• Nenhum resultado encontrado

F ORMAÇÕES I DEAIS

No documento O individuo em Marx (páginas 156-200)

As representações são as formas da consciência dos homens – e nesta condição formam parte do conteúdo da consciência individual – que tomam diversas formas objetivas e exteriores aos indivíduos (diferentes da consciência meramente subjetiva, portanto). A natureza é apropriada e reproduzida pelo homem “em parte como objetos da ciência natural, em parte como objetos da arte”439, portanto, isto indica que as representações por mais que sejam de naturezas distintas

remetem sempre a uma mesma realidade. Relativamente às representações e os indivíduos, deve- se considerar sobretudo a prioridade do ser sobre o pensamento, que remete diretamente ao indivíduo empírico, isto é, às condições objetivas que determinam as representações dos indivíduos sobre suas relações, sobre a sociedade, sobre si mesmos. Discutiremos aspectos de algumas representações importantes tais como a arte, a ciência, a religião, a moral, a política, o direito.

Marx adverte que considerar as verdadeiras relações práticas dos homens como advindas das representações que eles fazem destas relações e de si mesmos é como pressupor, “fora do espírito de indivíduos reais, materialmente condicionados, um outro espírito à parte”440, alheio aos

indivíduos vivos e ativos. Ao contrário, apenas quando se parte de homens ativos e de seu processo de vida, da ação dos indivíduos de cada época, que se torna possível expor também “seus reflexos ideológicos” e os “ecos desse processo de vida”.

A vida que determina a consciência é a vida de indivíduos reais, a consciência é unicamente a consciência desses indivíduos vivos; e o conteúdo de sua consciência é determinado pelo conjunto destas relações. Desta forma, ao considerarmos que o que os homens produzem e o modo como produzem constitui o que os homens realmente são, chegamos às representações que os indivíduos elaboram como sendo sempre e necessariamente sobre suas relações com a natureza, com os outros homens e sobre si mesmos enquanto homens; representações que podem ser reais ou ilusórias, mas que acabam sempre por refletir o caráter social das mesmas, posto que a forma fundamental da atividade dos indivíduos “é, naturalmente, material, e dela dependem todas as outras formas: a espiritual, a política, a religiosa etc.”441. Neste mesmo sentido, Marx

comenta que “o trabalhador que compra batatas e a concubina que adquire rendas prendem-se às 439 Cf. M44, p.84.

440 IA-I, p.74. 441 IA-I, p.111.

suas respectivas opiniões, não há dúvida. Mas a diversidade de suas opiniões se explica pela diferença de posição que ocupam no mundo, e essa diferença de posição é produto da organização social”442.

E pergunta: “Que prova a história das idéias senão que a produção espiritual se reconfigura com a da material? As idéias dominantes de um tempo foram sempre apenas as idéias da classe dominante. Quando o mundo antigo estava em declínio, as religiões antigas foram vencidas pela religião cristã. Quando as idéias cristãs sucumbiram, no século XVIII, às idéias das Luzes, a sociedade feudal travava a sua luta de morte com a burguesia então revolucionária. As idéias de liberdade de consciência e de religião exprimiam apenas, no domínio do saber [Wissen], a dominação da livre concorrência. 'Mas', dirão, 'as idéias religiosas, morais, filosóficas, políticas, jurídicas, etc., modificaram-se certamente no decurso do desenvolvimento histórico. A religião, a moral, a filosofia, a política, o direito, mantiveram-se sempre nesta mudança”443. Para Marx, a

reprodução destas formas de consciência é a prova de que a história inteira foi a história da luta de classes. E tal como a produção material, também a produção espiritual se universaliza com as relações capitalistas, de forma que “os artigos espirituais das nações singulares tornam-se bem comum. A unilateralidade e estreiteza nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis, e das muitas literaturas nacionais e locais forma-se uma literatura mundial”444.

