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Factores que afectam o crescimento e o tamanho final do fruto

2. ESTADO ACTUAL DOS CONHECIMENTOS

2.1. Produtividade dos citrinos

2.1.5. Factores que afectam o crescimento e o tamanho final do fruto

Segundo Guardiola (1987,1988) o tamanho do fruto estaria determinado por dois tipos de factores: internos e externos.

Os factores internos do fruto (que actuam no interior do mesmo) podem-se dividir em dois componentes:

a) a potencialidade genética do fruto e b) a capacidade do mesmo de actuar como captor (sink). Estes factores

são os que determinam as diferenças de tamanho entre, por exemplo, uma tangerina e uma toranja, e são modificáveis dentro de uns intervalos relativamente limitados (Guardiola,1987).

Os factores externos do fruto determinam a disponibilidade de metabolitos para o crescimento do fruto e por sua vez podem ser divididos em dois grupos: a) disponibilidade de metabolitos na planta, entendidos estes no sentido mais amplo, isto é, hidratos de carbono, elementos minerais, água, etc., e b) competição interna da planta, isto é o número de órgãos que se nutrem a partir dos metabolitos disponíveis. Em condições de grande disponibilidade e de pouca competição interna, o tamanho do fruto é determinado pala capacidade genética do mesmo.

Podem-se ainda adicionar os factores ambientais, ainda que estes estejam parcialmente relacionados com os factores externos, já que condicionam o desenvolvimento geral da planta e a disponibilidade de nutrientes desta. A temperatura a que o fruto está sujeito durante a primeira fase do seu desenvolvimento afecta o calibre final do fruto. Quanto mais elevada é a temperatura maior é o calibre dos frutos (Marsh et al., 1999). A frequência da rega afecta o calibre final do fruto, sendo que regas mais frequentes conduzem a maiores calibres

(Koo et al., 1974; Du Plessis, 1986) e a rega deficitária provoca uma redução do tamanho médio do fruto (González-Altozano & Castel, 1999).

Entre os factores internos que determinam o tamanho final do fruto pode-se incluir a presença de sementes, as quais aumentam a capacidade do fruto de actuar como sink. Cameron et al. (1960) encontraram uma correlação positiva entre o número de sementes e o tamanho do fruto, na laranjeira doce ‘Valencia late’. Este papel estimulante das sementes no crescimento do fruto pode dever-se à síntese de giberelinas, que tem lugar nos óvulos fertilizados (García-Papí & García-Martínez, 1984). Porém, o papel regulador do crescimento do ovário/fruto não parece ser desempenhado exclusivamente pelas sementes. Feinstein et al. (1975) trabalhando com as cultivares ‘Dancy’ e ‘Temple’ (com sementes) demonstraram que a aplicação de inibidores de crescimento do tubo polínico reduz significativamente o número de sementes, sem afectar a colheita, ainda que, nalguns casos, o crescimento do fruto se veja reduzido, encontrando-se, também, por vezes, um aumento do seu tamanho final, dependendo da época de aplicação (Monselise, 1977b).

Durante o crescimento do fruto, há um transporte de nutrientes de outros órgãos da planta ao fruto em desenvolvimento. A disponibilidade de metabolitos e a capacidade de actuar como sink determinam a sobrevivência e o ritmo de crescimento do fruto e, em consequência, o tamanho final do mesmo (Guardiola, 1988). Isso é evidenciado pelo facto de os frutos desenvolvidos em rebentos mistos terem um maior ritmo de crescimento e atingirem um calibre maior que os resultantes de inflorescências sem folhas (Lenz, 1966).

Em todos os citrinos, existe uma relação inversa entre o número de frutos produzidos e o calibre dos mesmos (Goldschmidt & Monselise, 1977; Almela et al., 1983; Guardiola, 1987,1988). A relação entre estes dois parâmetros pode ser representada por uma curva em duas fases. Para um número elevado de frutos por árvore (mais de 500, no caso da laranjeira ‘Navelate’), a variação no número de frutos tem um efeito muito pequeno sobre o tamanho do fruto. Quando o número de frutos é inferior a determinado nível, há uma dependência mais clara entre os dois parâmetros.

Porém, a correlação que existe entre o número de frutos colhidos e o tamanho, não costuma ser muito estreita. O número de frutos por árvore explica cerca de 50% da variabilidade no tamanho final do fruto (Guardiola, 1988). Isto indica que há outros factores que afectam o tamanho final do fruto. Entre esses factores há que ter em conta a competição entre os frutos, antes da queda de Junho. Os frutos que vingam inicialmente, e posteriormente caem (principalmente, durante a queda de Junho), não são tidos em conta, quando consideramos o número de frutos colhidos, mas podem afectar o tamanho final do fruto, em consequência de uma alta competição, na fase inicial do seu crescimento.

Segundo Guardiola (1987), isto explicaria o facto de que tratamentos com GA3 para aumentar o vingamento

reduzem o calibre dos frutos, mais do que seria de esperar, se tivermos em conta o efeito sobre o número de

frutos colhidos. As aplicações de GA3 atrasam, em mais de um mês, a queda de Junho e estimulam o

desenvolvimento de todos os frutos, incluindo os que caem posteriormente. Gera-se, assim, uma maior competição por nutrientes, durante a fase inicial do desenvolvimento do fruto, o que afecta o seu tamanho final (Van Rensburg et al., 1996). Sabemos também que o tamanho final do fruto, no momento da colheita está directamente relacionado com o tamanho que tinha no final da queda de Junho. Essa relação foi demonstrada em clementinas (Praloran et al., 1981) e em satsumas (Guardiola et al., 1988).

O tamanho final do fruto costuma estar melhor correlacionado com o número inicial de flores que com o número de frutos colhidos (Almela et al., 1983; Guardiola, 1988). Florações excessivas têm um efeito negativo sobre o tamanho final do fruto. Ensaios realizados com as laranjeiras ‘Navelina’, ‘Salustiana’ e ‘Navelate’ e com as tangerineiras clementinas e satsumas, demonstram que o peso final do fruto depende mais do número de flores do que do número de frutos colhidos.

Os factores externos e internos que afectam o desenvolvimento do fruto não são independentes e uma baixa disponibilidade de metabolitos nas primeiras fases de desenvolvimento do fruto, pode reduzir a capacidade de

sink do mesmo e, consequentemente, o seu ritmo de crescimento, em fases posteriores em que a disponibilidade

de metabolitos já não constitui uma limitação (Guardiola, 1988). Assim, os fenómenos de competição nas primeiras etapas de desenvolvimento dos frutos, podem determinar o ritmo de crescimento em etapas posteriores. Isso explica uma relação directa existente entre o tamanho do fruto maduro e o seu diâmetro no final da queda de Junho, tanto em clementinas (Praloram et al., 1981) como em satsumas (Guardiola et al., 1988).

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