3.2 ENGENHARIA DA MENTE APLICADA À ENGENHARIA DO CONHECIMENTO
3.2.1 Fase 1: O Compartilhamento do Conhecimento na Engenharia do Conhecimento
Consiste na primeira etapa da metodologia. Ao especialista, supõe-se um conhecimento profundo do domínio e da estrutura da instituição; ao engenheiro do conhecimento, supõem-se conhecimentos sobre a metodologia de aquisição do conhecimento, da estrutura de um Sistema Baseado em Conhecimento e das técnicas de Inteligência Artificial.
Os itens a seguir descrevem com detalhes os pressupostos necessários ao compartilhamento desse conhecimento, que é a compreensão da conexão do conhecimento entre o Inventário do Conhecimento Institucional e o Inventário de Pessoas.
3.2.1.1 Identificando os aspectos subjetivos para formalização da equipe de EC
A prisão ao passado, a inflexibilidade e a inércia levam ao pensamento burocrático, muito comum nas instituições. Se há falha no processo de comunicação da equipe de engenheiros do conhecimento, a questão se agrava.
Para Goleman (1995)91, a solução é melhorar a capacidade imaginativa, isto é, incentivar o especialista a entender quem ele é, assim como a sua importância no ambiente de trabalho, além de incentivá-lo a ser, ou seja, exercer a sua função. Feito isso, precisa-se avaliar a fragmentação que o excesso de informações, a falta de concentração e o stress ocasionam.
Identificar e separar os condicionamentos daquilo que se define como conhecimento é essencial para a representação do conhecimento num SBC. Engenharia do Conhecimento é, sobretudo, troca de conhecimento.
Aqui, a predisposição ao aprendizado dividirá a equipe. Na definição da equipe, escolhem-se aquelas pessoas com menos resistência e mais flexibilidade e interesse em apreender (convicção, determinação e esforço).
No caso de não ser possível escolher a equipe, é importante, na fase de uniformização do vocabulário, trabalhar as resistências através da dinâmica de construção do vocabulário controlado pela equipe.
O grau de conhecimento e importância na equipe são características secundárias, mas elas influenciam, e é preciso definir novas funções de acordo com as tarefas a serem desenvolvidas.
Identificar emoções relativas à instituição e à função, que o membro da equipe exerce, é muito relevante, uma vez que elas impulsionam a busca por uma solução. Compartilhar as emoções sobre questões relacionadas ao domínio de aplicação permite um maior comprometimento no compartilhamento de informações, tão necessário à formação da base de conhecimento.
3.2.1.2 Uniformização do Vocabulário
A importância dos conhecimentos existentes para as novas aquisições deriva do papel fundamental que desempenham dentro da construção das representações e da idéia de que a aquisição passa, necessariamente, por essas representações.
A diferença mais clara entre um novato num jogo de xadrez e um jogador experiente é a velocidade na tomada de decisão. Com a experiência, o número de elementos potencialmente relevantes que o aprendiz pode reconhecer é menor, melhorando o seu desempenho. Essa é a importância desta fase.
Na troca de conhecimentos, o especialista passa a conhecer a forma como seu conhecimento poderá se organizar, isto é, os conceitos básicos da técnica de Inteligência Artificial empregada na representação do conhecimento. Assim, ele poderá contribuir com mais efetividade e haverá maior interesse em participar do processo.
Quanto ao especialista, a troca levará a uma percepção mais imediata do escopo do sistema, e aumentará o interesse em se aprofundar no estudo do domínio. Ambos estarão preparados para lidar com a sobrecarga e para conseguir a competência necessária para planejar ou escolher uma perspectiva que determine, então, que elementos da situação devem ser tratados como importantes e quais podem ser ignorados. Ao perceber que, da vasta informação, o conhecimento se restringe somente a algumas características e aspectos possivelmente relevantes, tomar uma decisão tornar-se-á mais fácil.
Para uniformizar a linguagem que se aplicará no desenvolvimento do Sistema Baseado em Conhecimento, é preciso identificar os principais conceitos trabalhados no domínio, e a forma de como as pessoas trabalham a linguagem, de modo a auxiliar a equipe de Engenharia do Conhecimento na compreensão e determinação do contexto. Se o sistema for jurídico, por exemplo, é necessário que o engenheiro do conhecimento saiba entender o conteúdo de uma sentença ou de uma norma, assim como o seu processo e relevância. Ao especialista, não basta dominar a linguagem jurídica e os processos do domínio de aplicação: ele deverá conhecer algumas expressões comuns ao desenvolvimento de sistemas inteligentes.
