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Segundo Cardoso Filho (2013), a estética que se costuma ver hoje nos shows de rock foi desenvolvida graças ao Pink Floyd. Para uma breve retomada, Pink Floyd foi uma banda formada em meados dos anos de 1960, naquele período muito associada aos movimentos hippie e psicodélico, mas que gradualmente foi migrando para outros nichos a partir da década de 70 – até dar início ao que hoje se denomina de rock progressivo. Alcançando destaque pela diferente sonoridade de seus discos, oriundo de um forte trabalho de estúdio, a banda teve grande preocupação em levar para os shows tudo que fosse necessário para reproduzir com fidelidade o som de estúdio. Assim, seus shows foram os primeiros a contar com toneladas de material de luz, mesas de mixagem e alto- falantes, tornando a banda precursora do rock de arena e incríveis espetáculos de som e luz em sintonia com a especificidade de cada música.

Para alguns subgêneros do rock and roll, efeitos de iluminação e exibições de padrões visuais em um “show de luzes” eram obrigatórios, e tematicamente indicados, e reforçavam a importância da experiência perceptiva em relação às ideologias de consciência expandida e certos tipos desejáveis de experiência. Alguns grupos cujos atos se baseiam no desenvolvimento temático e na elaboração dramática (como o Pink Floyd) também dependem fortemente de eventos extramusicais66 (HAYS, 1980, p. 198).

O destaque que Hays (1980) faz em menção à banda Pink Floyd demarca a importância desta para a difusão desse tipo de estratégia visual como reforço da experiência sensorial que se busca transmitir no show. Em adição à sonoridade da música e à performance da banda ao vivo, os efeitos especiais utilizados e toda a estruturação do palco contribuem significativamente para compor a atmosfera da experiência de show do Pink Floyd. Inclusive, esses elementos aparecem na descrição de alguém que esteve em um show da banda, como se apresenta a seguir.

Final de um dia de verão, à noite. Alguns amigos e eu íamos ouvir a banda chamada Pink Floyd. A enorme arena foi logo preenchida com milhares de pessoas (3.2)67, havia espaço para 30000. Agora começa este show que foi tão

66No original: […] For some sub-genres of rock and roll, lighting effects and displays of visual patterns in

a “light show” were both obligatory, and thematically indicated, and reinforced the importance of perceptual experience in relation to ideologies of expanded consciousness and certain desirable kinds of experience. Some groups whose acts rely on thematic development and dramatic elaboration (such as Pink Floyd) will rely heavily on extra-musical events also (HAYS, 1980, p. 198)

67 Os números que aparecem no texto deste relato são classificações dos autores para o agrupamento das 7 categorias de análise, definidas por eles como: 1) caraterísticas gerais; 2) reações físicas e comportamentos;

ansiosamente aguardado e eu tenho arrepios em todo o corpo (2.1). Eles têm equipamentos fantásticos, você pode perceber todos os pequenos detalhes na música (3.1, 3.8). Nosso lugar no meio significava que ouvíamos a música e os efeitos de todos os lados, de trás, para a direita, para a esquerda (3.1). Eles tocaram as boas e velhas músicas misturadas com as novas (3.8). Eu os reconheci (4.5) e pude ficar lá balançando e me juntando para cantar (2.2). Eu me senti um só com a música (4.4). Eu tremi (2.1). Quando eles começaram a tocar novamente após o intervalo, a escuridão havia caído sobre a arena e eles fizeram um grande uso dos efeitos de luz, raios laser que 'saíram para o universo' (3.2). Sim, realmente senti que tudo se tornou tão infinito e eu era um com ele (6.2).

