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2. A AVIAÇÃO COMERCIAL DE PASSAGEIROS NO BRASIL

2.4 Histórico das Principais Empresas Comerciais no Brasil Atual

2.4.2 O Grupo TAM

2.4.2.4 TAM Express

A TAM Express foi criada através da compra da empresa Helisul Linhas Aéreas e pela extinção da Brasil Central, que atuava no interior do país.

A empresa operava 20 Cessna 208 A/B Grand Caravan mas que foram desativados.

2.4.3 TRANSBRASIL

Em 05 de janeiro de 1955 foi fundada a Sadia S.A. Transportes Aéreos que começou suas operações no dia 15 de março com 35 funcionários, três Douglas DC-3 e dois Curtiss Commander C-46. As duas primeiras linhas foram: Joaçaba - Londrina - Baurú - Ribeirão Preto e Joaçaba - São Paulo - Videira - Florianópolis, com três freqüências semanais cada uma.

Naquela época, havia onze empresas aéreas regulares em funcionamento no país, transportando cargas e passageiros.

A Sadia/TransBrasil criou, ao longo da vida, vários episódios de avançadas idéias estratégicas e de mercado. Em 1962 aumenta consideravelmente sua frota e suas rotas ao adquirir a Transportes Aéreos Salvador que possuía 15 bimotores DC-3 e 12 bimotores C-46, com linhas servindo a 53 cidades e 15 capitais.

Em 1967 padroniza a frota com aviões Dart-Herald, turbo-hélices pressurizados equipados com radar meteorológico.

Em 1968 a Sadia abre seu capital e distribui ações entre seus funcionários. Rapidamente adquire a condição de empresa de capital aberto, com mais de 800 acionistas e registro no Banco do Brasil.

Em 1970 coloca em operação o jato bimotor BAC "One Eleven" modelo 500 e, com ele, introduz no Brasil novos padrões de atendimento aos passageiros. Quebra, também, vários recordes mundiais de utilização máxima de aeronaves para curto e médio trajetos.

Em 1972 é mudado o nome da empresa para TransBrasil S.A. linhas Aéreas e sua sede é transferida para Brasília.

Em 73 a TransBrasil torna-se a primeira empresa aérea comercial a operar o avião EMB-110, “Bandeirante”, fabricado pela Embraer, em substituição aos ingleses Dart Herald.

Em 1978 a TransBrasil finaliza a nova padronização de frota, com os Boeing 727, que começaram a serem adquiridos em 1974.

A TransBrasil começou a perder fôlego, afetada principalmente pelo congelamento de preços, na década de 80 e em 1990 o Governo resolver intervir na companhia afastando o Comandante Omar Fontana, presidente que dirigiu a empresa desde os primórdios.

A intervenção se desfez de parte do patrimônio da empresa, trocou 12 B-727 por 9 B-737 e reduziu o número de funcionários como principais medidas.

Aproximadamente um ano e meio depois, em novembro de 1989, no entanto, o Governo devolveu a operação da empresa para o Comandante Omar.

A empresa operava até o final de Outubro de 2001, apenas aeronaves de última geração, possuindo 03 Boeing 767-200, 02 Boeing 767-300ER e 05 Boeing 737-300, num total de 10 aeronaves.

Em dezembro de 2001 a TransBrasil encerrou provisoriamente suas atividades. Dificuldades econômicas tais como falta de capital de giro, dívidas e falta de crédito abalaram de forma fulminante a empresa, que já não era mais administrada pelo Comandante Omar Fontana, assolada por concorrência feroz com TAM, VASP e principalmente por GOL.

No momento a empresa mantém três aeronaves Boeing 767-200 fora de operação aguardando definição sobre o seu futuro.

Foto 2.6: Boeing 767-200 da TransBrasil.

2.4.3.1 InterBrasil – Star

Frustrada tentativa da Transbrasil de criar uma empresa feeder que depois pudesse se transformar em uma regional. Operou com aeronaves Brasília e pouco antes do fim da empresa mãe tinha uma operação inexpressiva.

2.4.4 VASP

A VASP - Viação Aérea São Paulo foi fundada em 04 de Novembro de 1933, por 72 empresários que subscreveram o capital inicial e em 12 de novembro iniciou suas operacoes.

Os dois primeiros aviões da empresa foram bimotores ingleses “Monospar” com capacidade para três passageiros. As duas rotas iniciais foram São Paulo - Rio Preto, com escala em São Carlos, e São Paulo - Uberaba, com escala em Ribeirão Preto. Havia três freqüências semanais em cada rota.

Logo depois foi adquirido um “De Havilland - Dragon”, com capacidade para dois tripulantes e oito passageiros, que tinha 8 metros de comprimento e 18 metros de envergadura. Na época passou a ser o maior avião a operar no país em campos de pouso terrestre, já que os demais eram hidroaviões.

Mais a frente, a necessidade de crescimento da empresa fez com que diversos interesses convergissem para a compra do controle acionário pelo Governo de São Paulo, que investiu na empresa e na criação do Aeroporto de Congonhas.

