Em maio de 2011 por ocasião da 9° reunião realizada na ABIPLAST, foi
possível realizar a primeira observação participante no Fórum e nas discussões
do GT-RH. Naquela ocasião observamos que os participantes dos grupos tinham
frequência flutuante, somente a parte da coordenação e poucos participantes
possuíam participação ativa em todas as atividades do Fórum. No entanto, o
espaço de discussão tinha palavra aberta a qualquer pessoa que estivesse
presente na plenária ou nas reuniões de cada grupo.
As informações disponíveis sobre as atividades realizadas pelos grupos
Mercado e Marco Regulatório são bastante escassas para esse evento. No
entanto, um resumo das discussões foi apresentado na plenária aberta ao final
das atividades. O GT-Cooperação Internacional não teve atividades naquele
evento. O Núcleo Empresarial de Nanotecnologias criado após a 7° reunião do
Fórum fez a proposta da realização de um workshop empresarial, aproveitando a
experiência do workshop realizado em 2010 na FIESP. O GT – Mercado teve
como destaque os temas da formação de recursos humanos para a
nanotecnologia e as implicações de um marco regulatório para o mercado. Em
termos de recursos humanos, os participantes destacaram a necessidade da
inclusão de conteúdos de gestão, noções de negócio e mercado na formação
para a nanotecnologia. A qualificação ideal contemplaria não somente os
aspectos técnicos relacionados à tecnologia, mas também, conteúdos que
permitissem a ciência romper a barreira da academia e adquirir contornos de
negócio. Sobre a regulação o grupo destacou a preocupação de implicações para
setores que não estão diretamente envolvidos com atividades de nanotecnologia
e que possam ser afetados negativamente com uma regulamentação que não
seja adequadamente elaborada. Pela perspectiva do tema Marco Regulatório, o
grupo indicou que concentraria as ações na construção de um documento sobre
regulação, em parceria com a ABDI. Representantes da ANVISA sinalizaram o
preparo de uma oficina para subsidiar um curso de capacitação de técnicos.
Naquela reunião, foi possível aprofundar as questões de formação, sendo
identificado que além da formação de profissionais em todos os níveis
educacionais, o trabalhador precisaria de competências específicas vinculadas à
requisitos como capacidade de trabalhar em equipe, os segurança e riscos,
capacidade de comunicação com outras áreas do conhecimento, como know-how
da formação para a nanotecnologia. Outro ponto forte das discussões foi a
necessidade de formação continuada para profissionais em atividade, tanto
técnicos quanto graduados, como medida para evitar possíveis impactos
negativos sobre o emprego. Ao mesmo tempo, a formação continuada produziria
impacto positivo na qualificação de novas gerações de trabalhadores. Do ponto
de vista da formação de áreas de apoio para as atividades de nanotecnologia, a
caracterização de materiais e dispositivos, incluindo os riscos da tecnologia e a
toxicidade de materiais, foram consideradas relevantes para a qualificação
técnica. O último item da pauta foi sobre aos problemas existentes na
infraestrutura, principalmente o acesso aos laboratórios nacionais. O estímulo
para o trabalho de pesquisa, feito nos laboratórios nacionais, foi considerado
importante, uma vez que algumas atividades dependem restritamente da
qualidade da infraestrutura, como por exemplo, a microscopia.
Na 10° reunião realizada em 2011, definiram-se as linhas mestras do
GT-RH, o alinhamento de um segundo workshop e a apresentação do escopo do
estudo de regulação, organizado pela ABDI. O GT-Marco Regulatório
apresentou os tópicos do estudo sobre regulação. A ABDI deveria contratar uma
entidade sem fins lucrativos para elaboração de estudo sobre o marco legal e
normas técnicas65. O foco seria o impacto no desenvolvimento de inovações de
base nanotecnológica pela indústria brasileira, comparando o Brasil com a União
Europeia, MERCOSUL, Canadá, EUA, Rússia, Japão, China, Coréia e Índia. Além
da competitividade que a nanotecnologia poderia trazer a indústria, os itens do
estudo deveriam contemplar a pesquisa, o desenvolvimento, a produção, a
utilização, a reciclagem e o descarte de produtos que utilizam a nanotecnologia,
As linhas mestras, que começaram a ser discutidas na 9° reunião do
Fórum, foram retomadas na 10 ° reunião. Nessa oportunidade o GT- RH definiu
como linhas mestras para as discussões e sugestões do grupo:
65
Até 2013 as publicações da ABDI sobre regulação foram direcionadas para a área da saúde e
estão disponíveis para consulta na página:
I- É necessário formar bons profissionais em todos os níveis em áreas
convencionais e com capacidade de trabalhar em equipe e com segurança.
