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4.4 DAS ANÁLISES PRIORI E POSTERIOR À VALIDAÇÃO

4.4.3 Fórum - Acessibilidade x Desenho Universal

O fórum ―Acessibilidade x Desenho Universal‖ estabelece as discussões que envolviam a diferenciação entre a acessibilidade ambiental e o Desenho Universal a partir da análise de uma ilustração residencial 3D. Conceitualmente, os termos são premissas projetuais distintas, embora sejam entendidas de forma similar, tendo em vista que ambos possuem o mesmo objetivo: proporcionar espaços e produtos com foco no ser humano‖, como é apresentado no capítulo ―2.1 Desenho Universal‘ do curso de extensão.

Na atividade, foi exposta a seguinte consideração: ―Em análise às imagens abaixo, conclui-se que há acessibilidade em ambas. Em que as imagens se diferem? O que essas diferenciações implicam ao usuário?‖

62 Figura 6 - Ilustração de residência acessível disponibilizada no fórum ―Acessibilidade

x Desenho Universal‖

Fonte: Dornelles (2014).

Figura 7 - Ilustração de residência desenvolvida a partir do DU, disponibilizada no fórum ―Acessibilidade x Desenho Universal‖

Fonte: Dornelles (2014).

Quadro 7 - Análise a priori e a análise a posteriori do fórum ―Acessibilidade x Desenho Universal‖

Análise a priori Análise a posteriori

Na realização deste fórum, era previsto que os alunos não encontrariam dificuldades de reafirmar a presença da acessibilidade nas respectivas imagens.

De maneira geral, os alunos reafirmaram a existência de acessibilidade nas propostas arquitetônicas, a partir da inserção de rampas de acesso nas duas imagens.

Esperávamos que os alunos conseguissem analisar o elemento arquitetônico inclusivo pelas configurações do desenho, refletindo sobre as implicações que cada proposta arquitetônica submeteria ao usuário em destaque.

Em unanimidade, os alunos promoveram discussões sobre o elemento arquitetônico inclusivo a partir das suas disposições nas residências (nas fachadas lateral e frontal) e as suas implicações para o usuário.

Esperávamos que os alunos justificassem as diferenciações dos projetos arquitetônicos a partir dos conceitos de acessibilidade e de exposição: ―[..] na minha opinião, o primeiro não se enquadra como um projeto universal, visto que a

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rampa se encontra à parte da edificação‖. Embora haja uma aproximação, os argumentos apresentados não sustentam a afirmação, configurando-se uma resposta genérica.

Esperávamos que os alunos relacionassem os princípios do Desenho Universal como argumentos para a diferenciação das propostas arquitetônicas.

Apenas um aluno analisou as imagens a partir do Desenho Universal, confrontando as soluções arquitetônicas em desacordo com os princípios do

―esforço físico mínimo‖ e do ―uso equitativo‖.

Fonte: Elaborado pela autora (2021).

É notório que os alunos foram unânimes em reafirmar a existência da acessibilidade nas duas imagens, ao destacarem a presença de rampas de acesso. Em uma análise comparativa entre as imagens, foram ressaltadas as disposições do elemento arquitetônico de acessibilidade vertical a partir de uma mesma proposta arquitetônica; tendo na primeira imagem uma rampa linear que define o acesso da pessoa em cadeira de rodas à lateral da residência, estando em desacordo com o princípio de uso equitativo. Em contrapartida, na segunda imagem, é garantido o acesso de qualquer usuário em condições de igualdade à entrada principal frontal, a partir de uma rampa em formato ―U‖.

Nessa perspectiva, as discussões voltaram-se às questões que tangenciam à inclusão social, considerando que projetos arquitetônicos desenvolvidos com acessos unicamente laterais são excludentes. Sob o olhar da pessoa em cadeira de rodas, no geral, os alunos demonstraram reações que desaprovavam as limitações impostas pela rampa lateral, em que o usuário não se sentiria confortável em acessar a residência por locais não privilegiados, como observado nas considerações do aluno G.

Ambos os projetos são acessíveis por uma rampa.

O da imagem 1 apresenta acessibilidade lateral secundária, não sendo frontal principal, sendo mais inclusiva e de melhor adapto na visão geral da obra. Ela dá a entender que todos tem os mesmos direitos de entrar pela porta principal. Ainda assim, não ter uma entrada acessível pela porta lateral

também, me incomoda um pouco.

Algumas considerações:

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Em um projeto residencial inclusivo, o projeto da imagem 2 parece ser uma solução até tolerável pelo usuário, mas acredito que o morador goste d usar todas e quaisquer entradas para a casa, então seria melhor se houvessem rampas em ambas portas para o exterior da casa; o mesmo ocorre para projetos públicos inclusivos, a acessibilidade ambiental tem que ser incluído em todos os acessos, pois não tem lógica uma pcd acessar a sua própria residência ou um estabelecimento comercial usando apenas entradas laterais ou dos fundos. (Aluno G)

Estas constatações convergem com as discussões de Dorneles (2014, p. 27), que evidenciam que ―um projeto concebido com a filosofia do desenho universal sempre será acessível, entretanto, nem todo desenho acessível pode ser considerado um projeto universal‖ e ―espaços concebidos de acordo com a filosofia do desenho universal permitem a inclusão e a não segregação, e possibilitam criar uma sociedade mais justa‖.

