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EXPLICAÇÕES MENDELIANAS PARA A DETERMINAÇÃO DO SEXO

No documento Ana Paula Oliveira Pereira de Morais Brito (páginas 53-57)

CAPÍTULO 2 – ALGUMAS TEORIAS SOBRE A DETERMINAÇÃO DE SEXO NO FINAL DO

2.4 EXPLICAÇÕES MENDELIANAS PARA A DETERMINAÇÃO DO SEXO

Diversos cientistas que trabalhavam dentro de uma linha mendeliana propuseram diferentes explicações para a determinação de sexo como, por exemplo, William Ernest Castle (1867-1962), William Bateson (1861-1926) e Reginald .Crundall Punnett (1875-1927).

139

Hertwig, The biological problem of to-day, p. 164.

140

Ibid., p. 190.

141

2.4.1 A hipótese de Castle

O mendeliano William Ernest Castle admitia, de modo análogo a Darwin, que em animais e plantas, cada sexo possuia os “fatores” para o sexo oposto em estado latente. Além disso, que durante a formação nos híbridos ocorreria a segregação dos caracteres parentais e por ocasião da fertilização diferentes caracteres segregados se encontram sendo um dominante e o outro latente ou recessivo. Além disso, considerava como August Weismann (1834-1914) que durante a “meiose” quando se dá o processo de maturação do óvulo e espermatozóide, ocorreria a segregação dos caracteres ancestrais que seria seguida por uma redução do número do número cromossômico142. Para Castle, o sexo não dependia nem do meio, nem da nutrição da mãe. Estava relacionado ao material germinativo estando contido no óvulo, no espermatozóide ou em ambos.

143

Embora Castle acreditasse que o sexo era herdado de acordo com os princípios de Mendel, não fazia nenhuma relação com os cromossomos. Para ele, o indivíduo dióico seria heterozigoto possuindo fatores para ambos os sexos, sendo que um deles seria dominante e o outro recessivo. Assim, no macho o fator fêmea seria recessivo e na fêmea o fator macho seria recessivo.144 Além disso, Catle adotou a hipótese da fertilização seletiva, ou seja, o óvulo poderia atrair e selecionar o tipo de espermatozóide dependendo das circunstâncias, já que segundo ele, não existiria a possibilidade de formas puras145.

De acordo com L. A. C. P. Martins, muitas vezes se considera que Castle foi o primeiro a propor uma hipótese de determinação sexual baseada na teoria mendeliana. O próprio Castle, no entanto, explicou que quando havia advogado a

142

William Ernest Castle, “The heredity of sex”, Bulletin of the Museum of Comparative Zoology 40 (1903): 189-218, nas pp. 190-191; Martins, A teoria cromossômica da hereditariedade: proposta, fundamentação, crítica e aceitação, cap. 4, p. 4- 12.

143

Martins, A teoria cromossômica da hereditariedade: proposta, fundamentação, crítica e aceitação, cap. 4, p. 4.12.

144

Castle, “The heredity of sex”, p. 193; Martins, A teoria cromossômica da hereditariedade: proposta, fundamentação, crítica e aceitação, cap. 4, p. 4-12.

145

visão de que o sexo era herdado de forma mendeliana tinha se baseado nas informações contidas no primeiro relatório de Bateson e Saunders. 146

Em uma publicação posterior, Castle continuou refutando a idéia que o sexo era determinado por fatores externos:

Uma nutrição adequada da mãe pode levar a produção de mais óvulos, mas não de mais descendentes fêmeas, como tem sido repetidamente demonstrado por experimentos.

Uma nutrição escassa da mãe pode diminuir o número de óvulos que ela libera, mas não aumentará a proporção de machos entre os descendentes produzidos. 147

William Castle acreditava que o sexo era herdado de forma mendeliana e durante a fertilização. No entanto, esta explicação tinha muitos problemas. Um deles era que a proporção mendeliana de 1:2:1 não correspondia à proporção sexual de 1:1 entre machos e fêmeas. Um outro problema encontrado na explicação de Castle era a hipótese de fertilização seletiva por se tratar de uma hipótese ad hoc, ou seja, uma hipótese inventada para dar conta de um resultado. Devido a esta hipótese de fertilização seletiva, Castle foi duramente criticado por seus pares, como Morgan, por exemplo.

2.4.2 A hipótese de Bateson e Punnett

Bateson tratou pela primeira vez sobre determinação de sexo no Primeiro Relatório para o Comitê de Evolução, em 1902. 148 Seis anos mais tarde Bateson e Punnett apresentaram uma proposta diferente da hipótese de Castle. A

146

William Ernest Castle , “A Mendelian view of sex heredity”, Science 29 (1909): 399, apud, Martins, “McClung e a determinação de sexo: do equívoco ao acerto”, p. 249.

147

William Ernest Castle, Heredity in relation to evolution and animal breeding (New York: D. Appleton and Company, 1911),p.158.

148

Martins, A teoria cromossômica da hereditariedade: proposta, fundamentação, crítica e aceitação, cap. 4, p. 4-41.

proposta de Bateson e Punnett, ao contrário da de Castle, não admitia dominância variável e fertilização seletiva. 149

Bateson e Punnett estudaram a determinação do sexo na mariposa, Abraxas grossulariata e em sua variedade Abraxas lacticolor. Essa variedade, que apresentava manchas menores nas asas, era conhecida inicialmente na forma feminina. 150 Esses organismos já haviam sido estudados por Leonard Doncaster que havia apresentado uma hipótese bastante complexa para explicar os resultados tendo interpretado os resultados dos cruzamentos entre as duas variedades em termos da hipótese de Castle. Segundo esta interpretação, ambos os sexos eram heterozigotos para o fator sexo e produzia gametas de dois tipos que levavam ou o fator macho ou o fator fêmea e a fertilização era seletiva. Supôs também que havia uma associação entre o fator G (grossulariata) e a masculinidades e o fator L (lacticolor) e a feminilidade, nos óvulos mas não nos espermatozóides. As duas hipóteses propostas por Bateson e Punnett para explicar os resultados dos cruzamentos experimentais nesses insetos não pressupunham nem fertilização seletiva, nem variação de dominância.

A primeira hipótese admitia o seguinte:

● A fêmea é heterozigota para o sexo, e o fator feminino é dominante. O macho é homozigoto para o sexo, sendo o fator masculino recessivo.

● Quando, nos heterozigotos, os dois fatores dominantes correspondentes à feminilidade e à aparência grossulariata coexistem há uma repulsão entre eles, de tal modo que cada gameta teria ou um, ou o outro desses fatores, mas nunca ambos. 151

A segunda hipótese foi expressa de uma forma mais simples dizendo que o fator recessivo correspondente a lacticolor estava sempre ligado ao fator feminino.

149

Martins, A teoria cromossômica da hereditariedade: proposta, fundamentação, crítica e aceitação, cap. 4, p. 4-41.

150

Ibid.

151

A proposta de Bateson e Punnett era mais difícil de ser aplicada aos casos de partenogênese. Eles sugeriram que nesses casos poderia haver a segregação de fatores sexuais em um momento diferente da gametogênese. 152

2.5 EXPLICAÇÕES CROMOSSÔMICAS PARA A DETERMINAÇÃO

No documento Ana Paula Oliveira Pereira de Morais Brito (páginas 53-57)