Discutindo com Stirner, Marx afirma que um exemplo de “canonização do mundo” em sua obra é a transformação dos conflitos práticos dos indivíduos com suas condições de vida em conflitos de idéias. Da mesma forma que autonomiza os pensamentos em relação aos indivíduos, separa “o reflexo ideal dos conflitos reais destes mesmos conflitos, tornando esse reflexo autônomo”445. As contradições reais, que são as do indivíduo, se transformam em contradições do

indivíduo com sua representação (representação que é do indivíduo de acordo com a condição material em que é formada). Marx esclarece que Stirner separa o indivíduo do seu próprio pensamento e de sua própria representação, após esse procedimento, exorta os homens a

renunciar à idéia de conflito. A partir do momento em que transforma todos os conflitos e

contradições do indivíduo em contradições e conflitos do indivíduo com uma de suas 442 MF, p.41.

443 MPC-I. 444 MPC-I.

representações, o próximo passo (um truque que Marx denomina de bluff lógico) é o indivíduo abstrair desta representação, num “dos mais sublimes esforços do egoísta”, nas palavras de Stirner. Marx mostra que a partir de então “é fácil considerar secundários, deste modo, na perspectiva egoísta, todos os conflitos e todos os movimentos históricos eventuais sem deles nada se conhecer, extraindo simplesmente algumas das fórmulas que neles se manifestam”446.

As representações que os indivíduos fazem estão, assim, sob a influência direta das condições materiais de produção, pois os meios de produção espiritual estão disponíveis apenas à classe que tem à sua disposição os meios de produção material447. As idéias dominantes não

podem ser separadas, portanto, dos indivíduos e das circunstâncias mundiais dos quais partem estas idéias.

Assim, o pensamento de um indivíduo que “sinta a necessidade de pensar”, por exemplo, um “escritor que jamais tenha saído de Berlim”, ou seja, “cujas relações com este mundo estejam reduzidas ao mínimo pela sua situação material miserável”, é consequentemente um pensamento tão abstrato “como ele mesmo e sua própria existência”. Oferecendo “ao indivíduo a possibilidade de se evadir deste 'mundo mau' que é o seu”, resume-se à “possibilidade de um prazer momentâneo” (escrever sobre suas necessidades e assim supri-las). Os poucos desejos deste indivíduo “dimanam menos do comércio com os homens do que da sua constituição física, manifestam-se apenas em ricochete, isto é, no âmbito do seu desenvolvimento limitado, o mesmo caráter brutal e unilateral que o pensamento”448, em outras palavras, não é por ser pensamento que

ele é (abstratamente) universal, ao contrário, estará sempre determinado por condições concretas e particulares.

446 IA-II, p.71. 447 Cf. IA-I, p.74. 448 IA-I., p.42.

CIÊNCIA

As ciências naturais e as ciências do homem serão abordadas sob o ângulo individual e social que representam enquanto desenvolvimento mais avançado das forças produtivas e, portanto, também de sua significação uma vez livres do estranhamento a que estão submetidas na indústria moderna.

A sensibilidade humana desenvolve-se no intercâmbio com a natureza sensível. O homem encontra “seu conhecimento de si” primeiramente apenas em objetos naturais, e portanto, no homem como objeto natural: sendo a natureza o primeiro objeto do homem e sendo o homem imediatamente natureza, é o próprio homem o primeiro objeto humano, relação que se constitui entre a “sensibilidade e forças essenciais humanas sensíveis particulares”. O objeto imediato da ciência reflete “a efetividade social da natureza”, de modo que “a ciência natural humana ou a

ciência natural do homem são expressões idênticas”449. Neste sentido, a história humana faz parte

da história natural, precisamente como “o devir da natureza até o homem”, e assim, ciência natural e ciência do homem tendem a se transformar em apenas uma única ciência. A história da indústria, por sua vez, o próprio “livro aberto das forças essenciais humanas”, nos mostra que as forças essenciais humanas objetivadas estão estranhadas do homem e não podem, por isso, se tornar “ciência real, plena de conteúdo efetivo”450.

As ciências naturais e a filosofia, diz Marx, permaneceram entre si estranhas; embora a ciência do homem seja, “propriamente, um produto da auto-atividade prática do homem”451como

consciência teórica da emancipação. A clara consciência teórica das relações objetivas dos homens com a natureza (ciência natural) é a base da ciência humana. Significa ao mesmo tempo uma reapropriação pelo indivíduo singular da ciência natural e a descoberta da autêntica ciência do homem. “A indústria é a relação histórica efetiva da natureza e, portanto, da ciência natural com o homem; por isso, se ela é apreendida como revelação exotérica das forças essenciais humanas, então também a essência humana da natureza ou a essência natural do homem é compreendida dessa forma, e por isso a ciência natural perde a sua orientação abstratamente 449 M44, p.112.

