2 DOS CRIMES CONTRA A Fƒ PòBLICA
2.3 Da Falsidade documental
2.3.2 Falsifica•‹o de documento pœblico
O art. 297, por sua vez, trata da falsifica•‹o de documento pœblico:
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento pœblico, ou alterar documento pœblico verdadeiro:
Pena - reclus‹o, de dois a seis anos, e multa.
¤ 1¼ - Se o agente Ž funcion‡rio pœblico, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
¤ 2¼ - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento pœblico o emanado de entidade paraestatal, o t’tulo ao portador ou transmiss’vel por endosso, as a•›es de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.
¤ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Inclu’do pela Lei n¼ 9.983, de 2000)
I - na folha de pagamento ou em documento de informa•›es que seja destinado a fazer prova perante a previd•ncia social, pessoa que n‹o possua a qualidade de segurado obrigat—rio;(Inclu’do pela Lei n¼ 9.983, de 2000)
II - na Carteira de Trabalho e Previd•ncia Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previd•ncia social, declara•‹o falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Inclu’do pela Lei n¼ 9.983, de 2000)
III - em documento cont‡bil ou em qualquer outro documento relacionado com as obriga•›es da empresa perante a previd•ncia social, declara•‹o falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Inclu’do pela Lei n¼ 9.983, de 2000)
¤ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no ¤ 3o, nome do segurado e seus dados pessoais, a remunera•‹o, a vig•ncia do contrato de trabalho ou de presta•‹o de servi•os.(Inclu’do pela Lei n¼ 9.983, de 2000)
BEM JURêDICO TUTELADO FŽ pœblica
SUJEITO ATIVO Qualquer pessoa (crime comum).
Entretanto, se o crime for cometido por funcion‡rio pœblico prevalecendo-se do cargo, a pena Ž aumentada em 1/6, nos termos do ¤ 1¡ do art. 297.
SUJEITO PASSIVO A coletividade, sempre, e eventual lesado pela conduta.
TIPO OBJETIVO A conduta pode ser de fabricar documento pœblico falso ou alterar documento pœblico verdadeiro ou atŽ mesmo inserir informa•‹o err™nea, no caso do ¤ 3¡. Vejam que se trata de hip—tese (¤ 3¡) que mais se assemelha ˆ
falsidade ideol—gica, mas que a lei considera como falsidade de documento pœblico;
TIPO SUBJETIVO Dolo, sem que seja exigida nenhuma especial finalidade de agir. N‹o se admite na forma culposa.
OBJETO MATERIAL O documento fabricado, alterado ou no qual foi inserida a informa•‹o falsa.
CONSUMA‚ÌO E
TENTATIVA
Consuma-se no momento em que o agente fabrica o documento falso ou altera o documento verdadeiro, ou, ainda, quando insere a informa•‹o inver’dica nos documentos previstos no ¤ 3¡ do art. 297, n‹o sendo necess‡ria sua efetiva apresenta•‹o perante a Previd•ncia Social. Admite-se tentativa, pois n‹o se trata de crime que se perfaz num œnico ato (pode-se desdobrar seu iter criminis Ð caminho percorrido na execu•‹o).
CONSIDERA‚ÍES IMPORTANTES
¥! O ¤ 2¡ traz um rol de documentos que s‹o equiparados a documentos pœblicos, embora elaborados por particulares. Cuidado! Trata-se de um rol taxativo, ou seja, n‹o se pode ampli‡-lo por analogia, pois a falsifica•‹o de documento pœblico Ž mais grave que a falsifica•‹o de documento particular, gerando san•‹o tambŽm mais grave. Desta forma, aplicar a analogia aqui seria fazer analogia in malam partem, o que, como n—s j‡ vimos, Ž vedado no Direito Penal.
Mas, qual o conceito de documento pœblico? A Doutrina divide em:
§! Documento pœblico em sentido formal e material (substancial) Ð A forma Ž pœblica (emanado de —rg‹o pœblico, ou seja, por funcion‡rio pœblico no exerc’cio das fun•›es, com o cumprimento das formalidades legais) e o conteœdo tambŽm Ž pœblico (atos proferidos pelo poder pœblico, como decis›es administrativas, senten•as judiciais, etc.).
