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4. PROSPECÇÃO FITOQUÍMICA E ATIVIDADE INSETICIDA DOS EXTRATOS

4.3.2 EXTRATOS DE L. artemisiifolia NO CONTROLE DE NINFAS DE B

tabaci EM FEIJOEIRO

O extrato de superfície de L. artemisiifolia, nas concentrações testadas no primeiro experimento, foram eficientes no controle de ninfas de mosca branca, independente do período de coleta (Figura 17). A taxa de mortalidade foi superior a 92% em todos os

62 tratamentos, exceto na concentração de extrato de 5%, que foi de 84%. Os tratamentos não apresentaram diferenças estatísticas significativas entre si entre si, mas todos diferiram da testemunha.

Figura 17. Avaliação da atividade inseticida de extrato de superfície de L. artemisiifolia, de coletas feitas na estação seca e chuvosa.

No segundo experimento, observou-se taxa de mortalidade de ninfas superior a 82% para todos os tratamentos (Figura 18). Os tratamentos não diferiram estatisticamente entre si, mas diferiram da testemunha. Já no quarto dia a mortalidade foi de 98,33 % na maior concentração de 100mg. L-1 e superior a 90% em todas as concentrações no sexto dia (Figura 19). Mesmo 10 dias após a aplicação foi observada atividade inseticida dos extratos de L. artemisiifolia superior a 84% mesmo na concentração de 0,05% de extrato. As ninfas apresentavam coloração escura, aspecto “murcho” e seco (figura 20).

A produção de metabólitos secundários pelas plantas pode variar de acordo com fatores genéticos e climáticos, podendo ocorrer variações e diferenças qualitativas e quantitativas dentro da espécie. Variação qualitativa e quantitativa foram observadas nos resultados de perfil fitoquímico. Entretanto quanto a atividade inseticida, a estação na qual foi feita a coleta não interferiu nos resultados. O potencial inseticida observado pode ser atribuído a quantidade e a interação dos compostos presentes nas concentrações testadas.

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Figura 18. Efeito do extrato de superfície de L. artemisiifolia na mortalidade de ninfas de mosca branca.

Entretanto, a solubilidade dos extratos não foi total, pois partículas do extrato insolúvel foram visualizadas na solução. Contudo pode-se inferir então que a quantidade de extrato dissociada foi suficiente para a ação inseticida e, portanto, menores concentrações de extrato podem apresentar atividade inseticida satisfatória. Todavia são necessários mais estudos para determinar a características de solubilidade do extrato.

Figura 19. Mortalidade de ninfas de mosca branca em função da exposição a diferentes concentrações de extrato de L. artemisiifolia ao longo de 10 dias.

0 20 40 60 80 100 120

2 4 6 8 10

% de mortalidade

Dias após aplicação

Efeito de extratos de L. artemisiifolia na mortalidade ninfas

H20 tween 5 mg 10 mg 50mg 100mg

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Figura 20. A. Ninfas vivas de mosca branca; B. Ninfas de mosca branca mortas.

O tipo de extração e o solvente utilizado na extração, também pode ter contribuído para a eficiência da atividade inseticida do extrato. A polaridade do solvente utilizado interfere no tipo de compostos extraídos e portanto, na atividade biológica. Neste trabalho, a extração num solvente de média polaridade, acetato de etila, pode estar relacionada com a elevada concentração de flavonoides. Os flavonoides atuam como fotoprotetores, agindo como filtros de raios UV, além de conferirem proteção aos tecidos fotossintéticos vegetais (Harborne; Williams, 2000).

Resistência a fotodegradação é uma característica desejada para um bom inseticida. A elevada atividade inseticida do extrato de superfície de L. artemisiifolia possivelmente esteja associada a grande quantidade de flavonoides presentes no extrato. Os flavonoides podem interferir na integridade da membrana celular, reduzindo a seletividade, possivelmente esse seja um dos mecanismos que propiciaram a desidratação e murchamento das ninfas (Taiz & Zeiger, 2013). Entretanto a mortalidade também pode ser atribuída ao o sinergismo entre os vários compostos presentes no extrato. Esse sinergismo confere boa proteção e adaptação das plantas e dificulta a suplantação da resistência pelo inseto, uma vez que diferentes mecanismos do inseto podem ser afetados simultaneamente.