Esta é a primeira vez que estou tão envolvido com a música (4.4). Eu sinto como se a base viesse do chão através das solas dos meus pés, continuando através das minhas panturrilhas, coxas, coluna (3.3) e eu sou preenchido pela música (2.3). Limites são eliminados. Eu sou um com o universo (6.2). A música dissolve todas as fronteiras, assim como o que eu entendi que significa ser psicótico (4.5, 6.2). Quando tocam minha música favorita “Learning to fly”, as lágrimas começam a escorrer (2.1). Eu sempre achei que era ridículo quando garotas uivavam para os Beatles (4,5). Agora eu mesmo estou na mesma situação, embora não tão histérico - Não, estou lá muito calmo (5.2), balançando no tempo com a música (2.2), sentindo-me inteiro (4.2, 7.1) e apenas deixando as lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas (2.1). O show se aproxima do final, e eu sinto desagrado (5.3) como sempre faço quando tudo está bem. Eu quero mantê-lo (7.1). O fim se tornou o clímax quando eles soltaram um dos maiores fogos de artifício que eu já vi (3.2). Como uma criança na véspera de Natal, fiquei ali de boca aberta, ri e bati palmas (2.2). Que experiência (Ll)!68 (GABRIELSSON & WIK, 2003, p. 167). Esse excerto é oriundo de um dos principais estudos na área de experiência musical, em que Gabrielsson e Wik (2003) investigaram Strong Experiences related do

Music (SEM), com base em um corpus composto pela descrição livre de cerca de 900

pessoas sobre a ‘mais intensa experiência musical que já tiveram’. Foi pedido aos

3) percepção; 4) cognição; 5) sentimentos/emoções; 6) aspectos existenciais e transcendentais; e 7) aspectos pessoais e sociais (GABRIELSSON & WIK, 2003).

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Late summer day, evening. Some friends and I were going to listen to the band called Pink Floyd. The huge arena was soon filled with thousands of people (3.2), there was room for 30000. Now begins this concert that has been so eagerly awaited and I get goose pimples all over the body (2.1). They have fantastic equipment, you can perceive every little detail in the music (3.1, 3.8). Our place in the middle meant that we heard the music and the effects from every side, from behind, to the right, to the left (3.1). They played the good old pieces mixed with new ones (3.8). I recognised them (4.5) and could stand there rocking and joining in singing (2.2). I felt one with the music (4.4). I shivered (2.1). When they began playing again after the intermission darkness had fallen over the arena and they made great use of light effects, laser beams that 'went out into the universe' (3.2). Yes, it actually felt so, everything became so infinite and I was one with it (6.2).

This is the first time that I am so involved in the music (4.4). I feel how the base comes in from the ground via the soles of my feet, continues up through my calves, thighs, the spine (3.3) and I am filled by the music (2.3). Boundaries are wiped out. I am one with the universe (6.2). The music dissolves all boundaries, just like what I have understood it means to be psychotic (4.5, 6.2). When they play my favorite tune "Learning to fly" tears begin trickling (2.1). I have always thought that it is ridiculous when girls howled at the Beatles (4.5). Now I am in the same situation myself, albeit not so hysterical- No, I am standing there very calm (5.2), rocking in time with the music (2.2), feeling whole (4.2, 7.1) and just letting tears trickle down my cheeks (2.1).

The concert approaches the end, and I feel dislike (5.3) as I always do when everything is well. I want to keep it (7.1). The end became the climax when they let off one of the biggest fireworks that I have ever seen (3.2). Like a child on Christmas Eve I stood there with open mouth, laughed and clapped my hands (2.2). What an experience (Ll)! (GABRIELSSON & WIK, 2003, p. 167).

entrevistados que descrevessem a experiência e reações com o maior detalhamento possível. Segundo os autores, os relatos variaram entre as mais diversas situações, como a experiência de ouvir pela primeira vez a música preferida, um acontecimento importante que esteve fortemente relacionado a determinada música e a experiência em um show de rock, sobre a qual se detêm as atenções deste trabalho. Entre os quatro relatos transcritos na íntegra pelos autores no artigo “Strong experiences related to music: A descriptive

system” (2003), um deles foi este que descreve a experiência intensa de alguém que esteve

em um show do Pink Floyd.

