Esta categoria formou-se das falas dos sujeitos que nos demonstram quatro situações distintas, mas que têm em comum o cuidado à criança. Na primeira subcategoria, emerge a idéia de que a facilidade da permanência conjunta está focalizada na atenção à criança. Na mesma proporção de sujeitos que a subcategoria anterior, a segunda subcategoria contempla a ajuda prestada pelos pais à equipe no cuidado às crianças. A terceira relaciona a presença dos pais com a tranqüilidade causada na equipe de enfermagem ao saber que a criança está com acompanhante. A quarta focaliza os pais como facilitadores do cuidado prestado pela equipe de enfermagem.
A partir de agora passaremos a apresentar as subcategorias.
5.7.1 Atenção à criança
Na visão de cinco entrevistados, sendo quatro Auxiliares de Enfermagem, AE4, AE6, AE10 e AE12, e um Enfermeiro, E2, formou-se esta subcategoria, onde mencionam perceber a facilidade da permanência conjunta voltada para a atenção à criança, ou seja, em atender as
necessidade pessoais da criança naquele momento.
AE10 declara: “Acho que só facilita tudo [...] da criança ficar mais tranqüila, ir mais
cedo para casa, melhorar mais rápido, não dá trauma”.
E2 lembra “[...], as crianças com menos estresse e com mais alegria. Porque o
hospital já é um lugar que causa traumas para a criança, imagina longe dos pais. Estão bem mais tranqüilas”.
AE12 diz “[...] toda a criança gosta de colo, o nosso ritmo de trabalho, geralmente, é
difícil para poder dar um colo para um outro, então seria assim para criança se acalmar [...]”.
Observamos, no relato dos sujeitos, a valorização da presença dos pais para acalmar, tranqüilizar, amenizar os traumas que causam uma hospitalização na vida de uma criança. Os pais são vistos pelos sujeitos como suporte emocional à criança.
5.7.2 Pais cuidando
Nesta subcategoria, relatamos a visão de cinco entrevistados que mencionam como facilidade a participação dos pais no cuidado, ajudando em procedimentos como troca de fralda, alimentando e acalmando a criança, relacionando como auxílio ao trabalho da equipe.
A subcategoria foi composta por quatro auxiliares de enfermagem, AE2, AE3, AE9 e AE11, e um enfermeiro, E1.
Para AE2: “Os pais ajudam bastante [...] para mim só dar mamá, trocar a fraldinha,
pegar no colo quando eles estão chorando já está mais do que bom, acho que ajudam bastante, a gente facilita bastante a presença deles aqui”.
AE3: “Olha eu acho que até a própria amamentação que a mãe faz, dar a
mamadeira, até segurar um nebulizador te facilita [...]”.
AE11:
[...] a gente não pode deixar de citar isso, porque eles ajudam em troca de fralda, num banho, às vezes, até mães que têm crianças já em situações mais crônicas, eles já estão acostumados a realizar certos procedimentos tipo aspiração, isso aí facilita bastante o nosso trabalho, apesar da gente saber que seria um trabalho da enfermagem, mas aí são crianças que dependem sempre desse procedimento, ajudam bastante.
Observamos que esses sujeitos dão uma ênfase maior à participação dos pais relativamente aos cuidados físicos da criança.
5.7.3 Pais proporcionando tranqüilidade à Equipe de Enfermagem
Quatro entrevistados, sendo três auxiliares de enfermagem (AE5, AE7 e AE8) e uma enfermeira (E3), consideram como facilidades a situação dos pais estarem acompanhando seus filhos, nos seguintes aspectos: a tranqüilidade por saber que a criança está acompanhada, a praticidade de poder sair da enfermaria para realizar outra atividade, a segurança de ter alguém olhando pela criança.
AE7 destaca-nos, “para mim é muito mais prático eu ter a mãe ali do lado deles, eu
fico muito mais tranqüila. Eu estou tranqüila porque as mães estão ali, não estão dormindo ainda, por isso que estou mais tranqüila para estar aqui contigo”.
E3 fala-nos:
[...] em sentir esta segurança de que alguém está junto com a criança, está observando, [...] a mãe estando junto, muitas vezes a mãe chama por ajuda e realmente a criança complicou naqueles minutinhos que a gente se afastou, assim quantas vidas são salvas, [...] às vezes é um pai de outra criança ao lado que avisa que está terminando a medicação, porque não é o tempo todo que alguém está ali, por algum motivo tem que se afastar, [...] a gente olha assim quando chega, uma coisa tão interessante, para mim pelo menos, que eu olho qual é a criança que está acompanhada. Eu gosto.
AE5 conta-nos que
[...] é bem melhor. Às vezes, a gente quer sair da sala, do quarto e se não tem acompanhante, a gente vai fazer o serviço que tem que fazer, pegar medicação, fazer alguma coisa, mas está sempre com o pensamento lá, não sabe o que está acontecendo, se a criança caiu, se a criança está chorando, se arrancou o abocath, se arrancou o oxigênio. Acho que tendo alguém junto tu faz as outras tarefas mais seguro.
Observamos, nos relatos dos sujeitos, a tranqüilidade que a presença dos pais causa na equipe de enfermagem, pois estão seguros que as crianças estão acompanhadas.
5.7.4 Pais facilitando a realização de procedimentos
Esta subcategoria constitui-se pelas falas de três entrevistados, dois Enfermeiros e um Auxiliar de Enfermagem, que abordam um outro aspecto facilitador da permanência dos pais. O fato dos pais estarem presentes favorece a aproximação com a criança. A mãe, estando junto à criança, fica mais tranqüila, facilitando a realização de algum procedimento. Também, acreditam que isso permite um menor número de profissionais de enfermagem.
AE1 nos diz:
Eu acho que tudo é melhor com os pais presentes, eu avalio dessa maneira, porque acho que tudo se torna mais fácil a aproximação com a criança, porque a mãe estando junto passa aquela segurança, ‘não a tia vai fazer só isso’, eu acho que tudo é melhor com os pais presentes, sem sombra de dúvidas.
Complementando esta idéia, E4 acrescenta:
Acho que toda facilidade, mesmo quando tu vai fazer um procedimento doloroso numa criança, eu acredito, olha são 20 anos, é muito mais fácil tu puncionar uma veia em uma criança que está com a mãe, eu acredito, e, comprovadamente, é assim a criança fica mais tranqüila, é mais fácil de conseguir, no início, até parece que te dá uma certa inibição, mas se tu veres pelo lado da criança e pelo que vai facilitar a tua tarefa, tu vai sempre pedir que a mãe acompanhe, porque ela é só uma facilitadora, principalmente, de coisas dolorosas para criança, ela vai ver aquele rosto conhecido, ela vai te ajudar [...].
E1 contempla a idéia dos dois sujeitos anteriores e relaciona com a necessidade de pessoal
acho que pelo fato das crianças ficarem mais tranqüilas a grande maioria com a mãe junto, eu acho que a criança iria exigir muito mais, em termos de pessoal, se tivesse separada dos pais, se não tem ninguém tu tem que estar mais presente, tem que pegar no colo seria uma função tua, teria que estar mais junto com a criança. A gente vê que a enfermaria que não tem nenhum pai junto dá bem mais trabalho. Eu acho que a facilidade é menos pessoal, menor número de pessoas para trabalhar aqui. E de deixar as crianças mais tranqüilas.
Os relatos dos sujeitos ilustram-nos como a presença dos pais é considerada importante por auxiliarem no esclarecimento e acompanhamento as crianças na realização dos procedimentos.