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Capítulo 2 O CURSO DE PEDAGOGIA: A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA,

2.1. Gênero e currículo nos cursos de Pedagogia da UERJ

2.1.3. Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF/UERJ) – Campus Duque de

O terceiro e último Campus selecionado se localiza no município de Duque de Caxias, e é a representação da UERJ na Baixada Fluminense. Quando pensamos na sua história, podemos traçar sua trajetória de criação a partir da década de 1960, com o Curso de Formação de Professores para o Ensino Normal (CFPEN) no Instituto de Educação Governador Roberto Silveira (IEGRS), no ano de 1965. Posteriormente, em 1967, surge a Faculdade de Educação do IEGRS. Logo, de acordo com o site da própria IES, a Faculdade de Educação da Baixada

52 Como é uma faculdade de Formação e professores, não existe uma faculdade de Pedagogia. Isto é, a FFP é uma faculdade “única”, com sete departamentos, cada um deles responsável por seus cursos de licenciatura, com exceção do Departamento de Educação, que atende ao curso de Pedagogia e aos demais cursos de licenciatura. Portanto, a Pedagogia está vinculada ao Departamento de Educação.

53 Informação retirada diretamente da matriz curricular da instituição.

54 Nesta unidade em específico, o que chamou atenção é que durante o período em que os mapeamentos estavam sendo realizados, não foram encontrados alguns nomes de docentes que são amplamente conhecidos por pesquisarem e difundirem seus conhecimentos sobre a temática aqui elencada de estudo.

Fluminense (FEBF) acaba se tornando herdeira do Curso de Pedagogia existente do extinto Instituto de Educação Governador Roberto Silveira (IEGRS).

Durante os anos pós-fusão ocorrem intensas mobilizações da comunidade acadêmica do Curso para a permanência deste em Duque de Caxias. Mas é por força da Lei 472 de 1981, sancionada pelo então governador do Estado do Rio de Janeiro Chagas Freitas, que o curso é incorporado a UERJ, em 1982.

Porém, da incorporação resultaram as perdas de sua autonomia tanto administrativa quanto pedagógica. O Curso ficou subordinado à Faculdade de Educação da UERJ, configurando-se como um apêndice desta onde passou a ficar atrelada ao seu currículo e a sua coordenação.

Finalmente, em 1988, como forma de reverter esta situação, cria-se a Faculdade de

Educação da Baixada Fluminense como Unidade Acadêmica da UERJ pela

Resolução 548/88 do CONSUNI. A partir de então se restabelece sua autonomia, mas desta vez como Unidade Universitária (UERJ, 201-?b).

O reconhecimento da FEBF como uma unidade universitária foi um passo importante para despontar novos horizontes do Curso em Caxias, já que este espaço é fruto de uma antiga reivindicação da comunidade acadêmica, nessa cronologia: “1965, CFPEN; 1967, Faculdade de Educação do IEGRS; 1971, Curso de Pedagogia e 1988 unidade universitária, FEBF” (LIMA, 2016, p. 4).

No ano de 1998, a FEBF deixou de utilizar parte das instalações de IEGRS e em 12 de setembro foi transferida para um espaço próprio, um Centro Integrado de Educação Pública (CIEP)55 localizado no bairro de Vila São João, ainda no município de Duque de Caxias- RJ. Deve-se salientar que a FEBF, como representação da UERJ na Baixada, firma-se também como primeira instituição de ensino superior na mesma região.

Segundo o site da instituição (UERJ, 201-?b),

Até 2001 a FEBF contribuiu ativamente na Educação da Baixada formando Supervisores, Orientadores, Administradores Escolares e Professores das Séries Iniciais do Ensino Fundamental por meio de dois Cursos: Pedagogia e Magistério das Séries Iniciais.

Em 2001 foi concluído um amplo processo de Reforma Pedagógica e Administrativa, que incorporou os mais recentes debates da educação nacional, respeitando suas principais e vitoriosas experiências acadêmicas - assim como as novas diretrizes legais.

Da Reforma de Currículos emergiram os atuais cursos: Pedagogia Multi-habilitação em Orientação, Supervisão e Administração Escolar (Deliberação

55 “Os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs) são parte de um projeto educacional concebido por Darcy Ribeiro. Tinha como objetivo oferecer ensino público de qualidade em período integral. Darcy considerava-os “uma revolução na educação pública do país”. Num vídeo com data próxima à do seu falecimento, ele diz-nos que falhou em tudo aquilo que tentou e que seria tarefa dos vindouros concluir a obra inacabada. Se o saudoso Darcy nos deixou esse legado, compete-nos completar a sua obra. Se um câncer prematuramente o levou do nosso convívio, façamos jus à sua memória, devolvamos aos CIEPs a sua vocação.

