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1. Projeto I: Rastreio Cardiovascular na Farmácia – Avaliação do Risco

1.2. Doenças Cardiovasculares

1.2.1. Fatores de Risco

Por definição, fator de risco é a condição que faz com que o RCV aumente e por sua vez, a probabilidade de ocorrer alguma DCV aumenta também [13].

Há dois tipos de fatores de risco: os modificáveis e os não modificáveis. Enquanto que os primeiros são passíveis de sofrerem algum tipo de intervenção e correção, sempre na ótica de prevenção, nos segundos isso já não é possível, pois já são intrínsecos [19].

Os fatores de risco modificáveis são os seguintes:

Hipertensão Arterial: HTA é o principal fator de risco para se desenvolver um AVC [20]. Os valores recomendados de PA devem ser inferiores a 140/90 mmHg, desde que não tragam contraindicações e que sejam tolerados [21]. Na tabela 4 encontra-se a classificação da PA para indivíduos com mais de 18 anos, segundo a DGS. É de extrema importância uma monitorização regular da PA, visto que é muitas vezes “silenciosa” quando se apresenta elevada. O consumo excessivo de sal pelos portugueses é uma das principais causas da origem e agravamento desta doença. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o valor diário recomendado é de apenas cinco gramas por dia [22].

Tabela 3 - Classificação da PA em indivíduos com mais de 18 anos – Adaptado [23]

Classificação PAS (mmHg) PAD (mmHg)

Ótima < 120 < 80

Normal 120 - 129 80 - 84

Normal - Alta 130 - 139 85 - 89

HTA Grau I 140 - 159 90 - 99

HTA Grau II 160 - 179 100 - 109

Hipertensão Sistólica Isolada ³ 140 < 90

Diabetes Mellitus (DM): é uma doença crónica, sendo caracterizada por um aumento dos níveis de glucose na circulação sanguínea. Uma vez que a DM apresenta várias co-morbilidades, os diabéticos podem desenvolver tanto complicações microvasculares como macrovasculares, exemplo destas últimas é que podem levar a EAM ou a AVC, sendo deste modo considerada um fator de risco importante [24]. Na tabela abaixo (Tabela 5), estão descritos os critérios de diagnóstico, de acordo com as normas da DGS, sendo que se entende por sintomas clássicos a poliúria, polifagia, polidipsia, perda de peso involuntária e xerostomia [25].

Tabela 4 - Critérios de diagnóstico de DM e categorias de risco aumentado para

diabetes – Adaptado [25]

CLASSIFICAÇÃO CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO

DIABETES MELLITUS

a) Glicemia em jejum ³ 126 mg/dL; ou

b) Glicemia ocasional ³ 200 mg/dL + Sintomas Clássicos; ou

c) Glicemia ³ 200 mg/dL às 2h na Prova de Tolerância à Glicose Oral (PTGO) com 75g de glicose; ou

d) Hemoglobina Glicada A1c (HbA1c) ³ 6,5%

ANOMALIA DA GLICEMIA EM JEJUM (AGJ) Glicemia de jejum ³ 110 e < 126 mg/dL TOLERÂNCIA DIMINUÍDA À GLICOSE (TDG) Glicemia às 2h na PTGO ³ 140 e < 200 mg/dL

Dislipidemias: traduzem-se numa elevação do CT e TG no plasma ou então, na diminuição dos níveis de c-HDL, o que contribui para a aterosclerose [26]. Deste modo, é essencial manter os níveis de CT inferiores a 190 mg/dL, sendo que o nível de c-LDL não deve ser superior a 115 mg/dL, enquanto que o valor de c-HDL deve ser superior a 45 mg/dL, no sexo feminino, e superior a 40 mg/dL no sexo masculino [27, 28].

É importante salientar que numa população de alto risco (DM tipo 2 e DCV estabelecida), os níveis de CT não devem ultrapassar os 175 mg/dL e os de c-LDL devem ser inferiores a 100 mg/dL [27].

