• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO III. PACTO DE AUTARCAS

3. Fases de Implementação do Pacto de Autarcas

Os Signatários do Pacto de Autarcas pretendem atingir e até mesmo ultrapassar a meta da UE de redução das emissões de CO2 em 20% até 2020, através da implementação de um

PAES, dirigido à eficiência energética e à utilização de fontes de energia renovável locais (Covenant of Mayors, n.d-a). Deste modo, para atingir esta meta, os signatários

0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 160000 180000 200000 População

15 comprometem-se com as 3 fases inerentes à implementação do Pacto de Autarcas, sendo mostrado de seguida os pormenores relativos a cada fase.

3.1 Fase 1: Assinatura do Pacto de Autarcas

A primeira fase do Pacto de Autarcas, tal como referido anteriormente, consiste na assinatura de uma declaração pública, onde os autarcas se propõem a cumprir os objetivos energéticos e climáticos da União Europeia. Estas autoridades locais que se predispõem a assinar o Pacto de Autarcas devem obter aprovação desta intenção em conselho municipal ou num órgão decisório equivalente. Após a obtenção de uma decisão favorável, os autarcas devem inscrever-se formalmente na plataforma reservada ao Pacto de Autarcas e enviar o seu termo de adesão.

É de salientar que este compromisso é voluntário, pelo que a adesão é totalmente isenta de encargos. No que respeita ainda à assinatura do Pacto de Autarcas, esta pode ser realizada em qualquer momento , sendo que a data de adesão de referência será a data da decisão do conselho municipal. Ainda aquando da assinatura do Pacto, os autarcas devem proceder à criação de estruturas administrativas adequadas (Covenant of Mayors, 2011-b). Deste modo, os signatários do Pacto de Autarcas em termos dos objetivos da UE para a redução de emissões de CO2, comprometem-se a (Covenant of Mayors, n.d-a):

• Preparar e entregar um Inventário de Referência das Emissões (IRE) de CO2, após

um ano da adesão;

• Elaborar e entregar um PAES, aprovado pelo concelho municipal, no prazo de um ano após a adesão;

• Elaborar e entregar Relatórios de Implementação, de 2 em 2 anos após a entrega do PAES, sendo por tal referido o grau de implementação do plano de ação e os resultados esperados;

• Promover as suas ações, envolvendo os cidadãos e partes interessadas, incluindo a organização regular de Dias da Energia a nível local;

• Incentivar outras autoridades locais a aderirem ao Pacto de Autarcas;

• Divulgar a mensagem do Pacto de Autarcas a outras autoridades locais contribuindo para os grandes eventos (por exemplo cerimónias do Pacto dos Autarcas e oficinas temáticas).

Capítulo III. Pacto de Autarcas

Consoante fora referido anteriormente, o compromisso político assumido na adesão ao Pacto de Autarcas, envolve a preparação de um IRE de CO2, relativo ao território

signatário. O IRE é um documento que envolve a quantificação dos valores de CO2 emitidos

durante um ano de referência, derivados do consumo energético constatado nesse território. Através do IRE, é possível identificar as principais fontes de emissão de CO2 e os

respetivos potenciais de redução.

Elaborado o IRE e no prazo de um ano após a assinatura de adesão ao Pacto de Autarcas, os respetivos signatários deverão também apresentar a sua estratégia em termos de redução de emissões. Esta estratégia consistirá num Plano de Ação. Assim, antes de se decidirem as medidas a serem implementadas, deve ser também realizada uma análise do quadro energético nacional e regional de modo a que as medidas estabelecidas pelas autarquias sejam elegíveis em termos de aplicação de fundos nacionais ou regionais. Decorrida esta 1ª fase, as autarquias ficam automaticamente vinculadas a uma comunidade que une as autarquias locais que possuem o mesmo compromisso, podendo assim partilhar a sua experiência no seu território e tirar partido de outros exemplos locais e regionais, onde já fora implementado. No entanto, do mesmo modo que o Signatário, deverá aceitar reportar os resultados e ser monitorizado na implementação do seu PAES, também deverá aceitar a cessação do envolvimento da sua autarquia no Pacto, em caso de incumprimento de algum dos trâmites do processo de participação no Pacto de Autarcas, mais concretamente, no caso da não apresentação dos documentos técnicos (PAES e relatórios de execução) e do tempo para eles estipulado (Covenant of Mayors, n.d-c).

