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Mãe: Eu gostava de saber, eu como mãe, a outra mãe (...), a mãe de um colega da C. por exemplo, gostava de saber que ideias, que novidades dá ao filho dela (...) para trocarmos. Eu acho que era muito importante reunirmo-nos todos (...). (FAM 6:10)

A F. [doutoranda em visita a Portugal] acompanhou-me nas observações ao CE, visitámos a instituição com a coordenadora pedagógica. Procurei estar particularmente atenta à forma como a coordenadora pedagógica procurou revelar o trabalho realizado no CE. (...) entre as diversas apresentações, questões e respostas, verifiquei que a F. foi colocando algumas questões particularmente, sobre o tipo de relação que a equipa estabelece no dia-a-dia com as famílias. Constatei que a permanência das famílias nas salas é afirmada pela coordenadora pedagógica, como sendo possível somente na altura das adaptações das crianças à instituição. Como referiu a coordenadora pedagógica, somente durante uma semana, depois disso “as famílias não fazem parte da rotina”. É precisamente isto que tenho sentido durante as observações, as famílias são bem acolhidas, procura-se manter uma relação simpática e cordial com os pais, no entanto, não sinto que façam parte (….). (Notas de campo, 9 de abril de 2011, p.31)

Por último, ainda no que respeita ao trabalho com as famílias, a EI/CP do CE referiu, na entrevista realizada, que o êxito do trabalho com as crianças está fortemente dependente da confiança que os pais sentem na creche. Deste modo, zelar pela confiança dos pais foi apontado como um dos aspetos mais valorizados pela equipa:

Quando se quebra a confiança é muito difícil e temos tudo muito mais complicado, portanto temos mesmo que zelar pela confiança. (EI/CP 5:12)

No caso em análise, pareceu-nos que apesar da EI/CP referir a confiança como um ponto fundamental, as observações e entrevistas realizadas apontam no sentido de que esta poderia ser fortalecida caso a partilha de experiências diária fosse maior e mais profunda. Para isto, seria necessário que as famílias tivessem oportunidade de observar e de se envolverem realmente no CE.

A comunicação recíproca, a tolerância e a confiança mútua entre os ambientes principais da criança são, como refere Bronfenbrenner (2006), padrões de troca de informação fundamentais para se alcançar esta confiança. Importa, assim, que seja tomado em consideração que sem confiança, será improvável que as famílias aceitem as sugestões e/ou recomendações dos profissionais (Mendoza, Katz, Robertson & Rothenberg, 2003).

As famílias e os profissionais interpelados referiram nas entrevistas os seus pontos de vista sobre a qualidade percecionada e a qualidade experienciada no CE. Consideramos que os aspetos enunciados são importantes pontos de referência para uma possível reorganização e futuros ajustes às necessidades de todos os envolvidos.

Importância do respeito - “Gostava que respeitassem mais a criança”

A afirmação feita por uma mãe, durante a entrevista, sobre o respeito para com a sua filha, demonstra claramente as suas preocupações, o seu desagrado e a sua atenção perante dois exemplos que foram compartilhados e que, na sua perspetiva, não respeitam o ritmo natural de desenvolvimento da sua filha:

Mãe: Com a Catarina acho que estão a fazer um bom trabalho, em algumas coisas gostava que respeitassem mais a criança, no sentido, por exemplo, no ano passado quando foi tirada a fralda à Catarina de um dia para o outro tiraram a fralda, e ela era forçada a ficar numa sanita a fazer chichi e, isso pronto, não gostei muito porque depois ela em casa não queria sentar-se na sanita. E, houve uma outra coisa também de pouco respeito pelas crianças - queres ir jogar? Se não queres ir jogar vais para a sala, queres ir para a sala?; Pai: Ou então sentas-te aqui!;

Mãe: Em relação à fralda nós já começávamos a ter interesse em tirar a fralda, só que o que não foi respeitado foi o ritmo natural dela, ela tinha que fazer quando lhe diziam para fazer. Claro que numa creche com oito crianças é difícil, mas eu preferia que lhe perguntassem várias vezes, e se não fazia de uma vez ficava para a próxima (...). Eu podia tirar em casa, não me importava de em casa tirar mais devagar. Pronto, não gostei e achei que foi pouco respeitosa com ela, mas as outras coisas compensam (...) a Catarina está feliz e contente, às vezes chora de manhã, mas de resto está contente, e nota-se que tem ligação com as suas cuidadoras. (FAM 5:2)

Ao analisarmos estas afirmações, identificamos duas dificuldades primordiais: a primeira, relaciona-se com a comunicação com as famílias; e a segunda, relaciona-se com a garantia do bem- estar e desenvolvimento da criança.

Relativamente à primeira dificuldade, Bronfenbrenner (2011) refere que o “coração” do nosso sistema social é a família e, assim sendo, devemos proteger este coração e usar o nosso crescente conhecimento para preservar e fortalecer o seu ambiente natural de ameaças que involuntariamente podem ser criadas. No que diz respeito à segunda dificuldade, seguimos uma analogia apresentada pelo mesmo autor (2005) acerca do significado das interações contingentes recíprocas progressivamente mais complexas, que se assemelha, na sua perspetiva, ao funcionamento de um jogo de pingue-pongue, ou seja: o jogo adquire velocidade, e os lançamentos em ambas as direções vão-se tornando mais complexos, à medida que os jogadores se habituam um ao outro e se adaptam aos estilos de cada um. Ora, se “os jogadores” (profissionais e famílias) não se desafiarem mutuamente, o jogo perderá velocidade, ritmo e a complexidade dos lançamentos não será atingida.

No que diz respeito à qualidade do relacionamento e das interações dos profissionais com as crianças, isto poderá significar que o "desenvolvimento da criança se processará a um ritmo mais lento e que esta poderá não atingir o seu potencial máximo de competência e personalidade." (Bronfenbrenner, 2005, p.81)

Ainda no que se refere ao ritmo individual das crianças, uma ajudante de ação educativa responsável pela sala 1 (dos 12 meses aos 3 anos) refere o seguinte:

Damos-lhe todas as oportunidades, todo o tempo do "mundo" que eles queiram para fazer a atividade ao seu ritmo, à sua maneira, de vez em quando temos que ser assim, um bocadinho mais ou menos simpáticas para os incentivar a fazer, porque muitos deles metem-se ali na brincadeira e não querem fazer - e ponho-me a olhar para o céu, e não sei que mais - e, não lhe apetece muito. Isso a nível das atividades todos eles têm oportunidade de participar e de fazer as atividades, até porque são bastante incentivados os que não querem, os que querem esses então é maravilha! (AAE 4:2)

Sala 1: No primeiro momento da manhã as crianças encontravam-se na área do tapete e marcaram as presenças. De seguida, permanecendo no tapete, a educadora "ensaia" um poema para o dia do Pai. Posteriormente, seguiram para as mesas (área polivalente) e realizaram em grande grupo uma atividade alusiva ao dia do Pai. As crianças (1, 2 e 3 anos) permaneceram sentadas até à hora do almoço,

5. Fase intensiva - O estudo de caso múltiplo

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