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ocorrência de plágio e de outras formas de má conduta no processo de elaboração e apresentação de trabalhos escritos é um problema que atinge, em maior ou menor medida, todos os ní- veis de educação formal, desde as primeiras séries do ensino básico até o ensino superior, em níveis de graduação e pós-graduação.

Nos âmbitos do ensino fundamental e médio, a fiscalização e o controle das inúmeras formas de ludibrio por parte de alunos (crianças e adolescentes) é tarefa quase cotidiana na prática do- cente. As práticas mais frequentes dizem respeito à “cola” em tes- tes e provas e a reprodução indevida de conteúdos em trabalhos escolares, retirados principalmente da internet.

Nesses casos, a própria conscientização dos alunos acer- ca das consequências negativas de tais atos deve fazer parte da agenda pedagógica de educadores, pois a formação do caráter dos alunos nos níveis iniciais de ensino é tão importante quan- to o ensino do conteúdo curricular. Além disso, considerando que, na fase escolar, em regra, não há competição formal entre alunos, os verdadeiros e maiores prejudicados pelos atos de tra- paça são aqueles que os cometem. Praticando tais atos, enga- nam a si mesmos e vão tornando-se cada vez mais acostumados ao logro e, por consequência, menos preparados para a futura vida pessoal, social e profissional.

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Em nível universitário, contudo, a questão assume maior com- plexidade, devendo haver tratamento prioritário nas instituições de ensino, especialmente nas públicas, considerando a ampla gama de interesses (públicos) envolvidos. Isso porque, no ensino superior, está formando-se tecnicamente as pessoas que, em um futuro pró- ximo, irão atuar nas profissões das mais diversas áreas, como saúde, engenharias e ciências humanas e sociais. Nesse sentido, a formação de profissionais éticos é um dos pilares do nível superior de ensino, não podendo ser tolerada qualquer forma de má conduta por parte dos acadêmicos que, em breve, estarão tomando decisões profissio- nais que afetarão diretamente toda a sociedade.

Diferentemente do ensino básico, o ensino superior é um am- biente altamente competitivo, que se inicia com a disputa por vagas no vestibular, passando pelo recebimento de prêmios por mérito acadêmico, seleção para vagas de estágio e bolsas de pesquisa, mes- trado, doutorado, intercâmbios, entre outras formas de seleção ba- seadas no mérito acadêmico.

Nesse sentido, a fraude em avaliações universitárias, muito mais que mero autoengano de quem a comete, importa em preju- ízo daqueles que optaram seguir pelo caminho da integridade aca- dêmica, caminho este muitas vezes mais árduo do que o da fraude. Em casos extremos, pode afetar até concursos a cargos públicos, nos quais uma titulação de pós-graduação, obtida de forma fraudulenta, pode influenciar na pontuação final e definir o candidato aprovado. Os processos de avaliação acadêmica são constantes no meio uni- versitário, e os níveis de exigência são proporcionais aos do título ou mérito alcançado. As avaliações também são baseadas em sistemas objetivos, ou com alto grau de objetividade, e em conjuntos de re- gras específicas e previamente definidas. Ou seja, são normas comuns a todos, sem exceções. Também são normas obrigatórias, não sendo aceitas alegações de desconhecimento como forma de escusa ao seu cumprimento. Não é por acaso que disciplinas de metodologia da pes-

Capítulo 9 - O Papel da Biblioteca Universitária no Combate ao Plágio e a Má Conduta em Pesquisa

quisa são ministradas já nas primeiras fases dos cursos de graduação. Considerando a ampliação das formas de plágio e má conduta em razão dos novos aparatos tecnológicos, a questão assume relevância na pauta de gestores universitários, não apenas docentes como tam- bém outros profissionais, em especial de bibliotecários. Isso porque o padrão dos sistemas de avaliação para obtenção e créditos, titulações e outros benefícios reside, na maioria das vezes, na produção e entrega de trabalhos acadêmicos estruturados na forma de documentos escri- tos, tais como artigos, monografias, dissertações e teses.