3.2 Fase 2: Entrega do Plano de Ação para as Energias

Sustentáveis

Após a consagração de membro do Pacto de Autarcas, os signatários devem submeter o PAES relativo ao seu território. O PAES consiste num documento onde são estipulados os objetivos e as medidas para os setores delineados previamente no IRE, bem como os prazos e responsabilidades atribuídas na execução dessas medidas, devendo ser submetido um ano após a adesão. O PAES surge assim, como um documento-chave em que o signatário do Pacto exprime a forma como pretende atingir a meta de redução de CO2

que estipulou e que pretende atingir até 2020.

O PAES tal como o procedimento de adesão deve ser aprovado em concelho municipal e adaptado à situação específica do município, sendo este o fator mais relevante em termos da sua implementação.

17 Como a redução das emissões de CO2 é um alvo que deve ser refletido em todo o território,

além dos edifícios municipais e das viaturas que integram a frota municipal, devem também ser tomadas também medidas que contemplem a habitação privada, o setor terciário e de transporte público, havendo por tal a necessidade de envolver os atores locais e os cidadãos na implementação do PAES.

Durante a fase de implementação, é essencial assegurar tanto a comunicação interna como a externa, devendo cada autarca realizar atividades de sensibilização direcionadas para a energia e para os objetivos climáticos previamente estabelecidos. A organização de “Dias da Energia a nível local” poderá ser uma boa oportunidade para informar e envolver os cidadãos no processo, através de exposições, visitas guiadas, campanhas específicas, etc. Isto assegura um vasto apoio a todo o processo de implementação do PAES, contribuindo também para o aumento da consciencialização e da mudança de comportamentos.

A implementação do PAES é a fase de maior esforço tanto em termos de duração como de meios financeiros a alocar (Covenant of Mayors, 2010-b).

3.3 Fase 3: Entrega regular de relatórios de

implementação

Após a entrega do PAES, terá de ser apresentado, regularmente um relatório sobre a respetiva implementação. Este processo de monitorização da evolução dos trabalhos é uma parte muito importante do processo do PAES, pois uma avaliação regular, seguida de adaptação adequada do plano de ação, permite uma melhoria contínua do processo.

Um relatório de execução ou de implementação, não é mais do que um meio para monitorizar e avaliar os resultados, sendo fundamental para acompanhar as principais ações e para melhorar continuamente o PAES, consoante fora referido anteriormente.

Nesta fase os signatários do Pacto comprometem-se a apresentar regularmente um relatório de execução para mostrar os resultados obtidos, tanto em termos de medidas implementadas como em termos de emissões de CO2.

Estes relatórios devem ser submetidos cronologicamente de acordo com os seguintes pontos:

• Apresentação de um relatório sobre o estado de implementação das suas ações em termos qualitativos, a cada dois anos decorridos da entrega do PAES.

Capítulo III. Pacto de Autarcas

• Apresentação de um relatório mais quantitativo, devendo por tal ser elaborado um inventário de emissões de monitorização e os resultados quantitativos das ações implementadas, tais como: a economia de energia, a produção de energia renovável e a redução das emissões de CO2 a cada quatro anos decorridos da entrega do

PAES.

Com estes relatórios de implementação, pretende-se comparar os resultados provisórios com os objetivos alcançados em termos de medidas implementadas e com a redução de emissões de CO2 (Covenant of Mayors, 2013-c).