Em 1936 a empresa plantou a semente da Ponte Aérea Rio-São Paulo com o início de vôos diários entre as duas cidades.

Em 1938 trouxe para o Brasil os primeiros aviões equipados para vôos por instrumentos.

No final de 1939, com o início da II Guerra Mundial, a VASP, como várias outras empresas do setor, começou a sofrer graves problemas pois, suas aeronaves de maioria alemã, passaram a ficar sem peças de reposição. A VASP não teve outra alternativa a não ser começar a fabricar suas próprias peças com a ajuda do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT. As peças produzidas eram de excelente qualidade e passaram inclusive a serem exportadas para outros países da América Latina, iniciando-se assim, a exportação de peças aeronáuticas produzidas no Brasil.

Após a guerra a VASP comprou aeronaves Douglas DC-3 e continuou crescendo.

Em 57 a empresa começou a voar no esforço de construção de Brasília e Em 58 introduziu o “Viscount”, o primeiro turbo-hélice do país e foi a primeira a efetuar rotas Rio de Janeiro - Manaus, em apenas um dia de viagem, utilizando essa aeronave.

Posteriormente a VASP operou o Viscount 701, o Viscount 827, Convair e os japoneses YS-11 "Samurai".

Em 1962 a VASP assumiu o controle do Grupo Lloyd, constituído pelo Lloyd Aéreo Nacional, Navegação Aérea Brasileira, Lemke S.A. (empresa especializada em revisão de motores) e pela Transportes Aéreos Bandeirante. Com essa compra a VASP recebeu toda a frota do grupo Lloyd que era constituída de oito DC-4 de quatro motores, quatro DC-6, seis DC-3 e 13 Curtiss

Comander C-46 passando, então, a servir 72 cidades de 21 estados e dois territórios o que correspondia a aproximadamente 25% de todo tráfego aéreo doméstico brasileiro.

No final dos anos 60, com o aumento de demanda, a empresa entrou na era do jato adquirindo dois BAC-One Eleven de fabricação inglesa.

Em 1969 a empresa começou a introduzir os Boeing 737 e em 1976 era uma das maiores operadoras do mundo de B-737, num total de 22 aeronaves, a maior frota da América do Sul para esse tipo de avião.

Em 75 comprou Boeings 727 e em 82 e 83 introduziu os wide-body Airbus A-300.

Em 01 de Outubro de 1990 foi concretizada a sua venda para a iniciativa privada sendo adquirida pelo Grupo Canhedo, de Brasília, e ficando uma pequena parte do capital com a fundação dos funcionários da empresa, a "VOE".

Algum tempo após, a empresa conseguiu autorização para rotas internacionais. Passou a realizar vôos para Seul na Coréia do Sul, Bruxelas na Bélgica e para os Estados Unidos com modernas aeronaves Boeing MD-11 e no mercado de carga aérea implantou um projeto denominado de VASPEX, para pequenas encomendas de entrega urgente porta a porta e transporte de cargas em geral.

Entre 2000 e 2001 a empresa encolheu fortemente deixando inclusive de fazer vôos internacionais após a devolução dos MD-11.

A sede da VASP se mantinha em São Paulo e em fins de 2002 possuía uma frota composta por 3 Airbus A300, 4 Boeing 737-300 e 19 Boeing 737-200 de passageiros e 2 Boeing 737-200F e 2 Boeing 727-200F cargueiros totalizando 30 aeronaves.

Em 2003, devido a má operação da companhia, as dívidas se acumularam, a manutenção não conseguia mais dar conta dos velhos 737-200, que precisavam de revisões extremamente custosas. Além disso, a empresa perdeu crédito no mercado aeronáutico e, finalmente, no início de 2005, paralisou as suas atividades assolada por forte concorrência empreendida pela Gol.

Foto 2.7: Boeing 737-300 da VASP.

2.4.5 GOL

A Gol Transportes Aéreos é a mais nova empresa de grande porte do Brasil. Pertence ao Grupo Aurea que é constituído por 38 empresas e cujo principal ramo de negócios é o de transporte terrestre.

A empresa foi moldada na linha das empresas americanas e européias de low-cost/low-fare, ou seja, baixo custo para poder oferecer baixa tarifa.

Visava inicialmente passageiros de mais baixo poder aquisitivo mas terminou acertando no mercado de quem viaja a negócios mas deseja qualidade e preço baixo.

Tem quase 100% das áreas da empresa terceirizadas, do atendimento em terra à manutenção.

A Gol, em 2002, já opera em praticamente todas as grandes cidades brasileiras e apresenta o maior crescimento do mercado, bem à frente das concorrentes. Ao fim de 2002 atendia 22 cidades, contra 14 em outubro de 2001.

Serviço de bordo espartano, aeronaves de última geração, somente Boeings 737-700/800, e venda de tickets simplificada e feita preferencialmente pela Internet são suas marcas registradas.