Logo, o bibliotecário, como profissional da informação, está apto a contribuir com o debate dessa complexa questão, que permeia temas como direito de autor, qualidade do ensino, normalização de trabalhos acadêmicos, ética em pesquisa e integridade acadêmica.

Além disso, a Biblioteca Universitária é um espaço democrático e multidisciplinar, essencialmente dedicado à guarda, à produção e à disseminação de conhecimento. É, portanto, um ambiente propício para reunir profissionais de diversas áreas visando a tratar de um problema com tantas peculiaridades.

Especificamente na Biblioteca Universitária da Universidade Fe- deral de Santa Catarina (BU/UFSC), fomos além de uma participação coadjuvante no trato com essas questões e decidiu-se propor a reali- zação de uma comissão multidisciplinar, com a participação de repre- sentantes de diversos setores que possuem relação com a temática.

Nesse sentido, este capítulo tem por finalidade descrever a atu- ação da BU/UFSC no combate ao plágio e à má conduta acadêmica, em especial descrevendo as atividades realizadas no âmbito da co- missão de trabalho criada para esse fim. As reuniões iniciaram-se em meados de 2018 com a finalidade de: elaborar diretrizes para identificação de casos; definir procedimentos para apuração de sus- peitas e verificação do nível de ocorrência; recomendar categorias de punições para os casos comprovados; produzir material para a conscientização da comunidade acadêmica.

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Considerando que os trabalhos ainda estão em fase inicial, tra- ta-se de uma introdução ao tema e descrição da estrutura de funcio- namento da comissão. Além de breve revisão de literatura, a experi- ência profissional dos autores em gestão de bibliotecas e de docência em Ciência da Informação também subsidia a narrativa. Visa, por- tanto, a abrir um espaço de discussão desse assunto por parte de bi- bliotecários e outros profissionais da informação e incentivar outras bibliotecas universitárias a participarem de ações visando a coibir es- sas práticas nefastas nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras.

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O conceito geral de plágio, relacionado à “apropriação indevida de obra ou conteúdo alheio que é apresentado como sendo próprio” é bastante conhecido, havendo inúmeros casos registrados na música, no cinema, na literatura e na indústria. Com o advento da imprensa e, principalmente da internet, o plágio de obras escritas foi impulsionado pelo aumento na quantidade de documentos disponível e pela diversi- ficação das formas de reprodução indevida (KROKOSCZ, 2014, p. 14).

De modo geral, o plágio atinge, de forma mais evidente, a figura do autor da obra original, que é privado do exercício de seu direito autoral, tanto sob o aspecto moral, de ser reconhecido como autor, quanto sob o aspecto patrimonial, relativo aos frutos decorrentes da possível comercialização da obra plagiada (KROKOSCZ, 2014). Logo, é recorrente na literatura a identificação do plágio1 como um

delito de natureza patrimonial, como a apropriação indébita ou mes- mo uma espécie de “furto” da obra alheia (BOWERS, 1994) e tam- bém como um ato de fraude (FISHMAN, 2009).

1 O próprio termo “plágio”, que deriva do latim “plagium”, significa apropriação indevida de coisa alheia (KROKOSCZ, 2014).

Capítulo 9 - O Papel da Biblioteca Universitária no Combate ao Plágio e a Má Conduta em Pesquisa

Embora haja semelhanças, o plágio acadêmico não pode ser sempre considerado como furto (de obra), como fraude ou ofensa a leis de copyright, devendo possuir uma definição baseada em ele- mentos próprios. Isso porque há inúmeras situações que configuram plágio, mas não se enquadram nas definições legais de roubo, fraude e violação de direitos autorais. Por exemplo: se determinada pessoa apresenta como seu um trabalho de terceiro, com o consentimento deste, se está diante de uma hipótese de plágio, mas não de furto ou violação de direito autoral (FISHMAN, 2009; KROKOSCZ, 2014).

Diante dessa diferenciação, a Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo conceitua plágio acadêmico como a

utilização de ideias ou formulações verbais, orais ou escritas de outrem sem dar-lhe por elas, expressa e claramente, o devido crédito, de modo a gerar razoa- velmente a percepção de que sejam ideias ou formu- lações de autoria própria (FUNDAÇÃO DE AMPA- RO A PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014, p. 31).

