que despertam”, atividade essa que realizei com Thâmara Monique na qual desenvolvemos um diálogo para a criação poética e partiturada, gerando um bom resultado e uma boa lembrança. No fim da atividade, toda a turma se juntou para realizar uma só apresentação, dividindo os momentos entre as duplas e momentos em coro.

Imagem 16: Turma de Expressão Corporal I, 2015.1. Foto: Arquivo pessoal

Após esse primeiro momento, a turma foi trabalhar com o texto teatral “Bodas de Sangue”, de Federico Garcia Lorca (2009), que conta a história de um triângulo amoroso, famílias rivais e maldições, para construir um trabalho itinerante contando várias versões e recortes da obra. As escolhas dos personagens partiram de um laboratório e da vontade de

cada um, como com quem você construiria a cena e qual parte da história seria contada pelo grupo. O resultado final teve duração de duas horas, usando vários espaços, tanto internos como externos, do Departamento de Artes da UFRN.

Imagem 17: Apresentação do “Bodas de Sangue”. Foto: Arquivo pessoal

O trabalho corporal é uma área que me interessa, em especial pela poética que o corpo é capaz de criar, a relação da palavra com o movimento, o estímulo para criação de partitura e trabalho em coletivos. Essa experiência que levarei para a vida profissional, como artista e docente, busca incentivar e provocar o sujeito criador que venha a ser meu aluno, seja ele ator ou não, para que consiga experimentar e descobrir os caminhos desta construção criativa corporal.

Jogo e Cena I, disciplina ofertada também no primeiro semestre do curso, foi uma das

disciplinas em que mais me diverti, brinquei, criei e, não diferente das outras disciplinas, descobri coisas novas do universo teatral. Uma aula com esse nome já fala um pouco sobre como ela seria: os jogos de criação a partir da brincadeira, do lúdico, do faz de conta, e a criação de cenas também a partir do jogo, tanto de improviso como imaginário, métodos que eu já usava no meu fazer teatral amador, mas de forma inconsciente, sem estudo.

Essa aula me mantinha em um modo de fazer teatral prazeroso, a partir do jogo e improvisação, brincadeiras, trabalho em grupo, que me lembrava do porquê de fazer teatro em Areia Branca, com meu amigos, e dos resultados que surgiam dessa junção de pessoas pensando e criando juntas. O trabalho em grupo era o que me cativava no teatro, para além da construção de um produto, e esse processo que se fazia presente dentro dessa aula, mas infelizmente ele não acompanhou o restante do curso.

O professor Dr. Robson Haderchpek incentivou a prática do jogo como processo de criação, além de tentar despertar o trabalho grupal entre a turma, utilizando avaliações onde todos dependiam de todos, tudo ou nada, paciência e atenção, estimulando uma união constante entre os alunos. Foi nessa disciplina também que começamos a desenvolver o primeiro passo do que seria dar uma aula/oficina em que, a partir do livro “Um ator errante”, de Yoshi Oida (1999), um grupo se utilizaria de um capítulo como estímulo para criar uma aula e ministrá-la para os demais colegas.

Foi dentro da disciplina que também apareceu o primeiro contato com o “teatro ritual”, onde trabalhamos os quatro elementos da natureza: terra, água, fogo e ar, e a partir deles criamos cenas, em grupo novamente, para posteriormente apresentá-las para a própria turma. Era através de quatro laboratórios, cada um de um elemento diferente, que chegávamos a experimentar os quatro elementos para, depois, de acordo com o elemento que cada um teria se identificado, criarmos grupos para desenvolver um trabalho cênico final.

Imagem 18: Resultado final da disciplina Jogo e Cena I. Foto: Arquivo pessoal

Uma experiência que durou quase cinco meses e que a turma, com seus vinte alunos, deveria estar em sintonia, constantemente unida e procurando evoluir junto, como deve acontecer em um grupo de teatro. Essa conexão entre os sujeitos e os projetos é particular de cada processo/coletivo, porém a ideia é que todos tenham objetivos parecidos para, assim, desenvolver de modo sadio e coletivo um bom resultado.