As idéias iniciais de operar apenas vôos diretos e de praticar preços bem abaixo do mercado já foram abandonadas o que significa uma forte guinada na estratégia inicial da empresa.

Entretanto, finalizou o ano de 2004, fazendo vôos dentro da América do Sul, com 29 aeronaves e anuncia planos de terminar 2005 com 36.

Foto 2.8: Boeing 737-800 da GOL. Fonte: América Economia n 291, 2004.

2.4.6 COMPANHIAS OPORTUNAS

Algumas companhias brasileiras, apesar de possuírem poucas aeronaves, e de terem faturamento abaixo das 5, atualmente 4, grandes, por possuírem jatos de grande porte e competirem em rotas operadas também pelas outras maiores e em todo o território nacional, podem ser incluídas na definição feita para a indústria de transporte comercial de passageiros.

Essas companhias procuram mixar a operação regular, utilizando baixas tarifas, com vôos charter.

Por outro lado, por operarem um baixo número de aeronaves e de terem perfil semelhante, serão enquadradas dentro de um único grupo, a ser chamado então de “oportunas”, para efeito das pesquisas e análises deste trabalho.

Especificamente, as companhias consideradas neste grupo são: BRA, FLY, VIA BRASIL, PASSAREDO e NACIONAL e das cinco citadas apenas a primeira ainda continua em operação no ano de 2005.

2.4.6.1 BRA

A BRA Transportes Aéreos começou a operar em 1999 com uma aeronave Boeing 737-300 própria e com alguns aviões do grupo Varig em vôos da Rotatur, empresa de charters e vôos de baixa tarifa do grupo Varig.

No fim de 2002 a empresa operava com 3 ou 4 737, dependendo da demanda. Em 2001 a empresa transportou 450.000 passageiros e esperava fechar 2002 com mais de 500.000.

Em 2005 a empresa, devido ao seu crescimento, está recebendo pressão do DAC para se tornar uma empresa de vôos regulares o que tiraria uma grande vantagem da empresa que é a de só decola se a ocupação da aeronave compensar os custos.

Foto 2.9: Boeing 737-300 da BRA.

Fonte: Flap Internacional número 361(outubro-novembro/2002)

2.4.6.2 FLY

Começou a operar em 1995 realizando vôos charters domésticos e para o Caribe. Transportou 232.600 passageiros em 2001 e em 2002 deveria fechar com um número um pouco acima deste.

Opera desde o início com aeronaves Boeing 727 e tem, ao contrário das outras empresas oportunas, um bom serviço de bordo e algumas poltronas de classe executiva nos seus aviões.

A FLY Linhas Aéreas terminou 2002 com 5 aeronaves, entretanto, em 2003 não está prosseguindo com suas operações devido à necessidade de “cheques delta” nos aviões da empresa, um serviço extremamente caro e que esta inviabilizando a continuação das suas atividades.

Foto 2.10: Boeing 727-200 da FLY.

2.4.6.3 VIA BRASIL

Foi criada em 1999 com apenas um Boeing 727-200. Já passou pelo controle de capital de três grupos diferentes e em 2002 paralisou suas atividades porque sua única aeronave foi proibida de voar pelo DAC por motivo de manutenção.

Foto 2.11: Boeing 727-200 da VIA-BRASIL.

2.4.6.4 PASSAREDO

A Passaredo Transportes Aéreos foi fundada em 1995 e já operou diversos tipos de aviões como Embraer- EMB120 – “Brasília”, ATR-42 e os wide-body Airbus A-310. Com essas aeronaves realizou diversos tipos de vôos.

No fim do primeiro semestre de 2002, devido, segundo a empresa à forte concorrência do setor, paralisou suas atividades.

Foto 2.12: Airbus A-310 da Passaredo.

2.4.6.5 NACIONAL

A Nacional Transportes Aéreos, criada em dezembro de 2000, iniciou suas operações com dois Boeing 737-200. Segundo informações de mercado, por problemas financeiros não conseguiu manter suas operações e por isso encerrou suas atividades no início de 2002.

Foto 2.13: Boeing 737-200 da Nacional

Fonte: Flap Internacional número 361(outubro-novembro/2002)

Fontes, Capítulo 2: Site portalbrasil.com.br/aviação, Davies TransBrasil: An Airline and It’s

Aircraft. Brazil’s Rainbow Airline (1987), Revista Flap Internacional números: 209 (agosto/1989),

313 (outubro-novembro/1998), 325 (outubro-novembro/1999), 327(dezembro/1999),

337(outubro-novembro/2000), 349(outubro-novembro/2001), 354(novembro/2002), 361(outubro- novembro/2002), 385(outubro-novembro/2004), Revista Ícaro número 154 (1997), Revista ELOS (maio/2001), DAC: Anuários Estatísticos.

CAPÍTULO 3

“ OS EMPRESÁRIOS SÃO MAIS SOFISTICADOS QUE O PAÍS (BRASIL), MAS O AMBIENTE ATRAPALHA. “

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