Incompre ensão
8 Factores de Risco e Factores de Protecção
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Estes factores de risco e de protecção do Bullying serão analisados segundo a perspectiva do modelo ecológico, ou seja, serão analisados factores pessoais, familiares, ambientais e outros, que influem no comportamento do indivíduo. Sendo que, embora analisados independentemente estes não deverão ser visto dessa forma, pois, segundo este modelo, eles interagem e relacionam-se entre si. (Orpinas & Horne, 2005)
Primeiro serão analisados factores de risco e de protecção intra-pessoais e depois os indivíduos que têm relacionamento próximo com o indivíduo: pares e família. Por fim, analisar-se-á o meio escolar e comunitário, incluindo factores culturais e os efeitos dos media. (Orpinas & Horne, 2005)
Factores de protecção e de risco intra-pessoais:
Estes factores estão organizados em quatro categorias, sendo estas as seguintes: factores de género, biológicos e comportamentais, de performance escolar e psicológicos. (Orpinas & Horne, 2005)
Factores de risco
A maioria das investigações aponta o facto de ser homem como factor de risco. Os rapazes, ao longo da História, sempre se envolveram muito mais em situações de agressão, violência ou bullying do que as raparigas. Tal como já foi referido anteriormente, as raparigas têm maior tendência a envolver-se em situações de agressão menos evidentes, tal como estragar os relacionamentos dos outros, etc. Todavia estas diferenças de género ainda estão a ser discutidas e investigadas. Os rapazes são tendencialmente os agressores e as vítimas, isto é, na maior parte das vezes, o agressor e a vítima são do sexo masculino. Mas nem todos os rapazes são agressivos, o que, não permite excluir o factor socialização nem tomar esta estatística como regra. (Orpinas & Horne, 2005)
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As características biológicas e comportamentais da criança também aumentam o risco de violência. Assim, crianças que sofrem de desordem por défice de atenção com ou sem hiperactividade têm dificuldades em sentar-se, pensar antes de agir, completar tarefas e planear coisas a longo prazo. Isto provoca mau estar nos outros até porque, as crianças com este problema podem ser bastante perturbadoras e inconvenientes. Necessitam de apoio específico quer da escola quer dos pais, o que não acontece na maioria dos casos, sendo que, até muitas vezes só muito tarde são sinalizados. Isto provoca mau estar relativamente á escola, pois não alcançam bom rendimento escolar nem bom relacionamento com pares e professores, bem como, podem provocar incompreensão por parte dos pais. Isto torna-se um factor de risco e, se a isto se juntar um grupo de pertença complicado existe uma maior probabilidade de problemas de violência e delinquência. Tal com as crianças com DDA/H as crianças com problemas motores, com dificuldades de aprendizagem, com complicações perinatais e comprometimentos mentais são mais susceptíveis a este risco. (Orpinas & Horne, 2005; Barton, 2006)
Assim, o insucesso escolar pode ser um factor de risco importante, isto porque um rendimento escolar pobre resulta num reforço comportamental menos eficaz. Até porque estas crianças recebem ciclicamente mais reforços e atenção negativos do que positivos por parte dos pares e dos professores. As crianças com fraco rendimento escolar podem enveredar mesmo pelo abandono da escola o que, leva a uma probabilidade maior de consumo de drogas, delinquência, crime, etc. (Orpinas & Horne, 2005; Barton, 2006)
A falta de competências sociais é apontada também como um factor de risco importante, sendo que muitos agressores apresentam comprometimentos nesse sentido. Quando não existem problemas nessa área existe uma maior probabilidade de um ajustamento social positivo e melhor capacidade de resolução de problemas. (Orpinas & Horne, 2005; Barton, 2006)
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Inclui-se aqui o oposto de muitos factores de risco mas, também outros. Assim, um bom rendimento escolar actua como factor de protecção contra o desenvolvimento de comportamentos agressivos. Mas, o empenho por aprender surge como superior ao bom rendimento escolar, isto é, às notas. As crianças que estão motivadas para aprender, têm prazer em ler, em participar na escola, em fazer os trabalhos e, estabelecem uma relação positiva com a escola. Mas isto, não funciona apenas com factores intra-pessoais, é antes, uma sinergia criada em conjunto entre a escola, família e o sujeito. Os valores positivos são também pertinentes, e neles incluem-se: o preocupar-se com os outros, ser empático e entender os outros descentrando-se de si mesmo, prover igualdade e justiça social, impor-se por aquilo em que acredita, ser honesto e responsável, e praticar auto-controle em relação a drogas, álcool, etc. A competência social refere-se à capacidade positiva de resolver conflitos, tomar decisões, planear o futuro, fazer amigos, resistir à pressão negativa dos pares e estar à vontade com crianças de diferentes culturas, diferenças, religiões, etc., que permitem à criança desenvolver-se positivamente e longe da agressividade. (Orpinas & Horne, 2005; Barton, 2006)
Factores de protecção e de risco da família e pares:
A família sendo a fonte primária de suporte e aprendizagem da criança, desempenha um factor primordial quer de risco, quer de protecção.