450 M44, p.111.

material, ou antes idealista, tornando-se a base da ciência humana, como agora já se tornou – ainda que em figura estranhada – a base da vida efetivamente humana; uma outra base para a vida, uma outra para a ciência é de antemão uma mentira. A natureza – é a natureza efetiva do homem, por isso a natureza, assim como vem a ser por intermédio da indústria, ainda que em figura estranhada, é a natureza antropológica verdadeira”452. A sensibilidade tem de ser a base de

toda ciência humana e natural, isto é, tem de partir, afim de que seja ciência efetiva, tanto da consciência sensível quanto da carência sensível – “portanto apenas quando a ciência parte da natureza”453.

Marx observa que “as ciências naturais desenvolveram uma enorme atividade e se apropriaram de um material sempre crescente. (...) Mas quanto mais a ciência natural interveio de modo prático na vida humana mediante a indústria, reconfigurou-se e preparou a emancipação humana, tanto mais teve de completar, de maneira imediata, a desumanização”454. O

desenvolvimento da ciência corresponde, à indústria moderna e está, portanto, na raiz do processo de alienação. Nesta condição, reapropriá-la é a premissa da emancipação.

O desenvolvimento do capital e o progresso da ciência ocorrem mutuamente. A aplicação da ciência natural depende da concentração do capital fixo: “a divisão manufatureira do trabalho opõe-lhes as forças intelectuais do processo material de produção como propriedade de outrem e como poder que os domina.(...) Esse processo desenvolve-se na manufatura, que mutila o trabalhador, reduzindo-o a uma fração de si mesmo, e completa-se na indústria moderna, que faz da ciência uma força produtiva independente de trabalho, recrutando-a para servir ao capital”455.

Em contraposição, sobre os pequenos camponeses franceses do século XIX, Marx afirma que “seu campo de produção, a pequena propriedade, não permite qualquer divisão do trabalho para o cultivo, nenhuma aplicação de métodos científicos e, portanto, nenhuma diversidade de desenvolvimento, nenhuma variedade de talento, nenhuma riqueza de relações sociais”456;

associando diretamente a divisão do trabalho e a concentração do capital à aplicação da ciência e ao progresso social real que manifesta-se também, ainda que limitadamente, nos indivíduos. 452 M44, p.111-112.

453 M44, p.112. 454 M44, pp.111-112. 455 K, p.414.

O capital incorpora gratuitamente o progresso social que se realizou sem qualquer interferência de sua forma antiga457. Marx explica ainda como, “ao lado dessa centralização ou da

expropriação de muitos capitalistas por poucos, desenvolve-se, cada vez mais, a forma cooperativa do processo de trabalho, a aplicação consciente da ciência ao progresso tecnológico, a exploração planejada do solo, a transformação dos meios de trabalho em meios que só podem ser utilizados em comum, o emprego econômico de todos os meios de produção manejados pelo trabalho combinado, social, o envolvimento de todos os povos na rede do mercado mundial e, com isso, o caráter internacional do regime capitalista”458.

O trabalho socializado requer a utilização científica da natureza e das relações humanas de produção. Apenas essa socialização do trabalho está em condições de usar no “processo imediato de produção os produtos gerais do desenvolvimento humano, como a matemática, etc., assim como, por outro lado, o desenvolvimento dessas ciências pressupõe determinado nível do processo material de produção”. Esse é necessariamente um “desenvolvimento da força produtiva do trabalho objetivado, por oposição ao trabalho mais ou menos isolado dos indivíduos dispersos etc., e com ele a aplicação da ciência – esse produto geral do desenvolvimento social – ao

processo imediato de produção”459. O trabalho isolado dos indivíduos (em contraste ao trabalho

socializado) jamais pode constituir a base para o desenvolvimento das forças produtivas em geral e da ciência em particular.