A última turnê de Roger Waters no Brasil, realizada em 2012, fez parte da maior produção já feita até então em termos de estrutura audiovisual e sonora. The Wall Live

tour foi uma recriação e grandiosa evolução do show The Wall que havia ocorrido em

1990, em Berlim, um ano após a queda do muro, com público estimado de 500 mil pessoas (KÄRKI, 2016). Ao comparar o show de 1990 com sua versão atualizada, mais de 20 anos depois, fica perceptível a transformação visual do espetáculo, principalmente pelos telões projetando imagens do show e animações no ritmo da música. Neste caso, os 450 blocos que formavam o muro eram, cada um deles, uma tela, dando origem juntos a um gigantesco telão que formava toda a extensão do muro (137 metros de largura e 11 metros de altura). A ideia de construir um muro entre o público e a banda já havia ocorrido a Waters em 1975, em seu descontentamento ao sentir a distância presente nessa relação. Assim se inicia o que viria a ser depois a base da história contada no disco, em que cada desapontamento na vida de alguém se torna mais um tijolo no muro.

A obra The Wall é emblemática justamente por todos os sentidos de crítica que carrega, e que se atualizam a cada década. O contexto inicial de concepção foi o período pós-guerra da década de 70, em que Waters revive suas memórias de infância e faz do álbum, em parte, um psicodrama autobiográfico. O disco é uma história completa, que conta a vida de Pink, um rockeiro que se isola do mundo com o metafórico muro criado em torno de si. Tal muro é resultado dos vários traumas sofridos durante a vida, como a perda do pai e do avô na guerra, o sistema educacional opressor, a superproteção da mãe e a traição de sua companheira. A obra carrega, assim, várias críticas a engrenagens de violência e de poder ainda bastante fortes na sociedade atual, além de mesclar um comentário sobre o estrelato da música popular e o que o distancia do público. “The Wall é uma articulação ou dramatização deste assunto, bem como uma tentativa de anestesia

destes sentimentos negativos”69 (KÄRKI, 2016, p. 73). O próprio espetáculo do show é

criado para enfatizar a crítica à tensão em que a alimentação visual constante do palco capta a atenção dos espectadores, que podem até ignorar os artistas reais que estão tocando sob ou ao lado das telas. “A banda, ofuscada por tal espetáculo, foi tornada efetivamente invisível” (ibid. p. 71).

De acordo com o colaborador de longa data do Pink Floyd e coprodutor do The Wall, Bob Ezrin, “em um concerto do Pink Floyd o ‘fator impressionar’ está intrínseco. As pessoas querem dizer ‘uau, olha só aquilo!’. Então a banda dá isso a elas” (BLAKE, 2012, p. 314). Desde as primeiras apresentações, ainda na época do clube UFO, o show da banda era marcado pelos artifícios visuais utilizados para complementar a parte musical. Mas foi a partir do lançamento dos primeiros álbuns conceituais da banda que a ideia de reproduzir no palco toda a história por trás deste conceito começou a tomar mais forma (ibid.). Viria então a ser considerada a precursora da estética que se costuma ver em shows de rock hoje (CARDOSO FILHO, 2013), baseada no desenvolvimento temático e na elaboração dramática regados de efeitos de iluminação e exibições de padrões visuais (HAYS, 1980). Roger Waters, que havia cursado parte da faculdade de Arquitetura, era o responsável por conceber toda a maquinaria do que iria se passar no palco. Tim Renwick, guitarrista e amigo da banda, conta que “Roger sempre tinha essa coisa de querer fazer algo mais do que um simples show de rock. Ele queria uma grande apresentação” (BLAKE, 2012, p. 138). O guitarrista Jay Stapley também comentou sobre o assunto:

Lembro-me de ter escutado uma entrevista com Dave Gilmour na qual ele disse que você se sentava no estúdio com Roger e, se tivesse a introdução de uma canção tocando, ele diria: “Certo, alguma coisa precisa acontecer exatamente agora”. Ele tinha um senso teatral perfeito aplicado à música. Acho que ele era inseguro algumas vezes em relação à sua própria habilidade, já que não é um músico treinado. Mas todos admiram a habilidade de Roger de fazer aquilo que não podemos – escrever letras sensacionais e conceber shows maravilhosos (BLAKE, 2012, p. 307).

