– B ASE IFRS RECEITAL ÍQUIDA
BRGAAP IFRS
19. Instrumentos financeiros
19.1 Gestão de risco financeiro
19.1.1 Fatores de risco financeiro
As atividades do Grupo o expõem a diversos riscos financeiros: risco de mercado (incluindo risco de moeda, risco de taxa de juros de valor justo, risco de taxa de juros de fluxo de caixa e risco de preço), risco de crédito e risco de liquidez. O programa de gestão de risco global do Grupo se concentra na imprevisibilidade dos mercados financeiros e busca minimizar potenciais efeitos adversos no desempenho financeiro do Grupo, através do uso de instrumentos financeiros derivativos para proteger certas exposições a risco.
A gestão de risco é realizada pela tesouraria central do Grupo, segundo as políticas aprovadas, exceto para as controladas em conjunto, as quais são compartilhadas com os demais acionistas controladores. A tesouraria do Grupo identifica, avalia e protege a Companhia contra eventuais riscos financeiros em cooperação com as unidades operacionais do Grupo. O Conselho de Administração estabelece princípios para a gestão de risco global, bem como para áreas
e não-derivativos.
(i) Risco cambial
O Grupo atua internacionalmente e está exposto ao risco cambial decorrente de exposições de algumas moedas, principalmente com relação ao dólar dos Estados Unidos e ao Peso Argentino. O risco cambial decorre de operações comerciais e financeiras, ativos e passivos reconhecidos e investimentos líquidos em operações no exterior.
A Administração estabeleceu uma política que exige que as empresas do Grupo administrem seu risco cambial em relação à sua moeda funcional. Para administrar seu risco cambial decorrente de operações comerciais as empresas buscam equilibrar a sua balança comercial entre compras e vendas em moedas diferentes da moeda funcional.
Nas operações de captações de recursos através de dívidas sem previsão de vencimento (bônus perpétuo), não foram utilizados instrumentos de proteção cambial haja vista não haver fluxo de liquidações de principal envolvido, portanto sem efeito relevante no caixa. A exposição contábil e patrimonial a estas oscilações permanecem nas demonstrações financeiras. As dívidas financeiras tomadas com vencimento, nas quais existe a exposição à variação de moeda com relação ao caixa, são protegidas por operações de swap de taxas e índices, os quais são “perfeitos” em relação ao valor protegido, data de vencimento e indicadores de valorização, retirando integralmente o risco cambial.
O Grupo tem certos investimentos em operações no exterior, cujos ativos líquidos estão expostos ao risco cambial.
Em 31 de dezembro de 2009 e de 2008, a Companhia e suas controladas possuíam ativos e passivos denominados em dólares norte-americanos conforme tabela abaixo:
Itens 2009 2008 2009 2008
Caixa e equivalentes de caixa 10 9 3.010 125.125
Outos ativos 41.743 33.828 66.972 49.607
Passivos (259.582) (86.493) (38.445) (39.954)
Bônus Perpétuo - - (283.952) (277.669)
Total (217.830) (52.656) (252.415) (142.891)
Valores em US$ mil
Controladora - BRGAAP Consolidado - IFRS
Adicionalmente neste exercício de 2009 nossa exposição à moeda pesos argentinos é conforme abaixo:
Itens
Caixa e equivalentes de caixa Aplicações financeiras Clientes Estoques Imobilizado Intangíveis Outros ativos Fornecedores Instituições financeiras Adiantamento de clientes Exposição líquida em pesos
(2.175) 128.096 12.744 66.557 34.155 10.550 (7.088) (2.335) 615 12.374 2.700 2009
Em 31 de dezembro de 2009 a cotação do dólar norte-americano (“dólar”) em relação ao Real era US$ 1,00 = R$ 1,741 (US$ 1,00 = R$ 2,337 em 31 de dezembro de 2008). Se a moeda “Real” se desvalorizar 10% em relação ao dólar oficial de encerramento do exercício, sendo mantidas todas as demais variáveis, o impacto no resultado, após o cálculo do imposto de renda e da contribuição
social, é uma perda de aproximadamente R$ 28.692. Neste cenário, o impacto na liquidez seria
positivo, ou seja, a Companhia e suas controladas teriam um acréscimo de caixa líquido de empréstimos e financiamentos, de aproximadamente R$ 524, em função da maior dívida em dólar ser sem previsão de vencimento e não requerer desembolso, no caso o bônus perpétuo.
Visando diminuir a exposição líquida à variação de moedas estrangeiras e melhor equilibrar os efeitos desta exposição com os efeitos produzidos pelo “hegde” natural existente nas operações de exportação, bem como das participações em sociedades localizadas no exterior, a Companhia contrata operações de “swap” junto às instituições financeiras, atrelados diretamente aos contratos de financiamento em moeda estrangeira, de forma a minimizar os riscos das oscilações do câmbio sobre estes endividamentos.
