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7. E STRUTURA ORIGINÁRIA DAS L EGIS A CTIONES E B IPARTIÇÃO

7.3. L EGIS ACTIO PER MANUS INIECTIONEM

7.3.1. F ONTES P RINCIPAIS

Da mesma forma que o sacramentum, as principais fontes 391 de que dispomos provêm das Institutas de Gaio e são integrados com algumas fontes literárias.

Vejamos, pois, os textos principais:

387 M.K

ASER, Ursprung cit. (nota 217 supra), pp. 114-115. Na Lei das XII Tábuas, há duas referências a tres

arbitri: uma na ação divisória (7.5) e outra na vindicia falsa (12.3), incumbindo ao arbiter nesse último caso

a estimativa do valor. Lex XII Tab 12.3: [prae]tor arbitros tris dato, eorum arbitrio... fructus duplione

damnum decidito.

388

Prob. 4.10: arbitrium liti aestimandi.

389

Vide nota 387 supra. Vindicia falsa ocorria se a parte de um processo, que recebesse do pretor a posse temporária da coisa litigiosa, perdesse a causa. Ela teria que restituir ao adversário a própria coisa e o dobro dos frutos.

390 M.K

ASER, Ursprung cit. (nota 217 supra), pp.115-116.

391

Nossa denominação fontes principais não implica um pré-juízo valorativo na apreciação das fontes em seu conjunto, mas tão somente o reconhecimento de que provêm de um relato ordenado do manual jurídico de Gaio.

G.4.21: Per manum iniectionem aeque <de> his rebus agebatur, de quibus ut ita ageretur, lege aliqua cautum est, uelut iudicati lege XII tabularum, quae actio talis erat: qui agebat, sic dicebat: QUOD TU MIHI IUDICATUS SIUE

DAMNATUS ES SESTERTIUM X MILIA, QUANDOQUE (?) NON SOLUISTI, OB EAM REM EGO TIBI SESTERTIUM X MILIUM IUDICATI MANUM INICIO, et simul aliquam partem

corporis eius prendebat; nec licebat iudicato manum sibi depellere et pro se lege agere, sed uindicem dabat, qui pro se causam agere solebat, qui uindicem non dabat, domum ducebatur ab actore et uinciebatur.

G.4.21: Agia-se, igualmente, por manus iniectio nos casos em que uma lei assim tivesse determinado, por exemplo na coisa julgada, conforme a Lei das XII Tábuas. Essa ação era da seguinte forma: Aquele, que processava, assim dizia: COMO FOSTE CONDENADO OU OBRIGADO A PAGAR-ME DEZ MIL SESTÉRCIOS E JÁ QUE NÃO CUMPRISTE, LANÇO A MÃO SOBRE TI POR CAUSA DA CONDENAÇÃO DE DEZ MIL SESTÉRCIOS, e simultaneamente pegava alguma parte de seu corpo. Não

era permitido ao condenado repelir a mão sobre si e agir por si só, mas sim nomear um vindex (garante), que costumava atuar na causa em seu lugar. Quem não nomeava o vindex (garante), era conduzido para casa pelo autor e preso.

G.4.22: Postea quaedam leges ex aliis quibusdam causis pro iudicato manus iniectionem in quosdam dederunt: sicut lex Publilia in eum, pro quo sponsor dependisset, si in sex mensibus proximis, quam pro eo depensum esset, non soluisset sponsori pecuniam; item lex Furia de sponsu aduersus eum, qui a sponsore plus quam uirilem partem exegisset, et denique conplures aliae leges in multis causis talem actionem dederunt.

G.4.22: posteriormente, algumas leis garantiram, em outros casos, manus iniectio contra algumas pessoas, como se tivessem sido condenadas, como por exemplo a lei Publília contra aquele em favor do qual o sponsor (fiador) tivesse realizado pagamento, se nos próximos seis meses depois de ter sido pago, não restituísse o dinheiro ao sponsor. Igualmente a lei Fúria de sponsu contra aquele, que exigisse do sponsor mais do que sua parte e finalmente muitas outras leis concederam tal ação em vários casos.

