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4 PROCEDIMENTOS PARA A APLICAÇÃO DO PRODUTO

4.3 Aplicação de Organizadores Prévios

4.3.2 Experimento desencadeador de questionamentos

Após a aplicação do questionário e antes da aplicação das sequências didáticas que compõem o Produto Educacional, é proposto a realização de um experimento extra que visa, além de colaborar para diagnosticar o que o estudante já sabe sobre o assunto, despertar a curiosidade dele, potencializando uma aprendizagem significativa. Esse experimento corrobora com as ideias defendidas por Paula (2008), as quais afirmam que o professor deve provocar a aprendizagem, planejando uma aula cujas atividades nela propostas instiguem o estudante a buscar respostas, exercitar as diferentes possibilidades de soluções para um determinado problema.

O experimento desencadeador de questionamentos constitui-se de uma breve prática experimental que tem por finalidade principal, além de potencializar a organização da estrutura cognitiva do estudante, concentrar eles e trazê-los para aula, despertando seu interesse em querer aprender, ou seja, trata-se de uma estratégia para potencializar a investigação de um fenômeno.

A facilidade com que os estudantes aprendem determinado conceito está relacionada com a facilidade que eles têm em processar cada informação, ou seja, nem todos os estudantes aprendem da mesma forma. Para Santos (2008), existem três maneiras de processar a informação e fixá-las na memória que são: a visual (aprendizagem por visão), a auditiva (aprendizagem por audição) e a sinestésica (aprender interagindo, fazendo sentido); sendo assim, essa atividade proposta proporciona um espaço no qual as três maneiras de processar uma informação, de acordo com o autor supramencionado, são contempladas, ao passo que os estudantes observam, escutam os questionamentos direcionados do professor, discutem e interagem tentando explicar o observado com base em associações com seus conhecimentos prévios.

O experimento desencadeador de questionamentos deve ser realizado apenas pelo professor antes da primeira sequência didática, quando os estudantes já

estiverem organizados em seus respectivos grupos. Ao realizar o experimento desencadeador de questionamentos, o professor deve se certificar de que todos os estudantes observaram os resultados.

Esse experimento trata-se de uma atividade extra que será aqui proposta e é apenas uma sugestão de prática, portanto, se o professor quiser realizá-la ou fazer outras práticas que colaborem no sentido de desencadear questionamentos por parte dos estudantes, despertando sua atenção, fica a seu critério.

São necessários para montagem do experimento os seguintes materiais:

a) balança em formato de T;

b) 1 metro de arame fino e maleável;

c) dois corpos idênticos em massa e volume; d) 2 recipientes;

e) água para encher os recipientes; f) suporte para a balança em forma de T.

Para fazer a montagem da balança em T, foi utilizado um pedaço de cano PVC de comprimento L e três pedaços de arames maleáveis de mesmo tamanho, no qual um deles foi fixado no centro geométrico do cano, que coincide com o centro de massa e os outros dois pedaços foram fixados nas extremidades, onde foram pendurados os corpos idênticos. É importante que na montagem da balança, fique na ponta livre dos arames um gancho para pendurar o próprio T assim como os corpos conforme pode ser observado na Figura 10.

Quando o sistema foi montado no ar para deixar em equilíbrio estático na horizontal, é bem possível que algumas pequenas correções precisem ser feitas deslocando o arame que está enrolado no cano de PVC mais para um lado ou outro. A balança que será apresentada na Figura 10 a seguir foi pensada de modo que sua construção fosse relativamente fácil, mas se o professor quiser desenvolver um sistema mais elaborado com outros materiais, fica a seu critério.

Figura 10 – Balança de braços iguais em equilíbrio estático horizontal no ar

Fonte: Registrada pelo autor.

Legenda: nesta figura, o sistema em equilíbrio estático na horizontal demonstra que os corpos suspensos nas extremidades têm a mesma massa.

Uma vez que o sistema está em equilíbrio estável, alguns questionamentos pertinentes podem ser realizados, isso com o intuito de relembrar conceitos mais antigos e que, ao final, devem refletir no fato de que qualquer mudança no equilíbrio se deve à existência de uma força resultante não nula, não importando o nome que damos a ela. Dentre alguns questionamentos, podem ser feitos os seguintes:

a) Quais são as forças que atuam no sistema? b) Em que direção e sentido estas forças atuam?

c) Se o suporte que sustenta a balança em formato de T está no centro geométrico do sistema, qual a relação entre os pesos dos corpos nas extremidades?

d) O que precisaria acontecer para que o sistema saia do equilíbrio estável? e) Se um dos corpos for submerso parcialmente ou integralmente dentro de um líquido, como por exemplo, água, o que aconteceria com o sistema? f) Se mudarmos a densidade do líquido, o resultado seria diferente?

Importante frisar que nestes questionamentos, poderia ser abordado questões que fizessem alusão ao momento de forças para deixar o sistema em equilíbrio, porém, estudantes do nono ano do Ensino Fundamental dificilmente terão esses conceitos construídos em suas estruturas internas.

Quando o professor entender que o momento é propício e que já conseguiu extrair as previsões de seus estudantes, tendo a atenção e a dimensão do conhecimento deles, pode agora, vagarosamente, baixar o sistema de forma que um dos corpos adentre um recipiente com água, conforme ilustrado na Figura11.

Figura 11– Sistema em desequilíbrio horizontal na água

Fonte: Registrada pelo autor.

Legenda: o equilíbrio horizontal é rompido, pois o corpo da extremidade da direita, ao ser imerso na água, fica sujeito a uma força vertical para cima, denominada empuxo.

Uma vez que o sistema se encontre em novo equilíbrio estático, agora com um corpo imerso no ar e outro dentro da água (Figura 11), o professor deve questionar os estudantes se a previsão teórica por eles formulada foi satisfeita e, se não, instigá-los a pensar no porquê do resultado obtido e que explicações poderia haver para a nova configuração do sistema.

Dessa maneira, os estudantes começam a se questionar a respeito dos resultados observados e isso é bom, pois desperta certa curiosidade, o que certamente colaborará para o bom andamento das atividades posteriores.

Após a aplicação desta breve atividade, a tendência é de que os estudantes estejam aptos para seguir adiante com as sequências didáticas, porém, o professor deve certificar-se que, por meio do experimento desencadeador de questionamentos, conseguiu desacomodar seus estudantes e que eles estão prontos para a aplicação das sequências didáticas. A interatividade dos estudantes durante a aplicação do experimento desencadeador de questionamentos é um bom indicativo do quanto eles estão aptos a prosseguir.

Todos os procedimentos, que antecedem à aplicação da primeira e segunda sequência didática, podem ser resumidos no fluxograma da Figura 12, onde de maneira prática são relacionados procedimentos importantes essenciais para o desenvolvimento significativo dos conceitos relacionados à força de empuxo em corpos imersos em fluidos.

Figura 12 – Fluxograma sobre procedimentos importantes que devem ser adotados antes da aplicação das sequências didáticas

Fonte: Registrado pelo Autor

Legenda: na figura, são organizados alguns procedimentos importantes que devem ser adotados para a aplicação das sequências didáticas propostas neste trabalho, no sentido de colaborar com o sucesso na construção dos conceitos.

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