Os riscos podem ser organizados em três grandes grupos: práticas parentais comuns, prevalência da violência no seio da família e o grau de negligência presente em casa. (Orpinas & Horne, 2005)
Uma educação do tipo predominantemente permissiva conduz a uma maior probabilidade de desenvolvimento de comportamentos agressivos, violentos e de delinquência. Os filhos desenvolvem o sentimento de que os pais não querem saber deles, sentem-se desamparados e tendem a juntar-se a outros grupos de crianças problemáticas que poderão incitar a comportamentos violentos, delinquentes e disruptivos. Isto não ocorre somente numa família com carências económicas (que
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estejam os dois pais ou seja monoparental) que os (s) pais têm vários empregos e nenhum tempo para os filhos, ocorre também em famílias sem carências económicas e até em famílias com altos rendimentos, em que os pais não dão importância aos filhos. Alguns estudos referem que existe uma correlação entre o aumento da agressividade e o declínio da relação com os pais. Outros factores de risco do âmbito da violência no seio da família são apontados como muito importantes, tais como: abuso e violência para com a criança, violência conjugal, punição corporal e disciplina abusiva. As crianças ao assistirem a violência no seio da família aprendem que essa é a melhor maneira para conseguirmos o que queremos e para agir em relação aos outros. Assim sendo, existe uma maior probabilidade de imitarem e repetirem esses comportamentos na escola. E, finalmente, quanto menos carinhosos e tolerantes forem os seus pais, quanto mais for castigado em casa, quanto menos supervisão e atenciosidade tiver e quanto menos se identificar com os seus pais maior a probabilidade dessa criança desenvolver comportamentos anti-sociais. (Orpinas & Horne, 2005)
Quanto a factor de protecção a família pode proporcionar isso sendo pais que amem e que passem tempo e energia educando os seus filhos. É necessários que estejam presentes quando o filho necessita e atentos quando o filho não pede ajuda directamente ou explicitamente. Proactividade, mesmo com adolescentes é muito importante. A comunicação positiva é outro aspecto protector. Não devem esquecer que são modelos de comportamentos e atitudes dos seus filhos e que, portanto, devem dar bons exemplos. Finalmente é também importante que os pais se envolvam com a escola e com as actividades académicas dos seus filhos, quer supervisionando e incentivando os sucessos escolares, quer participando activamente nas actividades e regulação da escola e que envolvam os filhos nas decisões e na vida familiar. (Orpinas & Horne, 2005)
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Existem algumas similitudes entre os factores de risco e protecção das famílias e da escola. Sendo que, numa escola, é também importante o tipo de comunicação que se estabelece entre os alunos, os professores e a comunidades escolar, bem como o tipo de relação entre estes, o tipo de supervisão efectuada e como os adultos resolvem as situações de conflito. Isto porque, modelam da mesma maneira os comportamentos das crianças, até porque, a escola assume muito do tempo destas e portanto, quer queira ou não, também muita da responsabilidade de educar os seus alunos. (Orpinas & Horne, 2005; Barton, 2006)
Factores de risco:
Um dos factores de risco incluídos na escola, é a falta de competências do professor para gerir a sala de aula, pobres habilidades de ensino, expectativas baixas em relação ao sucesso e às capacidades dos alunos, e um sistema de disciplina deficiente.
Quanto à disciplina, muitas escolas optaram por um regime de tolerância zero quanto à violência, mas segundo Orpinas & Horne (2005) não está provado a eficácia deste método, ao invés levanta-se controvérsia. Eu concordo com isto, pois embora, possa transmitir aos alunos e aos pais a mensagem de que a violência não será ali tolerada, transmite ao mesmo tempo a ideia de que não existe abertura para a comunicação com os alunos e instala um clima de obrigação e não de entendimento. Ou seja, surge como uma resposta ao problema e não como um plano de prevenção. E, isto torna-se controverso no sentido de que, apenas aparenta resolver o problema, no emediato, mas não o elimina. Os alunos não aprendem porque não o devem fazer nem apreendem as competências que deveriam para fazer face ao problema. E, mais grave, aparentam agir contra a violência “visível” mas esquecer outros tipos de violência mais subtis e menos controlaveis com este tipo de medidas, sendo que, assim, apenas interveem num tipo de bullying.
A supervisão apresenta-se como outro factor de risco escolar pois, os episódios de bullying ( especialmente o físico) ocorrem em locais onde não existe supervisão
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(casas de banho, corredores, etc.). Por fim, a agressividade e comportamentos de bullying por parte de adultos apresenta-se como outro factor de risco, porque modelam/influenciam o comportamento dos alunos. Salas de aulas onde os professores ignoram o bullying, respondem caprichosamente ou injustamente, gritam com os alunos, desconfiam do que os alunos dizem, mostram favoritismo ou não gostar de certos alunos, provoca um mau ambiente na turma. O que, origina conflitos, desinteresse pela escola e desrespeito pelo professor.
Factores de protecção:
Muitas escolas diminuiram os problemas de violência ou mesmo eliminaram- nos. Da experiencia dessas escolas é possivel nomear cinco áreas estratégicas de promoção:
1. Desenvolvimento de relações positivas com os alunos, 2. Trabalhar por forma a conseguir metodos e técnicas apelativos de ensino,
3. Desenvolvimento de estratégias de intervenção para ajudar os alunos que necessitam de ajuda académica extra e actividades pós-escolares,
4. Adopção de politicas definitivas contra o bullying, tais como: regras e reforços dos comportamentos positivos, politicas contra professores que gritam e ridicularizam alunos, etc.
5. Desenvolvimento de programas de artes, especificamente música e dança. Combinação das apresentações dos trabalhos com reuniões de pais.
Outros factores de protecção podem ser adicionados como: desenvolviemnto de conexão com a escola, estabelecimento de limites claros e consistentes, indicação de competências para a vida, meio envolvente e preocupado, expectativas altas e oportunidades de participação significativa.
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