8.2 Empresa B
8.2.3 Análise da aplicação do roteiro
8.2.3.1 Facilidades e dificuldades encontradas pelo gerente no
A pesquisadora observou algumas facilidades e dificuldades do gerente durante a aplicação do roteiro. Abaixo são analisadas as dificuldades e facilidades avaliadas pelo gerente e pela pesquisadora e, posteriormente, é feita uma avaliação do nível de entendimento e da facilidade de desenvolvimento do roteiro demonstrados pelo gerente em cada uma das etapas e atividades.
As atividades da etapa de estabelecimento da visão geral da empresa foram desenvolvidas com facilidade pelo gerente, tendo como ponto de partida questões previamente estabelecidas, que foram respondidas no decorrer das reuniões e serviram de base para o estabelecimento da missão, da visão e dos valores da empresa. O gerente demonstrou preocupação em estabelecer uma visão abrangente, que envolvesse seus clientes e funcionários e refletisse o real propósito da empresa.
No estabelecimento da visão sentiu dificuldade em “adequar e explicitar a visão do proprietário com relação à empresa”, uma vez que ele mesmo estava desenvolvendo a atividade. Entretanto, no estabelecimento dos valores, não houve esta dificuldade pelo fato de os valores do empresário estarem explícitos e presentes na gestão da empresa.
Na análise externa, o gerente seguiu as orientações do roteiro e procurou salientar aspectos relevantes quanto ao ambiente geral e operacional da empresa.
Embora se notasse que o gerente possuía conhecimento do funcionamento e das tendências do setor de atuação da empresa B, observou-se, porém, que realizou as análises de forma intuitiva, com base em informações de revistas e jornais da área. O gerente não realizou análises minuciosas ou mais detalhadas das projeções e tendências de seu ambiente externo, demonstrando certa dificuldade em identificar, obter e analisar as informações relevantes de seu setor.
A análise interna foi realizada de forma intuitiva e informal, utilizando-se informações extraídas da experiência do gerente na empresa. Desta forma, as análises, baseadas na situação atual da empresa, refletem o imediatismo de resultado e a falta de visão de longo prazo da empresa B. Entretanto, apesar de não ter feito uma análise mais detalhada da gestão da empresa, o gerente não teve dificuldade em avaliar os seus pontos fortes e fracos, devido à sua experiência.
O gerente considerou o estabelecimento dos fatores críticos de sucesso uma atividade difícil de se realizar, pois “o ciclo de negócio da empresa caracteriza-se por diferentes fatores de sucesso para cada tipo de obra (negócio)”. Por esta razão, estabeleceu os fatores críticos de sucesso baseando-se no tipo de negócio em que a empresa deverá focar suas atividades.
Para a definição dos objetivos, partiu-se da visão geral da empresa e da análise ambiental. Inicialmente o gerente demonstrou certa dificuldade em explicitar
os objetivos em alguns tópicos, porém, na segunda reunião, após um refletir sobre o ambiente, os objetivos da empresa B foram redefinidos de forma clara. Segundo o gerente não houve dificuldade nesta atividade, pois os objetivos estavam previamente determinados, faltando apenas decidir a forma de operacionalização das atividades para alcançá-los.
Na atividade de definição das metas, o gerente mencionou uma dificuldade, referente à “sazonalidade da ocupação fabril que intensifica a mudança quanto ao tempo de realização das metas”. Sua dificuldade, portanto, era estabelecer o prazo para o cumprimento das metas, devido à sazonalidade de seu setor. Nota-se também que o gerente demonstrou dificuldade em definir os responsáveis pelo cumprimento das metas, justificando que esta atividade seria definida juntamente com o proprietário, em um momento oportuno. Tal situação demonstra a forte presença do proprietário na gestão da empresa B e a informalidade nas relações.
