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FASE 2: APRIMORAMENTO DOS PROCESSOS, PRODUTOS E EQUIPAMENTOS (1999 E 2000)

5. PROCESSOS DE APRENDIZAGEM

5.1. PROCESSO DE AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO EXTERNO

5.1.2. FASE 2: APRIMORAMENTO DOS PROCESSOS, PRODUTOS E EQUIPAMENTOS (1999 E 2000)

Assistências Técnicas Externas

Após a instalação dos novos equipamentos de metalurgia secundária da aciaria (Desgaseificador RH e Forno Panela), iniciou-se uma fase de intenso aprendizado para desenvolvimento de novos processos de fabricação de aço, técnicas de operação e manutenção dos novos equipamentos, e a produção de novos produtos. Dentro dessa linha de ação, foram contratadas duas assistências técnicas externas. Estas assistências tinham como objetivo principal aprimorar os processos de fabricação de aços especiais. A primeira fase foi feita com a empresa alemã Thyssen Krupp Stahl, e objetivava o desenvolvimento de técnicas para produção de aços para fabricação de embalagens metálicas; a segunda, com a companhia japonesa Kawasaki Steel Corporation, estava voltada para o aprendizado de processos de fabricação de aços para indústria automobilística. Em ambos os casos houve um forte intercâmbio entre os engenheiros de cada empresa e os da CSN. Através de visitas técnicas de especialistas da Thyssen e da Kawasaki a CSN, seguida de viagens ao exterior por parte dos engenheiros da CSN, houve um fluxo de conhecimento entre as empresas. O resultado foi positivo, pois a partir destes trabalhos pôde-se acelerar a curva de aprendizado na operação dos novos processos, implicando na ampliação do portifólio de produtos fabricados, em especial os aços IF para indústria automobilística e o DWI, para latas de bebidas carbonatadas fabricadas em duas peças. Os ganhos advindos da aprendizagem tecnológica ocorrida durante esse período permitiu o aumento da participação da CSN no mercado de aços especiais e, consequentemente, da competitividade da empresa no cenário mundial.

Visitas Técnicas ao Exterior

Entre as atividades de aquisição de conhecimento externo compreendidas na assistência técnica com empresas estrangeiras estavam as viagens ao exterior. As viagens realizadas a Alemanha (Thyssen), Japão (Kawasaki) e Inglaterra (British Steel) permitiram o acesso a algumas práticas típicas de cada empresa, presentes no conhecimento tácito daquelas pessoas que operam as máquinas ou solucionam problemas do dia a dia. Além da componente intrínseca de cada processo, diversas recomendações formais (conhecimentos codificados) foram documentadas e apresentadas sob forma de relatórios. Todo material fornecido como parte do trabalho de transferência de conhecimentos foi colocado em discussão por times formados por especialistas de cada processo. O resultado deste trabalho foi a implementação de novos padrões técnicos e operacionais, e de novas práticas de fabricação de novos produtos.

Visitas Técnicas a Empresas Nacionais

Outro ponto importante para aquisição de novos conhecimentos foi a continuidade dada ao processo de visitas técnicas a empresas nacionais. Entre as diversas visitas, pode- se destacar aquelas realizadas na CST, na Cosipa, na Belgo Mineira e na Acesita. Em cada uma destas empresas havia um objetivo bem definindo: obter informações que permitissem a melhoria do processo de fabricação de aços específicos. Como cada uma destas empresas já operava com equipamentos semelhantes aos recém instalados na CSN, novas informações colhidas junto a seus especialistas puderam ser convertidas de forma a ajustar as técnicas de produção.

