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3. INTERATIVIDADE: DAS CARTAS AO WHATSAPP

4.3 EXTRA: QUE JORNAL É ESSE

4.3.4 O Extra nas redes

Além do WhatsApp e do Facebook, o Extra também mantém um perfil no

Twitter, no Instragram e no Google+. A página do jornal no Facebook tinha mais de 2

milhões de curtidas em junho de 201772, com publicação média de dois novos posts

a cada hora. Além de divulgar seu conteúdo noticioso pelo canal, inclusive para grupos geolocalizados, e de pedir auxílio para encontrar fontes ou apurar algum tipo de informação, a redação também recebe por ali mensagens de leitores, em forma de

72A título de comparação, no mesmo período a página do jornal O Globo no Facebook tinha 5.423.035 curtidas, enquanto o espaço da Folha de S. Paulo apresentava 5.922.904 curtidas. A página do Diário

críticas, sugestões e pedidos. Só que as sugestões de pauta têm perfil diferente daquelas que chegam por WhatsApp.

Pelo Facebook predominam sugestões de histórias não factuais e indicações de personagens para reportagens, por exemplo. Vídeos com flagrantes e alertas sobre ocorrências policiais e protestos são enviados, geralmente, via WhatsApp (COHEN, 2015). Isso ocorre, muito provavelmente, em função das características do ambiente de conversação instituído a partir do uso das ferramentas. O WhatsApp está mais vinculado a uma forma síncrona de conversação, ou seja, é uma relação geralmente associada com a conversação oral e expectativa de resposta imediata, o que nem sempre ocorre.

Acompanhando a tendência do aumento do consumo de vídeos pelos leitores, o Extra utiliza o Facebook para criar vídeos em formato Streaming73, por meio da

função Facebook Live, como no caso do vídeo com a astróloga, taróloga e colunista Glória Britho em 12/6/2017 (Figura 48). Entrevistas ao vivo com músicos, atores e especialistas de áreas diversas, com predomínio de saúde e finanças pessoais, são divulgadas diariamente. Durante as entrevistas, o público usa o espaço dos comentários para fazer elogios, críticas ou comentários, dirigidos ao conteúdo abordado ou ao entrevistado, e também para fazer perguntas. Algumas dúvidas do público são lidas pelo entrevistador e respondidas pelo convidado.

Figura 48: transmissão ao vivo pela página do Facebook

Fonte: Facebook do Extra

Também é frequente a audiência usar o espaço dos comentários de posts da redação. E, dependendo do assunto, a repercussão e a polêmica podem ser grandes. Isso ocorreu dias após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, em março de 2018. A redação notou, nos comentários dos posts da redação que divulgavam as notícias do crime, dezenas de críticas ao fato de a vereadora ter pautado sua prática política como defensora dos direitos humanos. “Diante desses comentários ofensivos no Facebook, que sugeriam inclusive que ela defendia bandido, decidimos fazer um tutorial para esclarecer o que são, de fato, Direitos Humanos” (TZIOLAS, 2018). O material (Figura 49), produzido a partir de texto da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da década de 1940, viralizou e chegou a alcançar os mais altos índices de audiência e engajamento do site do Extra e também de O Globo nos dias seguintes à publicação.

Figura 49: Esclarecimento do Extra motivado por comentários de leitores

Fonte: Site Extra

O Twitter, além de ser muito utilizado por repórteres e editores para monitorar o conteúdo divulgado por fontes oficiais, também serve de canal de divulgação do material produzido pela redação. Cinco matérias, em média, são tuitadas a cada hora. No site do jornal, há o apelo Curta o Extra nas redes sociais, com os links para o

Facebook, Twitter e Google+ (Figura 50). Não aparece em destaque na capa o contato

do WhatsApp.

Figura 50: link das redes sociais na capa do site

Uma barra lateral localizada à esquerda das matérias do site traz a possibilidade de o leitor compartilhar a notícia em suas próprias redes sociais (Facebook, Twitter ou Google+) ou por e-mail, comentar a matéria ou imprimir o material. Em todas as matérias do site, o espaço para os comentários fica em uma barra localizada à direita da notícia. A quantidade de mensagens varia bastante de acordo com o apelo da notícia.

Cabe ressaltar que os comentários não são moderados pela redação. No topo da barra dos comentários, há um texto no qual a redação se abstém da responsabilidade pelo conteúdo postado no espaço: “Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal” (EXTRA, 2017).

Além da presença institucional em seus próprios sites de redes sociais, o Extra realiza apurações jornalísticas a partir de informações postadas ou repercutidas pela audiência em suas redes pessoais. Esse é, inclusive, o trabalho específico do Radar, editoria criada em 2017 com a integração da redação. O Radar, que conta com sete repórteres e é comandada por Fábio Gusmão e Leonardo Cazes, editor e subeditor, respectivamente, capta os assuntos mais relevantes da internet diariamente e produz conteúdo “com audiência e relevância” (GUSMÃO, 2018) para todas as plataformas e veículos do grupo. O Radar opera conjuntamente com os núcleos de Checagem e Jornalismo de Dados.

Em relação a aplicativos, o Extra já lançou dois. No app Extra, criado em 2013, o leitor pode adquirir as publicações impressas, na versão em PDF, ao valor unitário de $ 0,99 (99 centavos de dólar). Todas as edições compradas ficam arquivadas na “banca” do usuário (CUNHA, 2015). O outro aplicativo, o Extra Notícias, traz todo o conteúdo publicado no site do jornal. As notícias acessadas podem ser compartilhadas no Facebook, Twitter ou por e-mail. Também há a possibilidade de aumentar e diminuir o tamanho da fonte, de avaliar o aplicativo e de guardar as notícias para ler em outro momento. Além dos aplicativos, o jornal mantém o Extra

Mobile, com conteúdo exclusivo para ser consumido no celular:

[...] Somos muito mais focados na nossa versão mobile do que na versão do aplicativo. [...] O crescimento de um ano para cá de audiência mobile é um salto. Temos até editorias e especiais que fazemos só para o mobile e não fazemos na versão desktop. Temos uma produção de dicas, cuidados para

casa, como tirar manchas, que não existe na versão web por exemplo (COHEN citada por CUNHA, 2015, p. 196).

No Extra Mobile, a redação edita as chamadas e há conteúdos produzidos especificamente para o produto, como a editoria De Carona com Elas, com foco em questões de trânsito, e SuperDicas, com orientações práticas para a dona de casa.

A seguir, apresentaremos o jornal popular do Grupo RBS, o Diário Gaúcho, sediado em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.