1.2.2 – O Programa Fundescola no Brasil
FASES DO PROGRAMA IMPLANTAÇÃO AÇÕES DO PROGRAMA
FUNDESCOLA I 1998 – 2001
Desenho das ações e produtos; Estabelecimento de padrões mínimos de qualidade estrutural para as escolas; modelos de gestão escolar.
FUNDESCOLA II 1999 – 2005
Testagem dos produtos estruturados na etapa anterior; Expansão do atendimento para a região nordeste; Implementação do planejamento nas secretarias .
Etapa A 2002 – 2006
Finalização e avaliação das ações realizadas nas etapas anteriores
sobre a aplicação de tais instrumentos;
28 O Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) é um processo gerencial de Planejamento Estratégico
que a escola desenvolve para a melhoria da qualidade do ensino, elaborado de modo participativo com a comunidade escolar (equipe escolar, pais e alunos).
FUNDESCOLA III Etapa B 2006 - 2010.
Disseminação e consolidação das ações e projetos e intensificação; assegurar o término das oito séries (atual 9 anos) do ensino fundamental;
Fonte: MEC/ FNDE 2009 e ENAP/ BRASIL
Nesse sentido, de acordo com o Boletim Técnico do FUNDESCOLA de maio de 2002, o FUNDESCOLA I tinha em sua formação quatro componentes básicos: elevar as escolas aos padrões mínimos de funcionamento, apoiar o planejamento e a provisão de vagas e fortalecer a gestão e o desenvolvimento dos sistemas educacionais. Para alcançar as metas previstas, o Ministério da Educação – MEC investiu US$ 125 milhões oriundos de recursos de empréstimos do Banco Mundial e contrapartida do Governo Federal.
A Primeira etapa (FUNDESCOLA I) atuou, prioritariamente, para o fortalecimento das escolas do ensino fundamental e das secretarias municipais e estaduais de educação em um modelo de gestão coordenada, de forma a melhorar as taxas de escolarização das microrregiões das capitais do Norte e Centro-Oeste do País. Nesse período houve um atendimento mais personalizado do Ministério da Educação – MEC, aos Estados e Municípios, já que os Assessores do MEC orientavam o processo de planejamento nas Secretarias e nas Escolas.
Na segunda etapa (FUNDESCOLA II), as prioridades estabelecidas foram: garantia de padrões mínimos de funcionamento, para todas as escolas, qualificação e capacitação dos profissionais da educação, desenvolvimento e implementação de propostas para as áreas rurais e apoio a Programas e Sistemas Nacionais de Qualidade Escolar (SCAFF, 2007, p.110). Momento em que os Assessores direcionam os trabalhos aos Supervisores e se afastam das unidades educativas.
O FUNDESCOLA III foi realizado em duas fases (3A e 3B). Segundo o Boletim Técnico do FUNDESCOLA, a meta era descentralizar e, ao mesmo tempo, internalizar nas secretarias municipais e estaduais de educação as ações e programas do FUNDESCOLA, com foco para o trabalho mais abrangente e voltado, em princípio, para o apoio aos técnicos e dirigentes das secretarias.
No item A foi tratada a questão da eficiência e da eficácia do programa em duas vertentes: focalizar mais ação no aperfeiçoamento de produtos e processos existentes e o desenvolvimento de outros
relacionado ao ensino-aprendizagem e a uma sistemática de avaliação do sistema educacional de estados e municípios; desenvolver sistemas que permitissem às secretarias utilizar de modo adequado, e em caráter permanente as políticas associadas às intervenções educacionais. O item B tratou do atendimento e das estratégias de discriminação positiva que deveriam ser adotadas para atender a todos os parceiros de forma equitativa. Além de discutir critérios gerais de expansão do atendimento prioritário nos estados (2003, p16).
Em um estudo feito por Scaff (2006), a autora nos apresenta uma comparação feita entre o Monhangara e o FUNDESCOLA, no qual podem ser observadas as semelhanças e as diferenças entre ambos:
Apesar da semelhança com os objetivos e os componentes do Monhangara, o FUNDESCOLA possui uma estrutura organizacional mais sofisticada. As ações previstas pelo programa formam uma rede, em que são providenciadas as condições mínimas para o funcionamento das Escolas, são fornecidos instrumentos detalhados de Planejamento do Sistema Escolar e da Escola em si, além de serem disponibilizadas as informações estatísticas necessárias para subsidiar a atividades de Planejamento proposta, bem como a assessoria de Técnicos com formação específica, e manuais que visam guiar a ação dos gestores locais.
Na mesma direção do Monhangara o FUNDESCOLA possui um subcomponente que visa promover o apoio à operação das atividades de coordenação do Projeto nos níveis federal e estadual, por meio de contratação de consultorias, pessoal técnico, assistência técnica; aquisição, instalação e manutenção de equipamentos, veículos, produção de materiais entre outros.
O Projeto sofreu algumas mudanças na organização interna em comparação ao Monhangara, já que não prevê remuneração para os Técnicos do Estado que trabalham para o Programa (essa provisão faz parte da contrapartida da UF), somente a contratação de Supervisores Estaduais vinculados diretamente ao FNDE.
Proposto dez anos após o início do Monhangara, o FUNDESCOLA encontra uma realidade diferente, na qual o foco das discussões em nível nacional passa da carência de vagas na escola pública para a garantia da permanência do aluno nessa Escola.
O foco do Programa parece estar mais voltado ao Planejamento e à Gestão da Escola do que aos aspectos físicos e materiais. Nesse contexto, financia treinamento para os Técnicos das Secretarias de Educação para que suas estratégias sejam incorporadas à rotina dessas Secretarias (p.108).
Seguindo esse mesmo modelo, o Programa Escola Ativa - PEA ao ser implementado no Brasil também foi organizado em fases29 e assim como o FUNDESCOLA, também define os municípios prioritários a partir dos indicadores socioeconômicos e dos índices de desempenho escolar dos alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental, cujos resultados desses indicadores são sistematizados e organizados de acordo com as ZAPs.
A adesão ao PEA pode ocorrer a pedido dos municípios, pois segundo GONÇALVES (2009, p.10) é necessário assegurar que os estados a que pertencem as suas escolas assumam a metodologia de planejamento estratégico, cujo modelo leva à racionalização, eficácia e eficiência da gestão e do trabalho escolar.
LIMA (2011, p.149), comunga da mesma opinião ao afirmar que programas como o FUNDESCOLA primavam em incutir uma lógica de educação adaptada aos modelos gerencialistas, aproximados do modelo de gestão de empresas do setor privado. Porém, é importante destacar que embora as mudanças sociais e escolares sejam influenciadas pelas mudanças ocorridas ao nível das decisões políticas centrais e dos modelos decretados (LIMA, 2011), elas não seguem apenas as regras e nem se subordinam aos mesmos ritmos e condições que lhes são impostas pelos pensadores das políticas, e, portanto, há possibilidade de recriá-los.
Assim, com o intuito de melhorar a qualidade do ensino por meio de processos mais autônomos no gerenciamento da educação, o principal “produto” do FUNDESCOLA foi o PDE. Mas, para que possamos compreender melhor esse novo modelo de gestão e a nova lógica de planejamento da educação no Brasil, precisaremos fazer uma discussão sobre a temática, a ser apresentada no item a seguir.
29 Quatro fases de acordo com as Zonas de Atendimentos Prioritários (ZAPs), que serão apresentadas