G.4.23: Sed aliae leges ex quibusdam causis constituerunt quasdam actiones per manus iniectionem, sed puram, id est non pro iudicato, uelut lex <Furia> testamentaria aduersus eum, qui legatorum nomine mortisue causa plus M assibus cepisset, cum ea lege non esset exceptus, ut ei plus capere liceret; item lex Marcia aduersus faeneratores, ut si usuras exegissent, de his reddendis per manus iniectionem cum eis ageretur.

G.4.23: Mas outras leis estabeleceram, em vários casos, ações por manus iniectio, mas pura, isto é, não como se fosse condenado, como por exemplo a lei <Fúria> testamentária contra aquele, que tivesse adquirido mais de mil asses em razão de legado ou mortis causa, desde que ele não fosse excepcionado por essa lei para que pudesse receber mais. Igualmente a lei Márcia contra os usurários, que tivessem exigido os juros, por meio da qual se podia agir por manus iniectio em face deles para restituição desses juros.

G.4.24: Ex quibus legibus et si quae aliae similes essent, cum agebatur, <reo licebat> manum sibi depellere et pro se lege agere, nam et actor in ipsa legis actione non adiciebat hoc uerbum PRO IUDICATO, sed nominata

causa, ex qua agebat, ita dicebat: OB EAM REM EGO TIBI MANUM INICIO; cum hi, quibus pro iudicato actio data erat, nominata causa, ex qua agebant, ita inferebant: OB EAM REM EGO TIBI PRO IUDICATO MANUM INICIO. nec me praeterit in forma legis Furiae testamentariae PRO IUDICATO uerbum inseri, cum in ipsa lege non sit; quod uidetur [] nulla ratione factum.

G.4.24: Por meio dessas leis e eventualmente de outras similares, <era lícito ao réu>, quando processado, repelir a mão de si e defender-se por si mesmo. Pois também o autor não acrescentava a expressão como se tivesses sido condenado (pro iudicato), mas sim nomeava a causa da demanda e dizia: POR ISSO, COLOCO A MÃO SOBRE TI,ao passo que aqueles, aos quais era garantida a

ação pro iudicato, nomeavam a causa da demanda e assim a propunham: POR ISSO, COLOCO A MÃO SOBRE TI PRO IUDICATO (como se tivesses sido condenado).

Não me escapa que, na fórmula da lex Furia sobre testamento, a expressão PRO IUDICATO fosse inserida, embora não conste na própria lei. Isso parece ter

G.4.25: Sed postea lege Uallia, excepto iudicato et eo pro quo depensum est, ceteris omnibus, cum quibus per manus iniectionem agebatur, permissum est sibi manum depellere et pro se agere, itaque iudicatus et is, pro quo depensum est, etiam post hanc legem uindicem dare debebant et nisi darent, domum ducebantur. Idque quamdiu legis actiones in usu erant, semper ita obseruabatur; unde nostris temporibus is, cum quo iudicati depensiue agitur, iudicatum solui satisdare cogitur.

G.4.25: mas posteriormente, pela lei Vália, exceto o condenado e aquele para o qual o fiador pagou a dívida, a todos aqueles processados por meio da manus iniectio, foi-lhes permitido repelir a mão de si e agirem por si mesmos. Assim, mesmo depois dessa lei, o condenado e aquele para o qual o fiador pagou a dívida eram obrigados a nomear um vindex (garante) e eram conduzidos para casa se não o fizessem. E isso sempre era observado, enquando as ações da lei estavam em uso. Por isso que, em nossos dias, aquele que é processado por causa de uma ação iudicati (de coisa julgada) ou depensi (de pagamento pelo fiador) é obrigado a dar garantia para o pagamento da condenação.