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Falha 3: Interrupção do processo de retificação

JORNALISMO ONLINE

3. O ERRO NAS ROTINAS PRODUTIVAS DOS WEBJORNAIS “Correções online são uma piada.”

3.3 Aspectos éticos qualitativos

3.3.3 Falha 3: Interrupção do processo de retificação

Quando um erro deve ser retificado em forma de errata? Ang e Nadarajan (1999) fizeram um estudo sobre erro com webjornais americanos, e essa foi uma das questões centrais. As autoras questionaram quando se deve simplesmente corrigir o erro sem um aviso de correção (errata); quando é preciso deixar o erro visível e fazer a correção; ou ainda quando é necessário corrigir o erro e dar a errata.

As respostas apontaram os seguintes caminhos: chamar atenção para pequenos erros pode ser contra-producente (erros em locais e datas, ortográficos e de digitação). “Esses podem ser corrigidos online sem emitir uma errata”39

(ANG e NADARAJAN, 1999, p. 11). Mas no caso de erros materiais (erros de título, declaração errada, erros factuais e omissões), uma errata é necessária.

De fato pequenos erros muitas vezes não pedem uma retificação em forma de errata, mas eles devem sempre ser corrigidos. Um erro ortográfico, por exemplo, pode ser considerado pequeno e rapidamente ser corrigido. Não queremos dizer, com isso, que trata-se de algo normal. Pelo contrário, é um fato preocupante, mas que não necessita de um aviso de correção para o leitor.

Nos exemplos abaixo, veremos casos em que a errata não seria necessária e outros em que a simples mudança de uma palavra transforma toda a notícia e, por isso, pede uma retificação explícita. Em todos os exemplos selecionados, no entanto, não houve errata, mas somente a modificação na página, sem aviso algum para o leitor.

A fig. 20 mostra um erro de digitação no título de uma notícia da Folha de S. Paulo. Apesar de estar em local de destaque, avaliamos

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Tradução livre do original: “These can be simply corrected online without running a correction notice” (ANG e NADARAJAN, 1999, p. 11).

que não seria necessária uma errata, pois trata-se de um erro pequeno e que não compromete a informação como um todo.

Fig. 20: reprodução de modificação identificada em notícia da Folha de S. Paulo de 31.3.201340.

Já no exemplo abaixo (fig. 21), O Globo informou que o ex- jogador de basquete Oscar Schmidt estava fazendo sessões de quimioterapia, mas depois mudou a informação para radioterapia. Neste caso, não se trata de um erro pequeno, pois são procedimentos diferentes e, para o leitor, importa ser informado corretamente. Dessa forma, avaliamos ser necessária uma errata.

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Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1255011-bombas-nuclares-sao-a- vida-da-coreia-do-norte-afirma-regime.shtml (Acesso em 15 set 2013).

Fig. 21: reprodução de modificação identificada em notícia de O Globo de 28.5.201341.

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Disponível em: http://oglobo.globo.com/esportes/ex-jogador-de-basquete-oscar-trava- batalha-contra-cancer-no-cerebro-8523787 (Acesso em 15 set 2013).

Conforme fig. 22, o portal G1 publicou que “Duas pessoas ficam feridas após colisão envolvendo metrô em Teresina”, e logo abaixo que “cerca de 150 pessoas estavam no metrô, mas ninguém ficou ferido”. Depois, mudou a informação, destacando que, na verdade, três pessoas que estavam no metrô haviam sido feridas. Ou seja, contando com os dois funcionários, já seriam cinco feridos, no total. Apesar da retificação no título, o texto permaneceu com erro, pois a última frase continua afirmando que “cerca de 150 pessoas estavam no metrô, mas ninguém ficou ferido”. Além de não mencionar os erros, o G1 não corrigiu a informação de forma completa, deixando vestígios dos erros. Neste caso, fica clara a necessidade de uma errata.

Fig. 22: reprodução de modificação identificada em notícia do G1 de 16.5.201342.

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Disponível em: http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2013/05/duas-pessoas-ficam- feridas-apos-colisao-envolvendo-metro-em-teresina.html (Acesso em 15 set 2013).

No exemplo abaixo (fig. 23), o portal R7 afirmou, no primeiro parágrafo da notícia, que “diante da onda de violência que já deixou 106 mortos...”; e ainda disse, no subtítulo da matéria, que “neste sábado, 25 pessoas foram presas, segundo cinco advogados”. Duas palavras erradas foram o bastante para mudar completamente a informação. Na verdade, não foram 106 mortos, mas 106 ataques; e a informação dos 25 presos não havia sido passada pelos advogados (como sugere a palavra “segundo”). Era: 25 pessoas foram presas, sendo cinco advogados. Os erros permaneceram ao longo de quase 24 horas no site do R7. Inclusive a matéria foi manchete do portal durante todo o dia 16. Depois, foi simplesmente retificada sem qualquer errata que, nesse caso, seria extremamente necessária.

Fig. 23: reprodução de modificação identificada em notícia do R7 de 16.2.201343.

No exemplo a seguir, o webjornal da Zero Hora informou que assaltantes levaram cerca de R$ 70 mil da agência, e depois mudou para R$ 107,8 mil, quantia bem diferente da informada inicialmente (fig. 24). Além disso, a matéria publicou uma fala do delegado, que afirmou

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Disponível em: http://noticias.r7.com/cidades/policia-de-santa-catarina-cumpre- mandados-de-prisao-em-meio-a-onda-de-violencia-no-estado-17022013 (Acesso em 15 set 2013).

terem sido trocados mais de 40 tiros. Posteriormente, o webjornal excluiu essa informação e acrescentou que houve “mais troca de tiros”. Há um agravante nessa mudança, pois ela foi feita na fala do entrevistado. Então o delegado disse que foram 40 tiros e depois que foram só tiros? De quem foi o erro? A matéria prosseguiu com mais equívocos: o nome de um dos suspeitos, que não é Igor, mas sim Ivo; e o número de armas recuperadas (que passou de quatro para cinco). Igualmente neste caso está clara a necessidade de uma errata, que, no entanto, não aconteceu.

Fig. 24: reprodução de modificação identificada em notícia da Zero Hora de 6.8.201344.

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Disponível em: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/policia/noticia/2013/08/capturado-trio- suspeito-de-assaltar-banco-e-fazer-gerente-refem-em-sao-paulo-das-missoes-