Já no segundo semestre de 2015, as disciplinas Expressão Corporal II e Jogo e Cena

menos segurança, como no semestre anterior, talvez devido à metodologia do professor que ministrava as disciplinas. Não foram experiências que geraram estímulos de criação, pois as informações que chegavam não pareciam claras para mim e nem para a turma, pelos relatos dos colegas na época, diferente das experiências obtidas nas matérias passadas. Conteúdos interessantes que, infelizmente, se perderam no decorrer de cada aula.

Porém, ainda no mesmo semestre, estava sendo ofertada a disciplina Atuação I, ministrada por Carla Martins, que trabalharia o Teatro Realista a partir de métodos stanislavskianos a partir das peças “O pagador de promessas”, de Dias Gomes, “Um bonde chamado desejo”, de Tennessee Williams, “Beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues (2012), “A gaivota”, de Anton Tchekhov, e “Gota D’água”, escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes (1975), sendo esse nosso material de estudo e de criação das ações físicas e cenas.

Torna-se um pouco complicado produzir um espetáculo dentro de uma disciplina devido ao tempo curto de aula e particularidades de cada aluno envolvido, além do trabalho desenvolvido nem sempre conseguir ser concluído com “qualidade”, também por conta dos imprevistos que surgem. O primeiro momento da disciplina foi dividido em duas etapas, sendo elas a composição de cena em grupos e criação de ações físicas, ambas baseadas em um dos textos que o coletivo teria se interessado. O grupo que participei escolheu a peça “Beijo no asfalto” (2012) e a partir do texto, criamos uma esquete como forma de avaliação. O segundo momento foi a criação do espetáculo “Gota d’água” (1975), produzido por toda a turma, havendo revezamento de personagens entre colegas.

No período de execução desse espetáculo tive um bloqueio que não me permitia criar cenas e construir meu personagem, dificultando o meu rendimento junto aos colegas de turma. Eu havia pegado o personagem Egeu, o mestre de oficina e “líder” comunitário, um senhor conselheiro que eu não conseguia dar vida com meu corpo, mesmo tendo clareza dessas características. Então decidi conversar com a professora, que me acalmou e ajudou a dar o primeiro passo nessa construção, como tentar entender o personagem com mais calma, experimentar outras coisas com o corpo/voz e usar o que me bloqueava ao meu favor, ressignificando minhas dificuldades. A partir daí consegui construir com mais tranquilidade minhas cenas e até ajudar os colegas que dividiam cena comigo.

Imagem 19: Espetáculo “Gota d’água”. Foto: Arquivo pessoal

Mesmo com as dificuldades no processo de criação, tanto individual quanto da turma, o resultado me deixou feliz uma vez que, após as dores de cabeça, o processo foi ficando prazeroso e desafiador, se tornando uma experiência que até hoje me atravessa. As questões que me travaram, a mediação da professora com minha dificuldade, as relações criadas na disciplina, me fizeram pensar, depois de algum tempo, que eram situações normais de qualquer processo, seja ele amador, profissional ou acadêmico, e que eu já havia experienciado momentos parecidos dentro do meu trabalho com os grupos de Areia Branca (RN).

Dentre as disciplinas de Cenotec que participei, a de Iluminação, ministrada pela professora Ms. Laura Figueiredo, foi a que mais me identifiquei, mesmo que tenha sido totalmente teórica devido à interdição do Teatro Laboratório do Departamento de Artes no período de 2016.1, fazendo com que a matéria não tivesse sua carga horária prática totalmente cumprida. O único momento prático da disciplina aconteceu através de uma visita ao Teatro de Cultura Poupar – TCP, organizado pela professora, sendo este o único teatro público aberto em Natal (RN) na época e no momento presente.

Mesmo com esses empecilhos, Laura Figueiredo conseguiu ensinar de forma clara a teoria da iluminação cênica, que me surtiu muita curiosidade, se transformando em uma vertente da área técnica que sempre procuro experimentar, principalmente dentro do Grupo Interferências de Teatro, onde encontrei espaço para isso. Porém, sempre que possível tento ajudar/opinar na criação da iluminação em todos os projetos que participo, como uma forma

de exercitar os conhecimentos que já tenho na área e aprender novas coisas com outras pessoas.