Implicada no desenvolvimento da indústria, a ciência é utilizada segundo as finalidades do capital, ou seja, é aplicada para diminuir o valor da mercadoria individual: “a melhoria progressiva das Forças Sociais do Trabalho, tal como derivam da produção em grande escala, da concentração de capital e combinação do trabalho, da subdivisão do trabalho, da maquinaria, de métodos aperfeiçoados, da aplicação de agentes químicos e outros agentes naturais, do 457 “Toda introdução de melhores métodos etc. atua, portanto, quase simultaneamente sobre o capital adicional e sobre o capital que já se encontra em funcionamento. Cada progresso da química multiplica o número dos materiais úteis e as aplicações dos já conhecidos, ampliando com o crescimento do capital seu campo de aplicação. Além disso, ensina como lançar de volta no ciclo do processo de reprodução os resíduos dos processos de produção e de consumo, criando sem prévio dispêndio de capital nova matéria explorável pelo capital. Do mesmo modo que a exploração incrementada das riquezas naturais por meio apenas de maior tensão da força de trabalho, constituem a ciência e a técnica uma potência para expandir o capital independentemente da magnitude dada do capital em funcionamento. Ambas atuam ao mesmo tempo sobre a parte do capital em funcionamento” (K, p.703).

encurtamento do tempo e do espaço por meios de comunicação e transporte, e todas as outras invenções pelas quais a ciência obriga os agentes naturais a estarem ao serviço do trabalho e pelas quais o caráter social ou co-operativo do trabalho se desenvolve. Quanto maiores são as forças produtivas de trabalho menor é o trabalho posto num dado montante de produto; portanto, menor é o valor desse produto. Quanto menores são as forças produtivas de trabalho mais trabalho é posto no mesmo montante de produto; portanto, maior o seu valor”460.

De modo geral, “a ciência, como produto intelectual em geral do desenvolvimento social, apresenta-se, do mesmo modo, como diretamente incorporada ao capital (sua aplicação como ciência, separada do saber e da potencialidade dos operários considerados individualmente, no processo material de produção); e o desenvolvimento geral da sociedade – porquanto é usufruído pelo capital em oposição ao trabalho e opera como força produtiva do capital contrapondo-se ao trabalho -, apresenta-se como desenvolvimento do capital; e isso porque para a grande maioria, esse desenvolvimento corre paralelo com o esvaziamento da força de trabalho”461. Para a grande

maioria dos indivíduos, quanto maiores as forças sociais e, por conseguinte, maior o desenvolvimento científico, maior o alheamento de sua atividade e seus produtos. Pois “tudo isso se apresenta como força produtiva do capital, não como força produtiva do trabalho; ou como força produtiva do trabalho apenas na medida em que este é idêntico ao capital, e em todo caso nunca como força produtiva quer do operário individual, quer dos operários associados no processo de produção” 462.

Apesar da ciência avançada não constituir-se senão através das condições de desenvolvimento do próprio capital, a maquinaria, a expressão material da aplicação científica, não é a responsável em si mesma pelo alheamento do homem em relação ao trabalho, mas sim sua utilização capitalista. Pois, se por um lado é com a maquinaria que se consuma a inversão do trabalho morto dominando o trabalho vivo, fazendo com que as forças intelectuais do processo de produção sejam separadas do trabalho manual e colocadas sob o domínio do capital e, portanto, fazendo com que desapareça a habilidade especializada e restrita do trabalhador individual “como uma quantidade infinitesimal diante da ciência, das imensas forças naturais e da massa de 460 SPL, p.53.

461 Cap.VI, p.85. 462 Cap.VI, p.55.

trabalho social, incorporadas ao sistema de máquinas e formando com ele o poder do patrão”463;

por outro, a máquina, “como instrumental que é, encurta o tempo de trabalho, facilita o trabalho, é uma vitória do homem sobre as forças naturais, aumenta a riqueza dos que realmente produzem”. É, portanto, sua aplicação capitalista que gera “resultados opostos: prolonga o tempo de trabalho, aumenta sua intensidade, escraviza o homem por meio das forças naturais, pauperiza os verdadeiros produtores”464.