Quanto à etapa de escolha da estratégia, o gerente identificou, através da atividade do roteiro, de forma rápida e clara, a estratégia atual que a empresa vem adotando. A escolha da estratégia futura foi realizada com base nas atividades anteriores, sendo que o gerente procurou explorar seu diferencial no mercado. O gerente observou que esta atividade é difícil, pelo fato de que as “variantes circunstanciais em que a empresa se enquadra podem alterar as estratégias”. Porém, como é um fato relevante de seu mercado de atuação, considerou que a estratégia da empresa deve abrangê-lo, devendo ser atualizada sempre que necessário. Acredita-se que esta dificuldade está relacionada a aspectos do setor de atuação da empresa B e não ao roteiro.
Durante a elaboração do plano, com o estabelecimento das principais ações e os projetos para se atingirem os objetivos propostos, o gerente fez uma revisão tanto dos objetivos quanto das metas, deixando claro que ações seriam desenvolvidas.
Entretanto, mais uma vez, não definiu os responsáveis nem a forma de mensuração, acompanhamento e controle das mesmas.
Na última atividade, a apresentação da estratégia para a empresa, o gerente encontrará facilidade, devido à informalidade presente na gestão da empresa e respeito dos funcionários pela sua pessoa. Porém, definiu uma possível dificuldade a ser encontrada pelos funcionários que é “a falta de conhecimento que pode causar
uma reação de estranheza quanto à técnica”. No entanto, não será apresentada a técnica aos funcionários e, sim, serão fornecidas informações quanto ao propósito da organização, os objetivos e as responsabilidades de cada um para o sucesso da empresa.
Em relação às dificuldades encontradas acima, o gerente sugeriu, como alternativa para solucioná-las, uma “sistematização do planejamento sob uma rotina de ação e ter sempre algum fato (elemento) externo que possa fomentar e avaliar as ações”. De acordo com o gerente, as atividades do planejamento estratégico têm que estar presentes nas ações cotidianas dos funcionários e um agente externo (consultor, por exemplo) auxiliaria na avaliação do processo. Nota-se, pelas afirmações do gerente, que os gestores da empresa B acreditam que um agente externo iria ajudar a disciplinar e a operacionalizar o processo estratégico, mas, devido ao pessoal qualificado e à organização, a empresa B possui plenas condições de aplicar continuamente a ferramenta sem o auxílio deste.
Devido às características de gestão das pequenas empresas, a inserção do processo na rotina da empresa amenizaria particularidades que se apresentam inibidoras ou mesmo dificultadoras do processo, como, por exemplo, a falta de tempo do pequeno empresário, a falta de visão de longo prazo, a gestão intuitiva, entre outras. No entanto, o elemento ou fato externo, aqui mencionado pelo gerente como um consultor ou pesquisador, poderia ser substituído por uma maior participação dos funcionários no processo, que poderiam avaliar, criticar e sugerir novos caminhos e ações.
Em relação ao entendimento do roteiro, o gerente acredita que “para as pessoas que já possuem conhecimento do processo de planejamento estratégico o entendimento é fácil e o roteiro eficiente, porém, a difusão dos conceitos para toda a organização poderá ser difícil”. Por esta razão, o gerente avaliou o entendimento do roteiro como médio. No entanto, a aplicação do roteiro poderia ser uma oportunidade para outros funcionários tomarem conhecimento da ferramenta, mas, mesmo assim, o gerente preferiu aplicá-lo sozinho e, posteriormente, difundir os conceitos para o restante da organização. Contudo não são todos os funcionários que devem possuir um “domínio” dos conceitos, o importante é que alguns funcionários-chave
participem do processo, facilitando o seu desenvolvimento e o engajamento dos demais no que diz respeito aos resultados.
Já o desenvolvimento do roteiro foi considerado fácil. A maior dificuldade encontrada refere-se à atividade de definição das metas e ações para atingir os objetivos propostos, conforme mencionado anteriormente.
O desenvolvimento das etapas e das atividades do roteiro, na empresa B, auxiliou na “explicitação dos valores, planos de ação de forma mais sistematizada e integrada”, minimizando as dificuldades existentes no processo. E, segundo o gerente, a empresa continuará realizando o planejamento estratégico nos próximos anos, com base no roteiro e no resultado da elaboração do planejamento realizado.