Deve-se priorizar a boa formação em cursos estabelecidos, pois Nanotecnologia é
fortemente INTERDISCIPLINAR e precisa de competências específicas muito
aprofundadas.
Acrescentar habilidades de comunicação com outras áreas é importante.
II- A formação continuada/permanente de profissionais já em atividade – técnicos
e graduados em atuação – deve ser priorizada como uma das medidas possíveis
para evitar impactos negativos sobre o emprego. Sugere-se também o apoio aos
profissionais de ensino para que incluam nas suas aulas os conceitos de
nanociência e Nanotecnologia e assim produzam impacto positivo na formação de
novas gerações.
III- A caracterização de materiais e dispositivos de uma forma ampla, e inclusive
em gestão de riscos e toxicidade, é uma área onde formação de RH é fundamental
para apoio às atividades da nanotecnologia.
IV- Existem problemas de acesso à infraestrutura que precisam ser enfrentados.
Estimular trabalhar em forma de laboratórios nacionais é importante. Por exemplo,
bons microscopistas devem ter acesso a bons microscópios (MCTI&MDIC, 2013).
Apesar da elaboração das linhas mestras observamos que não havia
articulação com entidades que pudessem colocar essas metas em prática, uma
vez que o Fórum tinha caráter consultivo e pouca mobilidade para ação em
termos de formação de recursos humanos. Além dos aspectos da qualificação,
naquela reunião a pauta do grupo direcionou-se para a definição de para quais
setores industriais deveriam ser direcionar os esforços de formação para a
nanotecnologia. Foram identificados dois grandes grupos industriais: o primeiro
composto por aqueles setores que já demandavam trabalhadores para atuar com
atividades de nanotecnologia, ou seja, de alguma forma já haviam iniciado
atividades de pesquisa e produção e o segundo grande grupo, composto por
setores ainda sem demanda, mas com potencial necessidade para um futuro
próximo.
No segundo grupo foram elencados setores que mesmo não necessitando
explicitamente de trabalhadores naquele momento, deveriam ser estimulados a
desenvolver a nanotecnologia em função dos benefícios, segundo alguns dos
participantes, que poderiam colher em termos de competitividade e do interesse
do país. No primeiro grupo ficaram a principio os setores de
inclusão de novos setores conforme a identificação de necessidade. E Materiais,
Energia, Saúde, Ambiental, Química, Petroquímica, Têxtil e Alimentos /
Embalagens como aqueles em processo de expansão de atividades e de
necessidade de estímulo para desenvolvimento da tecnologia.
Naquela reunião ficou definida a realização de um novo workshop, previsto
para ser realizado na unidade do SENAI de São Bernardo do Campo (SENAI
Mario Amato). O workshop seria organizado de modo a integrar as demandas do
setor industrial com as competências dos Institutos Nacionais de Ciência e
Tecnologia (INCT) que tivessem foco em nanotecnologia. Além de representantes
dos INCTs seriam convidados cinco entidades empresariais para realizar
apresentações no workshop: Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de
Confecção (ABIT), Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM),
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA),
Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) e Associação
Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). O workshop foi realizado, com
as entidades convidadas e também com uma apresentação da FINEP.
Identificando as necessidades do grupo e os objetivos de pesquisa desta
tese, sugerimos que fosse realizado um diagnóstico da demanda de qualificação
em nanotecnologia por parte do setor industrial. A questão orientadora do trabalho
foi: qual é o perfil profissional desejado nos diversos níveis educacionais? A
proposta teve acolhida na coordenação do Fórum e em colaboração com a
coordenadora do GT, Dra Glaura Goulart Silva, foi elaborado um questionário a
ser distribuído aos participantes do próximo Workshop, realizado em novembro
daquele ano66, que teve um foco bastante empresarial.
No documento
QUE COMPETÊNCIAS SÃO NECESSÁRIAS PARA TRABALHAR EM NANOTECNOLOGIA? A DEMANDA DAS EMPRESAS E A OFERTA
(páginas 111-115)