Portanto, para analisarmos a ciência em relação ao indivíduo devemos partir da distinção marxiana entre ciência do homem e ciência da natureza, e da relação de ambas com a sensibilidade. O aprofundamento do intercâmbio entre os homens e com a natureza faz com que o homem se humanize incessantemente na medida em que cria um mundo propriamente humano. É nas relações capitalistas que a potência da ciência se manifesta em seu esplendor, respaldando o desenvolvimento industrial, e por conseguinte a criação e satisfação de novas necessidades, bem como participa centralmente na reprodução do estranhamento. A atividade revolucionária torna- se obrigada a tomar para si essa força social que está apartada dos indivíduos.

ARTE

Marx afirma que é a imaginação, “esse dom grandioso que tanto tem contribuído para o desenvolvimento da humanidade”, que cria, desde seus primórdios, a literatura não escrita dos mitos, lendas e tradições, “que exercem uma influência poderosa sobre o gênero humano”465.

Vejamos qual a natureza específica da atividade artística e como se relaciona com o indivíduo, principalmente no tocante ao desenvolvimento espiritual e prático da sensibilidade, na criação e fruição artísticas; e, também, alguns aspectos da condição da atividade artística e seus produtos no sistema capitalista de produção.

A arte é uma forma da produção, o que se observa já desde a elevação à categoria de arte de certos trabalhos, como a arquitetura ou a confecção com metais de objetos466. Sendo a arte uma

atividade produtiva do homem, enquanto tal participa na elaboração do mundo humano e se move, consequentemente, no interior do estranhamento, assim como a política, a religião e todas as formações ideais dos homens ligadas à propriedade privada – nessa medida, a arte não apreende as forças essenciais humanas em conexão com a essência do homem.

O desenvolvimento da sensibilidade humana é intrinsecamente ligado à arte. A fruição da arte proporciona a satisfação de uma carência que se desenvolve junto ao desdobrar do sentido artístico e estético: “se tu quiseres fruir da arte, tens de ser uma pessoa artisticamente cultivada”467

, nessa medida, portanto, a arte toma o homem como finalidade em si mesmo. A fruição da arte depende do desenvolvimento dos sentidos que afirmam o homem no mundo objetivo: “assim como a música desperta primeiramente o sentido musical do homem, assim como para o ouvido não musical a mais bela música não tem nenhum sentido, é nenhum objeto, porque o meu objeto só pode ser a confirmação de uma das minhas forças essenciais, portanto só pode ser para mim da maneira como a minha força essencial é para si como capacidade subjetiva, porque o sentido de um objeto para mim (só tem sentido para um sentido que lhe corresponda) vai precisamente tão longe quanto vai o meu sentido, por causa disso é que os sentidos do homem social são sentidos

outros que não os do não social; apenas pela riqueza desdobrada da essência humana que a

riqueza da sensibilidade humana subjetiva, que um ouvido musical, um olho para a beleza da 465 “Guión de 'La sociedad antigua primitiva', Lewis Morgan”, in Sobre el Arte, p.173.

466 Cf. In57, p.124. 467 M44. p.161.

forma, em suma as fruições humanas todas se tornam sentidos capazes, sentidos que se confirmam como forças essenciais humanas, em parte recém cultivados, em parte recém engendrados. Pois não só os cinco sentidos, mas também os assim chamados sentidos espirituais, os sentidos práticos (vontade, amor, etc.), numa palavra o sentido humano, a humanidade dos sentidos, vem a ser primeiramente pela existência do seu objeto, pela natureza humanizada”468. A

fruição da arte corresponde, assim, ao avanço no desenvolvimento da sensibilidade humana subjetiva, desdobramento dos denominados sentidos espirituais e práticos, possíveis em toda sua riqueza apenas porque partem da riqueza da essência humana que é passível de um desdobramento omnilateral. A arte está no domínio espiritual e se dirige para ele, embora a fruição e a criação sejam através dos cinco sentidos naturais.

Os gêneros de atividade humana têm características bastante distintas, mas a arte assemelha-se, em muitos aspectos, à ciência. Arte e ciência são formas de apreensão da

No documento O individuo em Marx (páginas 156-200)

Documentos relacionados