Em âmbito acadêmico, portanto, o plágio apresenta algumas peculiaridades, considerando que a elaboração e apresentação de tra- balhos escritos, tais como artigos, Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC’s), dissertações e teses constituem-se nas principais formas de avaliação do processo de aprendizagem nos diversos níveis formais do ensino. Diante disso, questões como a falta de habilidade na escrita acadêmica, o desconhecimento das normas de citação e referência, a dimensão do tamanho do conteúdo plagiado e o reconhecimento da intenção do plagiário tornam esse fenômeno mais complexo de ser analisado em âmbito acadêmico, especialmente no ensino superior (KROKOSCZ, 2014).

Sobre a ocorrência de plágio em trabalhos acadêmicos, Pedroza (2017, p. 9) destaca que

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[...] o que se espera de um candidato a um título de graduação ou pós-graduação é que se produza uma pesquisa original, que contribua para o cabedal de co- nhecimento de determinada área do saber. A chave aqui é a originalidade: o pesquisador deve ser capaz de estabelecer o que já se sabe sobre certo assunto e ir além, acrescendo suas próprias conclusões. Se alguém “furta” uma ideia de um cientista, isso não quer dizer que tenha que pagar royalties pela infração; quer dizer que deixou de atribuir ao autor a nominação. Por essas razões, além do aspecto legal, o plágio acadêmico en- volve mais diretamente dois outros aspectos, o ético e o educacional. Sob o aspecto ético, o plágio refere-se à conduta dissimulada do plagi- ário em apresentar obra de terceiro como se sua fosse, como forma de burlar procedimentos de avaliação acadêmica na educação formal ou mesmo na submissão de trabalhos para publicação em periódicos ou eventos (ALVES; CASARIN; FERNANDÉZ-MOLINA, 2016).

Sob o aspecto educacional, o plágio pode indicar a má qualidade do ensino de base, tornando-se um meio de alunos cumprirem com as exigências da escrita acadêmica para as quais não estão intelectu- almente preparados (ALVES; MOURA, 2016). Também pode com- prometer a credibilidade da instituição de ensino em que ocorreu a prática, se ficar comprovado que esta não dispõe de políticas efetivas visando a desestimular e responsabilizar casos.

Diante de um aumento de casos na ciência, tanto em razão do aumento da produção científica quanto da facilidade de acesso e re- produção de conteúdo diante das novas tecnologias, Oliveira (2015) afirma que duas correntes de reações podem ser observadas na co- munidade acadêmica: uma de atuação “moralizadora”, no sentido de coibir e punir casos, e outra de atuação “negacionista”, orientada para minimizar a existência do problema e atenuar punições.

A corrente “moralizadora” consiste no debate institucional acer- ca da integridade em pesquisa, com definição das modalidades de má

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conduta, as formas de apuração de casos e as punições para os respon- sáveis. Além desse viés repressivo, a corrente moralizadora também possui um viés educativo, que inclui a realização de eventos e cursos sobre o tema como forma de alertar sobre as consequências dos atos que atentam contra a integridade acadêmica (OLIVEIRA, 2015).

A corrente “negacionista”, por sua vez, minimiza a dimensão e as consequências desse problema na academia, resistindo a instituir políticas institucionais específicas sob o argumento de que o próprio crivo da ciência é suficiente para filtrar as práticas nefastas, sendo necessário, no máximo, alguns ajustes pontuais em procedimentos de controle (OLIVEIRA, 2015).

Embora não se considere o termo “moralizador” como o mais adequado, acredita-se que o debate institucional visando a assegurar a integridade acadêmica, seja de modo preventivo, por meio de prá- ticas educativas, ou repressivo, por meio de políticas institucionais de apuração e punição, seja o caminho mais acertado para tratar des- sa questão. Não há, outrossim, como defender qualquer intento de negar a existência de desvios éticos nas instituições, tampouco agir de forma tolerante diante das situações evidentes ou comprovadas.