O próprio Roger Waters admite seus feitos, principalmente a respeito de seus espetaculares shows, conforme entrevista ao podcast de Marc Maron da WTF em 2016: “Minha maior contribuição para o rock ‘n’ roll – quero dizer, eu escrevi algumas músicas decentes – mas foi realmente desenvolver a teatralidade do rock de arena, que eu fiz quase

69 No original: “The Wall is an articulation or dramatization of this matter, as well as an attempted anaesthetization of these negative feelings” (KÄRKI, 2016, p. 73).

sozinho em meados dos anos 70”.70 No que tange às letras de suas músicas, muitas delas

de natureza autobiográfica, traziam desde o início o posicionamento crítico de Roger Waters, inclusive em relação às maquinações corporativas da indústria musical – o próprio meio do qual faz parte. Por ora, para citar apenas uma, a letra da música

“Welcome to the Machine” trata da desoladora condição humana sobre os que passam a

vida buscando um sonho para descobrir que a máquina do sistema se move a base de ilusões. O próprio Waters explica: “É o sonho: quando você for bem sucedido, quando for um astro, quando tudo estiver bem, aí sim, tudo irá correr em sua mais perfeita condição. Esse é o sonho, e todo mundo sabe que ele é vazio. A canção fala sobre a situação do negócio no qual estou inserido” (BLAKE, 2012, p. 219). De início bastante avesso à ideia de tocar em grandes estádios por notar um senso de alienação nas turnês – como se sentisse um muro sendo construído entre si e seu público, que depois viria a se tornar o conceito de uma de suas obras de maior sucesso71 –, em um dado momento Roger Waters passa a explorar o potencial do show de rock para um grande público como um verdadeiro meio de conscientização, direcionando críticas cada vez mais duras aos que vê como os terrores da sociedade.

Atrelado a isso emerge a problemática contemporânea suscitada neste trabalho, que chamou a atenção de Roger Waters durante a turnê de The Wall, na América do Norte, em 2011. O músico escreveu a respeito e sua mensagem se difundiu por meio de seu perfil oficial em redes sociais online:

Eu estive no estúdio de edição hoje assistindo algumas das filmagens dos shows norte-americanos que filmamos, para ajudar a fazer um vídeo apropriado do show mais tarde para o lançamento de Theatrical e Bluray. Me impressionei com o número de celulares mantidos no ar para filmar partes do show e também pela quantidade de fotos em flash e pelo número de pessoas que estavam trocando mensagens de texto e postando no Twitter. Esta é uma minoria do público, mas uma minoria significativa. O que todos nós achamos disso? De minha parte, nunca ligaria um celular em nenhum evento musical, fosse no The Met, The Garden ou em qualquer outro lugar. Parece-me mostrar falta de respeito e atenção às outras pessoas que estão assistindo ao show ou ao artista. Além disso, como eu poderia realmente experienciar aquilo que paguei para ver e ouvir se eu estivesse mexendo em um iPhone, filmando ou

70 No original: “My major contribution to rock ‘n’ roll – I mean I’ve written some decent songs – but it was really to develop the theatre of arena rock, which I did almost single-handedly back in the middle ‘70s”. Disponível em: <https://www.planetrock.com/news/rock-news/roger-waters-david-gilmour-and-rick- wright-always-tried-to-drag-me-down-in-pink-floyd/>. Acesso em 20 mar. 2019.

