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3 APRENDIZAGEM AUTORREGULADA

3.2 PAUL PINTRICH (1953 – 2003)

3.2.1 Fases e Áreas da Aprendizagem Autorregulada

uma sequência ordenada de tempo pela qual as pessoas passam ao desempenhar uma tarefa.

Esta sequência, porém, não indica que as fases estejam estruturadas hierárquica ou linearmente, como se as fases iniciais sempre tivessem que ocorrer antes das fases finais. Pintrich salienta que “na maioria dos modelos, as fases de monitoração, controle e reação podem ocorrer simultaneamente e dinamicamente, conforme a pessoa progride na tarefa, com as metas e estratégias sendo mudadas ou atualizadas baseadas no feedback do próprio processo”

(PINTRICH, 2000a, p.455).

Mesmo que os limites entre as áreas para regulação também sejam tênues, é conveniente discuti-las separadamente para que se possa ampliar a perspectiva da aprendizagem como processo, embasando-a em um farto material de pesquisa em psicologia, já existente e que foca em cada área separadamente. As áreas referentes à cognição, motivação e comportamento apresentam aspectos do próprio indivíduo que ele tenta controlar e regular. Por sua vez, características do contexto e da tarefa podem facilitar ou limitar essas tentativas, e é “a pessoa que está agindo no contexto, tentando modificá-lo ou adaptando-se a ele, que faz da tentativa de regular o contexto uma parte da aprendizagem autorregulada” (PINTRICH, 2000a, p.456).

3.2.1 Fases e Áreas da Aprendizagem Autorregulada

De acordo com Zimmerman (1986) as fases da aprendizagem autorregulada podem ser descritas como uma sequência de processos não-lineares pelos quais as pessoas passam enquanto desempenham uma tarefa. O modelo cíclico de Zimmerman, de três fases (planejamento, controle e autorreflexão), foi ampliado por Pintrich para quatro fases, que envolvem:

I. Planejamento: estabelecimento de metas, assim como ativação de percepções e conhecimento da tarefa e do contexto, e também de si mesmo em relação à tarefa;

II. Monitoramento: atenção metacognitiva sobre diferentes aspectos de si mesmo, da tarefa e do contexto;

III. Controle: esforços para controlar e regular diferentes aspectos de si mesmo, da tarefa e do contexto;

IV. Reação e reflexão: reações e reflexões sobre si mesmo, a tarefa e/ou o contexto.

12Conjunto de regras e métodos para chegar-se à invenção, à descoberta ou à resolução de problemas. (dicionário online Caldas Aulete, disponível em http://www.aulete.com.br)

Por sua vez, as áreas de regulação são aspectos do indivíduo que ele mesmo procura monitorar, controlar e regular em sua aprendizagem e incluem a Cognição, a Motivação/afeto, o Comportamento e o Contexto, conforme é apresentado no trabalho de Pintrich (2000a) e Wolters, Pintrich e Karabenick (2003), explicado a seguir.

A Cognição envolve diferentes estratégias cognitivas que as pessoas podem usar para aprender e desempenhar uma tarefa, assim como estratégias metacognitivas que elas podem usar para controlar e regular a própria cognição; também inclui conhecimento prévio e conhecimento estratégico. O controle e a regulação cognitiva abrangem os tipos de atividades cognitivas e metacognitivas nas quais o indivíduo se envolve para adaptar e mudar sua cognição, tendo como característica principal a seleção e o uso efetivo de várias estratégias cognitivas para memória, aprendizagem, raciocínio, solução de problemas e lógica. O uso de tais estratégias é uma atividade cognitiva, mas a decisão de usá-las é um aspecto do controle e regulação metacognitiva, assim como a decisão de parar de usá-las ou de trocar de um tipo de estratégia por outra.

A Motivação/afeto13 é um componente que envolve as várias crenças motivacionais sobre si mesmo em relação à tarefa (autoeficácia, valores), bem como o interesse e o gosto pela tarefa e também as reações afetivas, positivas e negativas, sobre si mesmo ou sobre a tarefa. A motivação é constantemente vista como um fator determinante nas conquistas e na aprendizagem dos estudantes dentro do ambiente acadêmico, ao mesmo tempo em que a falta de motivação é um problema frequente. Sendo assim, a habilidade dos estudantes em influenciar ativamente sua motivação é vista como um aspecto importante da aprendizagem autorregulada. A regulação da motivação para atingir os objetivos abrange os pensamentos, ações e comportamentos que os estudantes realizam (consciente e intencionalmente) para influenciar suas escolhas, seu esforço e sua persistência junto a tarefas acadêmicas.

O Comportamento na aprendizagem autorregulada retrata o esforço que a pessoa emprega na tarefa, assim como a persistência, a procura por ajuda e as escolhas feitas para chegar à sua conclusão. A regulação do comportamento acadêmico diz respeito à observação, ao monitoramento e à tentativa do indivíduo de controlar seu próprio comportamento, verificado pelo esforço, pela administração do tempo e do ambiente de estudo e pela procura por ajuda.

13 Segundo CAGNIN (2008), o termo “afeto” tem um sentido amplo no contexto da Psicologia Cognitiva e da Neurociência, que pode incluir os estados de humor (positivos e negativos) e emoções definidas (como medo e raiva) por apresentarem uma origem afetiva, desde que sejam representações de um valor pessoal e externadas de várias formas (fisiológica, comportamental, cognitiva, entre outras).

Por fim, o Contexto é o ambiente onde se desenvolve a tarefa, ou contexto geral (da sala de aula, cultural) onde a tarefa está sendo realizada. Não é a área que está sendo regulada que determina a classificação de autorregulada, mas o fato de que a pessoa está envolvida e utilizando estratégias para monitorar, controlar e regular o contexto, tentando mudá-lo ou adaptando-se a ele; é isto que faz deste, um aspecto importante da aprendizagem autorregulada.

É conveniente reforçar que as fases de cada área são discutidas separadamente “por questões de retórica e lógica”, facilitando a apresentação dos aspectos envolvidos em cada uma delas, mas “as fases podem se sobrepor e acontecer simultaneamente, com múltiplas interações entre os diferentes processos e componentes” (PINTRICH, 2000a, p.456), conforme demonstrado na tabela abaixo (TABELA 7).

TABELA 7: FASES E ÁREAS PARA A APRENDIZAGEM AUTORREGULADA (Modelo de Pintrich)

Extraído de: PINTRICH (2000a, p.454). Tradução nossa.

FASES ÁREAS COGNIÇÃO MOTIVAÇÃO/AFETO COMPORTAMENTO CONTEXTO 1) Previsão, 4) Reação e reflexão 1)Julgamentos/avaliações

2) Atribuições (esforço,