I. Introdução
1.3. Caminhos trilhados na realização da pesquisa
1.3.4 Facilidades e dificuldades para a coleta de dados em
Inicialmente houve duas tentativas de agendarmos antecipadamente com os/as entrevistados/as nossa ida a campo, mas ambas foram infrutíferas. As pessoas identificadas para serem entrevistadas estavam, naquele segundo semestre de 2002, especialmente envolvidas com as atividades político-partidárias, sobretudo as mobilizações em torno da campanha eleitoral para a escolha de deputados, governadores e presidente da república. Optamos, então, por aguardar o encerramento do primeiro turno das eleições, e nos deslocamos para a região no período de 14 a 31 de outubro de 2002.
Um dos fatores que facilitou a coleta de dados foram as duas reuniões do conselho do PROAMBIENTE, constituído em sua imensa maioria pelas
principais lideranças da região. Sem dúvida esta reunião facilitou o nosso contato com boa parte dos/das entrevistados/das. Outro fator que facilitou a coleta de dados foi o fato da ASMUBIP estar realizando naqueles dias a tradicional “Rodada Geral nos Núcleos”, que consistia em um processo onde, em tese, todas as coordenadoras fariam uma visita coletiva aos núcleos para avaliar, informar, ouvir as sócias, etc. Assim que chegamos à região, nos reunimos com 4 coordenadoras da ASMUBIP, que estavam participando da rodada geral nos núcleos, para fazer uma apresentação da nossa pesquisa destacando os objetivos da mesma. Consultamos a diretoria sobre a possibilidade de participar de uma destas reuniões nas “bases” e, ao sinal positivo, nos deslocamos para um dos núcleos onde aconteceria uma das reuniões localizado no Projeto de Assentamento Buriti município de Axixá do Tocantins.
Outro fator que facilitou a coleta de dados, através de uma nova visita ao núcleo do PA Buriti e a realização de entrevista com uma sócia recém filiada, foi o fato de que a equipe APA-To estava recebendo na região a visita de uma representante da Action-Aid 9 com sede no Rio de Janeiro, para negociar uma parceria de cooperação com a ONG APA-To. Fariam então com ela uma visita a alguns núcleos de apicultores que também eram núcleos da ASMUBIP. Nos deslocamos juntamente com o grupo para o referido núcleo onde pudemos conversar com uma sócia de base e uma coordenadora de núcleo que também já havia sido coordenadora de micro- região.
A princípio, a suposição de que o período eleitoral traria limites à realização da pesquisa não se confirmou, pelo contrário, trouxe algumas facilidades podendo-se destacar a possibilidade de conversar com lideranças e assessores que estavam na região devido, dentre outros motivos, às atividades junto ao Partido dos Trabalhadores. A conversa com
9
A ActionAid é uma agência não-governamental do Reino Unido, que trabalha em cerca de 30 países em desenvolvimento na África, Ásia e América Latina. Foi fundada em 1972, como uma organização não-religiosa e não-política, que apóia os setores mais marginalizados da população. A missão da ActionAid é erradicar a pobreza, através de projetos de desenvolvimento comunitário; defender mudanças nas políticas públicas em favor dos setores mais pobres e marginalizados; e, também, dar apoio em situações de emergência. Os objetivos da ActionAid Brasil incluem, entre outros: fortalecer as comunidades pobres e seus movimentos sociais para garantir uma atuação eficaz, democrática e participativa na luta por seus direitos e dar visibilidade às causas da pobreza e da desigualdade, sensibilizando e mobilizando a opinião pública na tentativa de superá-las. (www.actionaid. org.br)
o assessor da CPT, além de já ter sido agendada antecipadamente para o dia das eleições, foi facilitada pelo fato de não ser este assessor brasileiro e que, portanto, estaria “livre” de obrigações eleitorais naquele dia.
Entretanto, o que se constituiu em facilidade também trouxe dificuldades, uma vez que tivemos que nos adaptar aos horários de intervalo e encerramento dos encontros, o que, em alguns momentos, não permitiu a condições muito adequadas para a realização das entrevistas, tanto no que se refere a locais quanto a horários. Para citar alguns exemplos: duas entrevistas foram realizadas após as 23:00, uma entrevista após as 18:00 quando do encerramento de um dia que parecia ter sido bastante cansativo para a entrevistada que, recém saída de duas reuniões, ainda teria uma outra reunião à noite. Esta entrevista, realizada com a coordenadora geral da ASMUBIP foi notoriamente prejudicada e não houve possibilidades de ser concluída uma vez que a mesma, já bastante cansada, se emocionou diante de uma das perguntas e preferiu continuar a conversa em outro momento, o que não aconteceu. A entrevista com a coordenadora geral da Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista, realizada na sede da Secretaria localizada em São Miguel do Tocantins, também teve limitantes, pois a entrevista teve que ser interrompida várias vezes tanto pelo toque freqüente do telefone quanto pela solicitação de pessoas da região que queriam lhe falar e o assunto geralmente era sobre a compra de coco Babaçu.
Outro limitante deve-se ao fato de não ter sido possível termos acesso aos arquivos da ASMUBIP, as duas coordenadoras (coordenadora geral e coordenadora tesoureira) a quem solicitamos autorização, se justificaram dizendo que estavam com a agenda cheia de compromissos naqueles dias, e que o fato de estarem sem secretária não haveria quem pudesse nos acompanhar durante a realização da consulta aos arquivos. As mesmas argumentaram, também, que freqüentemente têm passado vários pesquisadores solicitando a atenção delas e dificilmente a ASMUBIP se beneficia dos resultados das pesquisas realizadas. Quanto a esta questão, convém esclarecer, que embora não tenha sido possível termos tido acesso aos arquivos da ASMUBIP, através da própria ASMUBIP, os documentos referentes à mesma foram disponibilizados a partir da análise documental
efetuada nos arquivos das entidades de assessoria (CPT e APA-To), sendo que a pesquisadora comunicou previamente às diretoras que procederia desta forma, dada à grande necessidade de ter acesso aos documentos.
Foi possível realizar quase todas as entrevistas planejadas com exceção, infelizmente, da que seria realizada com a assessora da Secretaria da Mulher Trabalhadora Rural Extrativista que também é sócia educadora da Rede Mulher de Educação. A entrevista não se concretizou por motivo de mudança da assessora para outra cidade e por não ter sido possível agendar com antecedência. Outra entrevista prevista e agendada assim que chegamos à região, mas que não aconteceu, se daria com uma sócia recém filiada que desmarcou dizendo que não saberia dizer porque se filiou a ASMUBIP. Somente um dos entrevistados não se sentiu à vontade diante da pergunta sobre divisão interna e ao respondê-la solicitou que desligasse o gravador e não publicasse a informação.