Esses edifícios escolares deveriam funcionar em tempo integral, num horário entre as 8h e as 17h, oferecendo oportunidades de aprendizagem do currículo regular, bem como atividades culturais e recreativas, estudos dirigidos e educação física. No segundo governo de Brizola, alguns CIEPs foram equipados com piscinas. E forneciam refeições completas, além de atendimento médico e odontológico. Visava-se tirar crianças carentes das ruas, oferecendo-lhes “pais sociais”. (PACHECO, 2017).

11/2001) e Pedagogia Magistérios das Séries Iniciais do Ensino Fundamental e Educação Infantil (Deliberação nº 12/2001).

Atualmente, a FEBF abriga cinco departamentos: Ciências e Fundamentos da Educação; Formação de Professores; Gestão de Sistemas Educacionais; Educação Matemática; Ensino de Geografia. Desde 2006, está habilitada a ofertar vagas para curso de Pós-Graduação em Stricto Sensu, mais especificamente um curso de mestrado em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas, de acordo com a própria instituição, “o primeiro do Brasil em sua área” (UERJ, 201-?b). Ainda conforme o site, a unidade acadêmica contabiliza “42 professores efetivos e 25 servidores administrativos” (UERJ, 201-?b).

Figura 4 – Foto FEBF/UERJ – Campus Duque de Caxias Fonte: Página Institucional FEBF/UERJ

O currículo acadêmico da referida universidade contabiliza uma carga horária total de 3.925h e 220 créditos. As disciplinas obrigatórias somam 166 créditos, em um total de 2.970h. As eletivas universais (29 créditos), em 495h. A subdivisão para estágio supervisionado é de 360h, em 15 créditos. As atividades complementares são de 100h e são destinados ao Trabalho de Conclusão de Curso, 10 créditos. O curso de Licenciatura Plena em Pedagogia habilita o profissional para o exercício do magistério na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, nos Cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal e na área de Gestão de Sistemas Educacionais.

O currículo possui quarenta e quatro disciplinas e dentre elas, sete são eletivas, e as demais são as matérias obrigatórias do currículo. Um ponto importante é o fato das disciplinas terem seus nomes idênticos, só mudando a nomenclatura final. Por exemplo, no primeiro período, o graduando tem a perspectiva de trabalhar a disciplina “Cultura: O local e o global I

A”, no segundo, “Cultura: O local e o global II A” etc. Esta sequência percorre até o quarto período. Este mesmo percurso é percebido em outras matérias.

Outro ponto a ser apontado é que durante o mapeamento nove professores tinham publicações referentes a “gênero” e que as ofertas de disciplinas são dadas de forma “seriada”. Diferente das outras unidades da universidade percebeu-se que as disciplinas obrigatórias não são dadas todo o semestre, então, caso o discente reprove alguma matéria durante o período, o mesmo só poderá cursá-la novamente no ano seguinte. O currículo teve sua última atualização em 2015, mas sua grade curricular é fruto de Deliberação n º 27/2008, e diferente das outras unidades, está em sua versão 3. A escolha dos possíveis docentes entrevistados foi dado da mesma forma que o Campus de São Gonçalo, catalogado a partir da “relevância” que os trabalhos tinham quanto à temática, priorizando aqueles que tinham grupos de pesquisa e um quantitativo de trabalhos publicados relativamente altos.

Vale dizer: o Campus principal (Maracanã) tem em sua matriz curricular três disciplinas obrigatórias que trazem em suas ementas a perspectiva de trabalhar a temática, enquanto na Faculdade de Formação de professores (FFP) e na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF) não há nenhuma disciplina de mesmo caráter curricular que faça menção à questão de gênero – anexo III. Diferente do Campus principal, não foi possível identificar quais eram os departamentos responsáveis pelas disciplinas oferecidas nas matrizes curriculares dos cursos da FFP e FEBF.

Tabela 1 – Sistematização dos Currículos (UERJ) – gênero

Disc. Obrigatórias (Carga horária) Disc. Optativas (Carga horária) Disciplinas Obrigatórias (Gênero) Docentes (Gênero) UERJ Maracanã 2 610 h 300 h 3 18 FFP 2 475 h 225 h 0 8 FEBF 2 970 h 495h 0 9

Fonte: Elaboração Própria, 2017.

Sintetizando, podemos entender que a UERJ, em suas respectivas unidades, no que concerne ao tema proposto nesta pesquisa, têm seus currículos organizados da seguinte forma: somente no Campus Maracanã, as ementas oficiais apontam para três disciplinas que têm a perspectiva de trabalhar gênero. Como foi a única unidade em que houve a possibilidade de vislumbrar tal temática, não foram pesquisados outros docentes além daqueles que eram responsáveis por tais disciplinas. Nas demais unidades – FFP e FEBF, não foram identificadas

Unidade s

Disciplinas/ Docentes

disciplinas específicas que visam o trabalhar gênero em sala de aula e por isso, a pesquisa demandou a busca através dos Currículos Lattes dos docentes. O que foi percebido é que sete disciplinas ao longo de suas matrizes curriculares possuem professores que pesquisam, trabalham e participam de alguma forma mais ativamente sobre as questões relacionadas à gênero.