3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Fase Experimental I Ex Vivo
3.1.1 Coleta, preparo e conservação de ossos corticais
Foram coletados 108 fêmures de cadáveres de cães adultos provenientes da rotina do Hospital Veterinário da Universidade Federal de Santa Maria. A coleta foi realizada somente em cães encaminhados à eutanásia ou que sofreram óbito, sem histórico clínico de doenças sistêmicas que pudessem interferir na pesquisa. O procedimento de coleta baseou-se em método não-asséptico, realizado num período entre 2 a 4 horas após o óbito. O critério utilizado para seleção dos doadores baseou-se na escolha de pacientes livres de doenças infecto-contagiosas, neoplasias, portadores de osteopatia primária ou secundária, além de pacientes com histórico de procedimento cirúrgico nos membros posteriores ou alterações ortopédicas do esqueleto apendicular. O acesso para coleta foi realizado mediante incisão craniolateral da coxa estendendo-se do trocanter maior do fêmur até o côndilo lateral femoral, com rebatimento da musculatura adjacente. Os ossos foram medidos longitudinalmente por meio de uma linha traçada a partir do trocanter maior até a fossa supratroclear, sendo coletada a porção óssea diafisária correspondente ao terço médio desta medida, com auxílio de serra manual. Após a coleta, o periósteo foi rebatido com auxílio de um elevador de periósteo e a medula óssea foi removida permanecendo apenas a cortical óssea. Os fêmures foram identificados e posteriormente higienizados com solução hidroeletrolítica de cloreto de sódio a 0,9% durante 30 minutos e então conservados em solução de glicerina a 98% durante um período não inferior a 2 ano (Figura 01 - A).
3.1.2 Avaliação Radiográfica dos implantes
Os implantes foram selecionados para conservação em glicerina após a realização de exame radiográfico. Os mesmos foram identificados, marcados com grafite e em seguida radiografados em duas incidências de acordo com seus grupos de
avaliação (Figura 01 - B, C e D). Após a avaliação radiográfica os ossos foram encaminhados para a aferição e padronização das dimensões dos fragmentos ósseos.
3.1.3 Tamanho e Volume dos Implantes
Considerando-se o formato peculiar do osso cortical diafisário do fêmur de cães, algumas decisões foram tomadas visando facilitar a sua manipulação, além do cálculo de suas dimensões. Visando evitar o envergamento durante o teste de resistência, os fragmentos ósseos foram padronizados quanto ao comprimento, onde este deveria medir o equivalente ao diâmetro do osso. Os valores de diâmetro foram obtidos com uso de um paquímetro digital, sendo este valor marcado sobre o segmento ósseo para orientar o corte do mesmo. O corte foi realizado com o auxílio de uma serra fita de 2mm de diâmetro. Após o corte, os segmentos ósseos resultantes foram novamente mensurados quanto ao diâmetro, comprimento e espessura de cortical (Figura 01 - E, F e G). De posse desses valores, adotou-se por conveniência, o cálculo do volume do segmento ósseo baseado na fórmula do cilindro perfeito. Para obtenção do volume final, calculou-se o volume de um cilindro maciço tomando como referência as extremidades externas das corticais ósseas, medida esta que foi denominada de cilindro externo. Por sua vez, outro cilindro maciço foi calculado, porém agora, tomando como referência as extremidades internas das corticais ósseas, o qual foi denominado de cilindro interno. De posse destes dois valores, subtraiu-se o volume do cilindro interno do volume do cilindro externo, obtendo-se o valor do volume do segmento ósseo.
3.1.4 Densidade óssea dos implantes
Os fragmentos uma vez preparados e conservados em glicerina a 98% foram separados individualmente em frascos. Mais tarde, cada fragmento, devidamente identificado foi submetido à tomografia para avaliação de sua estrutura e densidade óssea, de acordo com seus respectivos grupos de hidratação. Foram realizados cortes com intervalos de 1mm entre si, dos quais foram selecionadas três regiões: duas correspondentes às extremidades laterais do fragmento ósseo e outra a região central do
mesmo. A leitura da densidade óssea foi realizada com auxílio do software E-Film, obtendo o valor da densidade destes três pontos e gerando uma média aritimética para o segmento ósseo. O esquema de avaliação da densidade óssea mediante tomografia dos segmentos ósseos esta representada na figura 02.
3.1.5 Hidratação dos implantes
Os 108 ossos foram separados em seis grupos distintos, diferenciados entre si pelo tempo de hidratação, denominados de grupo I, II, III, IV, V e VI que corresponderam respectivamente a tempo 0, 1h, 3h, 6h 9h e 12h. Cada grupo foi composto por 18 ossos. Todos os ossos foram hidratados em frascos individuais com solução de cloreto de sódio a 0,9% na proporção de 10:1 de solução em relação ao fragmento ósseo.
3.1.6 Teste de resistência biomecânica
A resistência dos ossos corticais foi testada com o auxílio de uma prensa de compressão axial. Os testes foram realizados no Laboratório de Materiais da Construção Civil (LMCC) da Universidade Federal de Santa Maria. Cada osso foi submetido à pressão longitudinal dada por um torno calibrado de Amsler. Para isso, o implante foi posicionado no sentido longitudinal entre as lâminas da prensa. A força imposta sobre o implante ósseo gerava deformação de um anel ligado a um marcador analógico que produzia um valor de leitura referente ao processo compressivo. Este valor foi posteriormente convertido para unidade de quilograma-força (kgf) com auxílio da fórmula P = 1,3723 x L + 5,35, onde P indica o resultado em kgf. Os fragmentos ósseos foram destruídos após a compressão. O procedimento de compressão pode ser observado na figura 03.
A
B
C
D
E
F
G
Enxerto ou implante homólogo na correção de defeito ósseo segmentar femoral em cães associado a inoculação da fração de células mononucleares da medula óssea. (A) Segmentos ósseos corticais conservados em glicerina 98% por período não inferior a 1 ano. (B, C e D) Avaliação radiográficas dos segmentos ósseos corticais. (E, F e G) Aferição das dimensões dos segmentos ósseos.
Enxerto ou implante homólogo na correção de defeito ósseo segmentar femoral em cães associado a inoculação da fração de células mononucleares da medula óssea. (A) Topograma. (B) Imagem de um corte de tomografia computadorizada empregado na Figura 02
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1
1
1
1
1
1
1
1
1
A
B
3.1.7 Avaliação Estatística do teste de resistência
A análise estatística foi realizada com o programa estatístico SPSS (Statistical
Package for Social Sciences), versão 7.0. A análise comparativa entre a resistência
óssea nos diferentes grupos estudados foi realizada pelo teste de Kruskal-Wallis, considerando significativo um P<0,05. A correlação de Spermann foi utilizada para relacionar as variáveis analisadas.