O ato de plagiar varia de acordo com a forma como é realizado. É incontroverso na literatura que o desenvolvimento das tecnologias de comunicação ampliou as possibilidades de acesso e reprodução de conteúdo com a dissimulação de sua verdadeira autoria. Nesse sentido, os tipos mais comuns de plágio acadêmico mencionados na literatura são o direto, o indireto, o mosaico, o consentido ou por terceiro, o plágio de fonte e o autoplágio (KROKOSCZ, 2014; PEDROZA, 2017).

O plágio direto ou integral decorre de uma reprodução literal (KROKOSCZ, 2014), idêntica ou com alto grau de similaridade, do conteúdo de uma obra original. Por reprodução com alto grau de simi- laridade, entende-se como a reprodução de obra, mantendo-se o con- teúdo principal de forma nítida e evidente, realizando-se apenas alte- rações pontuais. É um tipo bastante recorrente de plágio, sobretudo

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em níveis mais elementares de ensino, nos quais, muitas vezes, alunos recorrem à internet para busca de trabalhos “prontos”. Por outro lado, o plágio direto é de mais fácil identificação, considerando que a mera comparação entre os textos original e plagiado confirma o ato furtivo. No caso de plágio de obras originais disponíveis em meio ele- trônico, a detecção torna-se ainda mais fácil, ou por sistemas de bus- ca tradicionais ou por softwares específicos de comparação de textos por similaridade. Em razão da fácil detecção e configuração, o plágio direto não costuma ser muito praticado em nível universitário, so- bretudo nos níveis mais avançados de ensino formal.

No plágio indireto ou por paráfrase ocorre uma reprodução do conteúdo de uma obra original com a substituição de palavras, termos ou expressões por sinônimos, mas mantendo-se o significado da obra clandestinamente reproduzida. Trata-se, portanto, de uma forma de paráfrase sem a devida atribuição da autoria (KROKOSCZ, 2014).

No plágio mosaico, há uma mescla de reproduções, sejam di- retas ou indiretas, de fragmentos de uma ou mais obras originais (KROKOSCZ, 2014). Este é um dos tipos mais recorrentes no ensi- no superior, considerando que sua forma de elaboração confunde-se com o próprio padrão de escrita de revisões de literatura. Contudo, nesse caso, a não observância das normas de citação e referência é que caracterizam o plágio mosaico.

No plágio consentido (KROKOSCZ, 2014) ou por terceiro, ocorre a apresentação de obra integral de terceiro como se própria fosse, com ou sem o consentimento do autor original. É mais comum em situação de entrega de trabalhos menores (papers, resenhas) de disciplinas, em que não houve a publicação do trabalho original. As- sim, ocorre uma espécie de reaproveitamento de trabalho alheio em benefício do plagiador.

Outro tipo comum é o plágio de fontes, ou seja, a reprodução de citações e referências de uma obra original, sem que o plagiário tenha tido acesso a esta (KROKOSCZ, 2014). Trata-se de uma espécie de

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atalho ao trabalho de pesquisa e revisão bibliográfica, no qual o plagi- ário utiliza-se dos resultados do esforço de terceiro para melhor em- basar trabalho próprio. Nesse caso, embora tenha havido observância às normas de citação e referência, estas foram também objeto de plá- gio, pois são parte de conteúdo elaborado pelo autor da obra original.

O autoplágio, como o próprio nome indica, é a reprodução de conteúdo já tenha sido publicado pelo próprio autor. Embora seja uma conduta que pareça de menor gravidade diante das condutas já mencionadas, se trata de uma prática não recomendada por editores de periódicos científicos. Nesse sentido, o Committee on Publica- tion Ethics (COPE) (2015) inclui o autoplágio, bem como a redun- dância de conteúdo como tipos de má conduta em pesquisa que me- recem reprovação no processo de avaliação de artigos submetidos a periódicos científicos.

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Além do plágio, existem outras condutas praticadas por pesquisado- res, discentes e docentes, que atentam contra a ética acadêmica e que, se não combatidas, podem afetar a credibilidade de uma instituição de ensino. Considerando a similaridade entre o plágio e essas práticas consideradas como más condutas acadêmicas, essas questões podem ser tratadas conjuntamente no escopo de trabalho dos encarregados de estabelecer políticas institucionais de integridade acadêmica.

