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CAPÍTULO III: ENQUADRAMENTO CONCETUAL, LEGISLATIVO E

3.6 Fases do processo de AIA

Conforme definido pelo Decreto-Lei n.º 197/2005, de 8 de Novembro, o procedimento de AIA desencadeia-se em seis fases:

1) Seleção de projetos; 2) Definição do âmbito; 3) Elaboração do EIA;

4) Apreciação técnica do EIA; 5) Decisão;

6) Pós-avaliação.

Na Figura 1é esquematicamente visível a sequência faseada do processo de AIA e os documentos inerentes a cada uma das fases. As fases do processo de AIA e os documentos envolvidos no processo serão apresentados e analisados nas páginas subsequentes.

23 Figura 1: Fases do processo de AIA

3.6.1 Seleção de projetos

Nesta etapa verifica-se a obrigatoriedade ou não de determinado projeto ser sujeito a AIA, ficando esse cargo à responsabilidade da entidade licenciadora.

Os projetos sujeitos a AIA encontram-se regulamentados pelos Anexos I e II do Decreto-Lei n.º 197/2005, de 8 de Novembro. O Anexo I compreende vinte categorias de projetos, que deverão ser sempre submetidos a AIA, devido ao potencial para causar grandes danos no ambiente. O Anexo II expõe apenas doze categorias, mas contempla um grande leque de subcategorias de projetos menos gravosos que os do anexo I. Apresenta também os limiares gerais dos projetos passíveis de sujeição a AIA em função da sua localização.

3.6.2 Definição do âmbito

Caso o projeto reúna condições para ser submetido a AIA, é necessário proceder à definição do âmbito do EIA, momento estruturante do processo de AIA. Para tal, o proponente solicita à autoridade de AIA uma Proposta de Definição do Âmbito (PDA) do EIA. Como esta etapa é facultativa apenas acontece por iniciativa do proponente. De acordo com Partidário et al. (2001), ainda que esta fase seja facultativa, é de extrema importância para a eficácia do processo de AIA pois permite garantir a qualidade do

Apreciação técnica do EIA Seleção de projetos

Definição do âmbito

Elaboração do EIA

Decisão

Pós-avaliação

Fases do processo de AIA

Documentos envolvidos

EIA

Relatório de consulta pública PDA Relatório da CA DIA RECAPE RM Proposta de DIA

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EIA e o envolvimento antecipado das entidades e grupos do público interessado, reduzir o potencial conflito de interesses e facilitar a decisão.

A definição do âmbito baseia-se na identificação, análise e seleção dos aspetos ambientais mais significativos, cuja natureza é suscetível de ser afetada por impactes causados por projetos sobre os quais o EIA deve recair. Permite também o planeamento do EIA e a apreciação técnica pela CA e pelo público. Fornece ainda as bases para o planeamento do processo de consulta pública.

3.6.3 Elaboração do EIA

Esta etapa é da responsabilidade do proponente, o qual deve entregar o EIA (documento mais importante do processo de AIA) e a caracterização técnica do projeto à entidade licenciadora, a qual o remete para a autoridade de AIA. O EIA deve incluir fundamentalmente a descrição, caracterização e alternativas do projeto, o estado do local, os fatores e impactes ambientais, as medidas de minimização, programas de monitorização e toda a informação técnica imprescindível para apoiar a tomada de decisão. Para tal, deve caracterizar correta e imparcialmente o projeto em estudo, assim como todas as suas alternativas e propostas de resolução. Deve ainda ter uma escrita clara, concisa e que foque os aspetos mais pertinentes.

3.6.4 Apreciação técnica do EIA

De acordo com Partidário et al. (2007) a apreciação técnica do EIA, responsabilidade da Autoridade de AIA, possui a incumbência de garantir que o EIA enquanto documento técnico: não apresenta omissões graves de informação, é metodologicamente fundamentado, rigoroso de um ponto de vista científico, reflete o conteúdo da deliberação sobre a definição do âmbito, se esta existir, cumpre requisitos legais e contém a informação essencial ao processo de decisão sobre a viabilidade ambiental do projeto. Deste modo pode verificar-se que esta etapa é fundamental para a credibilidade do processo.

A apreciação técnica restringe-se a duas fases, uma primeira fase que avalia a qualidade do EIA como documento, ou seja fase de avaliação da conformidade, e uma segunda fase que avalia o próprio projeto. A apreciação técnica do EIA resulta então da análise de conformidade, dos conteúdos dos pareceres técnicos recebidos, do relatório de consulta pública e de outros elementos de relevante interesse constantes do processo.

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A CA dispõe de vinte dias para emitir a Declaração de Conformidade ou Desconformidade do EIA, a qual antecede obrigatoriamente à fase de consulta pública. 3.6.5 Decisão

A decisão emitida no âmbito de AIA é divulgada através da DIA, que possui a decisão formal do procedimento de AIA e as circunstâncias em que é emitida, permitindo a aprovação ou rejeição do projeto. A decisão deve incluir as alternativas e condições de aprovação do projeto, tendo sempre em atenção a participação do público. No máximo até quinze dias após a receção da proposta da Autoridade de AIA, a DIA é proferida, notificada e publicitada pelas entidades competentes. A DIA, com caráter vinculativo pode ser favorável, condicionalmente favorável ou desfavorável à execução do projeto. Se a DIA for favorável ou condicionalmente favorável poder-se-á emitir uma autorização ou licenciamento. Se no prazo de 120 ou 140 dias úteis (conforme se tratem de projetos do Anexo I ou II, respetivamente), a partir da data de entrega do EIA à Autoridade de AIA, a DIA não for notificada verifica-se o deferimento tácito. Se após dois anos da data da sua emissão, a execução do processo não tiver iniciado, a DIA caduca e é necessário recorrer a novo procedimento de AIA.

3.6.6 Pós-avaliação

A etapa de pós-avaliação encerra o procedimento de AIA, é a etapa subsequente à emissão favorável ou condicionalmente favorável da DIA e à tomada de decisão do licenciamento ou autorização do projeto sujeito a AIA. Esta etapa acompanha todas as fases do projeto: construção, exploração e desativação.

A pós-avaliação pode ser de verificação da conformidade do projeto de execução com a DIA, quando o EIA se realizou em fase de estudo prévio ou anteprojeto. Ou pode ser geral, quando contempla a monitorização e respetivas auditorias.

Da monitorização e da realização de auditorias necessárias à implementação do projeto, derivam os Relatórios de Monitorização (RM) e o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE), os quais são da responsabilidade do proponente. Já a realização de auditorias compete à autoridade de AIA.

A monitorização visa a elaboração de um conjunto ações repetidas de observação, medição e registo, tendo como premissas fornecer informação sobre variáveis ambientais e o efeito do projeto nessas variáveis.

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A auditoria baseia-se nos dados da monitorização para efetuar comparações e previsões.