Projetos em Parceria com Fornecedores

Uma atividade que contribuiu para o acúmulo de competências tecnológicas na aciaria da CSN foi a parceria formada com empresa Magnesita, fornecedora de materiais

refratários para os conversores e para panelas de aço. No passado, a relação entre a CSN e este fornecedor se limitava a transação comercial. Entretanto, a partir de 1999 houve um estreitamento desta relação e algumas das atividades de reparo de conversores e panelas foram terceirizadas e então passaram ser feitas pela própria Magnesita. A partir desta nova fase, os problemas de ordem tecnológica passaram a ser solucionados de forma compartilhada. O fato da Magnesita ser uma empresa especializada em materiais refratários, desenvolvendo pesquisa e estabelecendo parcerias com empresas da fronteira tecnológica em sua área de competência, ajudou a acelerar a atualização de conhecimentos necessários a melhoria de performance no processo de alongamento da campanha dos refratários usados na aciaria, aumentando a disponibilidade dos conversores e panelas de aço e, por conseguinte, contribuindo para elevação da produtividade e redução dos custos de produção. A alteração do perfil dos refratários das panelas e dos conversores, apresentados na seção 4.1.3, é um exemplo dessa experiência bem sucedida. Através dessa interação com o fornecedor, os profissionais de ambas as empresas puderam ampliar seus conhecimentos técnicos e solucionarem problemas de maneira compartilhada.

Projetos em Parceria com Clientes para Desenho de Novas Especificações para Indústria Automobilística

A fabricação de novas especificações para indústria automobilística também foi fruto de esforços de aprendizado contínuos junto aos clientes. Esta prática permitiu que novas especificações, algumas originais, pudessem ser desenhadas para atendimento a requisitos de qualidade específicos. Em função das montadoras brasileiras produzirem modelos mundiais de automóveis e exportarem para as mais variadas partes do mundo, houve a necessidade de se acompanhar tecnologicamente as demandas por materiais mais elaborados e com características de qualidade semelhantes àquelas fornecidas nos países desenvolvidos tecnologicamente. Para que essa idéia se tornasse realidade, houve uma

aproximação do departamento de assistência técnica da CSN com as montadoras. A transformação das necessidades dos clientes em especificações foi feita através de discussões regulares entre os engenheiros de assistência técnica, os engenheiros do centro de pesquisa da CSN e os engenheiros das unidades industriais. O trabalho de conversão de projetos de novas peças para os automóveis em produtos siderúrgicos percorreu um caminho marcado pela acumulação de novas competências tecnológicas, de modo a permitir a definição dos processos de fabricação mais adequados aos produtos de acordo com suas aplicações finais. Outro ponto a ser destacado é a interação que existiu entre todas as partes envolvidas no desenvolvimento de novos produtos. A troca de conhecimentos específicos de cada especialista auxiliou na composição de um conhecimento global dos processos e, como conseqüência, acelerou a produção de aços especiais.

Treinamento Externo em Controle Estatístico de Processo para Nucleadores

Paralelamente ao acúmulo de conhecimentos através das atividades mencionadas acima, novas técnicas para tratamento estatístico de dados de processo foram implantadas. A principal foi a introdução do controle estatístico de processo (CEP). O desenvolvimento desta técnica se deu em duas etapas, na primeira, foram indicados alguns nucleadores para participar de cursos externos contratados junto a Fundação de Desenvolvimento Gerencial; e na outra, pela difusão dos novos conhecimentos adquiridos pelos nucleadores através de cursos internos para os demais profissionais de cada área.

Curso Externo no Sistema SAP/R3 para Nucleadores

Um dos grandes projetos implantados pela CSN foi a mudança do sistema de integração de informações da usina, que passou de terminais IBM para o sistema SAP/R3. A implantação do sistema SAP/R3 ocorreu em três etapas: realização de cursos externos,

ministrados pela empresa Andersen Consulting; desenho de um sistema para adequação aos processos da CSN, coordenado também pela Andersen Consulting; e treinamentos internos para todos os níveis da empresa. Para as duas primeiras fases foram indicados alguns nucleadores de cada gerência, que adquiriram os conhecimentos sobre o novo sistema e ajudaram no desenvolvimento dos projetos de ajuste dos programas. Estes mesmos nucleadores foram responsáveis pelos treinamentos internos, realizados em uma etapa subsequente, durante a implantação.

5.1.3. FASE 3: SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS ORIGINAIS PARA ELIMINAÇÃO