Visando a instituir procedimentos de apuração na avaliação de artigos submetidos a periódicos científicos, o COPE (2015) publi- cou um guia para atuação de editores em casos de suspeita de má conduta. Segundo o COPE, má conduta inclui as práticas de fabri- cação ou manipulação de dados de pesquisa, inclusão ou exclusão indevida de autoria em trabalhos, omissão de conflitos de interesse na publicação de resultados de pesquisa, bem como outras condutas

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gerais contrárias à ética em pesquisa com seres humanos ou animais (COMMITTEE ON PUBLICATION ETHICS, 2015).

Segundo Oliveira (2015, p. 868), no entanto, a expressão “má conduta” (misconduct) é utilizada para designação de “modalidades de violações de normas que regulam as práticas científicas”, relacio- nando-se com a ética científica ou integridade em pesquisa. Difere, portanto, das práticas de pesquisa que atentam contra integridade de seres humanos ou animais, as quais se relacionam com a bioética. A fabricação ou manipulação de dados consiste no ato de inven- tar ou alterar indevidamente dados (quantitativos ou qualitativos) para fins de obtenção de resultados não alcançados segundo a técni- ca de coleta inicialmente prevista (OLIVEIRA, 2015). Trata-se, por- tanto, de uma prática consciente e deliberada com vistas a fraudar um dos elementos mais importantes de um trabalho: os resultados alcançados. Também pode estar relacionada à manipulação exces- siva de imagens, de modo a alterar a realidade a qual esta visava a representar (PARRISH; NOONAN, 2009).

Há relatos de casos e a preocupação com as consequências de práticas dessa natureza em diversas áreas do conhecimento, como na Psicologia (SIMONSOHN, 2013), nas Ciências Econômicas (WI- BLE, 2016), na Enfermagem (WARD-SMITH, 2016) e até mesmo na Oncologia (SCHRAUB; AYED, 2010). Normalmente, tais práti- cas referem-se à excessiva manipulação de dados quantitativos no processo de tratamento estatístico de pesquisas.

Esse tipo de má conduta pode ser praticado, basicamente, de duas formas. A primeira, que pode ser chamada de fabricação de dados, parte de uma impossibilidade ou incapacidade do acadêmi- co em obter os dados segundo a metodologia previamente definida, seja por motivos técnicos, como problemas com softwares de coleta, ausência de resposta em questionários de pesquisa ou, ainda, falta de tempo hábil para coleta. A partir dessa limitação, o acadêmico fa- brica dados artificialmente, que muito provavelmente não irão cor-

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responder com a realidade do fenômeno estudado. De forma seme- lhante, a segunda forma consiste na manipulação de dados, isto é, a prática de alterar excessiva e artificialmente dados de pesquisa, com vistas a obter resultado diverso do inicialmente obtido (FUNDA- ÇÃO DE AMPARO A PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO, 2014; WIBLE, 2016).

Mais frequente na submissão de artigos a periódicos científicos ou eventos, a indicação indevida de autoria é a inclusão ou exclusão de terceiro na lista de coautoria de um trabalho pelo autor principal. Na inclusão indevida de autor, o terceiro passa a constar no rol de autores sem que tenha havido qualquer colaboração deste na elabo- ração do trabalho. Essa inclusão pode decorrer de inúmeros fatores, como troca de favores entre autor e terceiro, ou ainda pode visar ao incremento do currículo dos autores, quando o coautor indevida- mente incluído possua titulação superior ou renome na área do tra- balho (autor horrífico). Por outro lado, a exclusão indevida de au- toria decorre da omissão de pessoa que deveria figurar como autor em razão da participação de alguma etapa essencial da pesquisa, mas que, por determinado motivo, é omitida da lista pelo autor principal ou demais coautores (DÍAZ-CAMPO; SEGADO-BOJ, 2017).

A omissão de conflito de interesses pode decorrer da ocultação

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