5 PERCURSOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS DA PESQUISA
5.1 Fase exploratória e abordagem da pesquisa
O/a pesquisador/a enquanto investigador/a, ao propor a realização de uma pesquisa, certamente, precisa ter bastante clareza sobre quais etapas seguir. Isso porque a produção de dados e sua análise exige que essas ações sejam concebidas em uma perspectiva teórico-metodológica que credibilize a investigação, pois,
essa atividade pressupõe que o pesquisador tenha presente as concepções que orientam sua ação, as práticas que elege para a investigação, os procedimentos e técnicas que adota em seu trabalho e os instrumentos de que dispõe para auxiliar o seu esforço (CHIZZOTTI, 2008, p. 19).
Dito de outra maneira, uma pesquisa precisa ter um conjunto de elementos que permitem-na tomar forma até o seu fechamento. Nesse sentido, isso envolve ter uma base teórica que defina os conceitos, como também ajuda a entender quais práticas devem indispensavelmente acontecer durante todo o período de investigação.
Sabe-se ainda que, toda pesquisa tem seu início com a fase denominada de exploratória, na qual acontecem os primeiros contatos do/a pesquisador/a com o objeto de estudo. Embora em outro momento de nossa trajetória, enquanto pesquisadores, tenhamos estudado aspectos relativos à profissionalização do/a professor/a, foi a primeira vez que buscamos empreender tal estudo na perspectiva da formação do/a estudante-professor/a de matemática.
A compreensão de que a pesquisa desenvolvida por nós se caracteriza por ser exploratória, alinha-se ao pensamento de Oliveira (2014, p. 65), quando diz que a fase
exploratória da pesquisa "é realizada quando o tema escolhido é pouco explorado, sendo difícil a formulação e operacionalização das hipóteses"; pouco explorado não só pelo/a pesquisador/a, mas pela baixa quantidade de material disponível.
Para realizar a exploração, elegemos a base de dados da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd). A escolha por esse banco de pesquisas se deu pelo fato de que a ANPEd contém um Grupo de Trabalho (GT) para discutir a formação de professores/as, a saber o GT- 08, denominado de Formação de Professores, bem como, porque nessa mesma plataforma há outro GT de número 19, chamado de Educação Matemática. A escolha ainda pela base de dados da ANPEd se justifica por ser esta uma associação reconhecida pela comunidade acadêmica, algo que confirma-se pela realização da 38ª edição no ano de 2017.
Assim, realizamos um levantamento nos GT’s 08 e 19 (Formação de Professores e de Educação Matemática, respectivamente), das edições 30ª a 38ª, que se referem ao período de 2007 a 2017. Essa ação aconteceu via leitura dos resumos dos trabalhos e/ou por meio da leitura da introdução dos mesmos (na falta do resumo), de maneira que, quer seja via leitura do resumo ou introdução, estes pudessem indicar a proximidade ou distanciamento daquela pesquisa com o nosso objeto de estudo.
No GT- 08, identificamos apenas uma pesquisa que se aproxima do nosso objeto de estudo, de autoria de Melo (2007), que traz na sua pesquisa como tema central as incertezas da construção da identidade docente dos/as estudantes dos cursos de licenciatura em física, matemática e química.
Já no GT-19, de Educação Matemática, identificamos três pesquisas que se assemelham à nossa, a saber: o trabalho de Gama & Fiorentini (2008), que tratam do início da carreira docente e das identidades nela construídas; Cardim e Grando (2008), que falam da questão dos saberes docentes na formação inicial (elemento enunciado implicitamente na nossa questão); e, por fim, Martins & Rocha (2013), que discutem a identidade docente do/a professor/a de matemática.
Localmente27, fizemos também o levantamento de pesquisas nas dissertações28
do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM) e do Programa de Pós-Graduação em Educação Contemporânea (PPGEduC). De modo que, após a investigação no repositório de ambos os programas, identificamos
27 Estamos nos referindo ao Centro Acadêmico do Agreste.
que o único trabalho que menciona o curso de Matemática – Licenciatura é o de Moura (2017), que não trata do mesmo objeto que o nosso, uma vez que a autora pesquisou sobre as concepções de docentes e discentes no que tange à avaliação em matemática.
Outra pesquisa que identificamos que menciona a matemática (não o curso) no repositório do PPGEduC é a de Silva (2013). A investigação desse autor não é voltada para o curso de matemática em si, mas para o ensino da matemática nos anos iniciais de escolarização, relacionando-o com a formação continuada dos/professores/as que lecionam nos anos iniciais de ensino.
Assim, após o levantamento, identificamos um baixo índice de pesquisas que tratam da identidade docente e suas relações com a experiência tanto na plataforma da ANPEd, como no repositório do PPGECM e PPGEduC, algo que reforça a realização da pesquisa.
Outro aspecto importante no andamento da pesquisa diz respeito à sua abordagem. Como tivemos o intuito de trazer as concepções dos/as estudantes- professores/as sobre a maneira que eles/as percebem que a experiência afeta as suas respectivas identidades docentes, compreendemos que a abordagem que melhor responderia à realização desse estudo seria aquela de cunho qualitativo.
Esse tipo de abordagem busca compreender aspectos que uma pesquisa quantitativa não daria conta, uma vez que existem especificidades da subjetividade humana que não são quantificáveis, a saber: valores, sentidos e ajuizamentos que os números não poderiam expressar, justamente, por não trazer essa dimensão do sentido e da significação (FRANCO, 2005).
Sobre essa dimensão subjetiva que existe nas concepções das pessoas, nesse sentido,
a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se ocupa, nas Ciências Sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. (MINAYO, 2009, p. 21).
Sendo, pois, os principais produtores de dados da presente pesquisa seres humanos, por meio de suas falas, entendemos a partir das contribuições também de Minayo (2009) que esses/as participantes trouxeram nos conteúdos enunciados elementos subjetivos, por essa razão, a abordagem qualitativa se justifica.
A propósito, por estarmos tratando com seres humanos, tivemos que submeter o projeto de pesquisa à Plataforma Brasil. Por seguinte, ele foi avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Pernambuco, por meio do parecer nº 2.754.11529, segundo normatiza a Resolução nº 466/2012 do
Conselho Nacional de Saúde (CNS) (BRASIL, 2012).