As dislipidemias podem ser classificadas em primárias, relacionadas com a genética ou então, em secundárias, causadas pelo estilo de vida e outros fatores. Sendo assim, pode-se fazer alterações no estilo de vida do utente, com a finalidade de minimizar a dislipidemia, caso se trate de uma dislipidemia secundária [26].

Obesidade: está relacionada com várias co-morbilidades, nomeadamente HTA, DM tipo 2, dislipidemia, doença arterial coronária (DAC), entre outras, uma vez que causa um aumento significativo do volume sanguíneo total e do débito cardíaco e consequentemente, a uma diminuição da resistência periférica total.

Em pessoas adultas, um Índice de Massa Corporal (IMC) com valores entre 25 a 29,99 kg/m2, indica excesso de peso, enquanto que um IMC ³ 30 kg/m2 é sinónimo de obesidade [29].

Uma dieta equilibrada rica em gorduras saturadas, frutas e vegetais e uma redução do consumo de sal, traduzem-se em medidas que podem minimizar este fator de risco.

Sedentarismo: realizar atividade física por lazer, está associada a uma redução de cerca de 30 a 50% no risco de DCV, tanto nos homens como nas mulheres, quer seja em idade adulta ou idosa.

A prática de exercício físico para além de permitir a manutenção de um peso saudável, permite também um controlo dos níveis de PA, colesterol e glicemia. É recomendado 30 minutos de atividade física moderada, por dia [30].

Tabagismo: nos dias de hoje, o consumo de tabaco é a principal causa de doença e de mortes que podem ser evitadas, nos países desenvolvidos [31]. Ao fumar, dá-se um aumento agudo da PA e da frequência cardíaca, que perdura 15 minutos após fumar um cigarro. Estudos realizados demonstram que pessoas fumadoras apresentam valores de PA diária mais elevados, quando comparados com pessoas não-fumadoras [32].

Álcool: nos adultos saudáveis, a ingestão de poucas ou moderadas quantidades de álcool por dia não revelam um impacto substancial na hemodinâmica ou na PA, até pelo contrário, aumenta os valores de c-HDL, impede a agregação

plaquetária e ainda favorece a fibrinólise. Por outro lado, um consumo excessivo de álcool está associado a um aumento transitório na PA e a um incremento dos valores de c-LDL, o que faz com que a probabilidade de desenvolver aterosclerose aumente [16, 33]. Recomenda-se o consumo máximo de 2 copos por dia, no caso dos homens e em relação às mulheres, recomenda-se a ingestão de 1 copo por dia.

Os fatores de risco não modificáveis são:

Sexo: em indivíduos do sexo masculino, o risco de ter um ataque cardíaco é mais elevado do que em indivíduos do sexo feminino, no entanto, a diferença diminui assim que as mulheres atingem a menopausa e o risco de DCV a partir dos 65 anos é igual para os dois sexos. Nas mulheres, uma hormona chamada estrogénio apresenta características antiaterogénicas, visto que tem capacidade de aumentar a síntese de c-HDL e a degradação de c-LDL, relaxar o miocárdio, entre outros aspetos benéficos. É de realçar que quando as mulheres são afetadas pelas DCV, estas apresentam maior gravidade [34, 35].

Idade: em idade mais avançada, a probabilidade de desenvolver DCV aumenta. De facto, 80% das mortes relacionadas com este tipo de doença, dá-se em indivíduos com mais de 65 anos. À medida que se envelhece, o coração tem tendência a deixar de funcionar corretamente, uma vez que deixa de ter capacidade de bombear o sangue corretamente [34].

Hereditariedade: indivíduos com história familiar de DCV, apresentam uma maior possibilidade de vir a ter este tipo de doenças. O risco é ainda mais acrescido, quando aliados a um fundo genético predisponente a DCV, praticam estilos de vida não saudáveis. Não sendo possível exercer controlo sobre este fator de risco, resta apenas adotar um modo de vida saudável [36].

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