71 Waters explica que estava contrariado por tocar em estádios: “Eu ficava dizendo às pessoas naquela turnê: ‘Sabe, não estou curtindo isso de verdade. Tem algo bem errado nisso tudo’. E a resposta para isso era ‘oh, é mesmo? Bom, você sabe que fizemos 4 milhões de dólares hoje?’, e isso continuou indefinidamente. Então, a certa altura, algo na minha cabeça estalou e desenvolvi a ideia de fazer um concerto no qual construiríamos um muro na frente do palco, dividindo o público dos músicos” (BLAKE, 2012, p. 247). A ideia traria à vida o conceito do álbum “The Wall”, abordado previamente neste subitem. Para mais informações, ver Blake (2012) e Kärki (2015).

twittando ou conversando ou o que fosse? De qualquer forma, esta é uma pergunta, não uma advertência, estou genuinamente interessado em saber o que você pensa (ROGER WATERS, 2011, online).72 (WATERS, 2011, online). A partirdos pontos levantados neste capítulo, com especial atenção a esta seção que trata de Pink Floyd e Roger Waters, ressalta-se a relevância de estudar o fenômeno do uso de smartphones em um show deste músico. A grandiosidade dos espetáculos produzidos em suas turnês, atrelada à crítica forte que o artista traz em suas apresentações, podem prover ainda mais elementos para estudo. Também é possível que o posicionamento de Waters perante tais questões repercuta nas práticas de seus fãs durante o show, somando-se mais uma nuance de análise para a pesquisa.

72 No original: I’ve been at the editing suite today looking at some of the footage of the North American shows that we shot as an aid to making a proper film of the show later for Theatrical and Bluray release. I am struck by the number of cell phones held aloft to film bits of the show and also by the amount of flash photography and the number of people texting and twittering. This is a minority of the audience but a significant minority. What do we all think of this? For my part I would never turn on a cell phone at any musical event, whether it’s at The Met, The Garden or anywhere else. It would seem to me to show a lack of respect to and care for fellow concert goers or for that matter for the artist. Apart from anything else, how could I possibly truly experience the thing I’d paid to see and hear, if I was fiddling with an iPhone, filming or twittering or chatting or whatever? Anyway, this is a question not a general admonition, I am genuinely interested to know what you think (WATERS, 2011, online).

4 MATERIALIDADE DO SMARTPHONE E SEU PAPEL EM SHOWS

Essa prática de registrar uma experiência pessoal, incluindo a banalidade, agora faz parte da indústria de grandes shows, para melhor ou para pior73 (Neil Fox, 2016).

Se a imagem marcante dos shows de rock na década de 60 foi a de fãs entusiasmados agitando para o alto seus isqueiros acessos74 (HAYS, 1980), na atual

década a visão predominante nos shows é a de um mar de celulares apontados para o palco, com braços que os erguem segurando tão firmemente quanto possível para capturar com precisão um momento do show em foto ou vídeo – e rapidamente fazer o upload em alguma plataforma de rede social (LINGEL; NAAMAN, 2011). Como destaca Kjus (2018), duas características-chave das inovações digitais dos anos 2000 são conectividade e mobilidade, ambas cada vez mais englobadas pelo telefone celular.

Segundo Mary Chayko (2017), retomando o período de surgimento do celular, a

primeira principal razão que motivou sua aquisição, e consequente popularização, foi a possibilidade de contato rápido e fácil em caso de emergências, que proporcionava uma sensação de segurança. Sobretudo os pais se sentiam mais confortáveis se seus filhos portassem um celular, pois assim poderiam contatá-los a qualquer momento. Essa visão de um telefone móvel relacionado à segurança foi se expandindo conforme as funcionalidades deste passaram a proporcionar ainda mais formas de conexão e solução para as necessidades cotidianas, chegando aos telefones “inteligentes” (smartphones). Estes se tornaram uma espécie de minicomputador, gravador e câmera portátil, integrando tudo em um único aparelho móvel.

Como ser inerentemente social, cada sujeito está, desde o nascimento, em constante interação com os outros a fim de suprir suas necessidades, das mais básicas às mais complexas. Não é possível se desenvolver mental, emocional ou fisicamente se não houver fontes regulares de interação e um senso de ‘conexão’ com o mundo. Até mesmo alguém em seu estado mais pleno de solitude precisa, de alguma forma, sentir-se pertencente à sociedade a sua volta (CHAYKO, 2017). Com a propagação de tecnologias digitais como o smartphone, a noção de conexão se tornou prosaica: ele conecta uns aos

73 No original: “This practice of recording a personal experience, banality included, is now part of the fabric