Apesar de mais estudos serem necessários, os resultado deste trabalho demonstram a atividade inseticida dos extratos de L. artemisiifolia, que pode vir a ser uma alternativa para o manejo integrado da mosca branca, com possibilidades de redução no número de aplicações de inseticidas.

Embora avaliações em condições de campo possam exigir concentrações maiores, a alta eficiência dos extratos de L. artemisiifolia observados podem indicar a

A B

65 necessidade de baixas concentrações de extrato no controle em condições de campo.

Entretanto esses experimentos ainda não foram realizados.

Considerando a alta mortalidade ocorrida nas primeiras 48 hs, foi feita uma análise de regressão logarítmica não linear para a predição do tempo de mortalidade de 50

% das ninfas. Em todas as concentrações o de tempo mediano foi de ≥ 19 hs para mortalidade de 50% das ninfas em todas as concentrações analisadas (Figura 21). Esses dados sugerem que concentrações menores que as analisadas neste trabalho, podem ser eficientes no controle das ninfas de mosca branca sendo recomendável novos testes com concentrações menores de extrato.

Figura 21. Análise de regressão para predição do tempo (h) para mortalidade de 50% das ninfas de B. tabaci, nas concentrações 5; 10; 50; e 100 mg. mL-1.

y = -29.628+56.280 * log10(x)

Concentração do extrato = 100 mg.mL-1 Concentração do extrato = 50 mg.mL-1 y=-31.462 + 53.462 * log10(x)

y= -38.108 + 58.210 * log10(x)

y= 0.814+40.100* log10(x)

Concentração do extrato = 10 mg.mL-1 Concentração do extrato = 5 mg.mL-1

66 De acordo com Garcia (2002) um produto é considerado eficiente para o controle populacional de uma espécie quando alcança uma redução ≥80% dos indivíduos. Para a L.

artemisiifolia todas as concentrações de extratos analisadas apresentaram redução ≥82% em todas as concentrações analisadas.

Extratos caseiros de folhas de nim e de arruda nas concentrações de até 30%

(m/v) reduziram a oviposição de B. tabaci em feijoeiro, em 78,1% e 95,1% respectivamente, conforme relatado por (Quintela & Pinheiro, 2009). Rodriguez (2000) testando extrato de R.

communis e óleo de nim no controle de ninfas de B. tabaci, obteve média de mortalidade 75,49% e 70,4%, respectivamente, em campo experimental, mas após três aplicações em intervalos de 7 dias.

Os resultados observados neste trabalho são promissores e motivam a realização de mais estudos em condições de campo, para avaliar a persistência e eficiência do produto, bem como avaliar seus efeitos na oviposição e repelência da mosca branca. Outra possibilidade apontada pelos resultados é o isolamento dos constituintes químicos responsáveis pela atividade inseticida, pois o extrato possui grande quantidade de compostos. O isolamento possibilita melhor avaliação do potencial inseticida, avaliar outros métodos de extração e solubilidade e aumentar a eficiência, sem causar fitotoxicidade.

Além disso o desenvolvimento de protocolos de micropropagação possibilita incrementar sua produção in vitro, obter informações sobre essa espécie, além de viabilizar a obtenção de extratos para prospecção química, sem o ônus do extrativismo natural, contribuindo assim para a conservação da espécie.

4.4 CONCLUSÕES

• As partes aéreas da L. artemisiifolia possuem alcaloides, cumarinas, derivados antracênicos, flavonoides e saponinas;

• O período de coleta das plantas não interferiu na atividade inseticida dos extratos de superfície em acetato de etila de L. artemisiifolia;

• O perfil fitoquímico por CLAE-EM e CCD das plantas cultivadas in vitro foi semelhante ao de plantas coletadas na estação chuvosa;

• Foi isolado e identificado o flavonoide quercetagetina 3,5,6,3´,4´-pentametileter

• Os Extrato de superfície em AcOEt das partes aéreas de L. artemisiifolia possuem atividade inseticida contra ninfas de mosca branca.

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