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4.1 Procedimentos pedagógicos de ensino

4.1.3 Exploração de materiais e elementos acrobáticos

Priorizamos a exploração de materiais da GR devido às inúmeras possibilidades de experiências motoras proporcionadas. Estamos nos referindo à criação de novos elementos e a interpretação que pode ser dada a cada um deles; a partir de um estilo musical, por exemplo.

Trabalhar nessa proposta foi gratificante pelos gestos, as tentativas, a criatividade, a versatilidade e a alegria dos alunos que participaram destas aulas. Foram utilizados materiais convencionais com pequenas modificações em relação

ao material de fabricação. Os arcos foram feitos de cano; as cordas, de sisal; as bolas, de borracha; as fitas, menores que as oficiais.

A GPT possibilita usar ou não materiais, podendo ser da GR ou alternativos, como espaguete de piscina, caixas, galões de água, bancos, cabos de madeira, entre outros. Souza (1997) sugere a exploração de outros materiais, além dos tradicionais, como o da música, das artes plásticas e cênicas e do ambiente cotidiano, ressaltando que, para cada material, existem novas possibilidades de movimento, apropriação e significação.

Iniciamos explicando o que era GR e apresentando seus materiais: a fita, o arco, a bola, a corda; explicando que não eram os oficiais das competições e que também, alguns dos utilizados, não estavam presentes, como as maças. A fita foi o material que mais interessou aos alunos, pois, até então, não havia sido vista por eles. Apresentamos as possibilidades de movimento com este aparelho. Os outros não foram, inicialmente, demonstrados, por eles já conhecerem. Dividimos a turma em grupos, seguindo a lógica do circuito, porém, agora, com materiais. Cada grupo, com um material em mãos, realizava movimentos de forma livre.

Com a fita, eu vi vários movimentos ondulatórios (sair correndo com a fita para trás, rodar a fita). O arco, eles bambolearam na cintura. Com a bola, vi um aluno colocar na roupa e sair andando; chutando, correndo, gritando, jogando na cesta de basquete. Com a corda, pulando e girando (DIÁRIO 5).

Figura 15 - Exploração livre de material – aula 5

Figura 16 - Exploração livre de material – aula 5

Fonte: Autoria própria (2019).

Para Nunomura e Tsukamoto (2009), a criatividade é estimulada quando os praticantes descobrem diferentes formas de movimentar um determinado material e de combiná-los a movimentos corporais de forma natural ou direcionada. Após essa exploração de forma livre, que estimulasse a criatividade, demonstramos para os alunos alguns movimentos que poderiam ser feitos com o arco, com a corda, com a bola e com o tecido. Propusemos uma nova vivência para a exploração destes materiais com base nas novas informações obtidas. Durante a vivência, pedimos aos alunos que se lembrassem dos movimentos gímnicos vivenciados em outras aulas e que os juntassem com o material em mãos, realizando novos movimentos. Com esse direcionamento, novos movimentos surgiram.

Figura 17 - Exploração direcionada de material – aula 5

Fonte: Autoria própria (2019).

Com a vivência de forma dirigida, não significa que foram propostas atividades a serem seguidas, mas, que os alunos foram direcionados à novas formas de exploração do material, uma vez que eles devem construir seu próprio caminho, sendo o professor, apenas um mediador com questões pertinentes que os auxiliem a trilhar esse caminho.

Nesse nível, também abordamos a Ginástica Acrobática (GAcro), mais diretamente, os equilíbrios. Conversamos com os alunos a respeito do que eles sabiam sobre acrobacias; se já haviam ouvido falar em GAcro e nas pirâmides de equilíbrio. Então, após explicar a origem da GAcro, demonstramos a proposta da aula, a qual focalizava o que eram as pirâmides de equilíbrio.

Figura 18 – Modelos pirâmides de equilíbrio

Fonte: Stallivieri (2017).

Figura 19 - Modelos pirâmides de equilíbrio

Fonte: Stallivieri (2017).

Explicamos para os alunos o nome de cada membro na formação das pirâmides, sua estrutura formada por bases e volantes e conceituamos as características de cada um. Primeiramente, fizemos a demonstração de como seria a formação das pirâmides.

Figura 20 - Vivência da pirâmide de equilíbrio – aula 4

Fonte: Autoria própria (2019).

A GAcro, nas aulas de GPT, estimula o conhecimento de si e o respeito pelo outro, além de estimular a cooperação e a confiabilidade. Solicitamos aos alunos que ficassem em grupos e vivenciassem algumas formações das figuras demonstradas. O trabalho em grupos favorece não só desenvolvimento dos elementos acrobáticos, mas de valores como a cooperação e o respeito.

Figura 21 - Vivência da pirâmide de equilíbrio – aula 4

Os alunos nunca haviam vivenciado essa prática e ficaram muito animados, fazendo trocas de grupos, atentos à relação de peso e tamanho para não se machucarem. Houve dificuldade em relação ao equilíbrio das bases e dos volantes, que foram sendo amenizados conforme a prática.

Utilizamos vídeos para demonstrar equilíbrios em grupos maiores. Assistiram a uma apresentação de GPT atentos aos elementos acrobáticos e à formação das figuras acrobáticas. Durante os vídeos, os alunos comentavam sobre quais eles achavam fáceis e difíceis, e identificavam outros elementos da Ginástica que já havíamos vivenciado, como a roda, os rolamentos e os saltos. Pudemos observar o entendimento que os alunos obtiveram sobre a formação das pirâmides ao ouvir a fala de dois alunos quando perguntamos se eles se lembravam como eram chamados os elementos que formavam a pirâmide.

O Goku disse que era a Base o que ficava em baixo. Eu disse a eles que o de cima era então o “volante”, que tem como característica o equilíbrio, enquanto a base deve ser forte. A Melissa disse que teria que ser ela, porque ela é forte (DIÁRIO 6).

Após esse momento, realizamos as vivências das pirâmides em grandes grupos. Figura 22 - Vivência das pirâmides acrobáticas – aula 6

Os conteúdos contemplados até aqui corroboram GONZÁLEZ e DARIDO (2017), que apresentam conteúdos diversificados como: elementos corporais da Ginástica, elementos acrobáticos, manipulação de aparelhos da GR, ACRO, festival e expressão corporal no Método Laban.

As estratégias com vídeos e imagens fizeram com que os alunos dominassem conceitualmente os movimentos, corroborando OLIVEIRA, KRAVCHYCHYN e PEREIRA (2011), quando dizem que, tendo os alunos domínio sobre os conceitos relacionados aos movimentos gímnicos, torna-se mais fácil a vivência das atividades propostas.

Após vivenciar movimentos dos diferentes tipos de Ginástica e o uso de materiais através da ludicidade, propusemos aos alunos a composição coreográfica.