3 T ´ ECNICAS DE INTELIG ˆ ENCIA ARTIFICIAL
4.2 FASE DA COLETA
De acordo com Miguel e Ho (2010), a fase da coleta ´e aquela em que ap´os o planejamento ter sido feito corretamente, p˜oe em pr´atica a teoria para a colec¸˜ao de dados que ser˜ao posterior- mente analisados.
Miguel e Ho (2010) indica que os question´ario utilizado para a coleta de dados pode ser tanto estruturado quanto n˜ao estruturado. Os question´arios que s˜ao considerados mais estrutu- rados s˜ao aqueles que possuem menor n´umero de quest˜oes abertas e, consequentemente, apre- sentam menor possibilidade de surgimento de novas categorias durante o processo de coleta de dados.
As quest˜oes presentes no question´ario tamb´em s˜ao foco dos estudos de Miguel e Ho (2010). Os autores indicam que o tipo dos questionamentos podem variar em, geralmente, dois tipos. S˜ao eles:
- Quest˜oes Abertas: S˜ao aquelas que n˜ao possuem respostas definidas pelo question´ario, isto ´e, a pessoa que est´a respondendo pode escrever qualquer coisa como resposta. Este tipo de
survaytem como vantagem que s˜ao mais f´aceis de serem elaboradas, elas n˜ao sofrem influˆencia das respostas pr´e-determinadas e por serem abertas, acabam possuindo a propriedade de cole- tarem maior quantidade de dados, que muitas vezes s˜ao mais ricos. Entretanto, tem-se como desvantagem a potencial dificuldade de entendimento no momento de an´alises das respostas (considerando que o respondente pode ser vago e incoerente) e tamb´em que os dados coletados como resposta s˜ao dif´ıceis de colocar em uma tabela, o que indica que as respostas dever˜ao ser codificadas para realizar uma an´alise melhor. Isso tamb´em evita, na maioria dos casos, o processamento automatizado das respostas obtidas.
- Quest˜oes Fechadas: S˜ao aquelas que possuem respostas definidas pelo question´ario. Po- dem ser divididas em trˆes subtipos diferentes: Dicotˆomicas (possuem apenas duas respostas pr´e-definidas para as perguntas, do tipo ”sim”e ”n˜ao”), tricotˆomicas (possem trˆes respostas, do tipo ”sim”, ”n˜ao”e ”n˜ao sei”) e de m´ultipla escolha (possuem mais de trˆes respostas). Quanto `as vantagens, os autores citam que este tipo de quest˜oes s˜ao mais f´aceis de serem respondidas, facilitam a tabulac¸˜ao e an´alise dos dados e elas podem ser agregadas `as quest˜oes abertas, onde parte da resposta ´e aberta e a outra ´e fechada. Por´em, algumas desvantagens tamb´em s˜ao rela- tadas, como o respondente escolher qualquer uma das respostas por falta de opc¸˜ao, pode existir
a dificuldade de quem est´a desenvolvendo o question´ario em criar as alternativas e ´e necess´ario mais tempo de criac¸˜ao, em comparac¸˜ao `as quest˜oes abertas, pois necessita de tempo tamb´em para o desenvolvimento das respostas.
Pela proposta da presente pequisa, optou-se pelo question´ario fechado com respostas de m´ultipla escolha (tipo estruturado). Esta escolha foi feita, pois ´e necess´ario mensurar por meio de uma escala pr´e-definida a intensidade que cada aspecto em particular afetar´a o grau de imers˜ao e envolvimento emocional nos jogos digitais analisados. Com o question´ario fe- chado, esta tabulac¸˜ao de intensidade ser´a feita com maior efic´acia. Al´em disto, o question´ario ser´a tamb´em n˜ao disfarc¸ado, pois n˜ao h´a influˆencia disto na an´alise dos resultados da pesquisa. O question´ario foi adaptado para ser um conjunto de afirmac¸˜oes, pois esta forma se ad´equa melhor `a Escala de Likert (LIKERT, 1932), que ser´a explicitada mais a frente.