§! Documento pœblico em sentido formal apenas Ð Aqui a forma Ž pœblica (emanado de —rg‹o pœblico), mas o conteœdo Ž de interesse privado (Ex.: Escritura pœblica de compra e venda de um im—vel pertencente a um particular. O conteœdo Ž de interesse particular, embora emanado de um —rg‹o pœblico).
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Contudo, existem ainda os documentos equiparados a documento pœblico. S‹o eles:
§! Emanado de entidade paraestatal Ð Elaborados por entidades que n‹o pertencem ao Poder Pœblico, mas que atuam em ‡reas de interesse pœblico que n‹o s‹o privativas do Estado (Ex.: SESC, SENAI, etc.).
§! T’tulo ao portador ou transmiss’vel por endosso Ð T’tulo ao portador Ž aquele que se transfere pela mera tradi•‹o (repasse para outra pessoa), n‹o havendo no t’tulo men•‹o expressa ao seu titular (Ex.: Cheque de atŽ R$ 100,00 e alguns outros). O t’tulo transmiss’vel por endosso Ž aquele que identifica nominalmente o titular e, para ser transferido para outra pessoa, precisa ser endossado pelo titular (Ex.: Cheque em geral, nota promiss—ria, etc.).
§! A•›es de sociedade comercial Ð S‹o partes do capital social de uma empresa por a•›es (sociedade an™nima e sociedade em comandita por a•›es).
§! Livros mercantis Ð S‹o os livros estabelecidos pela Lei para o registro de atividades empresariais (Ex.: Livro-caixa, etc.). Engloba, aqui, tanto os livros obrigat—rios quanto os facultativos.
§! Testamento particular Ð ƒ o documento por meio do qual uma pessoa capaz destina seus bens para quando ocorrer sua morte. O testamento pœblico (aquele celebrado pelo Tabeli‹o) Ž documento pœblico naturalmente, eis que tem forma pœblica. O testamento particular, a princ’pio, n‹o se enquadraria no conceito de documento pœblico (j‡ que possui forma e conteœdo de interesse particular). Entretanto, a Lei entendeu por bem equipar‡-lo a documento pœblico (pela relev‰ncia de seu conteœdo).
ATEN‚ÌO! Telegrama, expedido pelos Correios, Ž documento pœblico?
NÌO! Os Correios, aqui, atuam como uma empresa qualquer, limitando-se a transcrever e a entregar a outra pessoa aquilo que o cliente mandar. O funcion‡rio pœblico (empregado dos Correios), aqui, n‹o entra no mŽrito do ato (o conteœdo do telegrama n‹o emana do Poder Pœblico). Entretanto, se estivermos diante de um telegrama expedido por um funcion‡rio pœblico no exerc’cio das fun•›es, a’ estaremos diante de um documento pœblico (Ex.:
Telegrama expedido pelo funcion‡rio de um —rg‹o pœblico convocando determinado candidato para tomar posse no cargo).
Por fim, o STJ e o STF entendem que se o documento falso Ž fabricado para a pr‡tica de estelionato, e a sua potencialidade lesiva se esgota nele, o crime de falso fica absorvido pelo crime de estelionato. Caso a potencialidade lesiva do documento n‹o se esgote no estelionato praticado, o agente responde por ambos os delitos, em concurso material.
Sœmula 17 do STJ
ÒQuando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, Ž por este absorvidoÓ.
Um exemplo disso ocorre quando o agente, por exemplo, falsifica recibos mŽdicos para cometer crimes tribut‡rios. Os referidos documentos (meros recibos) t•m sua potencialidade lesiva esgotada na pr‡tica do crime tribut‡rio.6 Por outro lado, quando, por qualquer motivo, a potencialidade do falso n‹o se exaurir na pr‡tica do estelionato, ou seja, quando permanecer o documento possuindo potencialidade lesiva, n‹o haver‡ aplica•‹o do princ’pio da consun•‹o (absor•‹o).7