Os instrumentos derivativos da Companhia e de suas controladas podem ser resumidos e categorizados da seguinte forma
(nocional) Valor justo
Descrição 2008 2008 receber/(recebido)Valor a Valor a pagar/(pago) Contratos de "swaps"
Posição ativa
Contrato 1 - Moeda estrangeira (USD + 6,50375% a.a.) USD 40.000.000 - (22.509) -Contrato 2 - Moeda estrangeira (USD + 5,79346% a.a.) USD 40.000.000 93.999 7.360 -Contrato 3 - Moeda estrangeira (USD + 3% a.a.) USD 34.274.098 71.968 - 556 Contrato 4 - Moeda estrangeira (USD + 6,35% a.a.) USD 41.666.667 - (17.363) -Contrato 5 - Moeda estrangeira (USD + 6,35% a.a.) USD 50.287.356 - (20.956) -Contrato 6 - Moeda estrangeira (JPY iene + 4,037% a.a.) ¥4.232.000.000 110.135 47.902 -Contrato 7 - Moeda estrangeira (USD + 4,1% a.a.) USD 41.365.291 97.427 9.809
-373.529
(60.828)
-65.071 556
Posição passiva
Contrato 1 - Taxa 109,85% do CDI USD 40.000.000 - - (9.059) Contrato 2 - Taxa 105% do CDI USD 40.000.000 87.357 - 1.687 Contrato 3 - Taxa CDI mais 2,25% a.a. USD 34.274.098 73.314 - 361 Contrato 4 - Taxa CDI mais 1,22% a.a. USD 41.666.667 - - (3.143) Contrato 5 - Taxa CDI mais 1,22% a.a. USD 50.287.356 - - (3.794) Contrato 6 - Taxa 114% do CDI ¥4.232.000.000 71.895 - 4.753 Contrato 7 - Taxa CDI + 2,25% a.a. USD 41.365.291 90.755 - 1.958
323.321 Total Valor Justo 50.208
(15.996) 8.759
Realizados Não realizados Total 2008
Total dos valores recebidos / a receber 60.828 65.071 125.899
Total dos valores pagos / a pagar 15.996 9.315 25.311
44.832 55.756 100.588
Resumo dos efeitos
Efeito acumulado (período atual)
Valores recebidos / pagos Valores a receber / a pagar
Valores recebidos / pagos Valores a receber / a pagar
Os ganhos não realizados em 2008, no valor de R$ 55.756, mensurados com base na “curva do papel” estão apresentados no grupo de empréstimos e financiamentos, líquido dos saldos dos empréstimos em aberto e diferem do valor dos respectivos ganhos mensurados ao seu valor justo, no montante de R$ 50.208. Considerando que as operações de swaps contratadas consistem em operações de proteção cambial (“hedge”), cujos valores nocionais são iguais aos valores dos empréstimos indexados em moeda estrangeira, e o fato da Administração da Companhia pretender levar esses instrumentos, tanto de dívida quanto derivativo, até suas datas de vencimento a diferença apresentada é classificada como meramente temporal, até o prazo final das operações em questão, não devendo registrar perdas ou ganhos financeiros decorrentes dessas variações. Os contratos de derivativos não eram negociados em mercado de bolsa ou organizados, sendo as contrapartes instituições financeiras. Dessa forma não há garantias ou margens sobre os mesmos. No decorrer de 2009 todas as operações com swaps foram liquidadas não remanescendo saldo a realizar.
O valor justo dos instrumentos derivativos informado na tabela acima para o ano de 2008 foi apurado utilizando o conceito “Mark to Market” utilizado pelas instituições financeiras na precificação de suas operações, que levam em consideração os encargos e remunerações
Análise de sensibilidade das variações na moeda estrangeira e das variações na taxa de juros
Conforme apresentado na nota 11, a Companhia está exposta a riscos de flutuação de taxa de juros e a moedas estrangeiras (diferentes da sua moeda funcional, o “Real”), principalmente ao dólar norte-americano, em seus empréstimos e financiamentos.Não existem operações com derivativos em aberto na data destas demonstrações financeiras de forma que a avaliação de sensibilidade foi realizada para a exposição das dívidas financeiras à moeda estrangeira e a flutuação das taxas de juros. A análise leva em consideração 3 cenários de flutuação nestas variáveis. Na definição dos cenários utilizados a Administração da Companhia acredita que as seguintes premissas possam ser realizadas, com suas respectivas probabilidades, contudo cabe salientar que estas premissas são exercícios de julgamento efetuado pela Administração da Companhia e que podem gerar variações significativas em relação aos resultados reais apurados em função das condições de mercado, que não podem ser estimadas com segurança nesta data para o perfil completo das estimativas.