Alguns alunos refletiram sobre a qualidade arquitetônica das propostas, referenciando-se no texto do capítulo ―2.1 Desenho Universal‖, em que afirmam que, na primeira imagem, o desenho projetual do elemento arquitetônico de acessibilidade não tenha sido elaborado de maneira eficiente, a partir das especificidades e das implicações das soluções projetuais ao usuário.

Ambas as imagens possuem acessibilidade para pessoas com deficiência, por possuírem rampas de acesso, porém na primeira imagem, esse acesso é pela elevação lateral, já na segunda imagem é por meio da elevação frontal. A rampa de acesso na segunda imagem é melhor projetada pois o morador da residência ou visita não gostaria de entrar toda vez pelos fundos e ter que atravessar a casa toda pra chegar na sala por exemplo, sendo visualmente melhor o projeto também. Já em relação a primeira imagem, é importante destacar que a acessibilidade dessa casa não foi algo muito bem planejado, exatamente porque a pessoa que quiser entrar em algum cômodo específico teria que dar a volta na casa toda dependendo da situação, fora a distância que é maior em relação a rampa da imagem 2.

(Aluno J)

Nessa perspectiva, Dorneles (2014) ressalta que:

[...] para que os espaços permitam igualdade de uso e participação de todos, é necessário que os profissionais da área de projeto possuam conhecimento técnico e competência para projetar atendendo às necessidades espaciais de todas as pessoas. O desenvolvimento dessa competência deve ser realizado nas universidades durante a formação profissional dos alunos. Entretanto, o ensino de desenho universal ainda constitui um desafio a professores de diferentes áreas no Brasil, como:

design, Arquitetura, urbanismo, paisagismo e tecnologia de informação, principalmente por se tratar de uma temática relativamente nova (DORNELES, 2014, p. 28).

65 Em oposição ao que foi definido a priori, os alunos não associaram os conceitos de acessibilidade e de Desenho Universal à diferenciação das propostas. Atribuímos essa constatação à ausência da percepção da filosofia inserida no desenvolvimento arquitetônico associada aos elementos construtivos. Com isso, é esperado que a consolidação das concepções do Desenho Universal como diretrizes projetuais sejam assimiladas com maior eficiência a partir da imersão no Estudo Referencial - Residência Unifamiliar Inclusiva, que corroboram as soluções do desenho inclusivo, conferindo-as aos princípios do conceito de Ron Mace.

Elucidando os conceitos fundamentais e a aplicabilidade dos princípios conforme os parâmetros técnicos, o Estudo Referencial vai de encontro ao exposto por Dorneles (2014), quando a autora menciona ser fator limitante da compreensão sobre projetos acessíveis a falta de explicações de conceitos fundamentais na NBR 9050.

A falta de uma explicação sobre as origens dos seus parâmetros dificulta a interpretação das razões para aplicação de seus direcionamentos, obrigando os projetistas a replicar as soluções apresentadas e limitando a criação de projetos mais interessantes, a partir das necessidades espaciais dos usuários DORNELES, 2014, p. 30).

Evidenciamos uma única percepção equivocada, na qual a análise das imagens se dá a partir da avaliação de composições estéticas, estabelecendo argumentos incoerentes que se distanciam dos objetivos do fórum de discussão. Há menções errôneas dos princípios do Desenho Universal em associação à primeira imagem e à falta de planejamento à segunda imagem, além de uma consideração que sugere ser mais convidativa a rampa em desacordo com o Desenho Universal, considerando os aspectos visuais e de incorporação à volumetria.

Somente um aluno realizou a análise abordando as configurações espaciais em relação aos deslocamentos do usuário em cadeira de rodas e a inclusão social, em desacordo a dois dos princípios do Desenho Universal. Complementar às respostas, alguns alunos sugeriram que todos os acessos externos à residência deveriam ser constituídos de rampas de acessibilidade, conferindo aos usuários autonomia, conforto e menores percursos pela disponibilização de diferentes acessos.

Em ambos os exemplos, há a acessibilidade, porém na primeira imagem a rampa exige do cadeirante ou uma pessoa com dificuldades locomotivas percorrerem um percurso maior para poder entrar pela porta da frente, além de permitir a segregação de usuários, o que vai em desacordo com os

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princípios 6 (esforço físico mínimo) e 1 (uso equitativo) do Desenho universal, já a segunda casa está mais de acordo com esses princípios, embora o projeto pudesse ser melhorado ao inserir uma rampa que possibilite rápido acesso a porta dos fundos. (Aluno L)