Outra disciplina relevante dentro do curso de Teatro foi Atuação III, que trabalhava “teatro ritual”, seus elementos e a dramaturgia do encontro, também ministrada por Robson Haderchpek, porém não me trouxe prazer pela estética, que particularmente não é minha preferida, mas sim pelas imagens e memórias resgatadas no decorrer do semestre, relações que criei comigo mesmo e uma construção que até hoje também me atravessa de forma positiva.

Após um longo percurso através dos elementos da natureza e treinamentos pré- expressivos, encontrei em mim memórias perdidas de uma infância não muito distante, de um tempo simples. Lembranças que se tornaram especiais. Experimentamos corporalmente a qualidade do movimento da água, elemento que pode mexer muito com as emoções, e a partir daí a imagem de um pescador, a antiga profissão do meu pai, me veio à mente. Logo depois me vieram recordações em que eu, ainda pequeno, estou à beira mar com meu pai, me despedindo dele antes de sua partida para o alto mar.

Essa experiência vinda com a recordação me trouxe não só prazer, mas também paz. Uma experiência única dentro desses quase quatro anos de curso, e que sou muito grato por ela. Embora a disciplina não tenha sido de todo gratificante e, como disse, nela não é praticado o tipo de teatro que prefiro, eu me dediquei e a cursaria novamente, me colocaria nesse lugar de descoberta de outras possibilidades sobre a estética. Aprendi, no decorrer do curso, que devemos experimentar um pouco de tudo, para só assim saber dizer o que preferimos ou não.

Ainda no segundo semestre do ano de 2016 cursei a disciplina Dramaturgia III, ministrada pelo professor Dr. André Carrico, o qual ensinou métodos de escrita dramatúrgica, tendo como ênfase o Playwright, técnica usada nas criações de roteiros de filmes e novelas. Pude então, através da disciplina, desenvolver, junto com Gefferson Araújo, uma dramaturgia baseada em uma técnica específica, contando a história de uma escritora que perde a memória e tem sua vida virada do avesso.

A matéria me trouxe uma boa experiência, um novo modo de ler uma peça teatral, como um apreciador de dramaturgia, em que ponho em prática as fases de escritas indicadas pela técnica, me ajudando na construção consistente do que seria um texto teatral. Cheguei a usar tais métodos na escrita da peça “Signinuei” junto com Thayanne Percilla, utilizando o

passo a passo como meio de criação, tantos dos personagens como dos diálogos, e pretendo continuar fazendo uso do Playwright em futuros projetos.

Logo em seguida, no ano de 2017, cursei a disciplina Atuação IV, sendo ela optativa e da grade de atuação, que é a área que me interessa dentro do curso, disciplina ministrada pela Professora Dra. Melissa Lopes. A turma foi formada por pessoas que teriam integrado o curso em anos diferentes, dos que entraram na graduação entre 2013 e 2015, sendo essa a turma com o coletivo mais variado que vim a integrar dentro do curso, com mais de vinte e dois alunos matriculados.

A variedade de pessoas envolvidas na disciplina proporcionou o encontro entre olhares distintos de um fazer teatral dentro da Academia, uma vez que cada um teve experiências diferentes ocasionadas pelas personalidades diversas e mudanças no decorrer do próprio curso, como da grade curricular, dos professores etc. Foi uma grande junção de modos distintos de executar um trabalho coletivo que envolvia, além da atuação, música e dança, com o objetivo de criar um espetáculo do texto de Bertolt Brecht (2004), “A Opera dos Três Vinténs”.

O trabalho teve seu início com uma fala de Melissa: “Eu não vou trabalhar atuação com vocês. Vocês acabaram de passar por três disciplinas de atuação, agora é o momento de pôr em prática.”, e assim a construção começou, com trabalhos de experimentos corporais, animalescos e humanizados, a partir dos personagens que existiam no texto que seria construído pela turma, juntamente com a formação de núcleos de cenas, já que havia muitas pessoas na turma para poucos personagens, e uma reformulação da dramaturgia, que precisaria ser reduzida devido ao curto tempo de trabalho que tínhamos.