Cenário de taxa de juros e paridade do dólar norte-americano (US$) em relação ao real (R$) provável estimada pela Administração:
Taxa de juros para o ano de 2010: Aumento de 10% US$: 1,80
Cenário de taxa de juros e paridade do dólar norte-americano (US$) em relação ao real (R$) possível, com deteriorização de 25% (vinte e cinco por cento) na variável de risco considerada como provável:
Taxa de juros para o ano de 2010: Aumento de 12% US$: 2,25
Cenário de taxa de juros e paridade do dólar norte-americano (US$) em relação ao real (R$) remota, com deteriorização de 50% (cinquenta por cento), na variável de risco considerada como provável:
Taxa de juros para o ano de 2010: Aumento de 15% US$: 2,70
O impacto apresentado na tabela abaixo refere-se ao período de 1 ano de projeção:
Operação Risco Provável Possível Remota
Empréstimos e financiamentos Alta do Dólar 1.257 10.879 20.501
Empréstimos e financiamentos Alta de Taxa de Juros 724 905 1.086
TOTAL 1.982 11.784 21.587
Cenário conforme definição acima
captados às taxas variáveis expõem o Grupo ao risco de taxa de juros de fluxo de caixa. Os empréstimos do Grupo às taxas variáveis eram principalmente mantidos em “Reais”.
O Grupo analisa sua exposição à taxa de juros de forma dinâmica. São simulados diversos
cenários levando em consideração refinanciamento, renovação de posições existentes,
financiamento e hedge alternativos. Com base nestes cenários, o Grupo define uma mudança razoável na taxa de juros e calcula o impacto sobre o resultado. Para cada simulação, é usada a mesma mudança na taxa de juros para todas as moedas. Os cenários são elaborados somente para os passivos que representem as principais posições com juros.
Com base nas simulações realizadas, considerando o perfil do endividamento do Grupo em dezembro de 2009, o impacto sobre o resultado, depois do cálculo do imposto de renda e da contribuição social, com uma variação em torno de 0,25 pontos percentuais nas taxas de juros
variáveis, considerando que todas as demais variáveis fossem mantidas constantes,
corresponderia um aumento/redução aproximado de R$ 202 no ano da despesa com juros. A simulação é feita trimestralmente para verificar se o potencial máximo de prejuízo está dentro do limite determinado pela administração. O endividamento atrelado a taxa de juros flutuante não inclui, entre outros, o bônus perpétuo o qual é remunerado à taxa fixa de 9,875% a.a.a
(iii) Risco de crédito
O risco de crédito é administrado corporativamente. O risco de crédito decorre de caixa e equivalentes de caixa, instrumentos financeiros derivativos, depósitos em bancos e instituições financeiras, bem como de exposições de crédito a clientes. Para bancos e instituições financeiras são aceitos títulos de entidades classificadas pela Administração da Companhia como de primeira linha. Os limites de risco individuais são determinados com base em classificações internas ou externas de acordo com limites estabelecidos pela Administração. A utilização de limites de crédito é monitorada regularmente e registra quando aplicável provisão para créditos de liquidação duvidosa.
A seletividade de seus clientes, assim como o acompanhamento dos prazos de financiamentos de vendas por segmento de negócios e limites individuais de posição, são procedimentos adotados a fim de minimizar eventuais problemas de inadimplência em seu contas a receber. Nossas receitas apresentam maior concentração envolvendo o cliente Petrobrás, direta e indiretamente, o qual respondeu em 2009 por aproximadamente 54% (39% no ano de 2008) das receitas totais da Companhia e suas controladas.
(iv) Risco de liquidez
A gestão prudente do risco de liquidez implica manter caixa, títulos e valores mobiliários suficientes, disponibilidades de captação por meio de linhas de crédito compromissadas e capacidade de liquidar posições de mercado. Em virtude da natureza dinâmica dos negócios do Grupo, a tesouraria mantém flexibilidade na captação mediante a manutenção de linhas de crédito compromissadas.
A Administração monitora o nível de liquidez do Grupo, considerando o fluxo de caixa esperado, que compreende linha de crédito não utilizada, caixa e equivalentes de caixa. Geralmente, isso é realizado em nível local nas empresas operacionais do Grupo, de acordo com a prática e os limites estabelecidos pelo Grupo. Esses limites variam por localidade para levar em consideração a liquidez do mercado em que a Companhia atua. Além disso, a política de gestão de liquidez do Grupo envolve a projeção de fluxos de caixa nas principais moedas e a consideração do nível de
manutenção de planos de financiamento de dívida. 19.2 Gestão de risco de capital
Os objetivos do Grupo ao administrar seu capital são os de salvaguardar a capacidade de continuidade do Grupo para oferecer retorno aos acionistas e credores, além de manter uma estrutura de capital ideal para maximizar seu custo médio ponderado.
O Grupo monitora o capital com base no índice de alavancagem financeira. Esse índice corresponde à dívida líquida pelo capital total. A dívida líquida, por sua vez, corresponde ao total de empréstimos (incluindo empréstimos de curto e longo prazos, conforme demonstrado no balanço patrimonial consolidado), subtraído do montante de dívidas sem previsão de vencimento (bônus perpétuo), do caixa e equivalentes de caixa e dos títulos e valores mobiliários. O capital total é apurado através da soma do capital social, conforme demonstrado no balanço patrimonial consolidado, com a dívida líquida.