PARTE II - EXPERIMENTO
2. MATERIAIS E MÉTODO
2.7. Técnica
2.7.1. Experimento em animal
Independentemente do grupo, os procedimentos cirúrgicos obedeceram à mesma sequência de etapas após o preparo pré-operatório. A torre com o equipamento foi posicionada caudalmente aos membros posteriores do animal, em seu lado direito. Todos os procedimentos foram realizados pela mesma equipe cirúrgica: o cirurgião, em todos os casos, foi o autor do projeto, e o assistente (câmera) foi seu orientador. A equipe cirúrgica posicionou-se da seguinte forma (Anexo 3):
- Cirurgião: situação cranial aos membros posteriores do animal (lado esquerdo do animal);
- Assistente (câmera): em frente ao cirurgião;
- Anestesista: cranialmente aos membros anteriores do animal, junto à cabeceira da mesa.
1. Posicionamento do animal em decúbito dorsal. 2. Indução anestésica.
3. Antissepsia com solução de álcool iodado a 0,1%. 4. Colocação de campos cirúrgicos.
5. Conexão da mangueira do insuflador de CO2, cabo de luz e conexão da videocâmera na ótica.
6. Preparo do campo operatório constou de antissepsia com solução de álcool iodado a 0,1%.
7. Com um bisturi lâmina 23, realizou-se incisão de 15 mm, 2 cm lateralmente à cicatriz umbilical (para mediana), à direita, alcançando pele e tecido celular subcutâneo.
8. Identificação e abertura, em sentido longitudinal, da aponeurose do músculo reto abdominal e da fáscia transversalis, com acesso ao espaço pré-peritoneal.
9. Pré-dissecção do espaço pré-peritoneal até a proximidade da região do púbis, sem ultrapassar a linha média, com o dedo indicador da mão direita.
10. Acesso ao espaço pré-peritoneal, com colocação, conforme randomização, de: Grupo B: trocarte balão Bhio-Supply©;
Grupo C: trocarte balão OMSPDB 1000® da Covidien©.
11. Introdução da ótica de 10 mm, zero grau, dentro da cânula e expansão do balão até 300 ml de ar ambiente através de seringa de 60 ml.
12. Determinação da pressão interna do balão através de um esfigmomanômetro acoplado à válvula bidirecional da cânula (balão Bhio-Supply©) ou à válvula unidirecional (balão Covidien©), com auxílio de uma dânula.
13. Monitorização do enchimento do balão através de: a. Parâmetros vitais.
c. Pressão do balão. d. Migração do balão.
e. Resistência ao enchimento e esvaziamento do balão.
f. Monitorização visual do enchimento do balão e da dissecção do espaço pré-peritoneal através da visualização do aumento de volume na parede abdominal e internamente através da ótica videoendoscópica posicionada no interior do balão.
14. Retirada do balão com colocação de trocarte de 10 mm e insuflação do espaço pré-peritoneal até a pressão de 12 mmHg. Fixação do trocarte na parede abdominal com fio de seda 2-0.
15. Visualização do espaço pré-peritoneal direito para identificação de eventual presença de lesão peritoneal.
16. Visualização do espaço pré-peritoneal direito, com identificação das seguintes estruturas anatômicas:
a. Púbis.
b. Ligamento de Cooper.
c. Elementos do cordão espermático (machos). d. Vasos ilíacos externos.
e. Vasos epigástricos inferiores.
17. Marcação de linha tracejada na pele da parede abdominal anterior do suíno com uso de uma caneta (Figura 27):
a. Linha conectando as espinhas ilíacas direita e esquerda.
b. Linha conectando a espinha ilíaca direita e o púbis (demarcação da região inguinocrural direita).
Figura 27. Marcação de pontos anatômicos na parede abdominal do suíno. (espinhas ilíacas, púbis e linha média).
18. Colocação de trocarte de 3 mm na porção mais medial da dissecção do balão no espaço pré-peritoneal, sobre a linha demarcada entre as duas espinhas ilíacas do suíno. Medição em centímetros, com auxílio da sonda palpadora graduada, do espaço criado em sentido lateral (Figura 28).
Figura 28. Posicionamento de trocarte de 3 mm para medição do tamanho do espaço extraperitoneal no sentido látero-lateral.
19. Colocação, pela cânula de 10 mm, de régua de papel graduada de 1 por 2 cm, posicionada na porção mais caudal do espaço pré-peritoneal e no meio desse espaço, para avaliação através de um programa de computadorl do espaço criado. 20. Colocação de trocarte de 3 mm no espaço pré-peritoneal, no ponto central da linha
centímetros, com auxílio da sonda palpadora graduada, do espaço criado em sentido anteroposterior (Figura 29).