Seguimos então para a fase de construção do espetáculo, sendo realizada no primeiro momento uma defesa de personagens em que o ator/aluno escolheria até três personagens que gostaria de interpretar e apresentaria uma cena de cada. A partir daí, Melissa dividiria os personagens entre os interessados, havendo mais de dois alunos por personagem, devido à quantidade de pessoas da turma. Em seguida, após a divisão dos personagens, fomos organizados em núcleos de cena e, em coletivo, construímos as cenas com o texto já adaptado e reduzido. As cenas, depois de criadas, eram apresentadas para a professora e ela fazia observações em quais pontos poderiam melhorar, sendo esse o processo com todo o espetáculo/cenas/núcleos.

No decorrer da disciplina, a turma teve várias dificuldades devido às ausências, atrasos, à não realização de atividades, problemas para solucionar as cenas etc, o que acontece

em qualquer trabalho de criação, causando transtornos e desânimos em alguns alunos e até mesmo na própria professora Melissa, que quase na reta final pensou em desistir do processo, pensamento que deve ter passado na cabeça de vários colegas. Porém decidimos, após esses problemas, finalizar o espetáculo pelo duro trabalho que a turma teve juntamente com a professora no decorrer do semestre.

Chegamos então à apresentação do trabalho, que depois dos conflitos e ensaios intensivos, conseguiu estrear com êxito e qualidade. A repercussão do espetáculo foi uma grande surpresa para toda a turma, que não esperava um resultado tão potente, positivo e prazeroso, que fez com que o coletivo trabalhasse unido na reta final e, além de qualquer coisa, se divertisse no momento da apresentação, como se aquele fosse o “melhor” trabalho do semestre.

Imagem 20: Espetáculo “A ópera dos três vinténs”. Foto: Wallacy Medeiros

Essa experiência me proporcionou um olhar diferente dentro do curso, de como um coletivo tem força para fazer acontecer, como também a sensibilidade da mediação da docente perante os acontecimentos que surgiram na turma, além da força que ela teve para assumir a falta de estímulo que sentiu no próprio processo de criação. Esse lado humano, que muitas vezes deixados passar a vista, faz com que esqueçamos o quanto os professores também podem se frustrar, devido aos contratempos que ocorrem nesse processo de construção dentro de uma aula, e não ter respostas para as coisas que acontecem nesse percurso.

Por fim, seguindo no histórico das disciplinas e processos acadêmicos desenvolvidos em grupo no decorrer da Licenciatura em Teatro, relato a experiência naquela que salvou meu curso: a disciplina Pedagogia do Corpo, ministrada pela professora Dra. Ana Caldas Lewinsohn, juntamente com o docente assistido André Marcelino, no segundo semestre do ano de 2017. Essa experiência artística e nova colhida dentro do curso é, dentre todas, a que mais me atravessa até hoje por ter trazido um trabalho com o corpo poético na perspectiva de Jacques Lecoq (2010), a máscara neutra e a expressiva, estéticas que eu ainda não havia experimentado em nenhum momento desses anos fazendo teatro e que, particularmente, me conquistou mais que qualquer outro trabalho ou estética do fazer teatral que eu teria vivenciado até então.

A disciplina, além de trabalhar o coletivo, o corpo, a máscara e a brincadeira, ainda utilizava o prazer como uma ferramenta de estímulo para o processo de criação, tudo o que prezo dentro de um trabalho artístico. Além de proporcionar o espaço de troca entre os colegas de turma e a criação de uma peça, a disciplina ainda teve um momento de oficina de confecção de máscara, em que a turma toda participou e aprendeu os processos da construção de máscaras expressiva.

As práticas em turma foram vivenciadas de forma descontraída, proporcionando a todos os alunos a oportunidade de experimentar a máscara neutra e de relatar suas experiências com ela (como era colocar a máscara, como percebiam o corpo etc), de modo que se tornou essencial vivenciar esse momento de partilha entre os colegas de sala.

Esses pequenos depoimentos de sensações se tornaram comum para o entendimento particular do sujeito que está em relação com o objeto máscara e foram fundamentais para

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