Wurman (1991) define que para a formulac¸˜ao do question´ario, quatro passos espec´ıficas devem ser seguidos para que ele se torne claro o bastante a ponto de n˜ao gerar d´uvidas para o usu´ario responder e, consequentemente, a an´alise ser´a realizada de forma satisfat´oria. S˜ao elas: - Utilizac¸˜ao de Linguagem Coerente: A linguagem utilizada para a criac¸˜ao do question´ario deve ser compat´ıvel com o p´ublico-alvo, isto ´e, n˜ao pode ser utilizado nenhum tipo de pala- vreado que esteja fora do conhecimento da populac¸˜ao que responder´a `a survey. Este passo visa evitar problemas de compreens˜ao, gerando respostas que n˜ao condizem com aquilo que o usu´ario pensa.
- Formul´ario Objetivo: N˜ao pode existir excesso de informac¸˜ao no formul´ario como um todo, isto ´e, ele deve ser objetivo. Este passo tem a mesma meta que o anterior, n˜ao criar problemas de compreens˜ao, j´a que existe a possibilidade disto acontecer caso existam dados desnecess´arios dispostos no question´ario.
- Agrupamento das Perguntas: A definic¸˜ao de grupos de perguntas de acordo com seus respectivos tipos ´e ´util para que o usu´ario saiba previamente qual ´e o escopo de informac¸˜ao que ele necessita para respondˆe-la, sem que haja desvio de foco para isto.
- Utilizac¸˜ao de Exemplos: Com o objetivo de esclarecer ao m´aximo ao usu´ario o que o significado da pergunta, a utilizac¸˜ao de exemplos ´e o ´ultimo dos passos descritos pelo autor. Os exemplos podem ser verbais ou visuais, desde que sejam explicados adequadamente e que sejam relevantes `aquilo que est´a sendo proposto, principalmente se o que est´a sendo tratado seja
considerado complexo para o p´ublico-alvo. Com isto, o respondente ter´a contexto necess´ario para poder responder adequadamente `a pergunta.
Partindo das premissas apresentadas por Miguel e Ho (2010) e Wurman (1991), o ques- tion´ario desenvolvido ser´a feito com base na Escala de Likert (LIKERT, 1932) e ser´a adaptado a um conjunto de afirmac¸˜oes, conforme previamente explicitado. Segundo Miguel e Ho (2010), esta escala produz dados qualitativos ordinais, que foram definidos como os tipos dados a serem coletados na Fase de Planejamento.
Miguel e Ho (2010) e Silva (2005) definem esta escala como um sistema de question´ario fechado, que visa definir a intensidade da qual o respondente concorda com o que est´a sendo ex- posto. Para tal, utiliza-se um n´umero de respostas ´ımpares, para que desta forma exista um valor central “neutro” e um n´umero equitativo entre respostas de intensidade positiva e respostas de intensidade negativa. Silva (2005) indica que s˜ao comumente utilizados as respostas com cinco escalas (“Concordo plenamente”, “Concordo parcialmente”, “N˜ao concordo, nem discordo”, “Discordo parcialmente” e “Discordo totalmente”), dando uma pontuac¸˜ao que parte de zero (para a menor escala) at´e quatro (para a maior escala). Miguel e Ho (2010) cita a possibilidade de escalas de cinco, sete, nove ou onze pontos, sempre possuindo pontuac¸˜oes coerentes, como de 0 a 4, de 1 a 9 ou 0 a 10, por exemplo.
Miguel e Ho (2010) destacam a necessidade de uma apresentac¸˜ao formal do question´ario. Est´a ´e uma das ac¸˜oes que podem ser tomadas para que a taxa de retorno dos question´arios seja maior, considerando que a pessoa que os desenvolveu n˜ao tem muito controle sobre ele. A qualidade da apresentac¸˜ao pode influenciar o incentivo para o usu´ario responder o question´ario. Duas pr´aticas que podem ser abordadas na apresentac¸˜ao, segundo os autores, ´e a explicitac¸˜ao dos objetivos e uma declarac¸˜ao que evidencie a confidencialidade dos dados que podem vir a ser cedidos pelo usu´ario.
4.3
FASE DA AN ´ALISE
A Fase da An´alise, segundo os autores Miguel e Ho (2010), ´e a parte do processo onde os dados coletados s˜ao minuciosamente interpretados de acordo com as premissas previamente estipuladas.
apresentada.
Na pr´oxima sec¸˜ao, a fase que precede a an´alise ´e apresentada: a elaborac¸˜ao da aplicac¸˜ao.