Figura 29. Posicionamento de trocarte de 3 mm para medição do tamanho do espaço extraperitoneal no sentido anteroposterior.
21. Colocação de trocarte de 3 mm no ponto de palpação na parede abdominal, na porção distal da cânula de 10 mm totalmente inserida na pele. Medição em centímetros, com auxílio da sonda palpadora graduada, do espaço criado em sentido craniocaudal (Figura 30).
Figura 30. Posicionamento de trocarte de 3 mm para medição do tamanho do espaço extraperitoneal no sentido craniocaudal.
22. Avaliação da presença de eventual complicação (sangramento, lesão peritoneal, visceral, etc.). No caso de lesão peritoneal com formação de pneumoperitônio, posicionou-se um trocarte de 3 mm intraperitoneal por punção no quadrante superior esquerdo do suíno para equalização da pressão de insuflação do espaço pré-peritoneal e peritoneal.
23. Desinsuflação do espaço pré-peritoneal.
24. Fechamento da pele com fio de náilon monofilamentar 4-0.
Os dados foram analisados com base no relatório de cada procedimento (Anexo 4) e na avaliação dos vídeos gravados durante os procedimentos, conforme protocolo de pesquisa.
As variáveis avaliadas foram:
1. Desenvolvimento do espaço pré-peritoneal:
1.1. Delineamento anatômico: extensão do espaço confeccionado após o uso do balão (satisfatório ou insatisfatório). Desfecho de eficácia.
1.2. Visualização dos elementos anatômicos descritos individualmente (púbis, ligamento de Cooper, elementos do cordão espermático em machos, vasos ilíacos externos e vasos epigástricos inferiores) após a utilização do balão (definido ou não definido). Desfecho de eficácia.
1.3. Tamanho do espaço pré-peritoneal após o fim da dissecção com o uso do balão: medição em centímetros do espaço criado em sentido látero-lateral, anteroposterior e craniocaudal, com sonda palpadora graduada. Desfecho de eficácia.
1.4. Tempo para a realização da dissecção com o balão (do momento da incisão cutânea até a retirada do balão). Desfecho de eficácia.
2. Resistência do balão:
2.1. Ruptura interna do balão: avaliação da resistência do dispositivo e do balão (sim/não). Desfecho de segurança.
2.2. Pressão interna do balão inflado com 300 ml de ar ambiente, medida com o auxílio de um esfigmomanômetro acoplado à válvula da cânula do dispositivo. Desfecho de segurança.
3. Eventos intraoperatórios:
3.1. Ruptura do peritônio em cm. Desfecho de segurança.
3.2. Sangramento medido em ml através de aspiração. Desfecho de segurança. 3.3. Lesão de estrutura anatômica: vasos epigástricos inferiores, ducto deferente,
vasos espermáticos, bexiga, enfisema subcutâneo, lesão de vasos ilíacos externos e lesão intestinal (sim/não). Desfecho de segurança.
3.4. Necessidade teórica de conversão do procedimento cirúrgico para técnica TAPP ou aberta (sim/não). Desfecho de segurança.
3.5. Óbito transoperatório do suíno (sim/não). Desfecho de segurança.
4. Tempo operatório total para cada um dos procedimentos. Desfecho de eficácia. 5. Gasto total de CO2. Desfecho de eficácia.
6. Custo do procedimento, calculado considerando o valor de comercialização de ambos os dispositivos. No caso do dispositivo da Covidien©, de uso único, foi considerado o valor unitário do produto para cada animal. Já para o dispositivo da Bhio-Supply©, calculou-se o custo de aquisição do dispositivo reutilizável, dividindo-se o valor por 10 animais. Também foi calculado o custo individual do balão de silicone do dispositivo da Bhio-Supply©, de uso único para cada animal. Considerando todos os demais itens de sala cirúrgica iguais para todos os procedimentos, arbitrou-se um custo de R$ 120,00 por hora de bloco cirúrgico para animais de médio porte, fornecido pelo Laboratório de Cirurgia Experimental da Universidade Positivo. Multiplicou-se então esse valor pelo tempo operatório de cada procedimento. Acrescentou-se um minuto ao tempo operatório no grupo do balão Bhio-Supply©, referente ao tempo necessário para acoplar o balão de silicone
à ponta da cânula do dispositivo. O uso de CO2 para cada procedimento cirúrgico não foi considerado na análise de custo em função do pequeno volume consumido e do baixo custo do gás. Desfecho de eficácia.