3.2.1.3 Inventário do Conhecimento Institucional ou do Domínio de Aplicação
O inventário permite conhecer amplamente o ambiente de desenvolvimento do SBC. Especificamente, permite definir todos os elementos atuantes e também desnecessários que fazem parte da instituição ou do domínio de aplicação. Na primeira fase, não se julga o que é relevante ou não; somente procura-se ser exaustivo no inventário. Os participantes devem estar concentrados para a atividade que deverá ser concluída sem intervalos, pois a duração da atividade poderá consumir o período de algumas horas ou algumas semanas. A continuidade
implica que os engenheiros do conhecimento e os especialistas se dediquem exclusivamente à tarefa. No quadro 3, são descritos os tipos de inventários realizados dentro de uma instituição.
De Processos
O inventário de processos é necessário para conhecer os trâmites dos documentos e das informações dentro da instituição ou do domínio de aplicação. Normalmente esses processos são formais. No caso das instituições públicas, eles são normatizados; no caso de instituições privadas, necessita-se observar se existe confluência entre o procedimento adotado e a formalização exigida pela instituição (é muito comum a existência de processos não-implementados ou não-aceitos pelos usuários).
De Tecnologias
O inventário de tecnologias apresenta todos os recursos tecnológicos adotados para a atividade fim da instituição e também os recursos tecnológicos que a instituição pretende utilizar no desenvolvimento do Sistema Baseado em Conhecimento. O inventário é de sistemas computacionais (software) e também de equipamentos (hardware).
De Conteúdo
Este inventário consiste na descrição detalhada de toda a produção digital da instituição. Arquivos em todos os formatos, informações organizadas em diretórios ou banco de dados, enfim, toda informação disponível em formato digital.
Elaboração do Mapa Conceitual
Institucional
Os mapas conceituais são impressões visuais coletivas sobre a associação dos diversos elementos (processos, tecnologia e conhecimento). Deve-se elaborar um mapa em equipe e de forma célere e intuitiva. Após uma exposição satisfatória desses elementos, é necessário um tempo para que os integrantes da equipe reflitam individualmente sobre o mapa elaborado.
Quadro 2 – Tipos de inventários realizados dentro de uma instituição.
3.2.1.4 Inventário de Pessoas
Esta é a etapa mais importante para o processo de Engenharia do Conhecimento. Segundo Gratton e Ghoshal (2003) (ver seção 3.1), identifica-se o capital humano através de conhecimentos não-cognitivos, que são também conhecimentos importantes nas instituições e,
por essa razão, devem fazer parte do capital das organizações. Por conseguinte, procurou-se um caminho para identificá-lo e representá-lo nos Sistemas Baseados em Conhecimento.
Esta complexa rede de comunicação, entre as diversas áreas de talento, irá fornecer a necessária flexibilidade, versatilidade e adaptabilidade para as inteligências, inclusive emocional, acontecerem. (Ver quadro 4).
Identificação das emoções e expectativas
individuais
Esta etapa identifica as expectativas individuais dos especialistas em relação a si próprios e em relação ao escopo do sistema. Também se levam em consideração as expectativas dos engenheiros do conhecimento. É preciso identificar como os especialistas e os usuários do sistema se vêem no processo, e identificam as atribuições que lhes foram outorgadas, após a implementação do sistema. A importância desta etapa está no fato de que a construção de um sistema baseado no conhecimento é resultado também das expectativas individuais dos envolvidos no processo de construção da base do conhecimento. Ao se estabelecer uma equipe de especialistas, a equipe de Engenharia do Conhecimento deverá interagir harmonicamente com ela.
Elaboração do Mapa Conceitual
Pessoal
Na elaboração dos mapas conceituais referentes às pessoas de uma instituição ou associadas a um domínio de conhecimento, deve-se levar em conta as impressões individuais sobre a função que a pessoa exerce e a sua relação com os elementos associados à execução do objetivo do sistema inteligente. Da mesma maneira que o mapa conceitual institucional foi elaborado, deve-se elaborar o mapa pessoal. Após uma exposição satisfatória desses elementos, é necessário um tempo para que os integrantes da equipe reflitam individualmente sobre os mapas elaborados.
Quadro 3 – Tipos de Inventários de Pessoas.
Em resumo, foram identificados três pontos principais necessários ao desenvolvimento da primeira etapa da metodologia:
1) Conhecimento da resistência às emoções envolvidas no processo de Engenharia do Conhecimento através da identificação das expectativas individuais;
2) Uniformização do vocabulário;