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5. PROPOSTA DE SOLUÇÃO

5.7. AS FALHAS

5.7.1. Falhas extraídas implicitamente das entrevistas

Mesmo não se tratando da fase de elaboração, mas sim da fase de execução orçamentária, os empenhos realizados (valores) e a aquisição efetiva de bens e serviços ocorrida em um exercício acaba refletindo no orçamento participativo do exercício subsequente. Isso porque uma execução destoante do planejado acaba por gerar um efeito cascata no próximo exercício, o qual deverá incorporar demandas que já eram para terem sido supridas antes.

Devido a esse impacto, os diretores de setor e coordenadores de curso foram questionados se os valores empenhados em relação ao seu setor/curso refletiam a programação por eles realizada no orçamento participativo. As respostas estão demonstradas na figura 9.

Figura 9: Gráfico da execução orçamentária em relação ao orçamento participativo (termos quantitativos)

0 1 2 3 4 5 6 Menos de 20% Mais de 20% e menos de 40% Mais de 40% e menos de 60% Mais de 60% e menos de 80%

Mais de 80% Não sabe responder Fonte: Elaboração própria.

Vislumbra-se que a maioria dos entrevistados considera empenhar entre 60 e 80% de tudo o que planejam no orçamento participativo, em termos de valores. Outros empenham mais de 80%, mas alguns ainda não alcançam nem a marca dos 60% de orçamento executado. A esses percentuais, alguns entrevistados atribuíram determinados motivos. E esses motivos, muitas vezes, acabaram por indicar falhas no processo. Essas falhas foram grifadas nas narrativas transcritas a seguir.

“Nem sempre conseguia mais de 80%, porque no meu setor mesmo se pedia muito

pouca coisa e como era muito urgente, teve um esforço para conseguir” (Entrevistado 2.

Grifos meus).

“Muitas vezes o recurso ia para outro setor porque o processo era moroso para se

pedir algo, logo o valor era alocado para outras prioridades” (Entrevistado 3. Grifos meus).

“Dificuldades de se concluir processos licitatórios” (Entrevistados 5, 6 e 7. Grifos meus).

“Tem que haver uma evolução no processo de aprendizagem para planejar apenas o

que é necessário e isso requer mais engajamento de quem está envolvido. Se não bater o pé com a direção não consegue” (Entrevistado 8. Grifos meus).

“Atribuo pelo fato de que no período do fim do ano são demandados processos

urgentes e possíveis “caronas” com outras instituições visando que a execução orçamentária seja mais próxima possível do que foi recebido, ou seja, para que não “sobre o orçamento que nos foi enviado”. Acredito que o principal motivo que nos faz trabalhar de forma urgente no fim do ano é que o processo licitatório é moroso e, nos últimos anos, temos encontrado dificuldades em trabalhar com ele, seja por falta de orientação ou conhecimento” (Entrevistado 11. Grifos meus).

“São previsões. Às vezes não se consegue ata e o pregão agarra na licitação, o que é

um grande gargalo. Aí o recurso é perdido” (Entrevistado 13. Grifos meus).

“Os requisitantes que não dão entrada em seus pedidos no período correto ou

sequer fazem seus pedidos. Outras vezes, existem atrasos no início de contratos, processos de licitação complexos e fluxos morosos dos processos. Assim, muitas vezes, a instituição continua necessitando daqueles itens que foram programados, mas não foram adquiridos” (Entrevistado 14. Grifos meus).

Além da questão que tratava dos valores empenhados em relação à programação realizada no orçamento participativo, a entrevista buscou saber se os bens e serviços efetivamente adquiridos pela instituição refletiam realmente a intenção inicial constante na proposta orçamentária, não em termos de valores apenas, mas sob um viés qualitativo. Para esclarecer ainda mais o objetivo dessa pergunta, a pesquisadora mencionou um exemplo durante todas as entrevistas:

“Suponhamos que eu tenha programado no orçamento participativo dois reais para

comprar caneta. E suponhamos que, em termos de valores, eu realmente empenhei esses dois reais que eu programei na natureza de despesa apropriada: material de consumo, no caso. Mas foi caneta o item que eu comprei? Eu poderia ter comprado lápis ou borracha no valor de dois reais, pois ambos são classificados como material de consumo. E, ainda assim, minha execução refletiria quantitativamente 100% da minha programação inicial. A pergunta é nesse sentido, portanto. Foi mesmo caneta o item que eu consegui empenhar?” (Pesquisadora).

Após esse exemplo, os entrevistados tiveram mais facilidade de compreender a intenção dessa parte da pesquisa. As respostas obtidas estão demonstradas na figura 9.

Figura 10: Gráfico da execução orçamentária em relação ao orçamento participativo (termos qualitativos)

0 1 2 3 4 5 6 Menos de 20% Mais de 20% e menos de 40% Mais de 40% e menos de 60% Mais de 60% e menos de 80%

Mais de 80% Não sabe responder Fonte: Elaboração própria.

Sobre a execução em termos qualitativos, as respostas se concentraram em duas opções: quatro servidores conseguem executar de 40% a 60% e outros quatro executam acima de 80%. Em relação às falhas detectadas, várias já haviam sido mencionadas na questão anterior. Mas algumas narrativas revelaram outras, conforme explanado a seguir.

“Nem tudo o que é colocado na planilha é cumprido, mas acho normal, visto que após

a elaboração da proposta existe uma fase de negociação do efetivamente desejado e o necessário para a instituição” (Entrevistado 11. Grifos meus).

“Algumas prioridades mudam no transcorrer do tempo. ARPs também mudam.

Talvez o item que se necessita não tem, aí se compra outro que era planejado mais no futuro, para que se aproveite o dinheiro. Pode ocorrer também aumentos inesperados de consumo de determinados itens” (Entrevistado 13. Grifos meus).

“Uma vez que não se dá entrada tempestivamente a um processo de aquisição, é

necessário que se recorra a alternativas, que são as atas de registro de preços (ARPs) de outros órgãos. Se no exercício “A” existe uma programação de se adquirir mesas e no exercício “B” de se adquirir cadeiras; e se no exercício “A” o processo de compras das mesas ainda não terminou, adere-se a uma ata de cadeiras

no exercício “A” e adquirem-se as mesas no exercício “B”. Essas decisões são vislumbradas num orçamento mais abrangente do que o orçamento participativo, um planejamento com projeções para três ou quatro anos, baseado também na quantidade de alunos. A partir daí é que os valores são distribuídos para serem empenhados em cada exercício” (Entrevistado 14. Grifos meus).